Juros Reais no Brasil


O Brasil é o país onde os investimentos de renda fixa possuem a maior taxa de juro real do mundo. Você já sabe que juro é a remuneração cobrada pelo empréstimo de dinheiro. Quando você deposita dinheiro na poupança, quando compra títulos públicos ou compra títulos privados como CDB, LCI, LCA, debêntures, etc, está fazendo um empréstimo para o governo (no caso dos títulos públicos) ou para instituições privadas esperando receber uma taxa de juros como a remuneração do seu dinheiro no decorrer do tempo.

Essa taxa de juro que o banco e o governo oferecem é uma taxa de juro nominal, ou seja, ela não considera o efeito da inflação que desvaloriza o seu dinheiro com o passar do tempo. Já a taxa de juro real é a taxa nominal menos a inflação. Vamos imaginar que existe um investimento oferecido por um banco que paga 12% de juros ao ano (taxa de juro nominal) e a inflação esperada para aquele ano é de 7%. Diante destes dois números podemos calcular que a taxa de juro real é de 4,67%. Agora vamos imaginar que com o passar do tempo os bancos começam a oferecer investimentos com taxa de 10% ao ano. Só que ao mesmo tempo as expectativas para a inflação caíram para 5% ao ano. Com o juro nominal de 10% e a inflação de 5% podemos esperar um juro real de 4,76%. Isso significa que depois do aumento de preços generalizados na economia o seu dinheiro ganhará 4,76% a mais de poder de compra.

Veja que nestes dois exemplos os juros nominais caíram de 12% para 10%, mas como as expectativas para a inflação também caíram de 7% para 5%. Isso fez os juros reais continuarem sem muita alteração.

Isso mostra que não importa se o investimento está oferecendo taxa de 14%, 12% ou 10% para quem investe na renda fixa. O que importa é o que resta quando você retira o efeito da desvalorização do dinheiro (inflação) dessa taxa. Você que é um pequeno investidor deve aprender a observar qual será sua taxa de juro real reduzindo as expectativas de inflação do juro nominal. É claro que não podemos prever com absoluta certeza qual será a inflação futura, mas podemos traçar um leque de possibilidades e ter consciência sobre o que podemos esperar do futuro.

Como calcular os juros reais

Tenho um simulador onde você pode calcular os juros reais digitando o juro nominal e a inflação esperada (um chute). Também mostro no mesmo artigo como funciona a fórmula necessária para fazer o cálculo. Vale lembrar que não é correto subtrair a taxa de inflação diretamente dos juros nominais. Se você fizer isso o resultado será ligeiramente maior que os juros reais calculados através da fórmula correta. Visite o simulador e o artigo clicando aqui.

Juros reais estão caindo no Brasil

Resolvi fazer um estudo para verificar o comportamento dos juros reais no Brasil nas últimas décadas. Para criar a tabela abaixo eu baixei a série histórica IPCA anual (índice que mede a inflação oficial) através deste endereço aqui. Através desta página do Banco Central coletei qual foi a taxa Selic acumulada entre o dia 01/01 e o dia 31/12 de todos os anos entre 1995 e 2015. No final do artigo você poderá baixar a planilha e o gráfico. Veja o resultado.

Na coluna “Juros Reais” utilizei a fórmula abaixo onde taxa nominal é a taxa Selic e a taxa de inflação é o IPCA. Como é tradicional no Clube dos Poupadores, a planilha que você poderá baixar no final do artigo não possui bloqueios e você poderá ver e editar as fórmulas.

Investimentos com o título público Tesouro Selic oferece uma rentabilidade equivalente ao acumulado da taxa Selic. Investimentos como o CDB, LCI e LCA seguem a taxa Selic quando o banco oferece um percentual do CDI (taxa DI). Quando os juros estão muito elevados estes investimentos superam a caderneta de poupança, mesmo após o desconto de taxas e imposto de renda. Se você calcular a rentabilidade real da poupança verá que ela vem perdendo para a inflação nos últimos anos. Para saber quanto rendeu a poupança no passado use este simulador.

Gráfico dos juros reais:

O gráfico abaixo foi gerado com os dados da tabela acima. O Plano Real, que estabilizou a inflação no Brasil, entrou em vigor em 1995 e podemos verificar a forte queda dos juros nominais (taxa Selic), inflação (IPCA) e juros reais nos últimos 20 anos.

Olhando o gráfico e a tabela é fácil observar a tendência de queda dos juros reais no Brasil (linha verde no gráfico). Isso refletiu na rentabilidade dos títulos públicos, títulos privados e todos os investimentos de renda fixa. O Banco Central utiliza a taxa Selic para controlar a inflação. A cada 45 dias ocorre a reunião do COPOM onde a taxa é definida. Infelizmente o Banco Central, que deveria ser um órgão técnico, sofre influência dos políticos que muitas vezes se preocupam mais com as reeleições do que com o país. No gráfico abaixo separamos o comportamento da Selic, IPCA e juros reais quando o ministro da fazenda era o Antônio Palocci, no primeiro governo Lula e quando o ministro da Fazenda era o Guido Mantega, a partir do segundo governo Lula e no primeiro governo Dilma.

Com Palocci no ministério da Fazenda, no primeiro governo Lula, podemos observar a inflação em queda combatida por uma taxa Selic elevada, mas que também seguia uma tendência de queda sustentável. Observe que a taxa de juros real se mantinha elevada mesmo com a queda da taxa Selic. A estratégia que garantiu a queda da inflação, iniciada no Plano Real, e seguida no primeiro governo Lula, é chamada de tripé macroeconômico (câmbio flutuante, metas de inflação e de superávit primário) resultou em uma inflação de apenas 3,14% em 2006.

Palocci desagradava líderes do seu próprio partido. Em 2005 ele chegou a declarar que era contra o aumento do teto da inflação como defendia membros do PT. Segundo essa fonte aqui, ele disse: Não gosto da ideia. Não concordo com os que acreditam que um pouco mais de inflação gera mais crescimento. No Brasil essa teoria já demonstrou estar errada e não estou disposto a pô-la em prova novamente – justificou Palocci”Pouco tempo depois dessa declaração Guido Mantega se tornou ministro da Fazenda e resolveu provar “a teoria que já demonstrou estar errada”, seguindo as recomendações dos líderes do partido e da presidência. As consequências dessa prova desastrosa foram vistas na inflação de dois dígitos de 2015, quando os preços administrados pelo governo foram descongelados (como fazia Sarney na década de 80) logo após a confirmação da reeleição da presidente Dilma, além de gerar uma grave crise de hiperendividamento público.

No quadrado vermelho podemos ver o que aconteceu com a entrada do Guido Mantega como ministro da Fazenda e o início da chamada “Nova Matriz Econômica” onde a nova crença do governo era que “um pouco mais de inflação geraria mais crescimento”. Aconteceu justamente o contrário. Apenas em 1930 e 1931, em virtude da Grande Depressão, tivemos dois anos seguidos de queda no PIB (fonte).

O ano de 2006 e 2007 marcou o início da “operação-desmonte do tripé”, iniciada a partir do final do primeiro mandato do governo Lula, e acelerada no governo Dilma. A base era queda dos juros, sem maiores cuidados com a inflação e gastos públicos (fonte). O resultado dessa política você pode observar no quadrado vermelho do último gráfico. Observe a linha vermelha (inflação) e a linha verde (juros reais). A ideia básica da nova matriz econômica era acabar com a taxa de juros reais alta e o câmbio valorizado, só que o caminho para atingir esse objetivo era através de uma visão intervencionista e protecionista da política econômica (fonte).

Como isso interfere nos seus investimentos?

É fundamental que você selecione investimentos capazes de superar a inflação. Não adianta ganhar 0,5% de juros + TR, como na poupança, se a inflação no mês foi de 1%. O seu dinheiro perderá poder de compra.

Também fica claro que ao fazer investimentos de longo prazo você corre o risco de sofrer as consequências dos governos que serão eleitos a cada 4 anos. Um investimento com vencimento em 2035 como o título público Tesouro IPCA 2035 passará pelas decisões econômicas dos presidentes que serão eleitos em 2018, 2022, 2026, 2030 e 2034. São 19 anos de decisões políticas e econômicas sobre juros e inflação. Somente no vencimento do investimento será possível olhar para o resultado e para a situação atual e avaliar se aquele investimento foi uma boa decisão.

No caso do Tesouro IPCA, você tem uma garantia de uma taxa de juros reais (já que ele rende IPCA + uma taxa fixa de juros). O problema é que uma taxa de juro real de 5% ou 6% só são boas taxas se você estiver em uma economia equilibrada, bem administrada, com inflação controlada e dentro da meta. Basta olhar no gráfico que o Brasil já teve juros acima de 50% ao ano e juros reais acima de 40%. São essas incertezas sobre o futuro político e econômico do país (consequência de uma população sem educação financeira, política e econômica, que vota em políticos irresponsáveis com a economia do país) que grande parte dos investidores ainda buscam os investimentos com vencimentos mais curtos.

Juros reais no futuro

Estamos no meio de uma crise econômica, em um processo de impeachment (que ainda não está concluído) e no meio de uma das maiores investigações da história envolvendo políticos corruptos de todos os partidos e verdadeiras quadrilhas de empresários que se associavam a esses políticos (mais detalhes). Em 2018 teremos eleições e um(a) novo(a) presidente governará o país em 2019. É difícil saber qual será a política econômica adotada pelos governos no futuro e por isso sempre existirão dúvidas sobre o resultado das decisões de investimento que iremos fazer hoje.

Vamos exemplificar. Veja os títulos públicos e as taxas oferecidas no momento em que escrevo este artigo.

O governo, através do Tesouro Direto, estava oferecendo uma taxa de 12,80% ao ano (taxa nominal) para quem comprasse o Tesouro Prefixado 2023 no dia em que este artigo foi escrito. Como essa taxa é calculada mais de uma vez por dia, com base nas negociações que o mercado faz (juros futuros), isso significa que os investidores consideram 12,80% uma boa taxa com base na expectativa que eles possuem para o futuro da inflação e da economia até 2023 neste momento. O problema é que essas expectativas podem mudar nos próximos dias ou até mesmo nas próximas horas. Para ter uma ideia sobre qual será nossa rentabilidade real é importante prever qual será a inflação média anual até 2023.

Todas as semanas o Banco Central faz uma pesquisa entre os economistas das 100 maiores instituições financeiras do Brasil onde cada um faz uma aposta (eles chutam) sobre qual será a inflação no final do ano corrente e no final do próximo ano. Se você olhar o histórico passado das previsões do Boletim Focus e comparar com a realidade verá que as previsões erram muito. O resultado do Boletim Focus sempre parece mais otimista que a realidade.

Mesmo assim, vamos acreditar nas previsões dos economistas que participam do Boletim Focus da mesma forma que fazemos com as previsões dos meteorologistas. No último Boletim Focus do dia 20/05/2016  a previsão era de 7,04% de inflação até o final de 2016 e 5,50% para inflação no final de 2017. Se você tivesse investido em um título Tesouro Prefixado 2023 que paga 12,80% ao ano, no início de 2016, você teria uma taxa de juro real de 5,38% em 2016 e 6,92% em 2017. Você encontrará esses números usando o simulador. Visite o simulador e o artigo clicando aqui.

Veja novamente, na tabela abaixo, qual foi o juro real entre 2010 e 2015. Você vai constatar que se a inflação cair nos próximos 2 anos os juros reais devem subir se a taxa Selic continuar próxima de 14,25%.

Observe no Boletim Focus do dia 20/05/2016 que a Meta da Taxa Selic média no período prevista pelos economistas é de 13,88% para 2016 e  11,75% para 2017. Se os economistas acertarem a média da Selic e a inflação, a taxa real de juros será 6,39% em 2016 e 5,92% para quem estiver com dinheiro investindo em um título público que segue a taxa Selic como é o caso do título Tesouro Selic. Continua sendo uma taxa real de juro elevada se comparado com a taxa real entre 2010 e 2015.

Taxa real no mundo:

Olhando a taxa de juro básica das economias do mundo, inflação e suas taxas reais, é possível perceber que se um dia o Brasil se tornar um país desenvolvido (primeiro é necessário um povo desenvolvido, políticos desenvolvidos e empresários desenvolvidos) teremos taxas de juros nominais, inflação e taxas de juros reais muito baixas. É claro que isso será bom para a sociedade, desde que seja feito com responsabilidade e seguindo exemplos que já funcionaram em países que se tornaram ricos e desenvolvidos.

Este gráfico gerado no site do Banco Mundial mostra que entre 2011 e 2015 o Brasil foi um dos países com a maior taxa de juros reais do planeta. Quanto mais vermelho maior a taxa (fonte).

A tabela abaixo mostra a comparação entre as taxas reais de juros de diversos países do mundo (fonte da tabela).

Brasil é campeão mundial:

Os dados da tabela acima são de abril de 2016 e já podemos observar na segunda tabela que a taxa real utilizando como base a inflação projetada para os próximos 12 meses é de 7,59% que é muito acima da realidade mundial. No final das tabelas podemos observar que a taxa real média do mundo é negativa. Isso significa que o investimento em renda fixa na maioria dos países tem rentabilidade negativa, ou seja, você perde para a inflação local. Neste caso o investimento em renda fixa não é atrativo e os investidores precisam buscar a renda variável, investimentos em ações ou a sociedade em negócios reais para conseguir uma rentabilidade acima da inflação.

O Brasil é o pior país do mundo para quem não tem educação financeira. É o pior país do mundo para fazer financiamentos, empréstimos e dever dinheiro para bancos e empresas. Ao mesmo tempo é o melhor país para poupar e investir dinheiro com baixo risco e juros reais elevados.

Eu torço para que um dia o Brasil se torne o melhor país do mundo para empreender. Onde qualquer um poderá abrir uma pequena empresa que um dia se tornará uma grande empresa. É assim que os países ricos se tornam ricos. Um país rico é construído com pessoas ricas. Pessoas ricas se produz com educação e empreendedorismo. Você cria riqueza inovando, produzindo mais, produzindo melhor, sendo competitivo, melhorando a vida das pessoas criando produtos e serviços inovadores que vendem no mundo todo. Vou continuar essa reflexão em outros artigos. Para baixar a planilha utilizada neste artigo clique aqui.

By |24/05/2016|Categories: Investimentos|166 Comments

About the Author:

Leandro Ávila é administrador de empresas, educador independente especializado em Educação Financeira. Além de editor do Clube dos Poupadores é autor dos livros: Reeducação Financeira, Investidor Consciente, Investimentos que rendem mais, e livros sobre Como comprar e investir em imóveis.

166 Comments

  1. Max 24 de maio de 2016 at 16:44 - Reply

    Muito interessante essa tabela com as taxas de juros reais mundiais…. Estou planejando imigrar para o Canadá com minha noiva, mas vejo que terei que abandonar os investimentos em renda fixa lá e terei que aprender outras modalidades.

    Isso gera uma dúvida: Digamos que eu seja morador do Canadá, seria vantajoso comprar reais para investir no Tesouro Nacional brasileiro?

    • Leandro Ávila 24 de maio de 2016 at 17:27 - Reply

      Oi Max. Pode ser vantajoso, mas você terá que avaliar o risco com relação ao câmbio. Vamos pegar o exemplo do Tesouro Prefixado que vence em 2023. Ele custa R$ 455,11 e você receberá R$ 1.000,00 por cada título em 2023 (todo título Tesouro Prefixado vale R$ 1.000 no vencimento menos IR e taxas). É uma taxa interessante que fará o seu patrimônio mais que dobrar em 7 anos (119,63%). O problema seria o risco da moeda brasileira desvalorizar nos próximos 7 anos, sendo que também exista oportunidade da moeda valorizar. O fato é que você não terá como saber o que vai acontecer com nossa moeda. Outra questão é a inflação.

      • Max 24 de maio de 2016 at 18:24 - Reply

        Humm… No caso do Prefixado, existe o risco da inflação, mas e se eu investisse na SELIC ou IPCA+ que acompanham a inflação? Considerando que eu mantivesse o dinheiro investido quando o real estivesse desvalorizado e só resgatasse quando valorizasse novamente, por exemplo, se após o vencimento do título IPCA+ o real ainda estivesse desvalorizado, eu investiria no título SELIC até que o real valorizasse novamente para eu resgatar.

        • Leandro Ávila 24 de maio de 2016 at 22:10 - Reply

          Oi Max. Você pode fazer isso, mas o fato é que terá esse risco do câmbio e isso significa que esse dinheiro não terá muita liquidez, ou seja, você terá que aceitar o fato de que se estiver em um momento desfavorável poderá ocorrer perdas se precisar do dinheiro.

    • Wagner 25 de maio de 2016 at 0:06 - Reply

      Ola Max, eu imigrei para o Canada e mantenho dinheiro investido no Brasil para aproveitar essas otimas taxas de juros, visto que no Canada é dificil conseguir 6%aa, mas por causa do cambio, nao deixo de investir no Canada tambem, da pra tirar proveitos dos dois paises !

      • Max 25 de maio de 2016 at 10:43 - Reply

        Olá Wagner, sim, terei que aprender a investir no Canada também e deixarei no Brasil apenas aquele dinheiro que não irei precisar de liquidez imediata. Vivendo e aprendendo, sempre.

      • Wilmar 25 de maio de 2016 at 15:25 - Reply

        Oi Wagner, achei interessante sua experiência, eu pretendo fazer isso no futuro. Como fica a questão de comprovar sua residência pra manter contas em corretoras no Brasil? Ou você aplica através de instituições canadenses? Eu imagino que você continua declarando imposto no Brasil, mas não dá rolo na hora da sua residência ? Obrigado pelas suas respostas e contribuição !

        • Wagner 26 de maio de 2016 at 0:58 - Reply

          Eu não declarei saída definitiva do Brasil então continuo dando o endereço dos meus pais pois sempre morei com eles, não pago imposto de renda pois não tenho mais de 300mil reais e não tenho rendimentos no Brasil acima da faixa de isenção

  2. Tiago Caldas 24 de maio de 2016 at 16:47 - Reply

    O último parágrafo do seu texto expressa muito bem o que deveria permear a consciência de cada cidadão brasileiro. Parabéns pelo trabalho que você desenvolve, Leandro… Brasileiros como você estão do lado da solução e não do lado do problema.

    • Leandro Ávila 24 de maio de 2016 at 17:39 - Reply

      Obrigado Tiago. Esquecemos que são as pessoas que geram riquezas através do trabalho e do empreendedorismo. Um país rico é o resultado de uma sociedade que trabalha e empreende muito (e de um governo que não atrapalha nenhum dos dois)

  3. Ricardo 24 de maio de 2016 at 16:50 - Reply

    Prezado Leandro muito com seu artigo!

    Mas quais seriam as consequências de levar os TDIPCA + 2035 até o final? Se a inflação for para as nuvens , os título remuneram isso. E se eu levar o título até o fim ele pagará o que eu contratei em juros real. Um único risco que eu vejo é o de oportunidade no período. Peço que esclareça isso. Obrigado.

    • Leandro Ávila 24 de maio de 2016 at 17:46 - Reply

      Oi Ricardo. Não é possível saber.Você vai receber o IPCA acumulado e a taxa de juros que foi combinada no vencimento, mas só terá certeza que foi uma boa escolha em 2035. As decisões políticas e econômicas de diversos políticos no decorrer de todo esse tempo é que vão dizer se a escolha foi boa diante dos acontecimentos impossíveis de prever. Sempre que fazemos qualquer investimento de prazo mais longo estamos apostando em um futuro favorável.

  4. Alcides 24 de maio de 2016 at 16:55 - Reply

    Olá Leandro como sempre o sr. muito direto e correto, gostei muito da parte “O Brasil é o pior país do mundo para quem não tem educação financeira. Pura verdade.
    abraços.

  5. Bruno 24 de maio de 2016 at 17:00 - Reply

    Leandro, boa tarde!

    Parabéns por sua excelente contribuição para nossa educação financeira.

    Por que o Tesouro IPCA não é beneficiado com o aumento da inflação se ele está atrelado a mesma? Se possível, me faça entender.

    Muito Obrigado

    • Leandro Ávila 24 de maio de 2016 at 17:57 - Reply

      Oi Bruno. Como você pode ver na tabela, já tivemos momentos no passado onde a inflação era equivalente ao que temos hoje e os juros (Taxa Selic) era muito elevado. Neste passado a diferença entre a Taxa Selic e a inflação era muito grande (juros reais). Quando você faz um investimento em Tesouro IPCA você está fixando os seus juros reais até o vencimento. Isso não é ruim e também não é bom. Só no vencimento você será capaz de olhar o que aconteceu no passado e avaliar se a decisão foi boa. Quando você fixa os seus juros reais, significa que você apostou que a inflação e os juros terão níveis equilibrados no futuro, que as decisões políticas e econômicas dos governantes futuros serão equilibradas e responsáveis. Já quando você faz o investimento em Tesouro Prefixado para prazos longos o risco é maior, pois você fixou os juros nominais e se terá rentabilidade real ou não vai depender da inflação.

      • Marcos 27 de maio de 2016 at 11:40 - Reply

        Se entendi bem o risco do IPCA longo prazo é de no futuro SELIC disparar e juros reais de outras aplicações serem maiores que taxa fixada na aplicação.

  6. wellington Sousa 24 de maio de 2016 at 17:05 - Reply

    Os dois últimos parágrafos resumem perfeitamente nossa realidade e nosso sonho (que deveria, ao menos, ser uma meta).

    Show de artigo, Leandro.

    Excelente compilação de dados e entregues numa linguagem acessível!

  7. Roberto Vieira 24 de maio de 2016 at 17:10 - Reply

    Olá Leandro! Como sempre seus textos/publicações são importantes para toda comunidade do clube dos poupadores.
    Agradeço todo seu empenho nos ensinamentos a cada dia parabéns e obrigado
    É fundamental estudar e selecionar investimentos capazes de superar a inflação . Tenho investimentos no longo prazo (Tesouro IPCA + 2019) e fica claro que com o governos deste País corremos o risco de sofrer consequências nos investimentos conforme a política adotada. Temos que apostar nas decisões econômicas que virão e isso fica difícil de avaliar. As incertezas sobre o futuro político e econômico do Brasil é que nos impedem de tomar decisões utilizando uma lógica. Vamos acompanhar apreensivos o desenrolar das medidas do governo com olhos bem abertos para não cair em armadilhas.
    abraços,

  8. Bruno 24 de maio de 2016 at 17:19 - Reply

    Parabéns, Leandro!
    Como sempre, seus artigos são claros, diretos e excelentes!

  9. Bruno 24 de maio de 2016 at 17:22 - Reply

    Olá, Leandro. Mais uma vez, parabéns pelo artigo.
    Para além da baixa poupança, do sistema financeiro oligopolizado, dos equívocos nas decisões políticas… Não seria verdade que a manutenção de taxas tão elevadas de juros favorece o tal “rentismo”? Quero dizer: a criação de condições econômicas mais favoráveis ao empreendedorismo não esbarraria nesse “sistema” que interessa a poucos?
    Um grande abraço.

    • Leandro Ávila 24 de maio de 2016 at 19:34 - Reply

      Oi Bruno. É comum ver alguns políticos criticando aqueles que emprestam dinheiro para o governo em troca de juros (poupadores e investidores que são pejorativamente chamados de rentistas). Isso é uma inversão das coisas. Normalmente são os mesmos políticos que prometem o que não podem cumprir para conseguir votos, tirando proveito da ignorância da população sobre temas econômicos. São os mesmos políticos (de vários partidos) que se envolvem em esquema de desvio de dinheiro público, corrupção, superfaturamento, etc. A culpa dos problemas é da incompetência dos governantes em gerir as contas públicas e por isso precisam de dinheiro emprestado. O problema não se origina naqueles que estão dispostos a emprestar dinheiro para o governo. O governo não pode gastar mais do que arrecada, o problema é que os políticos não se importam muito com isso. Como não existe milagre na matemática, para gastar mais do que arrecadou o governo precisa vender títulos públicos. Para que a sociedade aceite emprestar suas economias para o governo é necessário que as taxas de juros compensem o risco. Quanto maior a irresponsabilidade fiscal do governo, maiores são os juros necessários para atrair o interesse daqueles que possuem dinheiro para emprestar. A solução desse problema seria o governo gastar aquilo que consegue arrecadar com os impostos. O Estado precisa caber no orçamento. Neste caso a dependência de dinheiro emprestado diminuiria. Emprestar dinheiro para o governo ficaria menos atrativo e as pessoas buscariam outras formas de ganho, como o investimento produtivo ou empreendedorismo. Só em controlar as contas públicas a confiança na capacidade de pagamento do governo aumentaria e os juros seriam menores. Vale lembrar que quem paga os juros das dívidas que o governo assume é a própria sociedade. Dessa forma o problema não é do rentista, o problema é de quem depende do dinheiro dos poupadores para cobrir os desperdícios, desvios e mau uso do dinheiro público.

      • Bruno 25 de maio de 2016 at 11:14 - Reply

        Obrigado pela resposta, Leandro. Sempre muito didático.
        Na minha ressalva inicial, na qual tentei enumerar condições que favorecem os juros altos, faltou constar a “irresponsabilidade fiscal do Estado”, que é a principal razão, como você bem explicou.
        Mas na verdade o ponto da minha questão não é bem esse. Não falo de poupadores comuns como eu e você; me refiro a “pessoas” que detêm poder sobre o sistema financeiro e, com isso, acabam influenciando decisões políticas. Sei que pode soar um pouco conspiratório/papo de esquerdista, mas você não acredita que qualquer tentativa de mudança dessas condições não encontraria resistência desse pequeno grupo (que não tem o menor interesse em empreender, mas apenas fazer o dinheiro render)?

        • Leandro Ávila 25 de maio de 2016 at 12:04 - Reply

          Oi Bruno. Bancos são empreendimentos como qualquer outro que visam o lucro, com uma vantagem que os outros não possuem, os bancos conseguem lucrar em qualquer condição de mercado. Não importa se estamos na crise ou se estamos crescendo. Sempre existem alternativas de lucro para os bancos. Nas crises (juros elevados) eles emprestam nosso dinheiro para o governo, no crescimento eles emprestam nosso dinheiro para as empresas investirem nos seus negócios e os consumidores e endividarem. Digo o nosso dinheiro pelo fato dos bancos estarem sempre emprestando dinheiro dos correntistas. O sistema financeiro está abraçado com o governo (um não vive sem o outro), isso ocorre em todos os países, e já acontecia quando o mundo era dividido por reinos e impérios. O governo tem o monopólio da produção de dinheiro e é o dono do Banco dos Bancos (Banco Central) onde cada país tem o seu. A grande questão é que mesmo o sistema financeiro tendo um forte casamento com os governos de cada país, temos países desenvolvidos e que estão se desenvolvendo. Temos países onde as pessoas possuem um ambiente mais favorável para o empreendedorismo e o enriquecimento. A origem do nosso problema não está na existência de um sistema financeiro, pois o no mundo capitalista a base de tudo é o sistema financeiro. O problema é que no mundo capitalista precisamos de políticos e de um governo que tenham o entendimento que existem regras econômicas que precisam ser seguidas para que a população consiga prosperar e enriquecer nesse ambiente. Se você não segue essas regras, você não joga, não cresce e não se desenvolve. Se você resolve implantar um modelo contrário a essas regras, o seu destino será uma economia parecida com a Venezuela, Cuba, e se for mais radical, alguma coisa isolada e surreal como a Coreia do Sul. A culpa pelos nossos problemas não é de meia dúzia de banqueiros ricos. A culpa é da sociedade que temos, da nossa falta de educação financeira, da nossa falta de educação econômica e política, que resulta em escolhas ruins para o mundo político, que estimula os políticos a serem populistas, mentirosos e irresponsáveis com o dinheiro público para conseguirem ganhar as eleições. É claro que todo o sistema tira proveito dessa situação de ignorância da população, mas para resolver o problema você precisa resolver na raiz do problema, que é melhorar a educação financeira, econômica e política da população.

          • Bruno 25 de maio de 2016 at 12:49

            Obrigado, Leandro! Estamos juntos nesse processo de educação. Um grande abraço.

          • Leandro Ávila 25 de maio de 2016 at 14:32

            Obrigado Bruno

        • Campanha 27 de maio de 2016 at 23:03 - Reply

          Bruno, apesar do Leandro já ter falado tudo, vou complementar. Inúmeras vezes os políticos falam em baixar os juros na “canetada”, que nossos juros são os mais altos do mundo e deveríamos baixá-los ou mesmo não pagar os juros da dívida pública; Isso só reflete o quão ignorantes são nossos representantes. Taxa de juros não é algo que pode ser definido ao bel prazer, pode observar que dificilmente baixam a TX básica de juros,e quando baixam, logo volta a subir pois além de diminuir quem aceita emprestar nessas condições, os juros baixos acabam gerando inflação nesse país sem planejamento e educação financeira. Se o governo fizesse seu dever de casa gastando adequadamente os recursos, não precisaria oferecer uma rentabilidade tão alta a quem se dispõe emprestar, conforme o Leandro já repetiu um milhão de vezes. É o mercado que dita a regra, caloteiro ou mau pagador, irresponsável com suas finanças, sempre terá financiamento a juros mais elevados, seja ele pessoa física ou privada. Irresponsabilidade fiscal dá nisso, mas o governo, malandramente, culpa os rentistas opressores pelas elevadas taxas de juros pois assim a culpa recai ao capitalista, ao banqueiro, e não ao irresponsável do governo, essa é uma velha tática da esquerda para sair do foco. Se esse país fosse um lugar sério, Guido Mantega já estaria preso, mas como chamar de sério um lugar onde 99% da população não entende nem juros compostos?

  10. Tadeu 24 de maio de 2016 at 17:22 - Reply

    Leandro,

    Primeiramente, parabéns pelos belíssimos artigos.

    Estou pensando em fazer uma reserva de emergência no Tesouro Selic no valor de 10 vezes a minha despesa mensal. Após, ter concluído essa reserva, irei investir no Tesouro IPCA + com juros semestrais para um renda extra. Qual a dica que você sugere: Um tesouro IPCA + para curto prazo ( 10 anos) ou um longo (20 ou mais anos) ou nenhum desses.

    • Leandro Ávila 24 de maio de 2016 at 19:36 - Reply

      Oi Tadeu, ter investimentos com prazos de vencimentos diferentes deixa sua carteira de investimento mais diversificada com relação aos prazos. Isso é melhor do que concentrar tudo em um único investimento com um único prazo.

      • Mauro 25 de maio de 2016 at 10:51 - Reply

        Faço isso também, diversifico meus investimentos em renda fixa a longo prazo, no tesouro IPCA+ em pelo menos 03 diferentes vencimentos com porcentagens ditadas pelos meus critérios e necessidades.
        No mais também invisto em renda variável, Ações e FIIs e mantenho reserva de emergência e orçamento familiar superavitário, o que não acho muito difícil, basta saber estudar e fazer um certo sacrifício no início.
        Invisto também em mim, embora esteja aposentado não parei de estudar e concluo no mês que vem outro curso superior.
        Trabalho , vida em família, cuidar da saúde, estudo e vida financeira regrada são para mim um fator de tranquilidade.

        • Leandro Ávila 25 de maio de 2016 at 11:41 - Reply

          Oi Mauro. Parabéns por investir em você, é esse investimento que permite fazer os outros.

    • jose 13 de junho de 2016 at 19:12 - Reply

      já lhe disseram que o longo prazo é a morte,Mauro?

      • Leandro Ávila 15 de junho de 2016 at 1:27 - Reply

        Oi José. O problema não é morrer no longo prazo. O problema é você ficar vivo por muito tempo, sem renda, sem investimentos guardados para sua aposentadoria, dependendo dos favores e da boa vontade dos seus parentes, dependendo da aposentadoria pública e do precário sistema de saúde do governo. Pior ainda é ter muito tempo livre para se arrepender de não ter sabotado o próprio futuro quando ainda era jovem com base neste tipo de pensamento.

  11. Sergio 24 de maio de 2016 at 17:26 - Reply

    Leandro,
    Parabéns pelo excelente artigo!! Você conseguiu apresentar de uma forma muito didática conceitos que são extremamente importantes para o dia-dia de todo o cidadão, mas que são pouco compreendidos…. realmente a falta de educação financeira do povo reflete, infelizmente, nos péssimos governantes do nosso país. E ainda há quem defenda aqueles que cometeram inúmeros erros na gestão do país!! A cada artigo seu que leio, admiro ainda mais o seu trabalho e dedicação em orientar as pessoas…. muito obrigado por compartilhar o conhecimento desta forma!!

  12. Fábio Bastos 24 de maio de 2016 at 17:28 - Reply

    Leandro, mais uma vez parabéns pelo conteúdo do texto e principalmente pelas suas análise que incomodam bastante já nos primeiros parágrafos. Realmente no Brasil é uma diversidade de interesses e infelizmente a população não é sábia para entender para onde seguir e na dúvida e falta de conhecimento deixa seus recursos na poupança. Estou acompanhando os movimentos dos imóveis, já li seus ebooks e agora as coisas estão cada vez ficando mais claras, eu também torço para que o Brasil seja rico, principalmente intelectualmente, o resto será consequência.

    • Leandro Ávila 24 de maio de 2016 at 22:04 - Reply

      Oi Fábio. Tudo começa de dentro para fora. As pessoas precisam enriquecer por dentro através da educação. O enriquecimento externo é uma consequência do interno.

  13. Adelino 24 de maio de 2016 at 17:50 - Reply

    Artigo espetacularmente claro e didático para os que não possuem conhecimentos profundos em Economia e para os pequenos investidores. Parabéns, Leandro, por sua contribuição na formação de um povo esclarecido.

  14. Lucas Soliguetti 24 de maio de 2016 at 17:56 - Reply

    Muito obrigado, Leandro, por mais um artigo esclarecedor. É um grande privilégio ler as suas publicações. Parabéns pelo excelente trabalho!

  15. Herika 24 de maio de 2016 at 18:02 - Reply

    Fico sempre à espera dos seus textos. Sempre são excelentes. Já escreveu algo sobre investimento em ouro, ouro ativo, agente de custódia para ouro?

  16. GB 24 de maio de 2016 at 18:09 - Reply

    E por isso que prefiro apostar em títulos públicos atrelados ao IPCA, qualquer problema pelo menos o dinheiro está sendo protegido e ainda ganha uns 6% de juros extras como brinde.

    Lembrando que a inflação é uma média,então tem coisa que subiu menos, coisa que subiu mais e até coisas que caíram de preço (como frutas da estação, por exemplo), a grande sacada é consumir coisas mais facilmente encontradas, assim a inflação afeta menos a pessoa.

    • Leandro Ávila 24 de maio de 2016 at 22:07 - Reply

      Oi GB. Na verdade cada família e até cada pessoa tem sua própria inflação. É possível reduzir o impacto da inflação nas suas finanças como você mesmo falou.

  17. Michael Stuart 24 de maio de 2016 at 18:27 - Reply

    Excelente texto. Tambem torço para o declinio natural das taxas reais de juros aqui no Brasil.. Mas nao como a Presidenta conseguiu a meta dela em 2013 – uma taxa real menos de 2% (quando o SELIC foi 7.25%). Muito impressionate mesmo! So que ela conseguiu atraves de forçar o Tombini a baixar o SELIC e ficando contente com, ‘um pouco mais’ de inflaçao.’ Quase conseguiu uma taxa real negativa. Mas o negocio foi insustentavel pelos motivos que voce bem explicou (com a tal Nova Matriz Economica). No final, seria bom ter as taxas reais mais negativas do mundo – mas nao como a Venezuela conseguiu – com outras consequencias! A retomada do Modelo Tripe parece um bom lugar recomeçar….

    • Leandro Ávila 24 de maio de 2016 at 22:15 - Reply

      A inflação projetada para a Venezuela em 2016 é de 720% ao ano. Lá os juros estão em 21%. É isso que acontece no extremo de um governo que gasta mais do que arrecada para se manter popular.

  18. Sandro Luiz 24 de maio de 2016 at 18:29 - Reply

    Excelente artigo. Parabéns!

  19. Arnaldo 24 de maio de 2016 at 18:31 - Reply

    Mais um ótimo artigo. Parabéns Leandro!
    Sempre tive essa dúvida, o que gera um país rico? De onde surge “mais dinheiro em circulação”? O que permite ao país, criar esse novo dinheiro?

    • Leandro Ávila 24 de maio de 2016 at 23:04 - Reply

      Oi Arnaldo. Muitos possuem a ideia errada de que existe uma quantidade limitada de riquezas no mundo e que ela está concentrada no bolso de uma pequena parcela da população. Nessa visão torta, de mundo um mundo escasso, as pessoas são ricas por terem tomado a riqueza dos que são pobres e o equilíbrio só seria possível se alguém (o Estado e os seus políticos) tomarem as riquezas de uns (através dos impostos) para distribuir para os outros. Essa é uma visão de mundo que só interessa aos políticos e aos que se beneficiam da estrutura do Estado. É uma visão de mundo que não existe mais. No mundo de hoje, o que enriquece os países é a capacidade empreendedora e de inovação do seu povo (que depende da sua educação). As pessoas enriquecem produzindo bens e serviços que possuem grande valor para a sociedade. Quando Bill Gates criou o Windows e outros empreendedores tornaram o computador uma ferramenta popular, isso gerou uma enorme produção de riquezas em todo mundo e em todas as áreas da economia e do conhecimento humano. Imagine quantas novas empresas nasceram, quantas invenções surgiram, quantos empregos foram gerados, quanta riqueza circulou em todos os mercados do mundo depois que os computadores foram inventados e popularizados. Uma parte dessa riqueza gerada pela revolução da informática tornou Bill Gates o homem mais rico do mundo. No exemplo do Bill Gates, sua riqueza não foi retirada de pessoas mais pobres. Sua riqueza é apenas uma pequena parte de toda a riqueza que foi produzida por milhões de pessoas e empresas em todo mundo utilizando a ferramenta que a empresa dele desenvolveu. Veja o exemplo da Coreia do Sul que era um país pobre e rural 40 anos atrás. Depois de investir seriamente em educação, o país se tornou um celeiro de empresas multinacionais de alta tecnologia. Certamente você tem produtos Samsung ou LG na sua casa que foram inventados por engenheiros que são descendentes antigos plantadores de arroz. Faz uma enorme diferença educar um povo para que troquem o tempo que dedicava plantando arroz para dedicar esse mesmo tempo inventando produtos de altíssima tecnologia que transformam o mundo onde vivemos. O dinheiro é apenas um meio para que as trocas de riquezas produzidas pelo trabalho das pessoas e das empresas possam acontecer. A única forma de acabar com a pobreza do mundo é estimular a produção de riqueza. Produzir riqueza significa fazer alguma coisa de valor com o seu tempo. Já para produzir pobreza você não precisa fazer absolutamente nada, basta jogar tempo fora, basta procrastinar e observar a vida passar. Para a pobreza não é necessário fazer nenhum esforço.

      • Arnaldo 25 de maio de 2016 at 22:37 - Reply

        Obrigado pela resposta Leandro, gostei dos exemplos… mas ainda sim continuo sem entender de onde surge o novo dinheiro!
        Supondo que a população de uma determinada região, cidade, etc.. estude e se prepare…assim o numero de empreendedores e novos negócios aumente drasticamente… o simples fato de terem sido criados por ex 5 padarias, 2 industrias, 4 farmácias, 2 supermercados, 3 sorveterias etc.. não significa necessariamente que criou-se riqueza (dinheiro), criaram-se serviços, produtos, etc mas.. haveria ainda a necessidade de demanda (as pessoas teriam que ter mais renda para poder comprar nos novos negócios e assim gerar lucro para os empreendedores..) porém, de onde viria o aumento de renda (dinheiro) necessário para estas pessoas? Sem ele, como se sustentariam as novas empresas? É um ciclo que não está claro para mim… Se produz – alguém tem que consumir – e para tal, esse alguém também tem q ter produzido algo, que foi consumido por outro alguém, que também tirou sua renda de algum lugar… e assim vamos nesse dilema de ovo x galinha… A origem de tudo é o governo e sua política monetária e seus gastos? A quantidade de $$ em circulação em uma economia, deve ser +- igual ao seu PIB ? Quando se cria novos produtos, empresas etc.. o governo simplesmente aumenta a produção na casa da moeda, de modo correspondente ao crescimento do PIB ? Quando o PIB retrai, ele deve retirar moeda de circulação? O que, economicamente falando, dá direito ao país de aumentar sua quantidade de moeda, sem gerar problemas (inflação, dívida, por ex) ?

        • Leandro Ávila 26 de maio de 2016 at 0:45 - Reply

          Não podemos confundir riqueza com dinheiro. São coisas diferentes. Dinheiro é apenas um meio de troca e reserva de valor, um pedaço de papel ou um pedaço de metal qualquer usado para representar o valor das coisas e permitir trocas. O governo tem o monopólio da sua criação sendo responsável por manter o seu valor (É a responsabilidade número 1 de todos os bancos centrais do mundo) O governo imprime o dinheiro físico na medida que existe demanda por ele, mas a maior parte do dinheiro são apenas dígitos (bits) em computadores de bancos. O governo pode criar dinheiro do nada e quando faz isso desvaloriza todo o dinheiro (inflação). É como tentar aumentar a quantidade de feijão na panela colocando água. Você terá feijão aguado, enfraquecido. O mesmo vale para o dinheiro produzido sem que alguma riqueza tenha sido criada pela sociedade (pessoas e empresas). Se o dinheiro não existisse você e todas as pessoas passariam a vida colecionado coisas físicas que permitissem fazer escambo (objetos úteis, metais, terras, animais, ferramentas, etc). As coisas e os serviços gerados pelo trabalho é que são as verdadeiras riquezas.

        • Campanha 28 de maio de 2016 at 0:23 - Reply

          Arnaldo, é bem complicado entender isso, mas o governo tem vários mecanismos para aumentar ou diminuir a moeda circulante, seja imprimindo dinheiro sem lastro, seja pagando juros dos títulos públicos, seja comprando ou vendendo moeda estrangeira. Num país em crescimento sustentável, o dinheiro está constantemente aumentando em virtude do trabalho das pessoas que geram valor em algo que antes não existia. Ao governo cabe controlar o volume de moeda circulante para que não ocorra inflação ou deflação. Se não me engano, no Japão ocorre a emissão de moeda sem lastro numa tentativa de aumentar a inflação. Ou seja, eles emprestam dinheiro que não possuem, isso aumenta a moeda circulante. Outro exemplo, vc empresta dinheiro para o governo, ele lhe paga os juros, caso ele não tenha lastro pra te pagar (não recolheu impostos o suficiente), então para não dar calote ele irá imprimir um dinheiro que não existe, aumentando o dinheiro em circulação, bem provável que até os juros aumentem o dinheiro em circulação. O fato de criação dos comércios que vc falou, por si só não gera demanda, mas esse povo todo trabalhando, isso gera demanda. Um vai fazer o pão, o outro vai construir casas, e assim por diante, e as trocas comerciais e o trabalho entre eles irá gerar valor. Vejamos um exemplo prático: Um grande local pobre com terras boas, um empreendedor, via financiamento (vai pagar juros que aumenta moeda circulante) resolve plantar soja. Contrata alguns desempregados que até então não geravam valor nenhum, mas agora irão ter renda para consumir. Depois da safra ele vende a produção para o país vizinho, onde outro empreendedor, também desempregado, vê na soja a alternativa de produzir óleo vegetal. Ele então pega suas economias e começa a produção, gerando emprego e renda. Com ambos os países com governos eficientes, o trabalho estará gerando riqueza, que é convertida em dinheiro, sem que pra isso alguém tenha ficado pobre. Se o dinheiro fosse uma quantia fixa, onde pra um ganhar outro tivesse que perder, então seríamos todos miseráveis pois a medida que a população aumenta, teríamos que dividir o pouco que resta. Agora imagine um país onde o governo muito bonzinho resolve pagar 10.000 reais mensais para cada pessoa sem que essa pessoa produza nada. Teríamos um mar de gente com dinheiro, mas todos miseráveis pois ninguém estaria criando valor em nada, não haveria geração de riqueza pelo fato de não haver trabalho. Sem trabalho não há riqueza.

  20. Jorge Guerino 24 de maio de 2016 at 18:58 - Reply

    Leandro, mais um artigo esclarecedor. Muitos não se dão conta da importância de saber qual é o ganho real e acham que estão ganhando dinheiro, quando na verdade, mal estão recebendo o custo da inflação.

    Tenho dúvidas se, mesmo com ganho real, iremos manter nosso poder de compra, afinal, índice inflacionário como o IPCA mede a inflação de um conjunto de preços.

    Acho importante ter investimentos para ficar tranquilo, mas o ganho real está na produção, nos negócios, no empreendedorismo. Seria bom se você também escrevesse sobre negócios reais.

    • Leandro Ávila 24 de maio de 2016 at 23:10 - Reply

      Oi Jorge. Como falei em outro comentário a inflação de cada pessoa é diferente a inflação da outra. O IPCA é apenas uma média. Quem tem um orçamento familiar e anota suas despesas pode tentar calcular sua inflação pessoal, mas isso pode ser trabalhoso. No empreendedorismo seus ganhos são ilimitados e dependem das suas habilidades como empreendedor. Já falei sobre isso neste outro artigo. Existem autores que dizem que poupar e investir dinheiro no sistema financeiro é o que você faz na primeira fase do seu projeto de enriquecimento e independência financeira. Nessa fase você acumula os recursos para fazer o verdadeiro investimento (no setor produtivo). Pretendo falar sobre isso nos próximos artigos com base em releituras que fiz recentemente.

  21. Armando 24 de maio de 2016 at 19:15 - Reply

    Muito bom artigo. Ficou claro que as decisões ideológicas dos companheiros postas em prática por Mantega se tornaram uma bomba programada. Não é à toa que Mantega não tenha tranquilidade para frequentar locais de acesso público.

    Todos sabiam que a redução da taxa SELIC na canetada traria sérias consequências. Não é preciso ser economista. Muito estranho essas experiências sociais continuarem enganando até hoje.

    Por essas e outras que não temos credibilidade, previsibilidade. O país é muito arriscado, embora não percebamos por vivermos essa realidade.

    • Leandro Ávila 24 de maio de 2016 at 23:16 - Reply

      Oi Armando. Credibilidade não tem preço. Deveria ser preservada a todo custo. Isso vale para pessoas, empresas e países. Tudo fica mais difícil quando falta credibilidade, quando as regras do jogo não são claras, quando existe a tentativa de enganar, mentir, esconder, pedalar, etc. Vivemos uma crise de credibilidade com reflexos na economia.

  22. David Jose Porto 24 de maio de 2016 at 20:15 - Reply

    Acho que é esta insegurança econômica que faz tantas pessoas enxergarem nos imóveis o melhor investimento.

    • Leandro Ávila 24 de maio de 2016 at 23:18 - Reply

      Oi David. O imóvel é uma forma de armazenar grande quantidade de valor no mundo físico. Vivemos em um mundo onde o dinheiro se transformou em dígitos dentro dos computadores dos bancos. Não existe dinheiro físico (moeda e papel) disponível no mundo para todo dinheiro que está registrado dentro dos computadores dos bancos.

  23. Agton 24 de maio de 2016 at 20:41 - Reply

    Excelente artigo Leandro!

    “O Brasil é o pior país do mundo para quem não tem educação financeira. É o pior país do mundo para fazer financiamentos, empréstimos e dever dinheiro para bancos e empresas. Ao mesmo tempo é o melhor país para poupar e investir dinheiro com baixo risco e juros reais elevados.”

    Já tinha pensado neste aspecto em minhas reflexões pessoais e comentado com amigos e conhecidos.

    Abraço!

  24. Ricardo Rocha 24 de maio de 2016 at 21:25 - Reply

    Leandro, mais uma vez, parabéns por nos proporcionar conhecimento… sou um seguidor do seu trabalho à muito tempo, e através dele, pude reorientar minhas expectativas pessoais e profissionais… muito obrigado e um forte abraço…

    • Leandro Ávila 24 de maio de 2016 at 23:20 - Reply

      Oi Ricardo. Fico feliz por ter ajudado. Continua estudando e buscando melhorar pessoalmente e profissionalmente. Essa é a verdadeira riqueza. A outra é consequência.

  25. Uilson Dile 24 de maio de 2016 at 21:27 - Reply

    Olá Leandro Juros reais não teria que descontar além da inflação, taxa e impostos?
    Nos títulos 6% + IPCA esses 6% não são juros reais por que?
    Acredita que essas taxa elevadas que o Brasil pratica podem nunca mais voltar?

    Parabéns pelo seu trabalho espetacular!

    • Leandro Ávila 24 de maio de 2016 at 23:26 - Reply

      Oi Uilson. Você está falando de rentabilidade líquida e rentabilidade bruta. Nos investimentos onde existe cobrança de taxas e imposto de renda você irá receber, no final do investimento, uma rentabilidade líquida de impostos e taxas. Com ela você pode calcular a sua rentabilidade real. No artigo só falamos de taxa de juros nominais e reais. É difícil dizer que essas taxas nunca mais irão voltar. Se o brasileiro aprender alguma coisa com essa crise e exigir dos políticos mais responsabilidade com o dinheiro público e isso resultar em medidas para melhorar a economia, pode ser que não volte. Isso na verdade seria bom para todos. No lugar de investir em renda fixa, em um país rico e desenvolvido você faria investimentos em renda variável ou em negócios. Certamente você e sua família se tornariam mais ricos e prósperos, como ocorre em países com a economia desenvolvida. O problema é que não sei se o brasileiro entendeu a gravidade do que aconteceu na economia. Tem um monte de gente que gosta do Estado grande, gastador, são pessoas que acreditam que o Governo é grátis. Isso só vai mudar com educação financeira, educação política e econômica e isso pode demorar. As redes sociais estão repletas de gente brigando e falando bobagens ao defenderem políticos. Poderiam dedicar o mesmo tempo estudando.

  26. Marlon Ruttmann 24 de maio de 2016 at 21:41 - Reply

    Dados interessantes, mas uma coisa que me deixa bastante preocupado é o que você comenta no final do artigo, sobre a dificuldade das empresas aqui no Brasil. Eu acho inadmissível vivermos em um sistema econômico onde vale mais a pena apostar na renda fixa – contribuindo para o endividamento do governo – do que abrir empresas e efetivamente produzir, gerando riqueza.

    Eu invisto no TD por ainda ter bastante receio em abrir uma empresa e acabar quebrando com essa carga tributária e todas as dificuldades que acometem os empreendedores.

    Infelizmente aqui no Brasil, o povo em geral tem o costume de odiar quem começa a se dar bem na vida. Geralmente o amigo empresário é taxado de rico ao primeiro sinal de progresso em seu empreendimento. A mídia e o governo nos últimos 13 anos se esforçaram muito pra colocar os trabalhadores contra os empresários. Todo empresário hoje em dia é taxado de explorador, e isso é muito triste…

    • Leandro Ávila 24 de maio de 2016 at 23:43 - Reply

      Oi Marlon. É importante não inverter as coisas. O governo não está endividado porque você aceitou emprestar dinheiro para ele comprando seus títulos públicos. Da mesma forma as pessoas não estão endividadas por culpa dos bancos que emprestam dinheiro para elas. É justamente o contrário. O governo e as pessoas se endividam quando gastam mais do que arrecadam. É fundamental que o país tenha poupança interna. É fundamental aumentar o número de pessoas que poupam uma parte do que ganham. É esse dinheiro que financia os investimentos públicos e privados o país. O problema é que um governo que gasta mais do que arrecada e que não é responsável com suas contas precisa oferecer taxas muito elevadas para atrair as economias da sociedade. Isso cria uma concorrência entre o governo e os investidores privados na busca de recursos dos poupadores. No lugar de comprar ações na bolsa de valores de uma empresa que está abrindo seu capital para investir, as pessoas preferem emprestar dinheiro para o governo. No lugar do banco emprestar dinheiro dos correntistas para empreendedores que estão criando ou expandindo seus negócios, eles preferem emprestar para o governo. No lugar de comprar debêntures de uma empresa que precisa de dinheiro para investir, você empresta para o governo comprando títulos públicos. No lugar de abrir uma empresa, a pessoa prefere deixar o dinheiro na renda fixa onde existe segurança e taxa elevada de retorno. As pessoas precisam tomar as melhores decisões sobre o seu próprio dinheiro. Abrir um negócio no Brasil é mais perigoso do que abrir em outros países. Não existe um ambiente favorável. Também existe essa questão cultural. O brasileiro sonha com um bom emprego privado ou público onde possa trabalhar pouco e ganhar muito. O ideal seria sonhar em se tornar um empreendedor bem sucedido, que gera empregos, melhora a vida dos seus clientes, arrecada impostos e, de forma justa, lucra com sua atividade empreendedora. Para isso é necessário uma mudança cultural.

      • Joanatan 25 de maio de 2016 at 18:18 - Reply

        O senhor sabe se explicar muitíssimo bem professor.
        Meus parabéns pela dedicação,
        Tenho orgulho de aprender contigo.
        Obrigado.

  27. Renato Assis 24 de maio de 2016 at 21:51 - Reply

    Estes cálculos são líquidos de IR?

    • Leandro Ávila 24 de maio de 2016 at 23:45 - Reply

      Para encontrar rentabilidade líquida dos investimentos é necessário descontar IR e taxas quando existirem.

  28. Gonçalo 24 de maio de 2016 at 21:55 - Reply

    Muito bom, Leandro!! Abraços!!!

  29. Tiago Malveira 24 de maio de 2016 at 22:21 - Reply

    Olá Leandro, mais um belo artigo!

    Diante das incertezas quanto à taxa Selic e à inflação futura, parece-me interessante diversificar os investimentos de renda fixa em aplicações atreladas à inflação e também em aplicações atreladas ao CDI.

    Daí, teremos uma média entre as aplicações de renda fixa que retornem os maiores juros reais.

    O que acha?

    • Leandro Ávila 24 de maio de 2016 at 23:49 - Reply

      Oi Tiago. A ideia de diversificar o investimento de renda fixa tendo uma parte pós-fixada (que varia dependendo da Selic ou do CDI), prefixada (uma taxa fixa de juros) e indexada pela inflação se justifica pelo fato de ser impossível ter absoluta certeza sobre qual estratégia será a melhor até o vencimento. Só teremos certeza no vencimento quando for possível olhar o resultado. Existem investidores que preferem apostar todas as fichas em uma determinada direção. Existe o investidor que prefere ficar com a média.

  30. João Paulo 24 de maio de 2016 at 22:52 - Reply

    Olá Leandro! Fiz o curso de Macroeconomia e tive uma série de dúvidas, mas acredito que consegui pegar a essência dos ensinamentos do João Sayad.

    A taxa de juros “funcionaria” modernamente como mecanismo para controlar (diminuindo) a base monetária, uma vez que faz o Banco Central enxuga dinheiro de toda a economia, tendo o efeito de reduzir a moeda em circulação e, com isso, esperando queda do consumo e queda da inflação (obviamente isso só funciona se a inflação tiver como origem o consumo exagerado e rápido via concessão desordenada de crédito).

    Entretanto, professor Sayad só demonstrou 2 mecanismos de “inventar dinheiro”, que é a emissão de títulos públicos e títulos privados (por bancos privados principalmente), sem citar de modo claro o ganho de senhoriagem, como ele ocorre e quem o quantifica.

    Desse modo, o governo toma duas medidas aparentemente contrárias (aumenta a base monetária ao imprimir mais papel moeda e reduz a base monetária ao emitir mais títulos publicos), de modo a aumentar o imposto inflacionário e ao mesmo tempo amortizar bastante os juros que ele oferece aos títulos públicos (definição de juros reais, tema do artigo de hoje).

    Logo, os juros terão que subir ainda mais, caso contrário a renda fixa estará prestes a se tornar deficitária ou próxima disso; assim, o montante investido em títulos públicos provavelmente migrará para outras regiões mais atrativas, levando a uma corrida ao dólar (fuga de capital do pais), o que desvalorizará ainda mais nossa moeda e disparará uma nova onda inflacionária, semelhante ao que ocorreu de 1982-1994.

    A conclusão, que inclusive o professor Sayad chega a mencionar, é que a economia real (setor produtivo, trabalhadores e empreendedores) é escrava do sistema financeiro, pois este impõe seus desejos (taxa de juros alta, política monetária contracionista, orçamento público voltando ao pagamento de dívida ao invés de investimentos produtivos ou sociais) e pode imputar uma pena aos governos que não seguem tal cartilha (fuga de capitais, perda de valor da moeda com a inflação, desvalorização cambial, empobrecimento geral da população e inclusive instabilidade política).

    Pelas minhas interpretações, a inflação é uma via final de vários desvios do modelo capitalista atual, e não a raiz do problema, de modo que combater a inflação per se é algo inútil, uma vez que também custou muito caro mantê-la sob controle desde 1994 até pouco tempo atrás, pois foi através do galopante endividamento público e submissão aos interesses do mercado financeiro.

    Eu não nego que nosso Governo gasta mais do que arrecada e o faz principalmente por motivos populistas, mas também é impossível negar que grande parte do nosso endividamento advém dos gastos para manter as políticas monetária e cambial, que são esforços para manter a estabilidade econômica às custas de uma porcentagem significativa de todos os recursos advindos do orçamento público dos brasileiros, isto é, curvar-se ao sistema financeiro para que não haja eventos ainda piores.

    https://bianchiniblog.wordpress.com/2016/01/21/por-que-a-auditoria-cidada-nao-e-levada-a-serio-ii-o-grafico-em-formato-de-pizza/comment-page-1/

    Por favor, aponte as falhas nesses argumentos que apresentei.
    Meu objetivo não é fazer investidores se sentirem mal (eu também invisto meu dinheiro em renda fixa), mas é perceptível que setor produtivo e setor financeiro, infelizmente, não têm os mesmos interesses, e no Brasil temos um desbalanço claro a favor do setor financeiro.

    País em que investir em ativos financeiros é mais rentável do que ativos reais (meios de produção de riqueza, como imóveis, máquinas, recursos humanos) é um bom exemplo de país sem quaisquer perspectivas econômicas positivas de longo prazo.

    • Leandro Ávila 25 de maio de 2016 at 0:11 - Reply

      Olá João. Não somos escravos do sistema financeiro. Somos escravos do Estado e seus amigos. O sistema financeiro é um braço do governo (existe um conluio). Trabalhamos e uma enorme parte do resultado do nosso trabalho vai para o Estado de forma direta ou indireta (veja isso). Diante da enorme ineficiência, desperdícios, desvios, roubos e corrupção do governo (junto com seus amigos privados), o dinheiro arrecadado é pouco. Eles precisam de mais dinheiro. Aquela pequena parcela da população que consegue poupar alguma coisa, encontra os títulos públicos do governo como a fonte mais segura e rentável de remuneração pelo dinheiro poupado. Esse cidadão que poupou alguma coisa, vai receber de volta, em forma de juros, uma parte dos impostos que pagou direta e indiretamente. Os juros que o governo paga pelo dinheiro que pega emprestado é pago pelos impostos que ele arrecada. Para os políticos (e seus amigos) a única coisa que importa é ter o máximo de dinheiro da sociedade circulando dentro do governo para que seja possível fazer populismo (garantindo reeleições) e exista muita sobra para que os desperdícios, desvios, roubos, não se tornem perceptíveis (como ocorreu neste último governo). Somos escravos do Estado, da mesma forma que na Era Medieval quando toda a população de uma região trabalhava a vida toda para pagar impostos que servia para sustentar o Rei e os seus amigos, em troca de segurança e de uma suposta benevolência com seu povo. Encare seus investimentos financeiros apenas como uma forma de recuperar uma parte do que o Estado retira mensalmente da sua família em forma de impostos. No Brasil ainda temos um problema cultural com relação a visão que temos do trabalho, do empreendedorismo, do enriquecimento, da poupança e investimentos, como acabei de falar em outros comentários. A poupança interna é fundamental para o investimento produtivo, como falei em outro comentário.

  31. Joza ribeiro 24 de maio de 2016 at 23:24 - Reply

    Olá leandro mais um ótimo artigo e pensar que em janeiro o IPCA 2035 chegou a pagar 7,80% e eu não comprei porque nao estava acompanhando. Na sua visão de construtor de cenários qual é a maior probabilidade, a manutencao da selic em 14.25 por mais tempo mesmo caindo a inflação, ou a queda da selic para favorecer a reducao do CDI? Na hipotese de queda do cdi, uma LCA de 2 anos do BNDES de 93% do cdi seria interessante?

    • Leandro Ávila 25 de maio de 2016 at 0:16 - Reply

      Oi Joza, só consigo olhar e avaliar o passado. Para o futuro eu só sei chutar (como todos os outros). Certamente a queda da Selic vai ser uma consequência da queda da inflação. O movimento da taxa Selic costuma ser uma reação. Isso significa que no momento que o governo perceber que é viável baixar a taxa Selic ele vai baixar. Inflação elevada colabora para a manutenção de taxas elevadas, inflação em queda colabora para a queda da Selic.

      • Rudimar 25 de maio de 2016 at 10:50 - Reply

        Olá Leandro, excelente artigo, como sempre.. e me metendo no comentário, a inflação não teve alto em nos últimos meses? Isso indica que a Selic não deve cair por enquanto, correto pensar assim? Pelo contrario, se disparar a inflação vão ter que subir a Selic, e contrariar toda as estimativas de queda do relatório da Focus…

        • Rudimar 25 de maio de 2016 at 10:54 - Reply

          Mais uma coisa Leandro, você ia criar um fórum para discussões correto? Foi criado? Tenho interesse em ajudar no for preciso. Preciso me educar financeiramente e realizar bons investimentos…

        • Leandro Ávila 25 de maio de 2016 at 11:40 - Reply

          Oi Rudimar. Não sabemos o que passa pela cabeça da nova equipe econômica. Na teoria é estranho baixar juros quando a inflação está subindo ou mostrando resistência. Existe uma entrevista antiga do Meirelles (que publiquei aqui) onde ele diz (com outras palavras) que juros baixos é para quem pode e não para quem quer. Todos os tipos de bizarrices políticas e econômicas no Brasil e no exterior podem acontecer a qualquer momento e isso pode impactar na inflação a qualquer momento. Por isso é tão difícil essas pesquisas do Focus acertarem alguma coisa. É como previsão de meteorologia. Você não pode afirmar com 100% de certeza que vai chover em uma data futura. Você pode dizer que existe uma probabilidade de 20%, 50%, 80%, etc. O mesmo vale para previsões sobre o futuro da inflação e outros indicadores. Você pode traçar um leque de possibilidades sem ter uma certeza absoluta. Quanto mais longo é o prazo, mais difícil é acertar.

          • Orlando 26 de maio de 2016 at 16:30

            Leandro, estimar em qualquer porcentagem que seja demanda critérios objetivos. Como estão envolvidas inúmeras e inalcançáveis variáveis, eu diria que é mais certo dizer que se trata de um mero chute.

          • Leandro Ávila 27 de maio de 2016 at 11:16

            Oi Orlando. É isso mesmo. A quantidade de variáveis é grande e seus valores mudam a cada minuto.

  32. Frederico Veloso 24 de maio de 2016 at 23:42 - Reply

    Leandro,
    Parabéns pelo artigo, muito bom! Aliás, parabéns por esse projeto fantástico de educação financeira. De tudo que já pesquisei e li na internet o Clube dos Poupadores, na minha opinião, é o que há de melhor em termos de abrangência de conteúdo, qualidade técnica e clareza das informações. Parabéns!

  33. Nilton Fontes 25 de maio de 2016 at 0:26 - Reply

    Caro Leandro, penso que no calculo do juro real deveríamos descontar o efeito nefasto do IR sobre a inflação. Se assumirmos 20% para facilitar, o impacto da inflação em 2015 foi 10,67%+2,13%, portanto 12,80% foi a parte do juro que serviu apenas para corrigir a inflação. Portanto o juro real, antes do IR foi de 0,36%, baixíssimo considerando o risco Brasil. Por isso é que empresas nacionais colocam papéis no exterior a juros de 5 a7% em dólar! Penso que é um equívoco afirmar que os juros reais no Brasil são elevados, sem considerar o IR referente à parte da inflação.

    • Leandro Ávila 25 de maio de 2016 at 10:50 - Reply

      Oi Nilton, quando estamos falando de juros nominais e juros reais, estamos levando em conta a inflação. Com relação ao resultado do investimento, ou seja, a rentabilidade, ai temos dois tipos que é a rentabilidade bruta e a rentabilidade líquida. Na rentabilidade líquida você desconta taxas e imposto de renda. Você vai descontar o IR e as taxas da sua rentabilidade bruta. No nosso exemplo do Tesouro IPCA 2023 você teria uma rentabilidade bruta de 119,63%. Usando o simulador do tesouro levando em conta o preço de compra e a data do dia 23/05/2016 você receberia R$ 905,64 que equivale a uma taxa de juro nominal de 11,11% ao ano. Se a inflação media anual fosse de 5% você teria juro real de 5,82%.

  34. Andre 25 de maio de 2016 at 0:34 - Reply

    Muito boa essa explicacao! Excelente site, muito obrigado!

  35. Luís 25 de maio de 2016 at 1:02 - Reply

    Como pequeno empreendedor (tenho uma start up no ramo de tecnologia e finanças) . eu confesso que leio seu blog com um fundo de esperança, pensando que um dia o povo brasileiro de fato irá se educar financeiramente.

    Parabéns pelo trabalho que faz, tenho indicado seu site aos meus funcionários e inclusive pessoas da minha família.

    Sei que meus sócios (principalmente) e eu fazemos parte dos quais são rotulados como “loucos” por empreender no Brasil, onde se pode deixar o dinheiro em renda fixa e esperar dobrar o patrimônio a cada 4-5 anos em CRIs, CRAs e etc, mas estamos apostando justamente pensando num futuro melhor para o Brasil.

    Creio que um dia, quando a educação financeira do povo brasileiro chegar a um patamar aceitável, serão sites como o seu que fomarão o “mainstream” desse movimento.

    Dentre todos os sites do gênero que tenho acompanhado desde que retornei ao Brasil (morei anos fora) , o seu é de longe o que tem melhor conteúdo. O impacto das coisas aqui escritas é e será enorme num futuro avanço do nosso povo.

    Realmente, obrigado.

    • Leandro Ávila 25 de maio de 2016 at 11:02 - Reply

      Oi Luís. Empreendedores precisam ser loucos, apaixonados pelo trabalho e precisam ter muita fé e otimismo. São pessoas estranhas na multidão. O mainstream (pensamento padrão da população) é totalmente diferente do modo de pensar do verdadeiro empreendedor. O país que temos é o resultado do que a maioria pensa. Para mudar o país só existe um caminho que é mudar a maneira de pensar das pessoas. Pessoas como você que tiveram acesso ao modo de pensar que existe nos países que se desenvolveram, conseguem perceber essa realidade de forma muito clara. Parabéns por empreender e por se preocupar com a educação financeira dos seus funcionários. Sua empresa também será o resultado do modo de pensar de todos os seus colaboradores.

  36. Yuri 25 de maio de 2016 at 1:56 - Reply

    Leandro, parabéns mais uma vez pelo ótimo artigo!

    Me fez abrir os olhos para ver que um juro real de 6%a.a através do TD é uma boa taxa, mas mesmo assim não torna o investidor imune a uma hiperinflação (como a do inicio dos anos 90) e um agravamento da crise que estamos vivendo…

    No final do artigo você prometeu continuar a discussão sobre empreendedorismo nos próximos artigos, faça mesmo! Já estou ansioso para ler sobre esse assunto sob sua ótica. Leio muito os conteúdos do Flávio Augusto, que é muito bom, mas que AS VEZES me parece demasiado otimista… Ele não nega a crise, mas tem uma visão de que qualquer um pode superá-la e que SEMPRE terá um final feliz, o que infelizmente não é verdade…

    • Leandro Ávila 25 de maio de 2016 at 11:05 - Reply

      Oi Yuri. Como acabei de falar no comentário anterior, todo grande empreendedor é otimista, apaixonado e tem um pouco de louco. Não existe outra forma de crescer se não for assim. Sempre vai existir um final feliz se você considerar que uma falência é uma grande escola. No modo de pensar dele, todos os problemas que você enfrentará fará parte de um processo educativo, por isso o final sempre será feliz, bastando que você não desista nos vários tombos, erros e problemas que você enfrentará nessa caminhada do empreendedorismo.

  37. Fabiano 25 de maio de 2016 at 1:56 - Reply

    Leandro, conheci o seu blog através do Bruno Ávila em uma palestra no afiliados Brasil, quero te dar os parabéns, conteúdo de altíssima qualidade, estou aprendendo muito….

  38. Yuri 25 de maio de 2016 at 2:02 - Reply

    Mais uma coisa que esqueci de comentar no post anterior:

    Acho que seria interessante elaborar um artigo explicando como os índices de inflação são apurados e que embora o IPCA seja de X% isso não quer dizer que na sua realidade os preços aumentaram X%… Eles podem aumentar mais ou menos, tudo depende da sua realidade , é como se cada um de nós tivesse uma espécie de “inflação pessoal”…

    É claro que índices como o IPCA são importantíssimos para avaliar a saúde econômica do pais, mas também não é algo que ira ditar e governar sua vida pessoal…

    • Leandro Ávila 25 de maio de 2016 at 11:10 - Reply

      Oi Yuri. O IPCA é uma média. Se o preço do tomate subir muito isso faz o IPCA aumentar. Isso não significa que o custo de vida da sua família vai subir, já que nem todo mundo compra tomate. Mesmo os que compram tomate, nem todo mundo compra a mesma quantidade de tomate. O IPCA serve como um norte, ele não reflete a inflação da sua casa. Mesmo que você coma tomate, no momento de alta dos preços você pode optar por não comer tomate. Até no caso de itens que não podem ser substituídos, como o caso da energia elétrica, no caso de aumento no preço da energia você pode optar por adotar medidas para reduzir seu consumo.

  39. Michael Stuart 25 de maio de 2016 at 2:03 - Reply

    Oi Leandro, eu achei muito interessante o primeiro comentario, o do Max, junto com a sua resposta, sobre a intençao dele a imigrar para outro pais (Canada), e possiveis mudanças na carteira dele. Eu fiz justamente o contrario saindo dos EUA para aqui e queria compartilhar o que foi feito no meu caso.

    Realmente, especialmente com o Quantitative Easing I, II, and III do Fed, investimentos la em CDBs, e fundos tradicionais de Renda Fixa sao uma maneira facil de perder dinheiro no curto e longo prazo para a inflaçao . Existem o equivalente do NTN-Bs – os chamadosTIPS – que foram justamente o prototipo para o Tesouro aqui – mas mesmo assim nao sao muito interessantes com rendimentos reais menos de 1% ou ate negativos (!) nos ultimos anos. Evidentemente, o tal”Financial Repression” intencional do Fed seria uma forma de forçar investidores a assumir mais risco – geralmente com açoes, mas tambem com titulos de empresas, etc. Eu mantive investimentos la principalmente em fundos de açoes, para a possivel valorizaçao e para reter exposiçao ao dolar. Mantenho alguns CDB’s principalmente para arcar com despesas recorrentes la na mesma moeda.

    Aqui no Brasil nao seria grande surpresa ter investimentos em Renda Fixa (na maior parte Tesouro Direto, tambem CDBs) – para criar um hedge local das despesas com rendimentos em reais. Eu poderia ter apostado exclusivamente na força potencial do dolar, mas preferi nao correr este risco de cambio, lembrando que com o proprio Meirelles durante grande parte da administraçao de Lula, houve uma valorizaçao significativa do real (maximo 1,58 se nao me engano – apesar dos reverse swaps do BC), e alguns estrangeiros aqui sofreram muito com essa exposiçao na epoca. Tambem invisto na Bolsa, mas com um fatia relativamente pequena – justamente por causa do trade-off risco/retorno que voce descreve com tanta eloquencia no seu artigo.

  40. João de Deus 25 de maio de 2016 at 6:43 - Reply

    Leandro muito bom seu texto. Como sempre com bastante profundidade! Parabens!

  41. Paulo 25 de maio de 2016 at 7:33 - Reply

    Oi Leandro, ótimo artigo!
    Realmente o Brasil tem uma taxa de juros elevadíssima.
    Talvez esteja muito relacionado a comportamento financeiro das pessoas.

    O artigo ficou ótimo mesmo.
    Parabéns!

    • Leandro Ávila 25 de maio de 2016 at 11:16 - Reply

      Oi Paulo. A falta de poupança interna (poucas pessoas poupando) colabora com essas taxas elevadas.

  42. Ricardo 25 de maio de 2016 at 8:55 - Reply

    Leandro, parabéns por nos brindar com mais um excelente texto motivador e esclarecedor. No entanto, se me permite, gostaria de tecer alguns comentários, como há grande incerteza sobre as futuras políticas economica do nosso país; como um investidor incipientes (porém já consciente da educação financeira) poderia se blindar, a fim de proteger seus investimento de longo prazo. Por exemplo, no meu caso em particular, fiz um planejamento para aposentadoria através do Tesouro Direto IPCA + 2035, mas diante dessas incertezas, deveria optar por um prazo mais curto ou se manter nessa trajetória. Parabéns pelo seu trabalho.

    • Leandro Ávila 25 de maio de 2016 at 11:17 - Reply

      Oi Ricardo. Você terá que aceitar a ideia de que nunca existirá uma certeza absoluta. O futuro é composto apenas de incertezas. O ideal seria ter seus investimentos para diversos prazos.

  43. Hevlin Costa 25 de maio de 2016 at 9:16 - Reply

    Olá Leandro, excelente artigo!
    A questão do juros reais é uma característica extremamente importante nos investimentos, mas infelizmente muita gente ignora. Especialmente aqueles que somente seguem as recomendações dos bancos. É comum receber ofertas de CDBs e LCIs, LCAs que possuem rentabilidades altas, se comparadas à poupança, mas que a rentabilidade real é baixa porque os gerentes raramente informam a rentabilidade real. Por isso é importante buscar fontes imparciais para aprender sobre investimentos e procurar também as corretoras , que oferecem opções de investimentos de renda fixa mais rentáveis que os dos grandes bancos. O problema é que muita gente, por algum motivo que não descobri ainda, tem medo de investir por corretoras, não confia, etc. Mas na realidade deveriam é ter mais medo dos grandes bancos… Parabéns e continue o bom trabalho 🙂 Assisti a palestra do seu irmão no Afiliados Brasil e ele mencionou você.. acompanho o seu trabalho desde o início do Blog e desde sempre o seu site é a minha referência em educação financeira e investimentos, parabéns!

    • Leandro Ávila 25 de maio de 2016 at 11:26 - Reply

      Oi Hevlin. É o medo do desconhecido. Obrigado por suas palavras.

  44. Luiz Cláudio Trevizam 25 de maio de 2016 at 9:20 - Reply

    Leandro

    Diante dos riscos de um investimento de longo prazo, é correto pensar em investir em curto prazo (até 2019) depois reinvestir o que foi investido e assim sucessivamente….

    • Leandro Ávila 25 de maio de 2016 at 11:28 - Reply

      Oi Luiz. O ideal é ter seus investimentos de curto, médio e longo prazo. Os riscos e incertezas sempre existirão no curto, médio e longo prazo. É importante diversificar com base nos prazos.

  45. Pedro Keller 25 de maio de 2016 at 10:11 - Reply

    Esqueceste de abrir um ou dois parágrafos sobre as mordidas do LEÃO

    Abraços

    • Leandro Ávila 25 de maio de 2016 at 11:29 - Reply

      Oi Pedro, O foco do artigo era falar sobre juros nominais e reais do país e não da rentabilidade bruta e rentabilidade líquida dos investimentos. Veja outros comentários que já escrevi sobre o assunto.

  46. Ricardo 25 de maio de 2016 at 11:24 - Reply

    Leandro, se em alguns países desenvolvidos a renda fixa tem juros negativos, perdendo para a inflação, o que levaria uma pessoa a investir nessa modalidade? Não seria melhor deixar o dinheiro parado na conta corrente, caso a mesma não queira arriscar na renda variável?
    Obrigado pelo artigo!

    • Leandro Ávila 25 de maio de 2016 at 12:13 - Reply

      Oi Ricardo. Neste caso as pessoas estão pagando para deixar o dinheiro guardado nos bancos. É como remunerar pela segurança física do dinheiro. Certamente deixar o dinheiro parado na conta corrente também representaria pagar alguma mensalidade.

  47. Ailton 25 de maio de 2016 at 11:28 - Reply

    Ótimo artigo Ávila, bem como suas considerações finais.

  48. Arno Black 25 de maio de 2016 at 11:36 - Reply

    Oi Leandro, não recebi a resposta sobre os meus questionamentos remetida a dois dias atrás. O assunto era aplicações no Brasilprev do Banco do Brasil.
    Fico no aguardo.
    A.Black

    • Leandro Ávila 25 de maio de 2016 at 12:18 - Reply

      Oi Arno. Eu recebo centenas de mensagens e comentários todos os dias. São milhares por mês. Sempre que publico um novo artigo eu dedico 1 ou 2 dias só para responder comentários do novo artigo e depois volto a responder comentários de artigos antigos (existe 1310 na fila nesse momento). Eu dedico mais tempo respondendo comentários públicos (no final dos artigos) do que mensagens individuais enviadas para meu email, pois acredito que ao responder um comentário público posso ajudar várias pessoas ao mesmo tempo.

  49. Hérika 25 de maio de 2016 at 12:24 - Reply

    Obrigada Leandro. Você transfere informação maravilhosamente. Uma pergunta: já escreveu algo sobre investimento em ouro ativo financeiro, agente de custódia em ouro e ect.?

  50. Louis 25 de maio de 2016 at 13:05 - Reply

    Uma coisa que me espanta é que o Guido Mantega, que tanto estrago fez à economia do país, é professor na FGV. Como pode ? Para mim, isso tira credibilidade desta conceituada instituição.

    • Leandro Ávila 25 de maio de 2016 at 15:00 - Reply

      Oi Louis. Economia não é uma ciência exata, por isso existem economistas que seguem escolas diferentes, ou seja, possuem crenças diferentes sobre diversos temas. Alguns seguem uma linha mais heterodoxa e outros mais ortodoxa. A Zélia que confiscou a poupança da população no Governo Collor era professora da USP.

  51. Vitor Vezani 25 de maio de 2016 at 14:09 - Reply

    Leandro, você poderia falar sobre a plataforma biva (https://biva.com.br) ? Vale a pena? É seguro e sustentavel?

    Atenciosamente,

    • Leandro Ávila 25 de maio de 2016 at 15:14 - Reply

      Oi Vitor. Não sei se vale a pena, se é seguro ou sustentável. O que sei é que se trata de uma empresa que faz captação de recursos para uma financeira chamada Sorocred. Financeiras são instituições bem menores que bancos e naturalmente mais arriscadas que bancos. Juros maiores na renda fixa sempre significa riscos maiores.

  52. Rafael 25 de maio de 2016 at 14:23 - Reply

    Oi Leandro, tenho acompanhado o Clube dos Poupadores há dois meses!! Do que tenho visto na web, achei um dos melhores conteúdos produzidos sobre. Parabéns pelo trabalho!

    Poderia me ajudar numa análise?
    Tenho um financiamento de imóvel que contratei no início de 2013, com taxa de 9,2% a.a. (Já incluído todas as despesas, incluindo a correcao mensal do saldo pela TR) Hoje tenho duas opcoes: quitar parte do saldo devedor ou alocar em aplicaoes financeiras do tipo renda fixa (TD, LCI, LCA, CDB).

    Como, em média, tenho achado rentabilidades nominais maiores que 9,2% a.a, me parece óbvio que seria melhor investir, ao invés de quitar parte do saldo devedor.

    Esse raciocício estaria correto?

    • Leandro Ávila 25 de maio de 2016 at 18:51 - Reply

      Oi Rafael, se você está ganhando mais juros do que está pagando, faz sentido. Você só precisa acompanhar.

      • Rafael 26 de maio de 2016 at 13:43 - Reply

        Obrigado, Leandro!

  53. Erick Mata 25 de maio de 2016 at 15:19 - Reply

    Belo artigo. Muito obrigado!!!

  54. Filipe M.Souza 25 de maio de 2016 at 16:33 - Reply

    Leandro, cabe a nós participantes do clube dos poupadores o dever de transmitir e compartilhar todas informações e conteúdos disponibilizados aqui.
    No entanto, observo que muitos componentes da minha rede de Contatos não se interessam e não dão créditos ao tema Educação Financeira.

    Parabéns pelo seu Trabalho.

    • Leandro Ávila 25 de maio de 2016 at 18:53 - Reply

      Oi Filipe. Infelizmente é natural/cultural que as pessoas não se importem com o tema e isso faz o nosso país ser o que é.

  55. andre luiz narciso 25 de maio de 2016 at 17:03 - Reply

    Leandro tenho um Tesouro IPCA + 2035 este investimento eh para minha filha que tem 2 anos. gostaria de saber se vale a pena?

    Atenciosamente

    • Leandro Ávila 25 de maio de 2016 at 18:56 - Reply

      Oi Andre. Para saber se vale a pena você precisa comparar com alguma coisa. Se comparar com não investir nada, vale a pena. Se comparar com deixar parado em uma conta ou rendendo pouco na poupança vale a pena. Se considerar que você só vai pagar IR em 2035 vale a pena e por ai vai. O importante é que você consiga avaliar se vale a pena.

  56. Allan 26 de maio de 2016 at 12:55 - Reply

    Leandro, sigo suas matérias a muito tempo, é incrivelmente rico em informações. Mais o que me impressiona é a atenção que vc tem em responder a todos os comentários.. Parabéns pelo ótimo trabalho!

  57. LUCAS CARVALHO HENRIQUES DE LIMA 26 de maio de 2016 at 16:49 - Reply

    Leandro, sempre acompanho seu site, é incrível como temos conteúdos de excelente qualidade na internet hoje em dia para aqueles que querem investir e se aprimorar. Gostaria de saber sua opinião no seguinte: eu estou planejando a minha independência financeira para daqui 10 anos e já tenho cerca de 30% do meu montante investidos em tesouro e investimentos que estão ligados à inflação. Basicamente estou comprando Tesouro IPCA+ 2024, e pretendo resgatar e investir todo o montante em Tesouro IPCA que paga juros semestrais e viver desta renda. Gostaria da sua opinião, pois tenho você como um de meus mentores. Um grande abraço e obrigado pela atenção.

    • Leandro Ávila 27 de maio de 2016 at 11:20 - Reply

      Oi Lucas. O Tesouro IPCA é o investimento que garante a proteção contra os efeitos da inflação oficial. Hoje é uma boa estratégia, para amanhã não existe certeza absoluta. É assim que encaro os investimentos que faço para minha aposentadoria. Não posso me sentir 100% seguro ou 100% confortável com as estratégias que hoje parecem boas, pois não sabemos qual será o cenário futuro. Por isso é importante continuar estudando, aprendendo, acompanhando o funcionamento do mundo do dinheiro.

  58. Karla 26 de maio de 2016 at 19:15 - Reply

    Leandro, você investe em títulos acima de 10 anos da sua data de vencimento? Ou você prefere títulos com datas mais próximas e ir reaplicando seus rendimentos? Abraços

    • Leandro Ávila 27 de maio de 2016 at 11:22 - Reply

      Oi Karla. Eu recomendo que as pessoas tenham investimentos com prazos liquidez diária, investimentos com prazo mais curto, médio e longo. Não faz sentido você concentrar tudo que tem para vencer em 10 anos. Você não sabe o que espera você nos próximos 10 anos. Você começa a poupar e investir o seu dinheiro de liquidez diária e curto prazo (que seria sua reserva para emergências) e depois vai fazendo seus investimentos de prazo mais longo. Os investimentos de prazo mais curto é que garantem que você não vai precisar mexer nos investimentos de prazo mais longo.

  59. Iuri Viana 27 de maio de 2016 at 10:59 - Reply

    Oi Leandro
    Mais um excelente artigo, meus parabéns!
    De longe, seu site é o que mais produz artigos de altíssima qualidade, e de forma imparcial na colocações.
    Te admiro mais ainda pelo fato de além do fato de você escrever esses artigos, você responde a todos os comentários que são feitos aqui. E esses comentários e seus feedbacks tem me esclarecido muitas coisas.
    Abraço e espero que continue esse trabalho por muitos anos.

  60. vinícius oliveira 27 de maio de 2016 at 12:31 - Reply

    Olá Leandro. Muito obrigado pelo artigo.
    Lendo os comentários vejo que todos temos muitas incertezas e necessidade de aprendermos cada vez mais. “Investimentos de curto, médio ou longo prazo?”, nos indagamos.
    Dentre seus artigos um que também quebrou alguns paradigmas pessoais foi um que você comenta sobre a questão: tempo do investimento (juros compostos), sua rentabilidade e o valor investido. Aconselho a todos a lerem.

  61. Anderson Gireli 28 de maio de 2016 at 6:33 - Reply

    Parabens Leandro por trazer sempre bons conteúdos, sobre juros reais e possivel dizer que nos imoveis e nos fiis os juros reais sao maiores, pensando que no longo prazo o imovel ou a cota do fii e os alugueis tendem a aumentar, esta correto este raciocinio?

    • Leandro Ávila 5 de junho de 2016 at 7:22 - Reply

      Oi Anderson. Não é todo imóvel que se valoriza no tempo. Não existe uma regra para isso. Existem imóveis que se valoriza mais outros menos, e existem até os que perdem valor. O que ocorre é que alguns tipos de imóveis permitem que você tenha uma renda mensal, no caso de um imóvel alugado.

  62. Gabriel 28 de maio de 2016 at 14:08 - Reply

    leandro e sobre os bitcoins? vale apena?

    • Leandro Ávila 5 de junho de 2016 at 7:31 - Reply

      Oi Gabriel. Bitcoins é um experimento de moeda virtual, que pode dar errado ou da certo, só o tempo dirá. Não é uma modalidade de investimento.

  63. Flávio 29 de maio de 2016 at 14:19 - Reply

    Olá, Leandro, tudo bem?
    Comecei a ler a poucos dias os seus artigos, mas já venho poupando desde que comecei a estagiar. Porém, resolvi fazer alguns investimentos que me darão algum retorno daqui a alguns anos (youtube e criação de gado) e no momento estou sem nenhuma reserva financeira (já comecei a planejar a reserva de emergência).
    Enfim, supondo que eu teria R$ 1.000.000,00 em investimentos no TD, a uma taxa de 12% ao ano e inflação de 9,28% ao ano, qual seria a conta que tenho que fazer para poder ter uma renda passiva vitalícia, ou seja, qual valor que poderia sacar que meu dinheiro investido não perderia poder de compra (se puder discretizar o cálculo a fim de aprendizado seria ótimo).
    Eu acredito que já vi esse cálculo em algum lugar no site, mas não consegui achar novamente.
    Agradeço muito a ajuda e parabéns pelo excelente trabalho que você vem desenvolvendo, muito obrigado.

  64. ALINE 30 de maio de 2016 at 13:13 - Reply

    Ola Leandro.

    Uma Duvida : Os Fundos de investimentos não possuem garantias do FGC, certo?

    Estava analisando os produtos e fica difícil investir dentro dos “grandes bancos” (Caixa e Banco Brasil) , as taxas administrativas são altas e o rendimento fica muito atrás do que as corretoras oferecem. LCI, LCA e CDB de grandes bancos são uma piada em retorno se compararmos aos oferecidos nas corretoras , Já no Tesouro Direto o problema é a taxa de administração que são altas demais,

    A questão fica quanto se perde em investir em “bancos grandes ao invés de investir nas corretoras “

    • Leandro Ávila 5 de junho de 2016 at 7:40 - Reply

      Oi Aline. O FGC não garante investimento feito em fundos. No Brasil as pessoas sentem medo de investir através de corretoras, é o medo do desconhecido. Os grandes bancos tiram proveito disso. Lá fora, quando as pessoas pensam em investir dinheiro, é natural que pensem em fazer isso através de alguma corretora, pois nelas você encontra uma enorme quantidade de alternativas. Quando você investe por um grande banco, você só encontrará os produtos desse grade banco. Exemplo: na Caixa você só encontrará fundos de investimento da Caixa, CDB, LCI e LCA emitidos pela Caixa. Em uma corretora você encontrará fundos de inúmeras gestoras, títulos privados como LCI, lCA e CDB de diversos bancos e taxas para investir em títulos públicos mais baixas. Quanto maior for a concorrência, melhor para o investidor.

  65. Eduardo 1 de junho de 2016 at 12:29 - Reply

    Olá Leandro, tudo bem?
    Gostaria de tirar uma dúvida que não tem muita correlação com o artigo.
    Você é assinante do serviço “Empiricus – Renda Fixa”? Esta research está divulgando recentemente uma campanha publicitária (com a peça “2016: A maior transferência LEGAL de riqueza da história do Brasil”) para aquisição deste serviço. Mas gostaria de saber sua opinião, se vale a pena ou não, se a maior parte dos materiais divulgados lá estão presentes aqui ou não (para que sejamos capaz de pensar por nossa conta).
    Muito obrigado,
    Eduardo

    • Leandro Ávila 5 de junho de 2016 at 7:41 - Reply

      Oi Eduardo. Eu não conheço essa peça publicitária e o produto envolvendo ela. A Empiricus tem o hábito de fazer marketing muito apelativo.

    • kleber 21 de junho de 2016 at 18:08 - Reply

      pula fora

  66. Rafael Francisco 4 de junho de 2016 at 19:49 - Reply

    Olá Leandro. Poderia aproveitar a oportunidade e falar também de juros efetivo?

  67. Flávio 5 de junho de 2016 at 18:24 - Reply

    “No caso do Tesouro IPCA, você tem uma garantia de uma taxa de juros reais (já que ele rende IPCA + uma taxa fixa de juros). O problema é que uma taxa de juro real de 5% ou 6% só são boas taxas se você estiver em uma economia equilibrada, bem administrada, com inflação controlada e dentro da meta. Basta olhar no gráfico que o Brasil já teve juros acima de 50% ao ano e juros reais acima de 40%.”
    Acho que o caminho aqui seria investir aos poucos “pegando” taxas altas e baixas para ficar na média .
    Parabéns pelo artigo ,como sempre ótimo!!!

    • Leandro Ávila 8 de junho de 2016 at 10:09 - Reply

      Oi Flávio, comprando aos poucos você aceita ficar com a média e assume que é muito difícil acertar o momento certo. É isso que costumo fazer.

  68. Jasso 14 de junho de 2016 at 12:03 - Reply

    Bom DIA Leandro Avila ; poderia me responder qual o indexador devo usar para um negocio de venda de participação em varejo comercial ,,,seria melhor usar o INPC ou IPCA . Irei receber em 50 meses ; O valor é razoavelmente alto .

    • Leandro Ávila 27 de julho de 2016 at 10:44 - Reply

      Oi Jasso. Não sei dizer qual é o melhor indexador. Recomendo que busque o histórico de cada um e compreenda a metodologia utilizada para calcular cada indicador.

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