Como saber se uma tendência de alta na bolsa de valores é realmente consistente? E se você investir o seu dinheiro, sem prestar atenção na tendência, e logo depois o preço da ação despencar? Essa é a continuação do último artigo sobre a Teoria de Dow.

Charles Dow, através da sua teoria, acreditava que para uma tendência de alta ou de baixa nos preços das ações pudessem ser aceitas como consistentes era necessário que o investidor confirmasse essa tendência.

Uma das formas de fazer isso era através do volume. Nos softwares e aplicativos que geram gráficos de preço das ações é possível ativar uma opção que permite ver o gráfico de volume. Esse volume nada mais é do que a quantidade de ações que foram negociadas (compradas e vendidas) em um período de tempo. No próximo artigo sobre bolsa valores irei ensinar como gerar gráficos de preço e volume na internet através de uma conta gratuita no GuiaInvest. Hoje vamos aprender sobre como confirmar tendências com base na Teoria da Dow.

No gráfico abaixo temos a linha preta que representa a variação de preço da ação de uma empresa brasileira do setor elétrico. Entre fevereiro e setembro de 2016 o seu preço passou de algo em torno de R$ 10,00 para quase R$ 30,00. Observe no gráfico do volume, logo abaixo do gráfico de preço, que a quantidade diária de ações negociadas passou de algo em torno de 12 milhões de ações para mais de 50 milhões em diversos dias.

Não é muito difícil entender que quanto mais ações estão sendo negociadas, maior é a força do movimento do preço seguindo uma tendência. Por este motivo volume de ações negociadas pode ser utilizado como uma confirmação da força de uma tendência de alta ou de baixa.

Na figura abaixo temos uma tendência de alta do preço que é acompanhada da alta do volume de ações negociados na bolsa.

Logo abaixo temos outro gráfico onde o preço dessa mesma ação iniciou uma tendência de baixa que durou vários dias entre o mês de outubro e novembro de 2012. A ação era negociada por valores próximos de R$ 12 e após a queda, chegou a ser vendida por algo próximo de R$ 5,00. No gráfico do volume podemos observar que quanto maior a queda no preço da ação, mais ações eram negociadas (maior o volume). Observe que no final do período mais de 90 milhões de ações foram vendidas por preços próximos de R$ 5,00. Nem preciso dizer que para cada investidor desesperado que vendia sua ação por R$ 5,00 existiam outros investidores comprando essas ações. Se os preços das ações estão em queda e o volume aumenta cada vez mais, isso mostra a força ou a consistência da tendência de queda.

No próximo gráfico podemos ver o que aconteceu logo depois do movimento acima. O preço parou de cair e começou a subir, mas a tendência de alta não podia ser confirmada pelo volume pelo fato dele ser divergente, ou seja, estava em queda enquanto o preço subia. Em 2013 foi possível observar que o volume começou a aumentar acompanhando o preço e isso poderia ter sido entendido como uma confirmação da força da tendência de alta do preço dessa ação.

A Reversão

A única certeza que temos quando observamos uma longa tendência de alta nos preços das ações é que um dia essa tendência irá acabar. O mesmo pode acontecer quando estamos diante de uma tendência de baixa dos preços, que não tenha relação com a falência da empresa ou de fato grave que faça o preço não se recuperar mais.

Um dos princípios da Teoria de Dow diz que enquanto for possível observar uma sucessão de topos e fundos ascendentes (Tendência de Alta) ou topos e fundos descendentes (Tendência de Baixa) no preço da ação, teremos a manutenção da tendência.

As linhas do gráfico abaixo representam as variações de preço de uma ação no decorrer do tempo.

A reversão de uma tendência de alta acontece quando observamos uma falha nessa sequência de topos e fundos cada vez maiores. No momento da falha, o próximo topo não vai conseguir passar o topo anterior. O fundo também não será maior que o anterior.

Observe o exemplo abaixo. Os preços vinham em uma sequência de topos e fundos cada vez mais elevados até que o topo C não conseguiu ultrapassar o topo A. O investidor que segue a Teoria da Dow poderia considerar o preço da ação registrado no ponto B (o último fundo) como sendo um possível ponto de venda da ação, ou seja, um preço ideal para a venda antes de uma queda maior.

Logo abaixo temos um exemplo diferente de uma reversão de tendência de alta. Agora o topo C conseguiu superar o topo A, mas o fundo D não ficou acima do fundo B. A linha S1 indica um possível ponto de venda, já que o fundo “desrespeitou o princípio” de fundos ascendentes ao atingir o preço do fundo anterior, que no caso seria o preço do fundo B.

Vamos imaginar que o investidor preferiu aguardar um segundo sinal de reversão. Ele observou a formação de um topo E menor que o topo anterior (topo C). A linha S2 indicada na figura abaixo seria o segundo possível ponto de venda da ação. Observando a “quebra do padrão” e de todos e fundos ascendentes e o volume crescente, o investidor poderia ter vários indicadores de que ocorreu uma reversão na tendência de alta para uma tendência de baixa.

Agora vamos observar os sinais de reversão de uma tendência de baixa para uma tendência de alta. Observe a figura abaixo. Ela é o final de uma sequência de topos e fundos descendentes, ou seja, o preço da ação estava cada vez menor quando atingiu seu valor máximo e mínimo com o passar do tempo. Em um determinado momento, o fundo C não ficou abaixo do fundo A e com isto temos um primeiro sinal de que o padrão foi quebrado. Se o próximo topo ultrapassar o topo anterior (topo B) temos mais um sinal da ocorrência de reversão da tendência de baixa para uma tendência de alta. A linha B1 seria um possível ponto de compra da ação para aqueles que quisessem apostar nesta tendência.

No próximo gráfico, o fundo C ficou abaixo do fundo A, mas o topo D ultrapassou o topo B. A linha B1 seria um possível ponto de compra da ação. O investidor poderia esperar mais um pouco. O fundo E ficou acima do fundo C indicando mais uma quebra do padrão de baixa. A linha B2 que indica o preço da ação no topo D seria mais um possível ponto de compra da ação.

Para Charles Dow, o investidor seguidor de tendências não deve tentar adivinhar a reversão de uma tendência. Devemos lembrar que os gráficos não podem prever o futuro. Ele recomenda que o investidor observe as evidências de que a tendência acabou. Isso significa aceitar que durante essa observação ele terá uma redução dos seus lucros. O seguidor de tendência só entra quando a tendência de alta foi confirmada e só sai quando existem sinais de confirmação da tendência de baixa. A ideia é evitar investir através de apostas como se você estivesse em um cassino.

A estratégia de investimento de Charles Dow era a de seguir tendências. Talvez naquele tempo, quando os preços das ações eram registrados em quadros negros utilizando giz, a velocidade dos acontecimentos e dos gráficos de preço fossem bem menores. Atualmente os preços se movem a cada segundo. Diante de notícias positivas os preços podem subir ou cair bruscamente. Sempre me pareceu mais comum a alta lenta de preços e as quedas bruscas em curtos espaços de tempo.

É interessante observar que milhares de investidores utilizam essas teorias para tomar decisões diárias de investimento. Todos visualizam os mesmos gráficos de preço e volume, mas cada um adota uma estratégia diferente. Mesmo assim, os padrões que se formam nos gráficos acabam gerando uma enorme influência na oferta e na demanda por ações. Muitas vezes isso provoca um descolamento entre esses movimentos de preço e os fundamentos da empresa.

É comum o investidor que analisa os dados da empresa de uma forma mais detalhada e profunda, observar algum tipo de “irracionalidade” dos investidores de curto prazo diante das reações de medo ou de ganância no decorrer de acontecimentos corriqueiros do dia a dia que não param de ser divulgados pela imprensa, governo e empresas.

Como muitos investidores tomam decisões baseados esses pontos e movimentos que citei neste artigo, existem momentos que o preço atinge determinados pontos difíceis de ultrapassar. São como linhas imaginárias que resistem diante da alta ou da baixa de preços. Quando essas linhas imaginárias de resistência são rompidas, podem ocorrer grandes movimentos no preço para cima ou para baixo.

Mesmo que o seu objetivo não seja fazer investimentos de curto prazo, é muito interessante conhecer todos esses movimentos.

Vou falar sobre essas questões nos próximos artigos sobre ações.