Você sabia que a cada 45 dias o COPOM (Comitê de Política Monetária) toma decisões que influenciam no valor do seu dinheiro, nos juros que você paga ao se endividar e nos juros que recebe ao investir? Em uma simples reunião eles podem decidir se o Brasil vai entrar em recessão, se a inflação vai subir ou cair, se as pessoas vão comprar mais ou comprar menos e se o país ficará mais rico ou mais pobre.

A maioria da população ignorar a importância das reuniões do COPOM. O povão se preocupa mais com o resultado do campeonato de futebol. As coisas são feitas para que as pessoas não tenham interesse por coisas me mexem profundamente em suas vidas. Para que você não seja como todo mundo, não deixe de ler e recomendar este artigo.

O COPOM é um órgão que faz parte do Banco Central do Brasil. Ele é responsável por modificar ou manter os juros básicos da economia (Taxa Selic) a cada 45 dias. Esta taxa interfere em todos os juros do mercado, no valor do dinheiro e das coisas. Ela interfere nos juros que você recebe quando faz qualquer investimento ou nos juros que você paga quando pede dinheiro emprestado. Investidores e empresários observam as tendências da Selic antes de fazer qualquer investimento financeiro ou produtivo. De forma direta ou indireta, grande parte dos números da economia sofrem interferência das decisões do COPOM. A sua vida é impactada diretamente pela taxa Selic, sem que você tenha total consciência disso.

O principal objetivo do COPOM, ao modificar a taxa de juros, é controlar a inflação. Fazer o controle da inflação também pode ser entendido como fazer o controle do valor do dinheiro que cada brasileiro possui. Você já deve ter percebido que o seu dinheiro perde valor com o passar do tempo, já que os produtos tendem a ficar cada vez mais caros. As decisões do COPOM podem acelerar ou retardar este processo de empobrecimento do país.

Juros elevados fazem as pessoas comprarem menos já que as parcelas ficam maiores. Pegar dinheiro emprestado fica mais caro. Juros elevados fazem as pessoas pouparem mais e com isto deixam de comprar hoje para comprar no futuro. A economia para de crescer. Com pouca gente podendo ou querendo comprar, as empresas começam a vender menos e com isto são forçadas a baixar preços para venderem mais. É por isto que o governo sobe os juros para controlar a inflação. Quando a inflação está controlada o governo baixa os juros para estimular o crescimento da economia. Você verá no próximo gráfico que sempre existem ciclos de queda e alta da inflação que são acompanhadas por ciclo de queda e alta dos juros.

O COPOM modifica os juros tentando atingir uma meta de inflação. Atualmente esta meta é de 4,5% de inflação ao ano. Existe um limite mínimo que é de 2,5% e um limite máximo (chamado de teto da meta) que é de 6,5% ao ano. O objetivo do COPOM é manter a inflação próxima de 4,5% e por isto toma medidas para aumentar ou baixar os juros sempre que a inflação se afasta do centro da meta. Pelo menos é assim que deveria ser.

No passado, a meta inflacionária já foi de 3,25% (2001).  Estas metas podem ser modificadas no futuro pelo Conselho Monetário Nacional  (CMN) que é a entidade máxima do sistema financeiro. O CMN é comandado pelo Ministro da Fazenda, Ministro do Planejamento e Presidente do Banco Central. Todos eles são escolhidos pelo(a) presidente da república.

Veja o histórico das metas que o país já teve no passado. Veja que tudo começou em 1999 quando o governo adotou o chamado tripé macroeconômico que é composto pelo regime de metas de inflação, metais fiscais e pelo câmbio flutuante. Traduzindo: A inflação precisa ser controlada, o governo não pode gastar mais do que arrecada e o câmbio deve seguir a lei da oferta e da procura sem grandes interferências do governo. É este tripé que fez a inflação se estabilizar e permitir todo crescimento que tivemos desde o início do Plano Real.

Como você pode ver, foi em 2003 que a meta de inflação foi modificada pela última vez. Foi logo depois da eleição do ex-presidente Lula. Naquele tempo o Armínio Fraga deixou a presidência do Banco Central e o novo presidente escolhido pelo governo Lula foi Henrique Meirelles. O Ministro da Fazenda era Pedro Malan e foi substituído por Antônio Palocci. Até ai o tripé macroeconômico foi respeitado. Com o governo Dilma e Guido Mantega no Ministério da Fazenda as coisas começaram a mudar.

Podemos ver o comportamento da inflação depois de 2006 quando o Guido Mantega assumiu o Ministério da Fazenda, ainda no Governo Lula.

Ministro da Fazenda é mais importante que Presidente?

As decisões tomadas pelo Ministro da Fazenda e pelo Presidente do Banco Central interferem profundamente na economia e por isto o mercado se preocupa mais com quem serão os escolhidos para estes cargos do que quem será o presidente do Brasil.

Quem lembra da campanha eleitoral em que o Lula venceu, se recorda que a economia mergulhou em uma crise quando o mercado percebeu que o Lula poderia vencer as eleições. O problema não era a eleição do Lula, mas quem ele iria indicar para substituir o atual Ministro da Fazenda Pedro Malan e o presidente do Banco Central que era o Armínio Fraga.

O mercado só se acalmou quando ficou claro que o presidente do Banco Central seria o Henrique Meirelles, ex-presidente do antigo Bank Boston, que era do PSDB, partido do presidente FHC e que provavelmente daria continuidade ao Plano Real e o tripé macroeconômico. O mercado acreditou que a política econômica seria uma continuidade do que estava sendo feito e com isto a inflação se manteria controlada.

Nestas eleições de 2014 a situação se repete. O mercado gosta da equipe econômica do candidato Aécio Neves e gosta da equipe que está por trás da Marina Silva. Já a equipe atual da presidente Dilma perdeu a confiança do mercado depois de diversas medidas consideradas equivocadas por muitos economistas. Para o mercado, a reeleição significaria mais do mesmo.

Não quero transformar este artigo em uma briga eleitoral (digo briga já que ninguém debate nada, todo mundo só sabe brigar). Estou apenas descrevendo o que é possível observar. Se o que o mercado faz é bom, ruim, certo ou errado não importa para o entendimento do funcionamento do COPOM, que é o objetivo do artigo. O importante é entender que as coisas funcionam assim.

E se você fosse bilionário?

Como você pode ver, a equipe econômica é muito importante. A relação de confiança entre os empresários e a equipe econômica é fundamental para o crescimento do país, pois querendo ou não, quem produz e faz o país crescer são as empresas que investem, empregam e pagam impostos.

Para entender como esta confiança é importante, vamos imaginar que você é um grande empresário. Imagine que você tem R$ 1 bilhão de reais rendendo juros em aplicações financeiras. Se você confia no governo, confia na equipe econômica, acabará se sentindo estimulado e pegar este dinheiro e investir na abertura de uma nova fábrica onde seu lucro será maior que na aplicação financeira.

A consequência boa disto é que a nova fábrica vai gerar novos empregos e o dinheiro que antes estava nos bancos, agora, irá circular na economia. O empresário contratará pessoal, outras empresas, recolherá impostos e produzirá riquezas. Quando o empresário não confia no governo e nem na equipe economia, ele simplesmente reduz os investimentos, fecham fábricas, lojas, demite funcionários e deixa sua fortuna rendando juros nos bancos ou em títulos públicos.

É fundamental que o COPOM cumpra seu papel que é controlar a inflação mantendo o mercado otimista. Se o COPOM e o Banco Central, em determinado ano, não conseguirem manter a inflação dentro da meta estabelecida pelo CMN (não pode passar de 6,5%), o Presidente do BC precisa escrever uma carta aberta para o Ministro da Fazenda explicando as razões do não cumprimento da meta, bem como as medidas necessárias para trazer a inflação de volta à trajetória predefinida e o tempo esperado para que essas medidas surtam efeito.

Quem tem direito a votar nas reuniões do COPOM

O COPOM é composto pelos membros da Diretoria Colegiada do Banco Central: o Presidente e os Diretores de Política Monetária, Política Econômica, Assuntos Internacionais e Gestão de Riscos Corporativos, Organização do Sistema Financeiro e Controle de Operações de Crédito Rural, Fiscalização, Regulação do Sistema Financeiro, e Administração. O Presidente tem direito ao voto decisório em caso de empate na decisão da política monetária. As pessoas que ocupam estes cargos e que possuem o poder de votar estão listadas aqui. Clicando nos nomes você pode ver o currículo deles e a foto.

Data das reuniões

Até 2005 as reuniões eram mensais. Em 2006 elas passaram a acontecer a cada 45 dias ou 8 vezes por ano. Sempre acontece terças e quartas-feiras. Existe um calendário com a data das reuniões nesta página aqui. O calendário do ano sempre é definido no mês de outubro do ano anterior. Se acontecer algum evento inesperado que possa gerar impactos fortes na economia, o presidente do Banco Central pode convocar uma reunião extraordinária do COPOM. Isto já aconteceu três vezes. A última foi em outubro de 2002 quando a situação estava complicada diante as incertezas geradas pela possibilidade de eleições do Lula.

Veja o que acontece dentro da reunião do COPOM:

No primeiro dia participam da reunião seus membros e os chefes de sete departamentos do Banco Central:

  • Departamento de Assuntos Internacionais (Derin),
  • Departamento Econômico (Depec),
  • Departamento de Estudos e Pesquisas (Depep),
  • Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos (Deban),
  • Departamento das Reservas Internacionais (Depin),
  • Departamento de Operações do Mercado Aberto (Demab), e
  • Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais (Gerin).
  • Participam também do primeiro dia de reunião o Secretário Executivo e o Assessor de Imprensa do Banco Central. A participação no segundo dia de reunião é limitada aos membros do COPOM e ao Chefe do Depep.

Cada chefe de departamento faz uma apresentação sobre a conjuntura econômica e financeira.

O Deban faz apresentação sobre a evolução da liquidez, reservas bancárias e depósitos compulsórios; O Depin apresenta análise sobre a economia global, o comportamento do mercado financeiro internacional e o mercado de câmbio doméstico; O Derin apresenta informações sobre a conjuntura econômica internacional; O Depec comenta dados recentes sobre atividade econômica, inflação, agregados monetários e crédito, política fiscal e balanço de pagamentos; O Demab resume os assuntos referentes aos mercados financeiros domésticos, condições de liquidez do mercado monetário, resultados dos leilões de dívida pública e composição e estrutura de vencimentos da dívida; Em seguida, o Gerin sumaria a evolução recente das expectativas do mercado para a inflação e para outras variáveis econômicas relevantes.

Como você pode ver os votos precisam ser justificados tecnicamente. Por isto é importante que o Banco Central seja um órgão técnico e não político. É muito perigoso tomar decisões econômicas sem olhar questões técnicas e prever o impacto disso no futuro. As pessoas podem ter boas intenções, mas precisam ter conhecimento técnico.

O segundo dia de reunião, só participam os membros do Comitê e o Chefe do Depep. A reunião se inicia com uma análise das projeções atualizadas para a inflação, baseadas em diferentes hipóteses para as principais variáveis macroeconômicas. Após essa avaliação, os Diretores de Política Econômica e de Política Monetária apresentam alternativas para a taxa de juros de curto prazo e fazem recomendações acerca da política monetária.

Os outros membros do Copom, em seguida, tecem seus comentários e propostas. Para concluir, os 4 membros votam numa proposta final. A decisão final – a meta para a Taxa Selic e o viés (de elevação ou de redução), se houver – é imediatamente anunciada à imprensa e divulgada na página do BC na internet (nesta página aqui). Também é divulgada a relação dos votantes e, em caso de não ter sido uma decisão consensual, a opção de cada um.

Viés da taxa de juros

O COPOM pode estabelecer um viés (tendência) para a taxa de juros no futuro. Pode ser um viés de elevação ou de redução dos juros. Quando isto é feito o Banco Central pode alterar a Taxa Selic na direção do viés a qualquer momento até a próxima reunião do COPOM. Na maioria das vezes não se determina um viés. O viés normalmente só é usado quando alguma mudança significativa na conjuntura econômica for esperada. Faz muito tempo que eles não usam o viés. A última vez em que foi usado ocorreu na 82ª reunião do Comitê, em 19 e 20/03/2003 no início do governo Lula sendo que o viés foi de alta da inflação. Só que no lugar da Selic subir ela caiu nas reuniões seguintes como você pode ver aqui.

Divulgação da Ata do COPOM

Uma ata da reunião é divulgada às 08:30h da quinta-feira da semana posterior a cada reunião. Qualquer pessoa pode ir lá no site www.bcb.gov.br/?ATACOPOM  e baixar a ata. Nesta ata você vai encontrar um resumo da reunião e a decisão. Normalmente a ata possui dicas sobre o que pensa o COPOM e sobre o que pode acontecer nas próximas reuniões. Investidores estudam cada vírgula da ata para identificar estas dicas.

Relatório trimestral da inflação

Nos meses de março, junho, setembro e dezembro, ou seja, no final de cada trimestre, o COPOM publica um relatório chamado “Relatório de Inflação” que analisa a situação econômica e financeira no Brasil. Eles também apresentam projeções para a taxa de inflação. As projeções inflacionárias são exibidas por meio de um “gráfico com o leque de inflação”, que mostra as projeções como uma distribuição probabilística, enfatizando o grau de incerteza presente no momento em que as decisões de política monetária são tomadas. Você também pode baixar e ler este relatório através do site www.bcb.gov.br/?RELINF

 

Este é o chamado “Leque de Inflação” que retirei da página 72 do relatório de junho de 2014 (este aqui). Este gráfico mostra como a inflação poderá se comportar se os juros continuarem nos atuais 11% ao ano e o câmbio continuar no mesmo nível do dia anterior à reunião do COPOM. A linha central, mais escura, seria a trajetória mais provável da inflação até 2016 com base neste estudo. As linhas mais claras possuem probabilidade menor de acontecer a medida que se afastam da linha mais escura. Olhando o gráfico é possível ver que o Banco Central acredita que se o câmbio continuar no patamar atual e os juros continuarem 11% a inflação chegará perto do centro da meta (4,5%) no segundo trimestre de 2016.

O problema é que o câmbio não depende só do Banco Central. Crises econômicas ocorridas em grandes países do mundo, guerras, catástrofes naturais, atentados, epidemias, resultado de eleições, decisões de bancos centrais de outros países, movimentos especulativos e todo tipo de acontecimento político, econômico ou natural de grandes proporções podem impactar o câmbio e tornar toda essa projeção inútil.

Todas as decisões do COPOM

Você pode consultar quais foram todas as decisões tomadas nas reuniões do COPOM, desde a primeira reunião até os dias de hoje. Você verá o número da reunião, data da reunião, se teve algum viés e qual foi ele, período de vigência daquela decisão e qual foi a meta Selic que eles resolveram adotar. Visite www.bcb.gov.br/?COPOMJUROS

Conclusão:

Tudo que falei aqui, você deveria ter aprendido na escola. Não aprendeu porque é interessante, para alguns, que você ache tudo isso muito chato. Quanto menos você entender de economia, melhor para quem entende. Quanto menos você souber cuidar do seu dinheiro, maiores serão os lucros de quem sabe cuidar do dinheiro dos outros.

Se você pretende aprender mais sobre como investir e cuidar do seu dinheiro é fundamental que comece a se interessar pelos acontecimentos da economia. Um destes acontecimentos importantes é a reunião do COPOM. Acredito que é o evento mais aguardado por investidores, empresários, economistas, bancos e até pelo próprio governo. Os governos dos outros países também acompanham estas reuniões com atenção já que os juros também interferem nas relações comerciais entre os países.

Nos dias de reunião, poucos prestam atenção neste evento tão importante, que gera impactos positivos ou negativos na vida de todo mundo. Faça diferente e ajude algum amigo compartilhando este artigo com ele.