É o seu dinheiro que deve trabalhar para comprar os seus artigos de luxo, não você. A maioria passa o mês inteiro trabalhando pelo luxo de cada dia, quando poderiam fazer o próprio dinheiro realizar esse trabalho por toda vida. Você verá no artigo que só precisa inverter a ordem das coisas.  Não é necessário adotar um estilo de vida franciscano, pois esse é para poucos, mas você pode começar fazendo o necessário, o possível e de repente estará fazendo aquilo que achava impossível.

Nesse artigo vou comentar esse modo de pensar que está presente no capítulo 4, lição 3 do livro Pai Rico Pai Pobre, um dos livros de educação financeira mais vendidos no mundo.

Robert Kiyosaki, autor do Pai Rico Pai Pobre, vai participar de um grande evento em São Paulo no próximo mês para um número limitado de brasileiros. Vários leitores do Clube dos Poupadores me disseram que pretendem participar do evento (veja detalhes aqui). Vou aproveitar para escrever alguns artigos falando sobre as principais ideias, fora do senso comum, que Kiyosaki divulga através dos seus livros e que certamente são aprofundadas nos eventos que ele realiza pelo mundo.

Antes preciso dizer uma coisa. Eu acredito que os pensadores e suas ideias são como árvores e seus frutos. Nem todos os frutos que uma árvore produz são perfeitos. Você não precisa gostar de todos os frutos que vê para aproveitar a oportunidade de ter contato com a obra de um autor. Cabe a você colher os frutos (ideias) que gosta e largar os que não gosta. Se você agarrar o que não gosta, vai perder a oportunidade de aproveitar o que gosta. Outra questão importante é você não está pronto para entender todas as boas ideias. Muitas ideias exigem uma bagagem prévia de conhecimentos e experiências que nem sempre temos ainda.

Luxo como prêmio de consolação

No artigo “Coisas não te fazem ser rico. Dinheiro é que faz” mostrei que as coisas que compramos e acumulamos não nos tornam financeiramente ricos. O dinheiro que acumulamos é que faz. Falamos sobre o fato de que muitos passam a vida inteira comprando itens de luxo, para se sentirem ricos, e isso acaba prejudicando o verdadeiro processo de enriquecimento das famílias. É um paradoxo. As pessoas gostariam de ser ricas (não existe problema nisso) e ao tentarem demostrar riqueza, sem a ter conquistado primeiro, acabam impedindo o enriquecimento.A compra constante de itens de luxo, sem que se tenha condições, funciona como um prêmio de consolação para compensar a frustração do trabalho que não garante rápido enriquecimento.

Veja o que Robert Kiyosaki diz no seu livro sobre isso:

“Nos Estados Unidos, os pobres e a classe média frequentemente compram itens de luxo… porque desejam parecer ricos. Parecem ricos, mas na verdade estão afundando em dívidas. As pessoas que já têm dinheiro, os ricos a longo prazo, constroem primeiro sua coluna de ativos. Então, com a renda gerada por sua coluna de ativos, compram os artigos de luxo. Os pobres e a classe média compram artigos de luxo com seu próprio suor, sangue e com a herança de seus filhos.”

Os “ricos a longo prazo”, para o Kiyosaki, são pessoas que já possuem algum dinheiro, mas que não estão preocupadas em comprar coisas que as fazem parecerem ricas. De imediato, elas até parecem pobres, pois estão usando esse dinheiro para comprar ativos que geram renda e não os bens que geram despesas. Os que geram renda são difíceis de ostentar e os que só geram despesas são produzidos com essa finalidade. É o caso dos produtos de grife.

Para ilustrar, veja a bolsa logo abaixo. Comprando as ações dessa marca italiana, você terá um ativo que gera renda. Essa renda poderá ser usada para comprar artigos de luxo ou não, você será livre para decidir. O problema é que no presente, essas ações não serão capazes de demonstrar riqueza para seus amigos e amigas (caso você tenha essa necessidade).

Comprando a bolsa em 10 vezes de R$ 719 você poderá ostentar, mas terá um passivo (dívida) e um bem que irá perder valor com uso (depreciação). Dividas são fáceis de esconder. Ninguém vai olhar dentro da sua bolsa para ver a fatura do seu cartão que acumula inúmeras compras como essa dos últimos 12 meses.

 

Demonstrar riqueza costuma ser sinônimo de jogar dinheiro no lixo. No longo prazo, o lixo é o destino das bolsas, roupas, óculos de sol e inúmeros outros produtos de grife que se deterioram facilmente com o passar do tempo. Por mais estranho que isso possa parecer, jogar dinheiro no lixo é visto socialmente como algo aceitável, admirável e que sinaliza poder e riqueza. É assim desde o Império Egípcio.

O problema é que artigos de luxo são como máquinas incineradoras de dinheiro, para quem os compra, e máquinas de enriquecimento para quem é sócio/dono das marcas. A marca da bolsa acima existe desde 1913 e deve continuar existindo por muitos séculos.

Quando Kiyosaki fala em construir primeiro a coluna de ativos, ele está falando da tabela usada na contabilidade onde listamos nossos ativos e passivos. Aqui no Clube dos Poupadores existe um presente, uma planilha gratuita (veja aqui) para que você calcule sua riqueza ou sua pobreza.

A classe média, passa boa parte da vida construindo a coluna dos passivos (fazendo dívidas) para adquirir artigos de luxo e bens que ficam no “ativo não circulante” que aumentam as despesas com custos fixos e perenes de manutenção, depreciação, seguro, taxas, impostos, etc.

Os artigos de luxo acabam funcionando como um prêmio de consolação. É através desses prêmios que a pessoa vive a fantasia da riqueza que matematicamente não possui.

Luxo como recompensa

Kiyosaki não nega o desejo humano pelos artigos de luxo. Ele apenas diz que os seus ativos que geram renda é que devem comprar os seus luxos. Você não vai comprar o luxo com seu próprio suor. Os seus ativos que geram renda é que farão o trabalho duro. Veja o exemplo da Mercedes da sua esposa:

Um luxo verdadeiro é uma recompensa por ter investido e desenvolvido uma coluna de ativos. Por exemplo, quando minha mulher e eu auferimos uma renda maior com nossos apartamentos, ela comprou sua Mercedes. Ela não fez nenhum trabalho extra, ou arriscou sua parte, porque os imóveis compraram o carro. Contudo, ela teve que esperar durante quatro anos enquanto o portfólio de imóveis crescia e finalmente começou a gerar suficiente renda extra para pagar o carro. Mas o luxo, o Mercedes, foi uma verdadeira recompensa: ela provou que sabia como aumentar sua coluna de ativos. Esse carro significa muito mais para ela do que apenas outro carro bonito. Significa que utilizou sua inteligência financeira para adquiri-lo.

Observe que carro é entendido como uma recompensa, um prêmio por todo trabalho que foi feito nos últimos quatro anos para que os ativos do casal gerassem a renda necessária para comprar o carro. Eles poderiam usar essa renda para comprar outro imóvel para alugar, mas entendem que essas recompensas possuem uma função motivacional importante.

Indiretamente, quem comprou o Mercedes foram as pessoas que alugaram os imóveis do casal. Quando você tem ativos, sempre tem alguém disposto a “alugar” essas ativos. Na prática, sempre tem alguém disposto a trabalhar para pagar os juros dos investimentos que você recebe, os lucros das ações das suas empresas, os aluguéis dos seus imóveis, etc.

Kiyosaki defende que devemos colocar cada R$ 1,00 que poupamos para trabalhar como se fossem nossos funcionários. Veja:

Quando digo “cuide de seus negócios”, refiro-me à formação e à manutenção de uma sólida coluna de ativos. Se um dólar entrar nela, nunca o deixe sair de lá. Pense deste modo, uma vez que um dólar entra na coluna dos ativos, ele se transforma em seu empregado. O melhor do dinheiro é que ele trabalha 24 horas por dia e pode fazê-lo durante gerações. Fique no seu emprego, seja um ótimo empregado, mas construa essa coluna de ativos.

Quando você compra a bolsa de R$ 7 mil do nosso exemplo, você perde esses 7 mil funcionários imaginários que trabalhariam para você todos os dias gerando renda através dos seus investimentos. Você poderia usar essa renda para comprar seus luxos, caso isso te motive.

Por experiência própria eu posso dizer que com o tempo os itens de luxo deixam de ser motivantes como antes. Temos uma tendência a desejar por escassez. Como não temos dinheiro para ter, desejamos ardentemente. Quando você tem dinheiro para ter o desejo enfraquece e pode até desaparecer.

Uma vez uma pessoa próxima me disse: “Leandro, quando eu não tinha dinheiro para comprar as coisas, sentia um enorme desejo de comprar e acabava fazendo dívidas no cartão para satisfazer esse desejo. No momento que comecei a poupar o dinheiro para comprar à vista, o desejo foi desaparecendo. Quando tenho o dinheiro para comprar o que quero, não sinto o desejo de comprar como ocorre quando não tenho o dinheiro”.

Aqui temos a aplicação da frase franciscana. “Você primeiro começa fazendo o necessário, depois começa a fazer o que é possível e de repente estará fazendo aquilo que achava impossível.” Curioso lembrar que Francisco de Assis, que simboliza o gosto por um estilo de vida simples, era filho de um comerciante rico e de uma mãe de família nobre. Sidarta Gautama, que também largou o luxo para buscar um estilo de vida simples, era filho de um rei muito rico.

Talvez se as pessoas não trocarem a ordem das coisas, se lutarem pela prosperidade para somente depois adquirirem as recompensas, elas poderiam entender que o verdadeiro luxo tem origem na libertação da escravidão dos desejos e não na satisfação dos desejos. Não adianta falar. É necessário vivenciar.

O segredo está na ordem das coisas

Você pode e deve satisfazer seus desejos materiais. A natureza não dá saltos. É uma questão de saúde mental. O segredo é compreender a ordem como isso deve ser feito. Veja o que Kiyosaki diz:

À medida que seu fluxo de caixa cresce, você pode comprar alguns artigos de luxo. Uma distinção importante é que os ricos compram os artigos de luxo por último, enquanto pobres e classe média tendem a fazê-lo antes. O que muita gente faz é comprar compulsivamente um carro ou outro bem de luxo a crédito (fazendo dívidas). Podem estar se sentindo entediadas e desejam apenas um brinquedo novo. Comprar um luxo a crédito leva alguém, mais cedo ou mais tarde, a se ressentir desse luxo, porque o endividamento se torna um ônus financeiro.

No final da lição 3 do livro, Kiyosaki finaliza classificando as ideias acima como sendo o toque mágico, o maior segredo dos ricos“. Devemos lembrar que fluxo de caixa é o dinheiro que entra na sua conta através dos seus investimentos. Quanto mais os seus investimentos geram renda, mais você pode comprar artigos de luxo sem fazer dívidas e sem comprometer a renda do seu trabalho.

Para alguns isso pode se tornar uma fonte de motivação para poupar e investir mais e melhor. É claro que você não precisa esperar para comprar grandes luxos e viver sempre frustrado. Você pode destinar um percentual da renda dos seus investimentos e até do seu salário para satisfazer pequenos luxos que garantam o seu equilíbrio emocional.

Se você anda emocionalmente muito desequilibrado, entediado com a vida, procure o equilíbrio, não use o dinheiro e as compras como medicamento. Eles não foram feitos para isso. Existem formas mais baratas e eficazes para manter o equilíbrio mental e emocional. O importante é evitar a compra do luxo através das dívidas como busca para uma cura do seu tédio. Esses luxos normalmente geram despesas (depreciação, manutenção, impostos, custo de oportunidade, etc) e isso é que acaba gerando um grande problema futuro.

Inspiração ou desespero

Existem duas forças motivadoras para alguém dedicar tempo para se educando financeiramente. Uma é a inspiração e a outra é o desespero. Você pode se inspirar nas pessoas que possuem uma boa educação financeira e se motivar para aprender. A outra opção seria esperar as consequências da falta de educação financeira para que o desespero possa motivar. Eu recomendo a inspiração. Robert Kiyosaki encontrou motivação no desespero.

Kiyosaki, quando jovem, foi piloto de helicóptero da marinha americana e participou de operações na guerra do Vietnã em 1972 (fonte).

Huey UH-1, helicóptero pilotado por Robert Kiyosaki na Guerra do Vietnã em 1972

Quando foi dispensado do serviço militar, por insistência do seu pai pobre (pai biológico) conseguiu um emprego na área de vendas da Xerox.

O Kiyosaki vivia um conflito interno entre o exemplo de vida do seu pai pobre, que sempre trabalhou para os outros, e o exemplo do pai rico do seu melhor amigo, que era empreendedor.

Pouco tempo depois, ele teve uma ideia empreendedora, deixou o emprego e criou uma pequena empresa para produzir carteiras de nylon e velcro. Era a solução perfeita para quem praticava esportes na água e enfrentava problemas com as tradicionais carteiras de couro. Se você era jovem na década de 80 e 90 provavelmente teve uma carteira de nylon e velcro como essa:

 

Kiyosaki frequentava uma escola onde aprendia a velejar e resolveu fazer uma carteira utilizando o mesmo material utilizado nas velas das embarcações. Os outros alunos se interessaram e ele percebeu que aquilo era uma oportunidade. Em apenas dois anos, Robert e outros sócios se tornaram milionários.

O problema é que ser jovem e milionário não costuma ser uma boa combinação. Kiyosaki disse em uma entrevista para essa revista aqui que a maior parte do dinheiro que ganhou nesse empreendimento acabou sendo gasto com o óbvio. Ele disse: “Comprei carros rápidos e comecei a namorar mulheres rápidas. E as mulheres foram mais rápidas do que os carros”.

Kiyosaki não percebeu a importância de patentear sua ideia. Inúmeros concorrentes apareceram oferecendo as mesmas carteiras e logo o negócio começou a cair. Kiyosaki, em seguida, tentou empreender em um negócio de venda de camisetas e bonés com marcas de bandas de rock e quebrou novamente.

Quebrado, cheio de dívidas, mas com uma Mercedes conversível na garagem, ele conheceu sua esposa, Kim Kiyosaki. Isso deve ter resolvido o problema dos carros rápidos e mulheres rápidas. Juntos, chegaram a dormir no chão na casa de amigos por não terem condições de pagar o aluguel.

Quando começaram a praticar aquilo que ensinam nos seus livros e palestras, conseguiram atingir a independência financeira em 1994, quando a renda dos seus investimentos gerava US$ 4.000,00 por mês, de forma passiva, sem a necessidade de trabalho. Isso não foi motivo para parar. Kiyosaki continuou investindo e o principal investimento naquela fase era nele mesmo. O que ele sabia tinha levado ele até aquele ponto. Para avançar ele precisava aprender o que faltava.

Em 1996, Kiyosaki tomou a decisão de investir em um curso que ensinava a definir metas. Ele já tinha a ideia de escrever um livro e criar um jogo sobre educação financeira. O problema é que uma ideia não significa nada. Existe um vale cheio de obstáculos entre uma ideia e o lugar onde ela se torna real. Você precisa construir um caminho entre o mundo das ideias e o mundo das coisas e para isso terá que investir em conhecimento, motivação, trabalho e disciplina. Esse é o grande investimento.

No depoimento da figura acima (fonte) ele fala que um simples workshop de dois dias fez ele ganhar muitos milhões de dólares através das técnicas de definição de metas que ajudaram a elaborar um plano para tornar o Pai Rico Pai Pobre uma realidade. Agora, 21 anos depois, Kiyosaki estará no Brasil na posição inversa. Ele é que estará ministrando o workshop.

No próximo mês, Kiyosaki  estará nesse evento de dois dias (veja aqui) onde acontecerão palestras e workshops. Serão 7000 lugares e entre as pessoas que vão adquirir esses lugares é provável que muitas consigam transformar o investimento que será feito no treinamento em milhões de reais no futuro (clique aqui para ver onde, quando e detalhes).

Eu sou uma pessoa que tive minha vida transformada diversas vezes através da leitura de livros, cursos e palestras. O engraçado é que muitas vezes não foi eu que encontrei os livros e os cursos. Foram eles que apareceram na minha frente e foram agarrados por mim como oportunidades únicas.

O Robert Kiyosaki encontrou a motivação para se educar financeiramente e buscar mais conhecimentos para crescer na vida através do desespero. Kiyosaki precisou quebrar algumas vezes para buscar o conhecimento que faltava para tornar seus negócios sólidos.

O Kiyosaki diz que o toque mágico, o maior segredo dos ricos, são os investimentos em ativos que geram renda, a renda passiva ou renda recorrente que faz você ganhar dinheiro até dormindo. Eu acredito que o grande segredo vem antes disso. O segredo está em buscar o conhecimento (razão) e a motivação (emoção) para transformar objetivos em realidade.

Se ele não tivesse buscado conhecimento, se não tivesse investido em livros, cursos e treinamentos de outros autores da sua época como Marshall Thurber (fonte), Jayne Johnson (fonte) e muitos outros mentores e professores do passado, seus projetos não teriam se materializado. Esse tipo de investimento que fazemos em nós mesmos é o grande segredo. Ele que dá a base para o sucesso profissional e dos investimentos. O resto é consequência. Para saber mais sobre a presença do Kiyosaki no Brasil visite aqui e role a página para baixo.