Você já ouviu alguém falar que a solução para os problemas do Brasil é o governo “parar de pagar juros para os rentistas?”. Você já se sentiu culpado ao  investir em títulos públicos por acreditar que está estimulando o endividamento do país? Você acredita que o dinheiro que falta na educação, saúde e segurança está sendo usado para pagar juros da dívida?

Sempre que escuto algum amigo, parente ou leitor do Clube dos Poupadores repetindo essas ideias, paro por um segundo e lembro da seguinte frase: “perdoai, porque não sabem o que falam.”

Após a leitura deste artigo é provável que você fará o mesmo.  Existe uma frase que diz assim: “argumentar com uma pessoa que renunciou ao uso da razão é como aplicar remédios em uma pessoa morta”. Não recordo o nome do autor, mas é mais ou menos assim que acontece. O que vou fazer aqui é trazer um pouco de razão para sua vida financeira. Assim você pode parar de repetir o que os outros falam sem entender exatamente por qual motivo eles estão falando.

Quem são os malvados rentistas?

No consenso popular os rentistas são seres do mal. Pessoas que vivem dos juros dos investimentos que fazem, especialmente investimentos em títulos públicos. As pessoas acreditam que os rentistas são meia dúzia de banqueiros, empresários e investidores ricos que exploram o país. Existe a crença de que a culpa pela falta de recursos do governo para a saúde, educação, segurança e outros serviços públicos está no pagamento de juros aos banqueiros e todos os ricos inescrupulosos. Infelizmente a coisa não é tão simples assim. Vou mostrar que os rentistas somos todos nós, eu, você, seus amigos e parentes.

No decorrer do texto você perceberá quem são aqueles que se beneficiam quando você acredita que a culpa pelos problemas do Brasil está nas costas daqueles que poupam mais e investem mais. Você verá que existe um grupo que é especialmente beneficiado quando a população se mantém pobre, sem poupança, sem investimentos, perdendo dinheiro através da inflação, gastando tudo que ganha e cada vez mais dependente de esmolas, benefícios e subsídios.

Por qual motivo o governo vende títulos públicos?

Você já deve ter ouvido falar que quase metade do orçamento do governo só serve para pagar juros da dívida. Como os trilhões de reais retirado do bolso dos brasileiros através dos impostos são insuficientes para cobrir os custos da ineficiência e da corrupção do governo, é necessário fazer alguma coisa para fechar as contas.

Quando as despesas do governo são maiores do que suas receitas só existem quatro caminhos para não quebrar o país:

  1. Reduzindo as despesas para gastar apenas aquilo que se arrecada (solução inaceitável para aqueles que lucram com essa gastança).
  2. Aumentar a arrecadação elevando os impostos, ou seja, retirar mais dinheiro da população de maneira forçada (solução muito usada em países onde a maioria da população é rica e pode pagar 40% ou até 60% de tudo que ganha em impostos, sem passar fome e sem reclamar muito).
  3. Pedir dinheiro emprestado da população. Isto é feito através da venda de títulos públicos de forma direta ou indireta. Os juros oferecidos precisam ser atrativos para que as pessoas e as empresas façam a opção de poupar e correr riscos no lugar de simplesmente gastar o dinheiro que possuem.
  4. Imprimir dinheiro, mesmo que isto tenha como efeito colateral o aumento da inflação e dos juros. (Lembre-se da hiperinflação no governo Sarney Lembre aqui. Veja o que fizeram no país vizinho. Veja aqui)

As famílias e as empresas, quando gastam mais do que ganham, só podem adotar duas destas soluções que listei (1 e 3). O governo tem outras duas alternativas que é retirar mais dinheiro das pessoas aumentando e criando impostos ou tirando proveito de um poder que só o Estado possui que é imprimir dinheiro.

Governo grátis:

É importante ficar claro na sua cabeça que o governo não é grátis. Você paga por ele de forma direta ou indireta. Quando você exige que o governo gaste mais com educação gratuita, saúde gratuita, segurança gratuita, benefícios de todos os tipos, subsídios, desonerações, distribuição de dinheiro, distribuição de empréstimos com juros baixos, etc… você está literalmente pedindo para que o governo aumente os impostos. O pior é que muitos brasileiros trocam seus votos por promessas de “coisas grátis”do governo.

Se o governo não conseguir aumentar os impostos para atender os pedidos dos eleitores, ele pode optar por pedir mais dinheiro emprestado. Ele faz isto vendendo títulos públicos prometendo o pagamento de juros no futuro. Você e seus filhos pagarão esses juros através de mais impostos lá no futuro. Outra alternativa seria imprimir dinheiro novo, sem lastro, para manter os “serviços públicos gratuitos” funcionando, mesmo que isto conduza o país para uma hiperinflação (isto já aconteceu no passado).

Aumentar impostos seria a solução?

Atualmente, quase 40% de todas as riquezas geradas pelos trabalhadores e empresas brasileiras vão para os cofres do governo através de impostos e outras formas de transferência de recursos para o governo (veja). Temos uma carga tributária de país desenvolvido e serviços públicos de país subdesenvolvido. Mesmo assim, trilhões de reais em impostos todos os anos são insuficientes para fazer o governo funcionar sem déficit.

Imprimir dinheiro seria a solução?

Imprimir dinheiro é uma péssima alternativa, basta lembrar ou pesquisar sobre a economia brasileira na década de 80 e parte da década de 90 quando tínhamos inflação acima de 2000% ao ano. Veja onde chegava o IPCA anual entre 1980 e 1995:

Naquele tempo, todos os anos o governo precisava retirar 3 zeros da nossa moeda. Para ser  milionário em moeda local você só precisava ter duas notas de 500.000 cruzeiros. A nota abaixo circulou entre 1993 e 1994. O poeta Mário de Andrade não parece muito satisfeito com a homenagem nesta vergonhosa nota de meio milhão de cruzeiros:

Reduzir as despesas do governo seria a solução?

Se você tem um governo que não funciona direito, repleto de pessoas que utilizam seus recursos de forma ineficiente, desperdiçando ou simplesmente roubando grande parte do que se arrecada, não seria coerente e produtivo deixar mais dinheiro circulando no bolso das famílias e das empresas do que circulando no bolso do governo?

Com certeza você usará o seu dinheiro de forma mais eficiente para gerar benefícios para você, sua família e sua empresa. É loucura acreditar que o governo tomará decisões melhores do que a suas usando o seu dinheiro para gerar benefícios para você mesmo.

O problema é que empresas, políticos, e pessoas que tiram seu sustento da ineficiência, desperdício e até roubo do dinheiro público, não gostam desta ideia. Para esses grupos é péssimo que as pessoas vejam a realidade desta forma (veja o último artigo que escrevi sobre a maneira como vemos a realidade).

São justamente algumas destas pessoas, que dependem de um Estado grande, que espalham essa ideia de que a melhor solução seria dar um calote aos malvados rentistas. Assim, sobraria mais dinheiro para desperdiçar nos péssimos serviços públicos que o governo finge prestar.

A origem de uma dor de cabeça é falta de aspirina?

Quando você tem dor de cabeça, você acredita que a origem da sua dor é falta de uma dose diária de aspirina na sua alimentação?

Seria justo culpar a fábrica de aspirina por sua dor de cabeça? Seria justo chamar o fabricante de aspirinas de aproveitador e inescrupuloso por vender aspirina? Claro que não. A falta de aspirina não é a origem da sua dor de cabeça. A sua dor tem outra origem.

Culpar os rentistas pelos gastos da sociedade com pagamentos de juros no Brasil é como culpar o fabricante de aspirina pela dor de cabeça das pessoas. Dar um calote nos rentistas para resolver os problemas do Brasil é como dar um calote no fabricante de aspirina acreditando que isto acabará com a dor de cabeça de todos.

O Brasil ainda não quebrou graças aos rentistas:

Políticos, funcionários públicos, militares, juízes, aposentados, pensionistas, beneficiários do Bolsa-Família, do ProUni, do FIES e funcionários de todas as empresas que se beneficiam do governo, só estão conseguindo pagar suas contas neste momento porque existem pessoas e instituições dispostas a emprestar dinheiro para o governo.

Já faz muito tempo que os impostos são insuficientes para pagar todas as despesas do governo. Cada eleição que passa as pessoas exigem mais “serviços grátis” e mais gastos para manter estes serviços de baixa qualidade. Ninguém lembra que é possível fazer mais com menos, ninguém lembra que qualidade e produtividade deveria ser o principal objetivo daquele que faz uso de recursos públicos.

Para que os políticos continuem atendendo as exigências dos seus eleitores, sem o país quebrar, o governo gasta o dinheiro que não tem e transfere a conta para os brasileiros do futuro (seus filhos e netos). O governo pede dinheiro emprestado no presente (vendendo títulos públicos) e promete devolver este dinheiro no futuro com juros. No futuro o governo terá que vender mais títulos (para rolar a dívida) ou terá que arrecadar mais impostos para pagar o valor principal e os juros para os clientes dos bancos, clientes dos fundos de investimento, clientes de planos de previdência e investidores de todos os portes que de alguma forma investem em títulos públicos (direta ou indiretamente).

Os rentistas não são meia dúzia de banqueiros ricos:

Os rentistas são os clientes dos bancos, das corretoras, fundos de pensão, fundos de investimento e outras instituições financeiras. Já mostrei neste outro artigo que as instituições financeiras onde deixamos nosso dinheiro são as que mais compram títulos públicos.

Mesmo que você não faça parte da parcela de 0,25% da população que investe em títulos públicos através do Tesouro Direto, basta ter uma conta bancária ou uma caderneta de poupança para que o seu dinheiro passe por dentro do governo. Os bancos e outras instituições financeiras emprestam grande parte do seu dinheiro para o governo federal sem que você necessariamente saiba disso.

A verdade sobre o calote:

Imagine se o governo resolvesse não pagar mais os juros da dívida interna. Como emprestar dinheiro para o governo é opcional, o que você acha que aconteceria se o governo cogitasse aceitar a ideia de que a solução dos problemas do Brasil seria dar um calote naqueles que fornecem a aspirina, ou seja, o rentista?

No dia seguinte, pós-calote, o governo não teria mais dinheiro disponível para honrar sua folha de pagamento. Isto já está acontecendo em diversos estados e cidades brasileiras. Como cidades e estados não podem emitir títulos públicos, quando gastam mais do que arrecadam precisam pedir dinheiro para o governo federal, do contrário são obrigados a parar de pagar salários dos servidores e de transferir recursos para o funcionamento da saúde, educação, segurança, etc.

Nem vou entrar na questão de que um calote dos rentistas faria todo o sistema financeiro quebrar, já que a moeda nacional se transformaria em papel sujo, sem qualquer valor. Um calote da dívida pública interna seria tão trágico que sua única preocupação seria como conseguir alimento para sua próxima refeição.

Nos últimos 12 meses o governo federal pegou mais de R$ 587 bilhões em empréstimos da sociedade para continuar funcionando. Isto ocorreu com a venda de títulos públicos que foram comprados voluntariamente por todos os rentistas do Brasil que tinham algum dinheiro para guardar nos bancos, corretoras e outras instituições. Isto vai do pequeno poupador que guarda R$ 100,00 no banco até aqueles que compram títulos públicos através de fundos, previdência privada ou tesouro direto.

Estes bilhões é o que chamamos de déficit nominal do setor público. Mais de meio trilhão que serão utilizados para custear o funcionamento do estado e custear o pagamento dos juros da dívida. Sim, já faz muito tempo que o governo paga os juros da dívida fazendo mais dívida. Por este motivo não é correta a ideia de que os impostos dos brasileiros estão sendo gastos com pagamento de juros no lugar de pagar os desperdícios do governo na prestação de serviços públicos. O governo faz dívida para pagar os juros das dívidas que já possui. A dívida é rolada no lugar de ser paga e por este motivo ela não para de crescer.

Qual a possibilidade de o governo dar um calote nos rentistas?

Da mesma forma que dar um calote no dono da farmácia ou no fabricante de aspirina não vai resolver sua dor de cabeça, dar um calote nos rentistas não vai resolver os problemas do Brasil. O máximo que vai acontecer, se você não pagar a farmácia, é nunca mais conseguir comprar aspirina para remediar o seu problema.

Fazer dívida pública é apenas um alívio para as dores geradas por um problema que tem outra origem que é um Estado grande que tira boa parte das riquezas do país, desperdiça e rouba muito do que arrecada tornando toda a sociedade mais pobre a cada ano.

Se você entendeu que o governo precisa de dinheiro emprestado para existir, você entende que ele jamais dará o calote em seus credores, da mesma forma que você jamais daria calote no dono da farmácia. Quando alguém aparecer por ai com esse papo de calote dos rentistas você já sabe que dor de cabeça não se origina na carência de aspirina. Dor de cabeça se combate destruindo vírus, bactérias, parasitas e outros agentes que te provocam doenças que possuem como um dos sintomas a dor de cabeça.

Ao dar um calote nos “malvados rentistas”, o governo fecharia a única fonte de financiamento que sempre lhe esteve aberta e disponível para continuar existindo. Acabar com o rentista seria acabar com aquilo que está mantendo o governo vivo.

É importante destacar que nem países como a Venezuela do falecido Chávez e nem a Argentina (ex-propriedade particular da família Kirchner) cometeram a insanidade de dar um calote nos seus credores internos (aqueles que compram títulos da dívida em moeda local).

Um calote pode até acontecer nos momentos de crise, mas sempre será naqueles que pagam impostos e não recebem nada em troca pelos impostos que pagam. Os pagadores de impostos são fáceis de manipular trocando esmolas por voto e vendendo a ilusão de que o governo é grátis e precisa cada vez mais de dinheiro.

Quem realmente vai receber um calote?

Um grande calote já está acontecendo em muitos estados e municípios quebrados e que não conseguem receber ajuda do governo federal diante da crise. O calote não vai atingir diretamente os clientes de bancos, corretoras e fundos que emprestam seu dinheiro para o governo em troca de juros. O calote ocorrerá sobre aqueles que precisam de serviços públicos e dependem dos salários pagos pelo governo, aposentadorias, pensões, assistencialismo etc.

Se nada for feito para o governo controlar o desperdício e o desvio de dinheiro público, nos próximos anos teremos um calote ainda maior com o corte de recursos para saúde, educação, cultura, segurança, investimentos, etc. Se leis e medidas políticas não forem aprovadas para limitar os gastos públicos e obrigar os políticos a priorizarem as despesas em áreas importantes, teremos sérios problemas.

O que recomendo é que você não fique aí parado, sem fazer absolutamente nada, assistindo a degradação da situação fiscal do país. Não importa se você é servidor público, funcionário de empresa privada ou empresário. Nunca foi tão importante assumir o controle do seu dinheiro para buscar uma maior independência financeira, independência dos serviços públicos e benefícios vindos do governo.

Juros reais continuarão elevados (se nada for feito):

Imagine que você tem dois amigos que se chamam João e Maria. Os dois estão passando por dificuldades financeiras e pediram R$ 10.000,00 emprestados para você. Você não tem dinheiro para emprestar para os dois. Terá que escolher apenas um. João é aquele seu amigo irresponsável com suas finanças pessoais. Vive endividado e você sabe que esse dinheiro será usado para pagar os juros de outras dívidas que ele possui com outras pessoas. João vive sendo demitido por ineficiência e baixa produtividade. Já sua amiga Maria é mais endividada do que João, só que ela paga os juros das dívidas em dia. Maria é competente, eficiente e produtiva no seu trabalho. A cada ano que passa sua renda aumenta mais por sempre ser promovida ou conseguir empregos ainda melhores.

Imagine que João e Maria estivessem dispostos a pagar 5% de juros ao ano pelo seu dinheiro emprestado. Para qual dos dois você aceitaria emprestar? Provavelmente você emprestaria para Maria. E se o João fizesse uma oferta de 15% de juros ao ano pelos seus R$ 10.000,00 ? Como João paga juros maiores que Maria você passa a considerar que esses 10% adicionais seriam um prêmio pelo risco de emprestar dinheiro para João. Então você resolve correr o risco e empresta dinheiro para o João.

Dois anos depois o João volta a te pedir mais um empréstimo de valor ainda maior. Só que agora você observa que a dívida do João, diante de todos os seus credores, praticamente dobrou. Veja um gráfico da evolução da dívida:

Você observa que em 2014, quando você emprestou o dinheiro pela primeira vez, a dívida total dele era de 2.750.000 e agora a dívida é de 4.250.000. A dívida aumentou mais de 50% em 2 anos. Você aceitaria emprestar dinheiro para João por 5%? Você aceitaria emprestar novamente pelos mesmos 15% ? Ou será que você ficaria com medo e só aceitaria emprestar o dinheiro se receber 30% de juros ao ano?

Agora imagine que o João é o Brasil e que Maria são países desenvolvidos. Países grandes possuem dívidas grandes, mas conseguem investidores dispostos a emprestar dinheiro recebendo juros baixos. A percepção de risco é menor e por este motivo os juros são menores.

Você consegue perceber que os juros elevados no Brasil são uma consequência do medo que os investidores sentem quando pensam na possibilidade de investir no Brasil? Quanto menor a confiança, maior precisa ser o prêmio (juros) pelo risco.

O responsável por gerar essa insegurança, e estes juros elevados, não é você que tem dinheiro para emprestar através dos seus investimentos. A responsabilidade é de quem pede o dinheiro emprestado que não apresenta o perfil de um bom pagador e por isto não é merecedor de confiança ao ponto de merecer juros menores.

Se você soubesse que vários amigos do João andam recomendando que ele declare um calote entre seus credores como solução para os problemas financeiros que ele enfrenta. Você emprestaria dinheiro para João? Se emprestasse, você cobraria juros ainda maiores ou menores?

Enquanto o Brasil continuar se comportando como o João, viveremos em um país de juros reais elevados (juros acima da inflação elevados). Dependendo da forma como os governantes futuros irão tratar este problema das contas públicas (governo gastando mais do que arrecada) teremos inflação elevada, impostos elevados e juros reais elevados por muito tempo. Investir seu dinheiro é apenas uma forma de reduzir o impacto negativo da inflação e dos impostos elevados.

Pare de esperar alguma coisa do governo:

A maioria da população vai continuar esperando educação, saúde, segurança, trabalho, renda e outras coisas de graça do governo. Essa população vai continuar sofrendo calotes. Para serem eleitos, os políticos vão continuar prometendo cada vez mais coisas grátis e quando estiverem no poder irão aumentar impostos, emitir títulos com juros cada vez maiores (para atrair investidores com medo) e imprimir dinheiro elevando a inflação.

Se você aprender a investir da forma correta, você receberá juros acima da inflação, ou seja, uma boa parte dos impostos pagos pela renda e consumo retornarão para o seu bolso em forma de juros sobre juros dos seus investimentos. Mantendo seu patrimônio investido da forma correta você também irá amenizar as despesas que terá com o aumento da inflação.

Infelizmente o calote será nas costas da maioria da população que não tem educação financeira suficiente para entender tudo isso que acabei de falar aqui. Para piorar a situação, estas pessoas não entendem que a origem de muitos dos nossos problemas está na falta de educação financeira, econômica e política de cada cidadão. A minoria, chamada pejorativamente de “rentista”, estará mais protegida dos aumentos de impostos e da inflação por terem um maior nível de conhecimento financeiro.

Como vimos, o calote chegará primeiro na vida daqueles que dependem de serviços públicos e salários vindos do governo e dos que dependem de aposentadorias, pensões, benefícios, subsídios ou que fazem negócios com o governo. Aqueles que vivem gastando tudo que ganham, sem poupar a investir também terão problemas.

Se você faz parte destes grupos que estão em risco precisa perceber rapidamente a importância de buscar uma maior independência financeira para blindar sua vida de problemas que virão se os políticos não resolverem estas questões fiscais nos próximos 10 anos.

Se você depende muito do governo, deve começar a pensar sobre como depender menos. Se você depende muito do seu salário e não tem nenhuma reserva, investimento ou plano B, precisa começar a pensar sobre isso nos próximos anos.

Não espere que o atual governo ou os governos futuros resolvam os problemas dos elevados gastos públicos que geram taxas de juros elevadas, inflação elevada e impostos elevadas. Não será uma tarefa fácil e rápida.

Você deve saber que o governo está tentando aprovar leis para controlar os gastos públicos para os próximos 20 anos. O próprio presidente já disse que tudo que será feito para controlar os gastos poderá ser desfeito nos próximos 5 anos pelo Congresso. É o mesmo que dizer: “a gente finge que está resolvendo o problema, empurra ele com a barriga e quando a arrecadação melhorar a gente volta a gastar descontroladamente.” Depois de uma declaração como esta, como esperar que teremos soluções para o problema fiscal, inflação e juros elevados no Brasil nas próximas décadas?

Existem caminhos para que você se torne menos dependente e um deles está na educação financeira que estou divulgando aqui no Clube dos Poupadores gratuitamente (através de centenas de artigos já publicados), através de livros (veja aqui) e, futuramente, através de um treinamentos em vídeo sobre independência financeira que pretendo lançar no próximo ano.

Você pode e deve aprender a acumular suas próprias reservas, planejar sua aposentadoria sem depender dos outros, pode aprender a investir no mercado financeiro, pode aprender a emprestar dinheiro para bancos e governo e pode aprender a empreender e inovar, que são as duas grandes fontes de riqueza no mundo. É apenas uma questão de querer aprofundar seus conhecimentos sobre estes temas.

País rico é feito de pessoas ricas:

Um país rico é composto por uma população rica. Pessoas só ficam ricas quando aprendem a poupar e investir com consciência e inteligência. Quando falo investir, não estou falando apenas de investimentos financeiros, também estou falando investimentos produtivos na sua carreira ou criando um negócio próprio. Sem pessoas ricas não existe país rico.

Precisamos parar de apoiar políticos que defendem calotes, mais impostos, mais esmolas, mais coisas grátis, mais gastos públicos e mais Estado interferindo na vida de quem quer trabalhar mais e produzir mais.

Precisamos apoiar aqueles que defendem a ideia de que as pessoas devem trabalhar mais e melhor, poupar mais e melhor, investir mais e melhor e empreender mais e melhor. É assim que se constrói um país rico.

Não esqueça, dá próxima vez que aparecer alguém defendendo calote dos rentistas ou qualquer ação para prejudicar as pessoas que querem trabalhar, poupar, investir e empreender para enriquecer o nosso país, repita a frase “perdoai, porque não sabe o que fala.”

 

Dica do dia - Melhorando seu desempenho:

Sucesso é o processo contínuo do esforço para tornar-se maior e melhor. É a oportunidade de continuar crescendo emocional, intelectual e financeiramente, enquanto se contribui de alguma forma positiva para outros. Você se sente preparado(a) para atingir aquilo que você definiu como seu sucesso? Escrevi alguns livros que podem ajudar muito na sua jornada rumo ao seu sucesso financeiro e profissional. Eles já estão ajudando milhares de leitores aqui do Clube dos Poupadores. Clique aqui para saber como funciona.