Qual é o carro das pessoas bem-sucedidas? Se você foi promovido, isto significa que precisa mudar de carro? Vamos imaginar que você trabalha em um determinado setor de uma grande empresa e finalmente, depois de vários anos, foi promovido para o cargo de gerente. A primeira coisa que vai passar por sua cabeça é: agora que sou gerente, preciso dirigir um carro compatível com meu cargo de gerente.

Outra situação seria passar naquele sonhado concurso público onde as pessoas ganham elevados salários. Você vai se questionar se não seria uma boa ideia trocar de carro imediatamente, antes mesmo de receber o seu primeiro salário como servidor público, afinal de contas, você cresceu na vida e merece.

Todos gostam de prosperar na vida e merecer tudo que é melhor. Alguns anos depois você cresce profissionalmente e se torna diretor da empresa. Agora você é um executivo e sente que precisa ter um carro de executivo. Mesmo que não queira, as pessoas próximas vão perguntar: “Você não é diretor daquela empresa? Por qual motivo continua andando com esse carro de gerente?”. Você ficará constrangido ao estacionar o seu carro popular na garagem da diretoria.

Quem não tem, não é?

Dentro da sua cabeça, e da cabeça dos outros, o fato de não “TER”, começa a entrar em contradição com aquilo que você “É”.

Se você tem uma empresa ou é um profissional liberal, também vai querer mostrar para os outros quem você “É” através das coisas que você “TEM”. Um empreendedor bem-sucedido precisa de um carro de pessoas bem-sucedidas. O que os seus funcionários, concorrentes e até seus clientes vão pensar de você quando virem o carro que você anda? Será que eles vão julgar aquilo que você “É” através daquilo que você “TEM”?

Claro que sim, no primeiro momento (goste você ou não) as pessoas vão te julgar pelas coisas que você tem. No segundo momento elas podem até perguntar quem você é. Não importa se estas coisas estão adornando seu corpo (roupas, joias, etc) ou se são coisas que você acumula (carros, eletrônicos, etc).

Esposa de patrão e esposa de empregado:

Até seu cônjuge pode ser visto pela sociedade como “coisa” e usado para avaliar quem você é. Não é raro ouvir falar de homens que cresceram na vida profissional e diante desta nova realidade trocaram de casa, carro e esposa. Quantos empresários e executivos de idade mais avançada você já viu trocando a velha esposa por uma esposa nova, mais condizente com seu sucesso profissional? Não é raro ver empresários trocando esposas anônimas por modelos, atrizes ou filhas de outros empresários.

Para quem olha esta realidade com algum distanciamento este tipo comportamento é criticável, mas infelizmente tudo isso está enraizado na nossa cultura e tem total relação com a maneira que lidamos com o dinheiro e nosso desenvolvimento pessoal e profissional.

Você percebe que a sociedade relaciona o SER com TER?

O modelo mental das pessoas funciona assim: Se você diz que é, então mostre que tem.

Já o contrário não costuma ser questionado, ou seja, ninguém olha quem tem e pergunta se a pessoa realmente é. É como se todos pensassem da seguinte maneira: “mostre o que você tem e eu não vou precisar perguntar quem você é”. É como se “Ter” funcionasse como um passaporte que abre as portas para você sem a necessidade de muitas perguntas.

O pior de tudo é que todos pensam desta forma e isto te obriga muitas vezes a se adaptar a esta realidade para conviver harmonicamente na sociedade.

Carro do funcionário bem-sucedido:

Carro de gerente bem-sucedido:

Carro de diretor bem-sucedido:

Carro do presidente bem-sucedido:

Brinquedos de adulto:

Os grandes empresários sabem que podem prejudicar a imagem da sua corporação se seus diretores, gerentes e presidente forem vistos dentro de carros econômicos e velhos. Eles entendem como a sociedade pensa. Eles também sabem que “coisas” funcionam como símbolos de status e poder. É assim desde o tempo das cavernas. Sabem que as pessoas trabalham mais quando querem conquistar estes símbolos.

As empresas já perceberam que podem retirar talentos do concorrente oferecendo carros luxuosos como “benefício”. Estava lendo uma pesquisa sobre o assunto. As grandes empresas oferecem entre 180 e R$ 200 mil para que executivos comprem novos carros a cada 3 anos. Diretores recebem em média R$ 135 mil. Já os gerentes Srs podem adquirir veículos de quase R$ 80 mil. Normalmente os carros não são repassados para o funcionário. Eles são adquiridos pela empresa e fazem parte da sua frota. Para o funcionário, ser dono do carro é menos importante do que parecer ser dono do carro. “Parecer ter o carro” acaba sendo mais importante do que “ter o carro”. A ilusão já cumpre seu papel (fonte).

A oferta desses aparentes benefícios também funciona como algemas. A empresa algema você no seu novo carro de luxo, que na verdade pertence a empresa. Se você resolver aceitar a proposta de emprego de um concorrente, você perde seu brinquedo. Ou você faz o seu dever de casa ou você perde o seu brinquedo.

Em uma reportagem sobre o assunto alguém disse:

“A estratégia é oferecer um carro na faixa de R$ 47 mil para atingir cargos mais baixos, como o de gerente”, diz. Num mercado em que existe disputa por profissionais, as grandes empresas têm usado o carro como isca para fisgar executivos em concorrentes (fonte).

Isca é um nome perfeito. A figura abaixo representa muito bem as duas formas de motivar pessoas dentro das empresas. Normalmente as duas são utilizadas ao mesmo tempo e costumam funcionar para todos os níveis, do chão de fábrica até os cargos mais elevados.

 

Não existe nada de moderno nessa técnica de oferecer carros e outras regalias para motivar funcionários. Quando seus antepassados viviam no campo era assim que eles faziam uma mula andar para frente.

Hoje existem os mais variados tipos de cenoura. A reportagem destaca que muita gente cai na isca da cenoura moderna.

E muita gente cai nessa estratégica. “Um automóvel funciona como sinal de status”, diz Rodrigo Redorat, gerente do Hay Group, consultoria de gestão de negócios, de São Paulo. De acordo com ele, um veículo significa, para o executivo, um benefício altamente valorizado e exigido, tornando-se, hoje, um dos itens que entram na negociação de quem está prestes a mudar de empresa. “Para muitos deles, saber se a companhia oferece carro é mais importante do que o salário”, afirma Laura Lafayette, diretora de RH da Avaya, fabricante de equipamentos de telecomunicações, de São Paulo (fonte).

Empresário malvado ou funcionário despreparado?

Não vamos tentar tirar a culpa individual de cada pessoa e jogar esta culpa nos  “empresários malvados”. Se você não fosse seduzido por estes brinquedos e cenouras eles utilizariam outras formas de aumentar a produtividade e o faturamento das suas empresas. Vamos usar o princípio da autorresponsabilidade:

Os empresários simplesmente aprenderam a lidar com a nossa cultura e nossa visão limitada de mundo. As empresas entendem os valores e os desejos das pessoas e simplesmente oferecem a cenoura que você quer receber para trabalhar melhor e mais satisfeito.

Não podemos negar que a falta de uma mentalidade financeira correta ou a falta de uma educação financeira correta é a base para a construção de políticas de recursos humanos que geram mais resultados para as empresas. Resultados significa um funcionário fiel, produtivo e motivado para atingir as metas que irão aumentar os resultados das empresas.

Quem faz papel de bobo são os gerentes, diretores e até presidentes contratados para fazer a empresa dos outros crescer e lucrar. Do outro lado da mesa temos um empresário que entende muito bem o que move as pessoas (São as cenouras). Não cabe a este empresário mudar a cabeça dos seus funcionários e consumidores, cabe a ele aceitar a realidade, os recursos humanos (com todos seus vícios e limitações), recursos materiais e financeiros para transformar seus sonhos em realidade.

Seja uma mula consciente:

Você que é funcionário, gerente ou executivo, é apenas mais uma mula que faz a roda girar olhando para as cenouras. É sua responsabilidade ser no mínimo uma mula consciente de como as coisas funcionam.

Entendo perfeitamente que por questões de marketing pessoal, profissionais liberais e empresários precisem se “travestir” de profissionais bem-sucedidos. Entendo que dependendo do seu cargo, as próprias empresas exigem que você consuma determinadas marcas de roupa, assessórios e veículos.

O que não pode acontecer é você participar deste teatro sem compreender claramente que tudo isto é apenas um teatro.

Podemos nos adaptar para viver dentro de uma sociedade baseada em aparências e mentiras, mas precisamos estar despertos. Precisamos de lucidez para perceber o que é teatro do que é vida real, o que é aparência e o que é realidade, o que é mentira e o que é verdade.

Não existe nada de errado se você é um profissional bem-sucedido e precisa “travestir-se” de um profissional bem-sucedido para que as pessoas te vejam desta forma. Errado é não entender que tudo isso é apenas um teatro.

A educação financeira ajuda a adquirir uma maior lucidez sobre a realidade. A independência financeira conquistada através da educação permite depender menos das encenações da vida.

Para concluir:

Retirei o quadro acima de uma aula do André Fogaça (assista aqui). Ele fala sobre os quadrantes do Kiyosaki mostrando a diferença entre a maneira de pensar de quem é empregado ou autônomo e o modo de pensar de empresários e investidores. Os primeiros buscam mais símbolos de status (casas, carros e produtos de marca) e para isto gastam todo o tempo livre trabalhando para conseguir o dinheiro necessário para acumular estes adornos ou estes símbolos materiais de sucesso.

Já o segundo grupo formado por empresários e investidores usam o dinheiro que possuem para conquistar mais tempo livre. No lugar de colecionar coisas colecionam ativos que geram dinheiro para que tenham mais tempo. Esses ativos são empresas, ações, títulos públicos e privados, imóveis que geram renda passiva. Normalmente são os lucros destes ativos que são utilizados por eles para comprar os adornos que seus funcionários compram gastando vida (tempo e energia).

São os empresários que fornecem o dinheiro e os símbolos de status que os funcionários precisam em troca do tempo e da energia (vida) de cada um. Já os investidores emprestam o dinheiro que as pessoas precisam para comprar estes símbolos de status.

Aproveito para recomendar que você assista a série de vídeos que o André está divulgando na Semana do Investidor. Ele vai falar sobre a história de vida dele, como mudou de mentalidade, como começou a comprar ativos (ações de grandes empresas) com o objetivo de gerar mais renda passiva e com isto ter mais tempo livre para empreender e crescer. Assista ao vídeo 1, depois assista ao vídeo 2 e baixe um ebook gratuito que ele criou chamado “60 dicas dos maiores investidores de todos os tempos“. Depois enviarei o vídeo 3.

Nesta sexta-feira vou publicar um artigo novo sobre a maneira de pensar de um investidor brasileiro que ficou bilionário na bolsa de valores nas últimas décadas investindo com foco na aposentadoria. Vou publicar uma entrevista dele (áudio), os pontos que destaquei desta entrevista e farei meus comentários e críticas. Será um bom momento de reflexão.

Dica do dia - Poder e a Ignorância:

O economista e escritor John Kenneth Galbraith um dia escreveu, "Dinheiro é o combustível da sociedade industrial, mas, na sociedade da informática, o combustível, o poder, é o conhecimento." Atualmente as pessoas se dividem entre duas classes. As bem informadas e as que estão na ignorância. O poder não está somente no dinheiro, ou na terra, nos meios de produção, mas no conhecimento. O que há de notável é que a chave deste poder, hoje, é acessível a todos nós. Livros, cursos, treinamentos, artigos gratuitos, vídeos, estão por todas as partes esperando alguém motivado a assumir o poder que o conhecimento é capaz de proporcionar. Aqui no Clube dos Poupadores você tem muito conhecimento (poder e riqueza) disponível gratuitamente. Através dos meus livros (clique aqui) você pode acelerar seu aprendizado.