Fiz uma seleção de dicas de um dos maiores bilionários da bolsa de valores brasileiras e quero compartilhar com você neste artigo. Junto com as “dicas privilegiadas” eu também deixei algumas críticas. Meu objetivo não é criticar ninguém, mas fazer reflexão sobre uma mania que temos que pode fazer você perder muito dinheiro, até mesmo quando segue as dicas de um grande bilionário. Acho que de todos os riscos que existem no investimento em ações, este é o pior de todos eles.

Primeiro você precisa desfazer aquele estereótipo de bilionário que existe na sua cabeça. Veja um exemplo real:

O cidadão que aparece nas fotos acima se chama “Dan Brandon Bilzerian”. Ele é modelo de bilionário que vive no imaginário popular. Neste momento existem 19,3 milhões de pessoas seguindo seu perfil no instagram (veja você mesmo). Pena que você não irá aprender nada de muito útil seguindo seu perfil, mas não deixa de ser curioso ver o esforço do rapaz para ser notado e respeitado pelas coisas que pode pagar. Dan é um jogador de poker profissional, filho de um investidor da bolsa de valores dos EUA chamado Paul Bilzerian. Seu pai era especialista em comprar o máximo de ações de uma determinada empresa até assumir o controle ou conseguir mais poder nas decisões da companhia. Apesar da estratégia ser interessante, Paul não deixou um bom exemplo para seus filhos, já que acabou se envolvendo com ilegalidades junto ao fisco dos EUA. Seus filhos seguem um estilo de vida exibicionista nas redes sociais.

Existem investidores que não fazem o mesmo tipo de ostentação, mas que usam a mesma estratégia de investimento com foco no longo prazo. Compram ações com o objetivo de se tornarem sócios. Compram cada vez mais ações para terem mais poder de influência nas empresas. Vamos ver o exemplo de um investidor que ficou bilionário, começando do zero, usando este tipo de estratégia.

Na foto acima da Exame temos o Luiz Barsi, bilionário brasileiro da bolsa de valores que usou a estratégia de compra de ações com foco no longo prazo. Barsi não tem helicóptero, iate, jatinho e carros de luxo. Este estilo de vida simples ajudou Barsi a acumular uma fortuna.

Simples mortais teriam começado a gastar o dinheiro ganho na bolsa logo nos primeiros R$ 10 mil, outros já gastariam tudo nos primeiros R$ 100 mil. Os mais pacientes poderiam esperar até completar R$ 1 milhão. Difícil mesmo seria manter um estilo de vida simples, de forma paciente, até quase 80 anos de idade para ver o saldo da conta atingir 10 dígitos ou R$ 1.000.000.000. Isso que eu chamo de querer muito deixar uma boa herança para os filhos.

Dica que publiquei hoje no Instagram do Clube dos Poupadores e também na nossa página no Facebook. Se você não segue nossos perfis está perdendo muito conteúdo rico.

O sucesso do Barsi esta baseado em duas premissas: disciplina e paciência. São duas características obrigatórias para o investidor de longo prazo. Aqueles que não possuem paciência precisam buscar as técnicas de trade (compra e venda de ações no curto prazo). O fato é que raramente os impacientes conseguem prosperar, já que não suportam esperar o tempo hábil para isto.

Existe uma diferença grande entre ter uma renda elevada (é o caso do barbudo do poker do início do artigo) e ser realmente rico. Para ser rico é necessário acumular e para acumular é necessário conhecimento, paciência e disciplina. Um pai bilionário também ajuda. O ditado popular diz: “pai rico, filho nobre… neto pobre”.

Luiz Barsi Filho fez contabilidade, especializou-se em estrutura e analise de balanços. Mais tarde cursou economia e direito. Aos poucos foi acumulando uma quantidade tão grande de ações de determinadas empresas que chegou a ser membro do conselho de administração de algumas. Barsi nasceu em família humilde de imigrantes e começou a trabalhar com 9 anos de idade. Ele começou a investir na bolsa com o objetivo de montar uma carteira de ações para sua aposentadoria. O que hoje as pessoas fazem deixando dinheiro na previdência privada, Barsi fazia comprando ações de boas empresas focando no recebimento e reinvestimento de dividendos (lucros que as empresas distribuem periodicamente entre aqueles que possuem suas ações).

Nas diversas entrevistas que já li e ouvi sobre ele fica claro que o seu objetivo sempre foi acumular o maior número possível de ações de determinadas empresas. Seus objetivos são traçados em número de ações. Exemplo: uma de suas primeiras metas era de atingir uma quantidade de 100.000 ações da empresa CESP como forma de ter uma fonte de renda passiva (através do recebimento de dividendos).

O valor desta meta em 1970 era equivalente a investir US$ 5 mil. Naquele tempo a CESP pagava dividendo mínimo, prioritário e obrigatório distribuídos semestralmente. Após atingir esta primeira meta Barsi passou a estabelecer outras metas semelhantes escolhendo empresas que classificava como sólidas, que praticamente monopolizavam o mercado, e com baixo risco de falência no longo prazo.

Um exemplo seria empresas do setor elétrico. Mesmo nas crises as pessoas precisam de energia. Mesmo quando você não gasta nada de energia é obrigado a pagar uma taxa mínima. A empresa não tem concorrentes e dificilmente irá quebrar ou ser substituída por um concorrente (isto era a visão dele na década de 70).

Barsi utilizava os dividendos que recebia das ações para comprar mais ações gerando um efeito de “crescimento geométrico”. Exemplo: se hoje tinha 100.000 ações e os dividendos permitiam comprar mais 1000 ações, ele passaria a ter 101.000 ações que renderiam um número maior de dividendos no próximo período de pagamento de dividendos. Assim ele foi aumentando sua participação nas empresas reinvestindo o que recebia, no lugar de comprar carros, barcos e helicópteros.

Bilionário e o Médico

Uma vez um médico perguntou para o Barsi “Como eu faço para investir?”. Ele respondeu:  “Você consegue me passar em 15 minutos todo o conhecimento que você adquiriu ao longo da sua carreira como médico?”. Ele respondeu que não seria possível. Então o Barsi disse: “O mesmo se aplica a investir em ações. Não é possível aprender em apenas 15 minutos o conhecimento necessário para ser bem sucedido ao investir em ações.”

Com certeza o médico não ficou muito feliz com a resposta. Quando meus leitores fazem a mesma pergunta e sou obrigado a recomendar que comprem livros e façam investimentos em cursos. Nem todos gostam da sugestão por acreditarem que existe uma fórmula rápida e simples, quando na verdade existe apenas conhecimento que precisa ser estudado e compreendido e experiência que depende da prática.

Entrevista completa e a parte comentada e criticada:

Selecionei alguns pontos que me chamaram atenção e fiz algumas críticas, não exatamente ao Barsi, mas uma crítica ao nosso comportamento de achar que outros investidores podem dizer onde devemos investir nosso dinheiro. Você verá que nem mesmo os bilionários podem servir de fonte de informação para guiar nossas decisões de investimento. Para ouvir a entrevista basta clicar no botão do vídeo abaixo. O áudio não é dos melhores, mas é possível entender. Irei comentar as melhores partes.


Luiz Barsi: “As instituições financeiras não tem nenhum interesse em fazer com que o indivíduo adquira ações. Elas querem que você direcione os seus recursos para que eles administrem. No Brasil, todos foram seduzidos, induzidos e conduzidos para a agiotagem, pois a poupança também é agiotagem.”

O Barsi só esqueceu de avisar que o Brasil é o melhor lugar do mundo para emprestar dinheiro para bancos e governo, já que temos a maior taxa de juros reais do mundo. Não existe nada de errado em fazer investimentos de renda fixa no Brasil com as atuais taxas que temos.

Luiz Barsi: “Emprestar dinheiro para a poupança é agiotagem, pois você não faz a riqueza circular. Você não gera e nem faz a riqueza”.

Não é bem assim. Quando você empresta seu dinheiro para o banco colocando ele na poupança, comprando um CDB, LCA, LCI, etc… esse dinheiro não fica lá parado dentro de um cofre esperando o dia do saque. Não é correto afirmar que o dinheiro fica inutilmente parado, prejudicando a economia por ter parado de circular. Dinheiro no banco não é igual deixar dinheiro dentro do cofrinho embaixo do colchão.

Na verdade, fazer o dinheiro circular é a função básica do banco. O seu dinheiro vai se transformar imediatamente em crédito para empresas e pessoas que precisam de recursos para investir (no caso das empresas) ou simplesmente para consumir, comprar carros, imóveis, etc. O país sem uma população poupadora é um país pobre de recursos disponíveis para investimentos, já que as empresas precisam de recursos de terceiros para crescer.

Barsi também sabe que a compra e venda de ações na bolsa de valores, no mercado secundário, não gera riqueza nenhuma. O dinheiro que você paga para outro investidor ao comprar ações que ele detinha, não vai para o bolso da empresa. Somente quando a empresa lança as ações na bolsa pela primeira vez (no dia do seu IPO) é que os recursos entram no caixa da empresa e posteriormente podem se transformar em mais investimentos.

Essa afirmação do Barsi reforça o que eu sempre digo: Se você perguntar para um corretor de imóveis se é melhor investir na bolsa, ele vai responder que a bolsa é jogatina e que bom mesmo é comprar imóveis. Se você perguntar para o Barsi se é bom investir em renda fixa, ele vai dizer que renda fixa é agiotagem e bom mesmo é investir tudo em ações. Se você perguntar para o Dan Brandon Bilzerian (barbudo bilionário do início do artigo) ele vai dizer que investir dinheiro é coisa para gente fraca, que você deveria gastar tudo com carros, festas e namoros. Se você perguntar para mim onde investir, eu vou mandar você estudar para nunca mais sair por ai fazendo este tipo de pergunta para as pessoas, pois a resposta sempre vai depender de quem você escolheu para perguntar.

Luiz Barsi: “A Bolsa não tem interesse em que um indivíduo monte uma carteira de ações com foco na aposentadoria. A Bolsa se beneficia quando você se torna um especulador devido a cobrança de taxas. A Bolsa não tem interesse em que você seja um investidor. Ela tem interesse que você seja um especulador.”

Pois é, pergunte para a Bolsa de Valores e para as corretoras de valores se é melhor comprar ações para guardar por longos períodos de tempo ou se é melhor comprar e vender ações várias vezes durante o dia ou no decorrer de poucos dias e semanas para aproveitar movimentos especulativos de curto prazo.

Estas instituições lucram de forma garantida (sem qualquer risco) sempre que você toma uma decisão de compra ou venda de ações. Quanto mais elas estimulam você a comprar e vender, maiores são suas receitas. Nada contra ser um especulador ou um investidor de curto prazo.

Tem gente que literalmente vive disso, mas para chegar neste nível, estas pessoas estudam e se preparam cada vez mais. Sem isto seria impossível atingir um elevado nível de assertividade e excelência. Não é nada diferente do que você pode fazer no seu emprego. Se as pessoas se preparassem como os traders se preparam para vencer na bolsa, provavelmente elas seriam vencedoras nas suas próprias profissões. O verdadeiro investidor de curto prazo não investe como se estivesse com em um cassino, ou seja, não fica esperando a sorte chegar. Eles utilizam estratégias que podem ou não dar certo, dependendo da competência de cada um.

Luiz Barsi: “O mercado de ações no Brasil não é um mercado de risco. Ele é um mercado de oportunidades. A relação entre preço da ação e o valor do patrimônio da empresa por ação (P/VPA) determina o seu risco. Nos EUA você tem ações em que o valor de patrimônio por ação é 1 e o preço da ação é 40. Ela custa 39 vezes mais o seu valor de patrimônio. Isto significa que se você comprar esta ação, você está assumindo o risco 39 vezes superior ao valor intrínseco (real) da empresa. O valor patrimonial de cada ação é o que efetivamente cada ação vale. 90% a 95% das ações negociadas nos países desenvolvidos possuem preços muito acima do valor de patrimônio. Já no Brasil, 90% das ações são cotadas com preços abaixo do valor de patrimônio por ação.”

Um dos indicadores utilizados no momento de identificar boas oportunidades na bolsa de valores é o (P/VPA) que é o preço da ação dividido pelo valor patrimonial por ação. Seria muito fácil se você utilizasse apenas esse parâmetro para tomar a decisão. O problema é que precisamos olhar outros fatores. Vou dar um exemplo. A OI (OIBR4) tem P/VPA de 0,2. Isto significa que se o patrimônio da empresa por ação vale 1 e a sua ação custa 0,2. Parece uma ótima oportunidade? Quando você olha outros indicadores como o P/L (relação entre preço da ação e o lucro líquido dos últimos 12 meses) você observa que é de -0,2%. Isto significa que a empresa está fechando no prejuízo. Quando você olha a relação entre Dívida Bruta e patrimônio líquido encontra o número de 414%, ou seja, a dívida é 4 vezes maior que o patrimônio. Ao olhar as últimas notícias sobre a empresa você observa que ela pediu recuperação judicial, sendo esta operação a maior já realizada no país. Existem muitos indicadores que você precisa olhar antes de virar sócio.

Luiz Barsi: “Pergunta se eu tenho ações da Petrobras… Tentaram transformar a Petrobras e a Eletrobras em uma potência, mas o pessoal que está lá não tem competência para isto. O estatuto da Petrobras permite que ela se transforme na casa de Irene.”

Se você não sabe como é a Casa de Irene, baixe o volume, clique no botão do vídeo abaixo e escute você mesmo. Muitas empresas públicas são grandes casas de Irene.


Nem preciso falar que investir em empresas controladas pelo governo faz você correr o risco de amargar prejuízos quando o governo resolve utilizar estas empresas para benefício dos seus políticos, partidos e amigos. Basta olhar a operação Lava-jato e verificar por qual motivo é importante para os políticos manter as estatais grandes.

Vale lembrar que Luiz Barsi é um dos maiores acionistas do Banco do Brasil e da Eletrobras, que também sofrem com governos populistas e a maldição de Irene.

Luiz Barsi: “A minha renda fixa são as ações. No Brasil não existe renda fixa. No Brasil existe perda fixa… (devido ao efeito da inflação) É preferível que você no lugar de comprar essa suposta renda fixa você compre ações do Banco do Brasil. O negócio é simples, as pessoas é que complicam.”

Entendeu por qual motivo o Barsi sugeriu, durante o áudio da entrevista, que todo cidadão compre pelo menos 100.000 ações do Banco do Brasil no lugar de comprar um apartamento para alugar? Ele não é corretor e não tem imóveis para vender, mas é o maior acionista individual do Banco do Brasil na bolsa brasileira.

Pergunte para o dono da peixaria se é melhor fazer um churrasco ou uma peixada no almoço de domingo. Depois passe no açougue e faça a mesma pergunta. Passe lá no dono da quitanda de verduras e pergunte se não seria melhor trocar proteína animal por vegetais.

Luiz Barsi: “Você tem que avaliar a relação preço patrimônio, mas este é apenas um dos fatores. Existem outros fatores que precisam ser avaliados… (ele começa a listar alguns). É por isto que é difícil um cidadão jovem, que não sabe nada, avaliar todos esses fatores. Então ele tem que ir no médico das ações. Eu sou um dos médicos! A minha especialidade é formatar carteiras e portfólio de previdência. Existem outros que são especialistas em produzir fluxos especulativos…

Será mesmo que o melhor caminho para o jovem é abrir conta na corretora onde o senhor trabalha e perguntar para os especialistas, economistas, analistas onde investir? Não seria melhor mandar o jovem fazer o que o senhor fez que foi estudar cada vez mais para tomar decisões sem perguntar para os outros?

Até o final da entrevista Luiz Barsi fez recomendações de compra da Eletrobras, SABESP e outras empresas que ele possui muitas ações. Ele criticou os fundos dos bancos e finalizou criticando os pequenos empreendedores e o Sebrae. Ele diz que no lugar de ter um posto de gasolina, você deveria ser sócio de vários postos de gasolina comprando ações da Ultrapar (que controla os postos Ipiranga, Ultragaz e Extrafarma). Segundo ele, não faz sentido abrir uma farmácia. Melhor comprar ações e se tornar “dono” da Extrafarma. Não preciso dizer que ele possui muitas ações da Ultrapar.

Minha recomendação:

Estude! Estude! e Estude! O bilhão em ações do Barsi são uma consequência de muitas horas de estudo e de prática. É claro que acompanhar o mercado por 48 anos, diariamente, ajudaram nas suas decisões. É claro que os cursos de contabilidade, economia e direito ajudaram nas suas decisões. Pode ter certeza que ele não atingiu o seu atual patrimônio perguntando para outros investidores sobre onde deveria investir.

Não espere aprender tudo que precisa em 15 minutos ou lendo 2 ou 3 artigos. É importante investir na sua educação, já que estamos falando de investimentos de risco, que é bem diferente de investimentos de renda fixa. Recomendo a leitura de um ebook gratuito chamado Como investir começando do zero“.

Dica do dia - Melhorando seu desempenho:

Sucesso é o processo contínuo do esforço para tornar-se maior e melhor. É a oportunidade de continuar crescendo emocional, intelectual e financeiramente, enquanto se contribui de alguma forma positiva para outros. Você se sente preparado(a) para atingir aquilo que você definiu como seu sucesso? Escrevi alguns livros que podem ajudar muito na sua jornada rumo ao seu sucesso financeiro e profissional. Eles já estão ajudando milhares de leitores aqui do Clube dos Poupadores. Clique aqui para saber como funciona.