Quanto você gostaria de ganhar por ano para se sentir feliz com o seu salário? O que você está fazendo nesse exato momento para atingir essa renda dos sonhos?

Todos os dias pela manhã, enquanto me preparo para ir até o meu escritório, escuto um microbook ou o resumo em áudio de um livro. Na manhã de hoje esse livro foi o “Davi e Golias: A arte de enfrentar gigantes” do autor Malcolm Gladwell,  jornalista e colunista do “The New Yorker”.

Esse livro fala muito sobre o impacto da “curva U invertida” na nossa vida. Ela nos permite entender que para tudo existe um ponto de equilíbrio, nem o mínimo e nem o máximo são as melhores opções e esse padrão se repete em muitas áreas.

O seu desafio é encontrar qual é o “ponto ótimo” na sua vida com relação a sua renda e trabalho.

Dentro da abordagem do livro, você possui uma renda familiar ideal para garantir o máximo de felicidade e satisfação com sua vida financeira. Cada pessoa, cada família, teria uma renda mensal ideal que se for atingida garantirá o máximo de satisfação. Ao ultrapassar esse “renda perfeita” o seu nível de felicidade começaria a cair.

Isso significa que se a sua renda familiar ideal fosse R$ 240.000,00 por ano (R$ 20 mil por mês), o seu nível de felicidade aumentaria até esse ponto ideal e pararia ou até começaria a cair depois desse limite.

Dessa forma, se você ganhasse o dobro ou R$ 480.000,00 por ano (R$ 40 mil por mês) seu nível de satisfação com a vida não seria duas vezes maior e esse acréscimo poderia até se tornar um motivo para estresse e problemas que afetariam sua qualidade de vida.

O livro mostra, através de pesquisas, que dinheiro demais ou de menos tem um impacto na felicidade das pessoas. Ele fala sobre estudos que mostram que ter dinheiro em demasia pode gerar dificuldades na vida de quem possui filhos. Tudo indica que se não existe algum tipo de escassez, o valor percebido das coisas diminui e isso pode gerar problemas na formação da criança. O livro fala que nascer de uma família de classe média, por exemplo, ajuda mais na formação de um jovem que nascer em uma família de bilionários.

Deve ser por esse motivo que um dos homens mais ricos do mundo (veja a figura logo abaixo) cria uma escassez diante dos seus filhos para que não tenham o bastante.

Com base nas pesquisas descritas no livro o salário ideal ou o ponto de equilíbrio seria de US$ 74.000,00 por ano (quase R$ 240 mil por ano) nos EUA. Se você tem rendimentos muito inferiores ou superiores a isso nos EUA, tende a ser menos feliz graças ao efeito da curva U invertida. Veremos agora que no Brasil precisamos do dobro de dinheiro.

Existe outra pesquisa, mais antiga, que mostra o que seria o “salário da felicidade” ou a renda anual média que deixaria qualquer pessoa do mundo feliz. Essa renda estimada foi um pouco mais de US$ 161.000,00. Na cotação de hoje isso daria um pouco acima de R$ 515 mil ou quase R$ 43 mil por mês.

Observe no gráfico que no Brasil a renda anual perfeita para garantir plena felicidade seria de US$ 143.650,00 (fonte). É curioso observar que os alemães só precisam de US$ 85 mil por ano para se sentirem felizes.

Globalmente o patrimônio ideal que as pessoas declaram que precisam para se sentirem ricas é de mais ou menos US$ 1,8 milhões que seria alguma coisa na casa de R$ 5.7 milhões. Isso seria o total do seu patrimônio em dinheiro. Como isso é uma média global, existem países onde a população responde que precisaria de um patrimônio maior para se sentir rica. Os cingapurianos declaram que precisam de US$ 2,91 milhões para se sentirem ricos. Quem vive em Dubai precisa de no mínimo US$ 2,5 milhões. Os americanos continuam utilizando como meta o valor de US$ 1 milhão. É claro que não existe uma receita para uma renda familiar ideal ou um patrimônio ideal. Você deve determinar isso com base no seu estilo de vida e ambiente onde vive.

Investimento número 1

Você já deve ter feito as contas na sua cabeça sobre qual seria sua renda anual da felicidade. Já deve ter comparado quanto ganha e quanto falta ganhar para atingir esse objetivo. O centro da questão está naquilo que você fez nos últimos meses para valorizar o seu tempo trabalhado e aquilo que você pretende fazer nos próximos.

O investimento mais importante que você deve fazer durante toda sua vida (no contexto do dinheiro) é aquele que permitirá aumentar o preço da sua hora trabalhada. Todos os outros investimentos financeiros só serão possíveis depois que o dinheiro estiver sobrando no seu bolso.

O trabalhador mais bem pago do mundo e o trabalhador que recebe um único salário mínimo possuem as mesmas 24 horas por dia. O que faz a diferença entre a renda anual deles é o valor daquilo que eles sabem fazer com as horas que destinam ao trabalho.

  1. Quanto vale o que você sabe fazer com suas horas trabalhas?
  2. O que você fez nos últimos 12 meses para aumentar o valor do trabalho que você sabe fazer?
  3. O que você fez nos últimos meses para fazer mais e melhor com a mesma quantidade de horas trabalhadas?
  4. Quanto tempo você realmente gastou trabalhando e quanto tempo você jogou fora se distraindo durante o horário de trabalho?

A primeira coisa que as pessoas pensam quando faço esse tipo de pergunta sempre é uma boa desculpa. A maioria já tem uma boa desculpa na ponta da língua para o baixo valor da sua hora trabalhada. Essas desculpas prontas são uma verdadeira praga na vida das pessoas.

Exemplo: “O preço da minha hora trabalhada é baixo, mas eu tenho uma boa desculpa. Eu gostaria de ter feito faculdade blá, pós-graduação em blá blá, MBA blá blá blá, intercâmbio blá blá blá. Só que eu não tive: dinheiro, tempo, oportunidade, apoio, paciência, força de vontade, paitrocínio, subsídios, bolsa de estudos… ” 

Também tem aquelas desculpas que transferem a responsabilidade para os outros: “O preço da minha hora trabalhada é baixo por culpa dos empresários gananciosos, dos políticos corruptos, do capitalismo selvagem, dos meus pais, da minha falta de sorte por ter nascido pobre, etc”.

Tudo bem, são as mesmas desculpas que todas as pessoas sempre usam para justificar os baixos resultados que conseguem vendendo tempo trabalhado. São boas desculpas, as coisas não são fáceis e a nossa mente é especialista em encontrar essas histórias confortantes. O desafio é dobrado. Além de lutar contra essas dificuldades externas, ainda temos que enfrentar essas desculpas que criamos no piloto automático (falo muito sobre isso no meu curso Resistência).

A grande questão é: “O que você está fazendo nesse exato momento para mudar essa situação?“.

A educação dentro de instituições formais, como as faculdades, vai continuar exigindo dinheiro (muito dinheiro). Elas também exigem tempo, paciência, força de vontade, etc.

Os empresários vão continuar sendo gananciosos, os governos são corruptos desde o início das civilizações, o capitalismo é selvagem por natureza e sempre foi assim e os seus pais fizeram o máximo que eles poderiam ter feito diante das limitações que eles também tinham.

Mesmo com todas as dificuldades, existem pessoas que superam tudo e conseguem valorizar o trabalho que fazem por cada hora trabalhada. Existem pessoas que produzem muito mais por hora trabalhada. O seu foco deveria ser descobrir o que essas pessoas fazem de diferente, quais informações, hábitos e conhecimentos elas possuem e que ainda faltam em você.

Recentemente estava conversando com uma pessoa que trabalha com vendas. Ela reclamava da vida e fazia uso de todas essas justificativas diante dos seus baixos resultados. Então eu disse “tudo bem, mas o que você está fazendo para mudar essa situação? Existem muitas técnicas e estratégias que podem melhorar seu desempenho nas vendas e todo ano existem livros sobre esses assuntos. Quais livros você leu no último ano sobre sua área? Quais cursos você fez?” 

Para minha surpresa a pessoa não tinha lido nada e não tinha feito cursos. Na verdade, nem lembrava a última vez que comprou algum livro para aprender alguma coisa que pudesse ajudar seu trabalho. Para piorar, ela admitiu que os colegas de trabalho que possuem os melhores resultados são os que sempre estão se qualificando.

É claro que essa pessoa justificou por qual motivo não se qualificava também. Não se qualificava por falta de tempo, falta dinheiro, falta paciência, falta força de vontade, falta apoio, etc. O problema é que a falta de bons conhecimentos é que geram todas essas faltas.

Eu mostrei para ele que isso era um enorme problema.

Vivemos em um mundo onde as locadoras deixaram de existir graças ao Netflix. As agências de turismo não são mais as mesmas graças ao surgimento de empresas como Booking e Airbnb. As telefônicas no mundo todo sofrem o impacto de aplicativos como Whatsapp. Empresas como o Uber estão complicando a vida dos taxistas. Empresas como OLX fizeram os classificados dos jornais perderem o sentido. Waze fechou fábricas de GPS, o Youtube está tirando a audiência das emissoras de TV, smartphones se transformaram em agenda, relógio, calculadora, máquina fotográfica, mp3, pequenos televisores e computador de bolso.

As empresas investem cada vez mais em inteligência artificial, automação, serviços online, aplicativos e robôs. Diante dessa revolução, qual é o profissional que pode se dar ao luxo de ficar um ano sem aprender nada novo?

Estava no táxi indo do hotel para um evento em São Paulo. O taxista me perguntou: “Outro passageiro me disse que tem mais de 5 mil pessoas nesse evento. O que você estão fazendo lá?”.

Eu respondi: “Estamos assistindo a palestra de um cara que escreveu um livro 20 anos atrás”.

Ele disse: Ah… entendi. Eu não gosto de ler, nunca gostei de estudar”.

Eu respondi: Ah… entendi. Por isso o senhor dirige um táxi”.

É duro, mas na Era da Informação, não poderia ser mais real. É claro que esse diálogo estava dentro de uma conversa que durou uns 10 ou 15 minutos. Eu comecei a falar sobre o livro do palestrante (Pai Rico Pai Pobre)  e ele terminou a corrida me agradecendo por tudo que disse e compartilhei. Anotou o nome do livro e disse que ia passar em uma livraria naquele mesmo dia.

O mundo de hoje tem como base:

  1. O aprendizado contínuo se torna imprescindível (mais importante que diplomas)
  2. É preciso especializar-se, unindo conhecimento teórico e prático.
  3. O poder está na mão das pessoas com conhecimento.
  4. A vantagem hoje está na boa aplicação do conhecimento (só conhecimento não gera resultado).

Falta de tempo costuma ser a maior de todas as justificativas.

O problema é que se as pessoas não destinarem algum tempo por dia para estudar alguma coisa nova, nem que seja 15 minutos por dia, no futuro próximo elas terão todo tempo do mundo livre, pois ficarão tão defasadas que serão facilmente substituídas por pessoas mais jovem atualizadas ou por máquinas, aplicativos, processos automatizados e inteligência artificial.

Não ter tempo para ler um livro inteiro não pode ser desculpa. Hoje existem serviços de microbooks e resumo de livros em áudio (veja o que eu uso), existem sites, canais de vídeos, cursos e outras fontes de informação de acesso rápido e barato. Essas tecnologias permitem que você estude em qualquer lugar, no trânsito enquanto vai e volta do trabalho, durante as refeições, limpando a casa, fazendo exercícios, etc.

Cada vez mais o seu desenvolvimento profissional e financeiro dependerá do seu esforço individual diário. Cuide do seu investimento número 1. Busque o maior retorno por hora trabalhada. Aumente sua produtividade (faça mais com menos), aumente seus conhecimentos e habilidades para valorizar aquilo que você sabe fazer com o seu tempo.