Quanto custa financiar um imóvel

Você já deve ter observado que os juros cobrados pelos bancos nos financiamentos de imóveis, costumam passar por sequências de altas e de baixas.

Quando a economia enfrenta momentos de crise, as taxas tendem a aumentar junto com o aumento da taxa básica de juros (taxa Selic). Quando a economia atinge o “fundo de poço” e começa a se recuperar, os juros dos financiamentos tendem a cair após uma queda da taxa Selic.

A queda dos juros dos financiamentos tende a ser mais lenta, pois os bancos observam o horizonte de longo prazo. Como os financiamentos de imóveis duram muitas décadas, os juros que os bancos cobram carregam as expectativas sobre o futuro da economia. Se existe uma expectativa de que o futuro será pior ou incerto, os juros para os empréstimos de longo prazo tendem a ser maiores.

Muitas vezes o governo força a redução dos juros dos financiamentos de imóveis (através dos bancos públicos) e isso induz os outros três grandes bancos (privados) a seguirem esse caminho.

Quando comparamos as taxas cobradas pelo financiamento dos imóveis com as taxas que os bancos cobram por outras formas de financiamentos e empréstimos, observamos que a taxa do crédito imobiliário não é das mais elevadas. O problema é que estamos falando de financiamentos que duram 30 anos ou mais. Qualquer variação em uma taxa que será cobrada por décadas produz um impacto considerável no custo total do imóvel.

Observe esta tabela que preparei:

Você pode baixar essa planilha usada para criar a figura acima visitando aqui. Essa planilha possui apenas os dados e resultados de cálculos que forma feitos utilizando essa outra planilha aqui, que você também pode baixar.

No primeiro quadro da planilha podemos observar uma simulação de um financiamento de R$ 200 mil. Temos exemplos de financiamentos de R$ 300 mil, R$ 400 mil e R$ 500 mil. Os bancos só costumam financiar, no máximo, 80% do valor do imóvel. Você precisa ter os outros 20% para pagar a entrada. Para comprar um imóvel de R$ 500 mil você precisa financiar R$ 400 mil (80%), pois R$ 100 mil (20%) você precisa ter para pagar a entrada à vista. Será necessário poupar algo para a entrada.

Podemos observar que a planilha possui simulações para juros de 8%, 9%, 10%, 11%, 12%, 13% e 14%. Todas as simulações são para o prazo de pagamento de 360 meses (30 anos). As prestações mensais podem variar entre R$ 2.150,38 e  R$ 5.375,96 para uma taxa de 10% dependendo do valor financiado.

Para conseguir os R$ 200 mil emprestados pagando juros de 10% ao ano, você teria que assumir uma dívida de R$ 487.866,47 (observe a tabela). Isso significa que os R$ 200 mil emprestados por 360 meses (30 anos) custaria R$ 287.866,47 de juros. Como se trata da tabela SAC, a primeira prestação seria de R$ 2.150,38 e a última de R$ 559,99 (sem considerar seguros, taxas e reajustes pela TR).

Para financiar R$ 500 mil com taxa de 10% ao ano, sua dívida seria de R$ 1.219.666,17. Só com juros você terá que desembolsar R$ 719.666,17. No final da planilha podemos observar que a relação entre o valor emprestado e a dívida assumida é de 2,44 vezes, ou seja, você pede um empréstimo de R$ 500 mil e fica devendo 2,44 vezes esse valor para o banco. Se a taxa do financiamento for de 14% a relação sobe para 2,94 (quase 3 vezes).

É importante considerar que a planilha não inclui os reajustes que o banco fará da sua dívida através da TR (Taxa Referencial).

Muitas pessoas se animam com a ideia do Sistema de Amortização Constante (SAC) produzir prestações decrescentes, mas precisamos observar que a dívida é reajustada pela TR e além das prestações teremos custos com seguros que são obrigatórios (que será reajustado por outros critérios) e a tarifa bancária (também reajustada).

O sistema SAC funciona da seguinte forma: as prestações são compostas de uma parte do valor devido e outra parte de juros (além do seguro e taxas). Exemplo: se você pegasse R$ 100 mil emprestados usando o sistema SAC para pagar em 100 vezes, cada prestação seria composta por R$ 1.000,00 + o juro do mês por todo valor devido, No mês seguinte a sua dívida não seria mais de R$ 100 mil. Ela seria de R$ 99 mil, pois você amortizou R$ 1 mil no mês anterior. A prestação deste segundo mês seria composta por R$ 1.000,00 + juros do mês por todo valor devido. Como o valor devido é cada vez menor, o valor pago pelo juro será menor. No terceiro mês sua dívida já estará menor ainda e assim por diante. É por isso que as prestações diminuem com o passar dos meses.

O problema é que o banco irá reajustar toda a sua dívida,  uma vez por ano, utilizando como base a TR (Taxa Referencial) dos últimos 12 meses. Quando os juros básicos da economia estão elevados, isso pode ser um problema. Um reajuste de 1% em uma dívida de R$ 1 milhão faria a dívida aumentar R$ 10 mil. Isso aumentaria as prestações mensais. É por isso que muitas vezes as pessoas adotam o financiamento utilizando a tabela SAC e não conseguem perceber uma redução nas parcelas do financiamento, especialmente nos primeiros anos.

Outro custo que você terá, além dos juros pelo financiamento, será o seguro obrigatório pago mensalmente junto com as prestações do financiamento. Existem dois tipos de seguros obrigatórios que estão incluídos na prestação: o DFI (Danos Físicos ao Imóvel) e o MIP (Morte ou Invalidez Permanente). Alguém com 40 anos pagará um seguro mais caro do que alguém com 30 anos. Esse seguro sobre reajustes quando mudamos de idade e correções. Em algumas seguradoras o valor do seguro muda por faixa de idade a cada 5 anos. Os bancos também cobram uma tarifa bancária que normalmente é reajustada todos os anos.

Por outro lado, devemos considerar o efeito da inflação. Uma inflação futura muito elevada beneficiaria os endividados que não possuem suas dívidas corrigidas pela inflação, principalmente se possuem renda corrida pela inflação. O crédito imobiliário não é corrigido pelo IPCA (índice que mede a inflação oficial), ele é corrigido pela TR (taxa referencial).  O impacto da inflação sobre o financiamento é indireto, pois a TR tende a ser maior quando a inflação está elevada, já que a taxa básica de juros da economia tende a se elevar também. Só que a TR está longe de atingir valores próximos da inflação, pelo menos enquanto as regras que o Banco Central usa para calcular a TR continuar a mesma. No passado, uns 20 anos atrás, os financiamentos eram corrigidos pela inflação. No futuro, não temos como saber, pois os políticos existem para mudar as regras do jogo a todo momento, quando é conveniente.

Aquilo que todos fazem:

Antes de fazer um financiamento, avalie bem se você realmente precisa passar 10, 20 ou mais de 30 anos da sua vida pagando juros, taxas e seguros para um banco. Se você precisa, pode assumir o custo, entende o impacto, tudo bem. Se você não precisa, não financie só porque todas as pessoas que você conhece estão financiando. Nem tudo que todas as pessoas fazem com o próprio dinheiro é a coisa mais inteligente a ser feita com o seu dinheiro. Reflita por conta própria, estude por conta própria e tire suas conclusões. Os governos sempre vão estimular o mercado imobiliário, pois ele ajuda a aumentar a arrecadação de impostos e os políticos costumam ter grandes “amigos” dentro do setor.

Segue uma mensagem que recebi na semana passada de uma leitora do Clube dos Poupadores:

Primeiramente gostaria de agradecer, em 2014 conheci o seu blog. Estava a beira de cometer um suicídio financeiro, eu pretendia fazer um financiamento para realizar o sonho da casa própria…. Foi quando achei o seu artigo, falando se era vantajoso fazer um financiamento. Foi quando desisti da ideia, e fui guardar para comprar a vista. Ano que vem, 2019 vou atingir o valor que eu havia planejado. Você me ajudou a não entrar em uma dívida de 30 anos. Obrigada.

Nem todo mundo pode ou quer esperar alguns anos antes de comprar um imóvel, mas é importante perceber que um pequeno esforço de poupança e investimento, por algum tempo, pode reduzir o tamanho da dívida que você precisa assumir para compra seu imóvel.  Quanto menor a dívida, menores serão seus custos com juros e taxas, menos instável e arriscada será sua vida financeira diante de crises econômicas e políticas futuras.

Conclusão:

Eu acredito que o Brasil não é um país politicamente estável e economicamente equilibrado para alguém se sentir confortável para assumir uma dívida de 10, 20 ou 30 anos com juros anuais de 2 dígitos. Atualmente é possível financiar imóveis para pagar em até 35 anos. Talvez as pessoas não tenham uma visão clara do que significa 35 anos. Para entender o que significa assumir uma dívida tão longa basta imaginar como era o Brasil 35 anos atrás e tudo que aconteceu até aqui.

Vamos retornar para 1983. O presidente do Brasil era um general chamado João Figueiredo. O país ainda vivia uma ditadura militar. A inflação atingia 211% ao ano e a moeda sofria maxidesvalorização. O país enfrentava o que ficou conhecido como “A mãe de todas as crises do Brasil“. Com o fim da ditadura enfrentamos o plano Cruzado 1 (02/1986), plano Cruzado 2 (11/1986), plano Bresser (06/1987), Plano verão (01/1986), Plano Collor (03/1990). Em março de 1990 o país registrou inflação mensal de 83,95%. Tivemos o “Confisco da Poupança” que foi um bloqueio, por 18 meses, dos saldos superiores a uma determinada quantia nas contas correntes, de poupança e demais investimentos dos brasileiros.

O país ainda enfrentaria o Plano Collor 2 (01/1991) e o impeachment do primeiro presidente a ser eleito pelo voto direto após quase 30 anos. Depois, enfrentamos o Plano Real (02/1994) e uma nova troca de moeda. O presidente que veio logo depois está atualmente preso, condenação por corrupção e lavagem de dinheiro (fonte). Sua sucessora conduziu o país para a pior crise econômica da história (leitura) e também sofreu impeachment (fonte). O atual presidente, vice da “impeachmada”, entrou para a história como o primeiro a ser denunciado por corrupção no exercício do cargo (fonte). Entre esses eventos tivemos diversas crises econômicas internacionais que afetaram a nossa economia: Crise da dívida externa (1982)Segunda-feira Negra (1987), A crise dos Gigantes Asiáticos (1997), A crise do rublo (1998), A Bolha da Internet (2000), Crise das Torres Gêmeas (2001) Crise de 2008/2009

O que podemos esperar sobre o futuro político e econômico do país observando esse histórico? Eu acredito que não vivemos em um país apropriado para uma família assalariada assumir dívidas de longo prazo. Poupe e invista o máximo que puder e se for necessário faça uma dívida pequena para ser quitada em 5 ou no máximo 10 anos. Isso representaria 1 ou 2 eleições para presidente e todas as consequências que isso normalmente desencadeia na economia. Mesmo assim, tenha uma reserva financeira para enfrentar uma emergência durante os anos em que estiver endividado. Estude sobre como funciona a compra de imóveis na planta, pois apesar de ser uma forma mais arriscada de comprar um imóvel, pode ser uma forma mais barata se você dispor de uma boa entrada.

Se estivermos no início de um ciclo constante de redução dos juros dos financiamentos imobiliários no Brasil, logo teremos taxas de juros realmente menores, especialmente se o resultado das eleições de 2018 não for desastroso para a economia e os juros básicos se mantiverem nos níveis atuais. Isso resultará em um aumento da demanda por imóveis nos próximos anos, que resultará em um possível aquecimento do mercado imobiliário. Se isso ocorrer, provavelmente teremos aumento dos preços até que os imóveis estarão tão caros que pouco importará ter uma taxa de juros reduzidas, já que as prestações serão elevadas e incompatíveis com a renda familiar das pessoas. Já vimos esse filme em 2010 e 2014. É importante se preparar. Conheça os livros que escrevi sobre compra e investimentos em imóveis.

 

Invista primeiro em você:

O primeiro investimento que devemos fazer para melhorar a nossa vida financeira é o investimento em conhecimento. Custa pouco e rende juros pelo resto da vida. Sem saber investir o nosso próprio dinheiro, não teremos bons resultados. Dependendo da opinião dos outros para saber onde investir, teremos resultados ainda piores. O conhecimento melhora nossos resultados e liberta da dependência dos outros. Escrevi uma série de livros que podem te ajudar muito a adquirir todo o conhecimento que precisa no menor tempo possível. Clique aqui para conhecer os livros.
Esse artigo foi útil?
Deixe-nos saber, se você gostou deste artigo. Só assim podemos continuar melhorando.
Sim
Não

Sobre o Autor:

Leandro Ávila criou o Clube dos Poupadores por acreditar que o conhecimento é uma riqueza que se multiplica quando dividida. Compartilhando o que sabemos, criamos um mundo melhor. Conheça os livros que ele escreveu sobre educação financeira, investimentos financeiros e imobiliários.
Robson
Visitante
Robson

Obrigado novamente, você disse algo que interessante “assumir longas dívidas em um país completamente instável” antes mesmo de acompanhar os seus artigos eu tinha isso em mente, no nosso país não dá para assumir uma longa dívida devido a instabilidade, o futuro é muito certo, o que faz pagamento à vista ser a opção mais viável… Valeu!

Jenio
Visitante
Jenio

Uma divida de um financiamento de 46 mil juros de 5% ao ano faltam 24 anos é vantagem quitar a divida ou melhor investir esse capital?

Guilherme
Visitante
Guilherme

Belo artigo. Nada contra, mas, pessoalmente, acho loucura qualquer tipo de financiamento, quanto mais para valores vultosos com décadas de prazo. Para piorar, em um país como o nosso. Fora os riscos extrapautas como, por exemplo, o dessa notícia, que pode pegar a pessoa de calças curtas: https://extra.globo.com/noticias/economia/donos-de-imoveis-quitados-vao-justica-contra-nova-divida-21939275.html.

Prefiro virar sem-teto a participar dessa insanidade.

Abraços!

Aline Amaral
Visitante
Aline Amaral

Gostei do topico seguros obrigatórios. Não acha então que um investimento no tesouro direto ipca+ 2045 não seria igualmente arriscado considerando ser um prazo bem longo num país de instabilidades politicoeconomicas?

Mirian Huebra
Visitante
Mirian Huebra

Obrigada por abrir ainda mais os meus olhos! Em 2014 iniciei um financiamento pela CEF de R$ 87k (se não me engano – tenho que ler novamente o contrato). Minha primeira parcela foi de R$ 562,30 e atualmente está em R$ 541,05 (já paguei 48 parcelas). Minha taxa de juros contrata na época foi de 4.5%.
No total já paguei pouco mais de 26k, sendo que desses, 13k são juros e outros 13k são amortização. Porém, há uma pegadinha nesse montante pago como amortização pois ele não foi devidamente abatido… Faltam uns 6k! Fui até a Caixa e o Gerente me disse que não levei em conta a TR 🙁

Mirian Huebra
Visitante
Mirian Huebra

Leandro, aproveitando a sua expertise e boa vontade, sempre é vantagem amortizar o quanto antes, correto? O valor da minha parcela não aperta o meu financeiro (R$ 542,00 atualmente), mas não quero ficar pagando juros e penso em usar meu FGTS para isso, pois como bem sabemos, não rende praticamente nada! Sabe me dar mais detalhes sobre isso? Amortizar no tempo (e não na parcela)… o valor do FGTS é automaticamente abatido no saldo devedor ou só irei ver futuramente? Muito obrigada!

Thunder
Visitante
Thunder

Sempre compre tempo. Amortize o máximo possível do valor do financiamento.
É a melhor coisa que você pode fazer.

Diego
Visitante
Diego

Olá Mirian, usei recentemente meu FGTS para abater no valor das parcelas, de qualquer maneira, tanto usando o FGTS para abater no prazo quanto nas parcelas, o valor é reduzido do seu saldo devedor. Sugiro ir até a sua agência que eles fazem a simulação na hora e você pode decidir qual é a melhor alternativa para você.

Diego
Visitante
Diego

Mais uma aula/análise magistral. Muito obrigado, Leandro!

laine
Visitante
laine

Leandro agradeço a Deus pelo seu trabalho, pois através dele tenho aprendido e aplicado em minha vida. Gostaria de fazer uma pergunta. Ja comprei os seus livros e gostei muito. Estou tentando aprender a calcular a vantagem do investimento. Se voce financia um imóvel para investimento em aluguel a juros de menos que 5%. Dando de entrada 6%. Como saberei se sera um bom investimento? pois se eu tentar juntar vai levar muitos anos para acumular o dinheiro, pois a inflação e a valorização do imóvel ira alterar meu resultado. mas por outro lado, eu estaria colocando alguém para pagar p mim.

Marcos Arcanjo
Visitante
Marcos Arcanjo

Gostei

Serve como alerta!!!

Obrigado!!

Alexandre
Visitante
Alexandre

Leandro, concordo que não podemos imaginar ou prever o futuro desse mercado, mas colocar a economia dos anos 80 como parâmetro não é muito honesto, não concorda?

Alexandre Giles
Visitante
Alexandre Giles

Uma verdadeira aula.

Michael Kempfer
Visitante
Michael Kempfer

Leandro parabéns mais uma vez pelo artigo, acompanho o blog e só tenho a agradecer pelas dicas. Não pretendo comprar imóvel… mas assim sou obrigado a alugar um… o correto seria suponhamos:Valor da prestação da casa $800 (que não irei fazer) faria isso, Alugar casa po $500 e $300 investiria em algum produto financeiro. Ao final de 30 anos o valor investido seria bem maior que a casa.. Esse é o caminho.. abraço

Tiago Santos
Visitante
Tiago Santos

Excelente texto Leandro!

Wilker Bílio
Visitante
Wilker Bílio

Boa noite leandro acompanho suas postagens. Todas muito sensatas e esclarecedoras. Essa de hoje pra variar estava muita boa. Você poderia complementar falando sobre consórcio de imóvel. Seria uma boa alternativa para fugir dos juros absurdos?

João Paulo Borges
Visitante
João Paulo Borges

A primeira pergunta a ser feita é: eu preciso de uma casa/apartamento ou preciso de moradia?

Se você precisa de uma casa para chamar de sua a todo custo (e chegar à conclusão de que isso é apenas reflexo da cultura em que vc foi cresceu), vai gastar uma boa parte da sua vida para realizar não o sonho, mas sim a “ilusão da casa própria”.

Eu só compro casa no dia em que alugueis mensais estiverem acima de 0,5% do valor do imóvel, isto é, no dia em que a quantia para comprar o imóvel render menos do que aquela porcentagem em aplicações de baixo risco.

Diego
Visitante
Diego

Dentre os argumentos sobre ter a casa própria, contam também o fator estabilidade, no sentido de que no caso de um aluguel, o imóvel pode ser tomado de volta ao final de um contrato ou mesmo no meio dele. Outra questão é o fato de que num imóvel alugado pode se considerar um desperdício gastar com móveis/móveis planejados que não são baratos, sabendo que só irão servir para aquela construção (sendo que o aluguel costuma ser temporário). Outro fator é o apelo emocional para quem tem cônjuge que “sonha em ter a própria casa” e por aí vai…

Aroldo Batista
Visitante
Aroldo Batista

Olá Leandro, parabéns artigo.
No exemplo da compra de um imóvel de R$ 300 mil, esse valor se transforma em uma dívida de R$ 841,5 mil e, para piorar, no final dos 35 anos a pessoa terá um bem depreciado que certamente não valerá os R$ 300 mil iniciais.
Por outro lado, se resolver poupar o valor das prestações e aplicar em fixa a juros reais de 4% ao ano, em vez de pagar juros ela vai receber juros compostos e ao final dos 35 anos certamente terá uma fortuna suficiente para pagar aluguel de um imóvel e ainda para parar de trabalhar e viver dos juros.
Fica a sugestão para um novo artigo.

Alex Corrêa
Visitante
Alex Corrêa

Regime Militar… ditadura não existiu no Brasil. Graças a eles, militares, fomos salvos da Ditadura Comunista, senão hoje estaríamos igual a Cuba ou Venezuela, onde definitivamente não existe nenhuma chance de ganhar ou mesmo poupar algo.

Robson
Visitante
Robson

Leandro, já fiz dois financiamentos pela CEF e a correção do saldo devedor pela TR era mensal.

Se num primeiro momento decidi financiar para utilizar o FGTS a cada 2 anos, em 2017 decidi quitar no momento em que o CET (incluindo as perdas pela correção mensal da TR) ficou maior que o rendimento líquido dos investimentos disponíveis de renda fixa (mesmo CBDs pagando 125% do CDI). Valeu a pena por um tempo, mas não faria de novo. O FGTS está rendendo mais do que no passado com a lei que distribui parte dos lucros e o spread entre o CET e a selic ainda está muito alto.

João Paulo Borges
Visitante
João Paulo Borges

Vou tentar traduzir: antes o FGTS dele rendia menos do que se fosse usado, logo ele usou o FGTS para financiar imóvel, a despeito dos custos do financiamento, que eram pagos com rendimentos de renda fixa.

A partir de 2017, como a rentabilidade geral da renda fixa caiu, os custos do financiamentos ficaram muito acima do que ele era capaz de ter de rendimento passivo, logo, ele quitou tudo e prefere deixar o FGTS quieto rendendo apenas a TR mesmo, que teve modificações na lei que o determina.

Henrique
Visitante
Henrique

Primeiramente parabéns pelo artigo Leandro, sempre agregando conhecimento e nos fazendo refletir sobre as questões financeiras.
Pegando o gancho do assunto, voce não acha vantajoso um financiamento a LP mesmo a pessoa tendo disponibilidade de utilizar o FGTS para abater a dívida a cada 2 anos ?
Levando em consideração que desse modo o financiamento não irá durar os 30/35 anos, mas muito menos, exemplo um trabalhador com salário médio mensal de 7.000 teria um fgts de aproximadamente 8.000 por ano….sendo assim a cada dois anos ele iria abater em média 15.000,00 no financiamento, o que acha?

Sebastião Firmino
Visitante
Sebastião Firmino

Parabéns Leando! Matéria muito boa e serve como alerta para alguém que queira se atolar em dívidas até morrer (conheço várias pessoas que vão terminar de pagar seus imóveis com 80 anos ou mais, isto se São Pedro não chamar antes). E para completar a tragédia financia veículos também.

Nicolas Engels
Visitante
Nicolas Engels

Parabéns Leandro pelo ótimo artigo! Sigo te acompanhando e cada vez mais fico feliz de ter postergado a compra de meu imóvel. Graças a pessoas como ti que irei adquirir meu imóvel sem dívidas e com ainda ajuda dos bancos (rendimentos)! Quem diria haha

Alberto
Visitante
Alberto

Oi Leandro, tenho poupado com o objetivo da compra imóvel a vista, estudando seus artigos, com muita disciplina e persistência, notei que é possível chegar lá. No entanto, penso seriamente, se quando obtiver os recursos necessários para esta realização, não será melhor continuar nos aportes e deixar sob a ação dos juros compostos, ou imobilizar todo um ativo na compra de um imóvel, neste caso, pagando passaria a pagar aluguel para mim mesmo, já que deixaria o custo de oportunidade da rentabilidade. Tomada de decisão difícil, não acha? (rs)

Luiz
Visitante
Luiz

Leandro, se o banco quebrar durante o financiamento, o imóvel passa a ser automaticamente do tomador? Então para o tomador é mais vantajoso pegar crédito de um banco pequeno?

Ricardo
Visitante
Ricardo

Algumas considerações:
1. Tenho financiamento de 35 anos (fiz em 2013) e quitarei se Deus quiser em 2019/2020. Todo dinheiro novo que ganho, abato no Saldo Devedor e a diferença das prestações após abater, eu poupo ainda mais. QUITE O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL! Lembre-se que está pagando juros e mais juros e comprometendo o seu futuro.
2. Dificilmente algum investimento vai ganhar dos juros do financiamento. Ilusão achar que vai investir melhor do que os juros do financiamento. Está jogando com a sorte.
(Continua)

Ricardo
Visitante
Ricardo

(Continuação)
3. Tem todo direito de alugar e não ter casa própria, mas reveja sua posição ao ficar velho. Não fica bem um idoso mudar toda hora por causa de aluguel caro ou que o dono pediu apto. O transtorno será muito grande!
4. Evite rolo de comprar casa e tentar alugar para que o inquilino pague a prestação. Ainda mais se não tiver condições de arcar com as prestações caso não consiga alugar. Está novamente jogando com a sorte.

Ricardo
Visitante
Ricardo

(Continuação)

5. Pode pegar qualquer estudo e verificar que a longo prazo, a casa sempre valoriza. Então é ilusão achar que a casa terá o mesmo valor depois de anos. Claro que pode acontecer como o Leandro disse que dependendo do local, a casa pode desvalorizar, mas como todo investimento que perde valor, se desfaça o mais rápido possível. Já soube de casos que em Floripa, um terreno custava há 20 anos, entre 2.000 a 5.000 reais. Hoje, no mesmo local, vale mais de 200 mil.

Doralice
Visitante
Doralice

Excelente. Com toda essa matéria disponiblizada temos a oportunidade de conhecer grande parte da História financeira de nosso Pais e ainda a prática e o comportamento de certos políticos. Muito obrigada mesmo. Parabéns. Amo esse site.

Mateus
Visitante
Mateus

Boa tarde, Leandro

Parabéns pelo teu trabalho! É excepcional! Tenho o desejo de ter casa própria, mas por enquanto vivo de aluguel justamente para fugir desses juros proibitivos. O artigo foi extremamente detalhista e mostrou que estou no caminho certo. Eu fiquei apenas com uma dúvida: caso a pessoa esteja num financiamento longo e pretenda quitar a dívida antes do fim, existe uma maneira correta? Por exemplo, juntar um montante durante um período e abater do total ou a cada mês pagar um valor maior que a prestação para diminuir a dívida.

Tiago
Visitante
Tiago

Leandro
Boa noite

Gostei da matéria, mas a análise foi bem superficial. Tratou o banco apenas como vilão, mas ha outros valores envolvidos no negocio:
Quem pode financiar em menos tempo, pode muito bem financiar para 35 anos, se organizar financeiramente, poupar e quitar em 5/10 anos (eu quitei em menos de 5 anos).
E a atualização dos salários deste trabalhador durante o prazo do financiamento nao existe?
Taxas de financiamento existem, pois nao existe almoço de graça no mundo capitalista.
Há seguros, sim, mas eles não são vilões, são garantias para ambos os lados do contrato.

Tiago
Visitante
Tiago

complementando:

As incertezas para o financiamento de longo prazo são as mesmas para a poupança de longo prazo (a nao ser que a pessoa nao aplique no mesmo pais em que vá consumir).
E a visão de futuro? tanto a poupança quanto o investimento de longo prazo se devem a crença de um futuro melhor, nao publicou a matéria do DMC Delorean/De volta para o futuro?
Somos todos (os pós 90 nao mais) materialistas, o sonho da propriedade, o ter o para ser, todos queremos o nosso pedacinho de chão pra fincar nossa bandeira, nosso nome e o preço desse sentimento e diferente para cada um de nos.

Alexandre
Visitante
Alexandre

Muito bom este artigo. Tenho um financiamento imobiliário de 35 anos no qual já paguei 37 parcelas. Já utilizei o saldo do FGTS uma vez e a cada 2 anos continuarei fazendo. Para tentar reduzir o prazo e com isso os juros me indicaram fazer um consórcio imobiliário com poucas pessoas e próximo do valor do saldo devedor. E enquanto não for contemplado, utilizar o FGTS para abatimento prestação mensal. O tempo do consórcio é de 200 meses enquanto no financiamento imobiliário ainda tenho 383 meses pela frente. Com isso terei um redução significativa no pagamento de juros pois são 183 meses a menos

Alison
Visitante
Alison

Que pena Leandro que conheci seu site somente a pouco tempo. Fiz um financiamento em 2012 sem muito planejamento.Utilizo hj esse imóvel como investimento ( ele é pago com seu próprio aluguel ). Mesmo com o juro razoável que pago, a sua matéria mim ajudou em pensar em quitar logo essa dívida. Tenho hj em carteira tesouro direto e ações e com a quitação o dinheiro do aluguel seria incrementado nesses outros ativos. Ficaria sem dívidas e com três ativos diferentes em investimentos. Sei que vc não dá indicações, mas estaria acertado esse raciocínio?

Compartilhe com um amigo