Você consegue listar quem são as pessoas e as instituições que estão atrapalhando (ou já atrapalharam) seu crescimento financeiro, profissional e pessoal? Você sabe justificar sua situação financeira atual, e por qual motivo você não está em situação melhor? Você, as vezes, se sente vítima do sistema econômico, da empresa onde trabalha ou do governo? As pessoas só atrapalham seu crescimento e por isto você não consegue prosperar?

Se você se identifica com os questionamentos acima ou conhece alguém que pense assim, saiba que isso é normal. A maioria da população que vive hoje com problemas financeiros ou com dificuldades de evoluir financeiramente, pensa desta forma.

O autor T. Harv Eker acredita que as pessoas não estão dispostas a fazerem grandes sacrifícios para atingirem o sucesso. Por este motivo, resolvem assumir o papel de vítimas para serem recompensadas emocionalmente por isto. Temos uma tendência de negar que possuímos controle e responsabilidade sobre nossa própria situação financeira, profissional e pessoal.

Sua mente é pobre ou rica?

Escritor T. Harv Eker

Em seu livro “Os Segredos da Mente Milionária” ele defende a ideia de que as pessoas bem sucedidas e consequentemente ricas, acreditam ser autorresponsaveis pela vida que levam. Elas criam a própria vida.

Já as outras pessoas, que não conseguem o mesmo sucesso, tendem a colocar a culpa nos outros. A culpa costuma ser do governo, da empresa onde trabalham, dos pais, da família, dos amigos, dos inimigos, etc. Isto permite que criem diversas justificativas para a sua situação atual se colocando em uma posição de vítima. Por incrível que pareça ser vítima é mais agradável.

Segundo o autor, enquanto as pessoas de mente rica se concentram em oportunidades, as de mente pobre se concentram em obstáculos. Para ele, as pessoas de mente rica admiram outras pessoas bem-sucedidas, enquanto que as de mente pobre se ressentem, as vezes até atacam e odeiam as pessoas ricas e bem-sucedidas.

Filósofo Jean-Paul Sartre

O filósofo Jean-Paul Sartre defendia a ideia de que a responsabilidade que temos sobre nossas vidas é dolorosa. Esta responsabilidade é a causa das nossas angústias.  Essa angústia decorre da consciência do homem de que são as suas escolhas que definirão a sua essência, seu presente e seu futuro. Somos frutos das nossas próprias escolhas. E se isto não bastasse, nossas escolhas podem afetar, de forma irreversível, positiva ou negativamente, as pessoas que estão próximas e o próprio mundo.

A angústia, portanto, vem da própria consciência da liberdade e da responsabilidade em usá-la de forma adequada. Com base nestes conceitos do filósofo Sartre, muitos autores desenvolvem teorias focadas na nossa autorresponsabilidade. Infelizmente as pessoas que mais precisam deste tipo de ajuda, são as mesmas que fogem dos livros que tratam estes assuntos. Costumam justificar que são livros de auto-ajuda, quando na verdade, são livros que facilitam o acesso ao conhecimento, que popularizam o conhecimento de difícil compreensão criado por grandes pensadores.

Você se faz de vítima e não percebe?

Existem pessoas que são realmente vítimas e aquelas que fazem papel de vítima. São duas coisas bem diferentes. Assumir o papel de vítima dificulta muito o progresso pessoal e econômico das pessoas. Muitas vezes, a vitimização ocorre para chamar a atenção das outras pessoas, normalmente para amigos e parentes próximos. Existe uma confusão entre receber atenção das pessoas e receber amor das pessoas. São duas coisas diferentes. Você se identifica com as afirmações abaixo?

1) Eu não tenho culpa.

Quando você coloca a culpa, pela situação em que se encontra, em pessoas ou coisas externas, isto produz uma enorme sensação de alívio. E você faz isto sem perceber, não é planejado e não parte da sua vontade consciente. É um mecanismo natural do seu cérebro, um mecanismo de defesa chamado “Projeção” que o seu cérebro usa para evitar uma possível depressão.

Sigmund Freud – Criador da Psicanálise

“Muitas vezes nos defendemos da angústia gerada por fracasso, culpa ou nossos defeitos projetando a responsabilidade por esse fato em alguém ou em algo. Temos como exemplo um jogador de tênis que, ao perder uma partida, justifica sua perda botando a culpa na qualidade da raquete.”

Se autoresponsabilizar por tudo que você vive hoje é bem doloroso. Se por um lado colocar a culpa nos outros é agradável para você, para quem está perto de você… é bem desagradável. Para algumas pessoas colocar a culpa nos outros é quase que um hobby diário. Basta visitar o site dos jornais e ler o conteúdo das áreas de comentários. Existem milhares de pessoas que passam o dia todo nestes sites reclamando e colocando a culpa de tudo nos outros. Elas não percebem que estão perdendo um tempo precioso que poderiam usar para uma autocrítica e um trabalho de autoaperfeiçoamento.

As pessoas que se fazem de vítima estão a todo momento colocando a culpa na economia, no governo, na oposição, na direita, na esquerda, no centro, na religião, nos ateus, nas empresas, nas mulheres, nos homens, nos gays, nos membros da própria família, em Deus, nos demônios, no acaso, no azar e na sorte. A culpa e os problemas sempre estão em alguém ou em alguma coisa externa. O problema está dentro de quem reclama. E reclamação retarda ou impede a reação.

2) Eu tenho justificativa para minha situação

Existem muitas justificativas que você cria (sem perceber) para explicar sua atual situação financeira. Uma destas justificativas, citada no livro de T. Harv Eker é a tradicional: “Para mim dinheiro não é tão importante”. Outra crença que observo e que também é comum: “Dinheiro é feito para gastar e não para poupar”.

Normalmente pessoas que pensam assim passam a vida toda com problemas financeiros. Eu conheço algumas. Não percebem que o dinheiro é um potencializador de quem somos e do que fazemos. Se você é uma boa pessoa e possui muito dinheiro, utilizará este dinheiro para potencializar tudo de bom que pode fazer para você, para as outras pessoas e para o mundo. Se você é uma pessoa má, o dinheiro lhe dará o poder de fazer todo tipo de maldade. Para quem é vazio e fútil, poderá usar o dinheiro para realizar todo tipo de futilidade e inutilidade.

 

Outra justificativa: “O amor é mais importante que o dinheiro, por isto eu não tenho dinheiro”. Para Harv esta comparação é equivocada. Seria como julgar se as suas pernas são mais importantes que os seus braços. Na prática, braços e pernas são igualmente importantes e possuem funções totalmente diferentes e de grande utilidade.

O dinheiro é importante nas áreas da vida onde ele produz resultados úteis e insignificante onde não possui qualquer utilidade. Até mesmo quem dedica a vida dando atenção e amor ao próximo precisa de dinheiro para distribuir alimentos, construir escolas, ONGs, igrejas, hospitais, etc. O dinheiro é importante porque viabiliza e potencializa suas ações. Não existe justificativa para não pensar na sua prosperidade financeira. Talvez a única justificativa real seja a de que as pessoas não estão dispostas a fazer grandes sacrifícios para atingir o sucesso financeiro.

3) Eu não posso reclamar? É a única coisa que adoro fazer!

Reclamar ou queixar-se de tudo se tornou um grande vício. Muitos acreditam que a reclamação é o maior problema de saúde mundial. Nunca se reclamou tanto. Toda essa reclamação está gerando desequilíbrios e doenças psíquicas e físicas nas pessoas. Certamente você já ouviu falar dos malefícios do estresse e do mal humor na saúde das pessoas. Para piorar, reclamação e mal humor são contagiosos.

Quando você gasta seu tempo e suas energias reclamando, está focando sua vida nos problemas. Quando vivemos pensando, se lamentando e reclamando de problemas acabamos atraindo pessoas problemáticas e gerando situações problemáticas. Quando você se transforma em um reclamão, acaba atraindo outras pessoas iguais a você, ou seja, pessoas que também adoram reclamar.

Aos poucos você vai construir um circulo de amizades com pessoas que reclamam das mesmas coisas que você reclama. É provável que você possua amigos que você gosta de conversar por ele reclamar das mesmas coisas que você reclama, e que a amizade se resuma a isso. Perceba que cada amigo seu é especializado em reclamar de uma coisa diferente. Pessoas que reclamam e só falam de problemas só podem mesmo facilitar o seu acesso a mais problemas.

Você já deve ter percebido, entre seus amigos e parentes, que as pessoas que mais se lamentam da vida são justamente aquelas mais azaradas. Se alguma coisa pode dar errado ela sempre da errado na vida de quem vive se lamentando.

Então você pode se perguntar: Será que as pessoas reclamam porque a vida delas é um inferno, ou será que a vida delas se torna um inferno porque elas reclamam de tudo? As reclamações e lamentações prejudicam o sucesso financeiro da pessoa e de todos que estão a sua volta.

Se afastando de pessoas que só reclamam

Muitas vezes reclamamos muito e não nos desenvolvemos profissionalmente e financeiramente porque estamos cercados por pessoas que não param de se queixar. Este hábito, e as emoções negativas que sentimos ouvindo reclamações constantes, interferem no nosso humor, afetam nossa força de vontade, diminuem nossa força de ação, de mudança, de crescimento. Existem pessoas que realmente nos desmotivam e nos desencorajam.

T. Harv Eker alerta que se você gosta de conversar com pessoas que se queixam é porque você está esperando a sua vez de se queixar para ela. É uma situação terrível.

Existe um livro escrito por Will Bowen que se chama “Pare de reclamar e concentre se nas coisas boas” que ensina um método muito fácil e curioso. O resultado é chocante porque rapidamente você vai perceber o quanto perde tempo reclamando. A aplicação é simples,você só vai precisar de um elástico de dinheiro.

O livro vai te convidar a colocar um elástico desses em um dos pulsos. Sempre que você reclamar ou se queixar de qualquer coisa, você deverá colocar o elástico no seu outro pulso. Não importa o motivo de reclamação e se o alvo da reclamação é uma pessoa, você mesmo, uma empresa ou o calor. Basta reclamar verbalmente para trocar o elástico de braço.

Will Bowen desafia você a ficar 21 dias seguidos sem reclamar ( 3 semanas ). Se fizer qualquer reclamação a contagem de dias zera e você precisa começar novamente. Normalmente as pessoas demoram 8 meses para conseguir esse feito. Já o autor T. Harv Eker te convida a fazer esta experiência por 7 dias. Eu posso afirmar que 7 dias é suficiente para que você fique deprimido ao perceber como você reclama de tudo sem perceber. Já se tentar ficar por 21 dias, você acabará perdendo o hábito de reclamar.

Normalmente não percebemos o quanto reclamamos. Esta conscientização é transformadora. Eu pessoalmente já presenteei vários amigos com este livro de Will Bowen e sempre peço para que eles não fiquem com o livro. Após a leitura o correto é doar o livro para algum amigo reclamão.

Se não devemos reclamar, o que fazer?

O mesmo tempo e atividade cerebral que você gasta pensando no problema e reclamando, você pode gastar pensando na solução do problema e conversando com as pessoas sobre seus planos para solucionar os problemas. Ao fazer isto as pessoas que você conhece poderão ajudar com conhecimentos, dicas e com recursos. As oportunidades vão surgir de quem você menos espera. Ao falar de soluções as pessoas podem se envolver e te ajudar a solucionar o problema abrindo portas e oferecendo oportunidades. É por este motivo que falar de soluções de problemas é melhor que reclamar de problemas.

Quando você se conscientiza que a sua situação é culpa sua, e principalmente da mania de culpar os outros, se justificar e reclamar, você para de fazer tudo isso e começa a pensar em soluções para seus problemas. Você vai parar de atrair pessoas que gostam de falar de problemas e atrairá a atenção das pessoas que gostam de falar de soluções. Diante de um problema a solução virá da sua reação e não da sua reclamação.

RECLAMAÇÃO = REAÇÃO

Pessoas positivas, pessoas bem sucedidas, pessoas que oferecem oportunidades e abrem portas estão sempre se afastando de gente que só reclama e buscando se aproximar de pessoas também positivas que falam de oportunidades e soluções de problemas.

“O mais alto estágio da cultura moral é quando reconhecemos
que precisamos controlar nossos pensamentos.”
CHARLES DARWIN

Culpar as pessoas, se justificar e reclamar funcionam como uma droga que alivia o seu estresse e as tensões de ser fracassado em diversos aspectos da sua vida (e não só o financeiro). E esse mecanismo que dopa e paraliza a sua vida é produzido pelo seu cérebro de forma inconsciente. Se você não estivesse sendo mal sucedido em algum aspecto da sua vida, naturalmente não precisaria jogar culpa nos outros, nem se justificar e muito menos reclamar.

Estou viciado em reclamar, e agora?

Existem pessoas que ficam viciadas em reclamar. Ao se sentirem vítimas, recebem uma recompensa que é a atenção dada por alguns amigos e parentes. São pessoas que confundem receber amor com receber atenção para queixas. As pessoas que estão dispostas a ouvir suas reclamações não fazem isto porque te amam. Muitas vezes fazem isto por pena ou porque simplesmente estão esperando a vez delas de se queixar também. Existe ai uma troca de queixas que, na maioria das vezes, é improdutiva e altamente viciante.

Na verdade todas as pessoas gostam de receber atenção. Nos sentimos felizes quando recebemos a atenção das pessoas (conhecidas ou desconhecidas). O problema é como você anda chamando a atenção das pessoas. Existem aqueles que chamam atenção mostrando que são vítimas e reclamando da vida. Existem aqueles que chamam atenção ouvindo os queixosos. Existem os que chamam atenção lutando, superando desafios, resolvendo problemas, conquistando o que deseja dentro e fora das suas atividades profissionais. Os resultados financeiro são inevitáveis para quem para de reclamar e passa a agir.

Todos nós queremos atenção do mundo, queremos nos sentir importantes, admirados e amados. O problema é como você faz para chamar atenção. Se está chamando atenção se vitimizando, você tem um problema que precisa ser resolvido. A conscientização é o primeiro passo.

A busca por atenção gera muitos problemas. Existem aqueles que fazem tudo para agradar os outros em troca de atenção. Como não podemos agradar a todos, e como não temos reconhecimento de todo bem que fazemos, este tipo de pessoa tende a reclamar.

Você daria atenção e sentiria pena de um amigo seu que fosse até você se lamentar do defeito de fabricação do seu novo iate ou da sua Ferrari recém importada? Talvez você se comovesse mais se ele tivesse enfrentando esse problema após comprar um carro popular usado. Segundo o autor T. Harv Eker, existem pessoas que inconscientemente, fazem questão de nunca enriquecerem ou nunca terem sucesso profissional e financeiro. A pessoa perderia o motivo que a permite se sentir vítima e com isto perderia a atenção das outras pessoas.

Conclusão

Para ter sucesso profissional e financeiro você precisa se convencer que é o único responsável por tudo de bom e tudo de ruim que acontece na sua vida. Normalmente são as coisas que você acredita, que produzem pensamentos bons ou ruins, que geram ações boas ou ruins para sua vida. E isto interfere diretamente na sua vida financeira.

É se sentindo vítima que você entra no shopping e diz, para você mesmo, a seguinte frase: “Não importa o preço. Vou comprar porque mereço!” Sim, você merece porque afinal de contas acredita que é uma vítima do sistema. O alivio do sofrimento será sempre colocar culpa nos outros, reclamar de todos e criar justificativas.

Reclamar é um hábito destrutivo que precisa ser eliminado da sua vida. Ao reclamar e falar de problemas você só atrai mais problemas.

O T. Harv Eker estará no Brasil agora, no final de 2015. Ele vai realizar um evento de 3 dias em São Paulo e no Rio de Janeiro. Para saber mais sobre ele visite aqui.

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