Você verá nesse artigo que investir comprando ações de empresa através da Bolsa de Valores é um procedimento tão simples quanto comprar qualquer coisa pela internet. Alguns cliques no site de uma corretora é o que separa você de se tornar sócio(a) das maiores e mais lucrativas empresas do país.

A parte trabalhosa da compra está na escolha das melhores ações para investir, já que existem mais de 300 empresas com ações negociadas na Bolsa. Nem todas essas empresas estão crescendo e distribuindo lucros entre seus acionistas.

A Bolsa está repleta de empresas boas e ruins para se investir. Acredito que você jamais compraria um imóvel, um carro novo ou um eletrônico sem fazer uma boa pesquisa antes. Existem pessoas que gastam semanas ou até meses pesquisando antes de tomar uma decisão de compra importante. Primeiro elas escolhem o que vão comprar e depois procuram o melhor preço.

Na compra de ações não é diferente. Para fazer uma boa escolha, você precisa de informações e precisa saber analisar essas informações para identificar se o que pretende comprar vale o preço que estão pedindo. Existem pessoas que pulam essa etapa da pesquisa. Muitas compram imóveis, veículos, bens caros e até ações de empresas pedindo recomendações de amigos, parentes e de pessoas desconhecidas na internet.

É um risco comprar ações dependendo das recomendações dos outros. Talvez seus amigos tenham comprado ações pedindo recomendações para outros amigos, que sabem tanto quanto você sobre o assunto. O grande risco que envolve o mercado de ações está justamente em investir sem saber o que se está fazendo. Normalmente investimos sem entender o que vamos fazer quando seguimos uma recomendação.

Quando você investe em ações sabendo o que está fazendo, você ganha até quando perde dinheiro, pois ao cometer um erro de avaliação você tem a oportunidade de aprender com o próprio erro, por ser capaz de avaliar o que fez e onde errou. Isso será uma experiência útil na próxima decisão de investimento. Já quando você investe por seguir a recomendação de outra pessoa, você simplesmente irá culpar a outra pessoa e não aprenderá nada de novo com o erro.

Será que o conforto de ter alguém para culpar pelas decisões erradas (prejuízos), compensa os baixos resultados que você terá agindo assim?

Não sei se compensa fazer investimentos de risco com base nas opiniões de pessoas que não estão correndo o risco. Como o dinheiro é seu, o risco é totalmente seu e quem toma a decisão deveria ser a mesma pessoa que corre o risco.

Todas as pessoas que conheci que tinham bons resultados em seus investimentos, tinham se capacitado para tomar suas próprias decisões, sem dependência dos conselhos dos outros. Não significa que não tenham ouvido conselhos, mas ter a capacidade de avaliar esses conselhos faz grande diferença.

Aqui no Clube dos Poupadores escrevi um artigo chamado “Três formas de investir em ações” onde mostrei as formas e suas diferenças. Essas diferenças estão relacionadas com:

  1. custo para investir em ações;
  2. tempo que isso exigirá de você (gastar tempo também é um custo);
  3. conhecimento que cada forma vai exigir de você;
  4. liberdade que você terá para tomar decisões.

Recomendo a leitura onde falo sobre cada forma detalhadamente. Eu valorizo muito a liberdade. Busco essa liberdade em todos os aspectos da minha vida, pois acredito que no passado as pessoas foram mais autônomas e o tipo de sociedade que construímos está tirando essa preciosa autonomia, que muitas vezes é o que gera valor e sentido para muitos aspectos da vida.

O conhecimento permitirá investir diretamente em ações, com a máxima liberdade, mas para isso você precisa fazer seu dever de casa. Costumo dizer que o pequeno investidor deve aprender a realizar seus “cinco deveres de casa” ou seus “cinco trabalhos” para investir em ações.

  • Trabalho 1: Abrir uma conta em uma corretora;
  • Trabalho 2: Definir qual objetivo você pretende atingir investindo em ações;
  • Trabalho 3: Escolher a empresa onde pretende investir;
  • Trabalho 4: Comprar as ações;
  • Trabalho 5: Avaliar o investimento.

Primeiro trabalho: Abrir conta em uma corretora

A empresa que opera a única Bolsa de Valores que temos no Brasil é a B3. Para que possamos comprar e vender ações na Bolsa precisamos abrir uma conta em uma corretora de valores. As corretoras são como intermediárias entre os investidores e a Bolsa de Valores. Existem muitas corretoras e isso é muito bom, já que elas concorrem entre si pelos clientes. Não é possível investir na Bolsa sem uma corretora, já que a B3 não atende os investidores diretamente. A B3 possui uma página de busca de corretoras.

Se você já investe em títulos públicos, você provavelmente já tem conta em uma corretora. Se você tem conta em um grande banco, provavelmente você já pode utilizar a corretora do banco para investir. O grande problema dessa comodidade está no custo. Corretoras de grandes bancos costumam cobrar taxas muito elevadas, sem nada que as justifique.

Já existem algumas corretoras que não cobram tarifas. Para o investidor que está iniciando, ou seja, que ainda está na fase de leitura de livros, estudos e compra de pequenas quantidades de ações (para adquirir experiência) é fundamental cortar custos ao máximo.

Antigamente, praticamente todas as corretoras cobravam uma espécie de mensalidade, somente para manter sua conta na corretora aberta. Muitas corretoras não cobram mais essa taxa. Uma taxa que muitas corretoras ainda cobram é a taxa de corretagem. Ela é cobrada em cada operação de compra e de venda de ações. Existem corretoras que não cobram mais a taxa de corretagem. Para quem está iniciando eu recomendo que busque esse tipo de corretora.

Se o banco onde você possui conta cobra taxa de DOC ou TED para transferir dinheiro, veja a possibilidade de se livrar dessa taxa através de um conta digital, leia esse artigo. Se você tem custos elevados com transferência bancária por se achar obrigado a utilizar uma conta onde recebe seu salário, leia o artigo sobre portabilidade de conta-salário. Para o investidor é sempre importante cortar essas taxas.

Nos meus livros sobre investimentos na Bolsa, além de mostrar a teoria eu recomendo ao leitor que realize exercícios práticos, pois a melhor forma de aprender a teoria é praticando. Para praticar é recomendável fazer investimentos “ridiculamente pequenos”. É assim que ganhamos a experiência prática que vai combater o medo de investir ou o medo de fazer algo novo. Nessa fase, o custo zero de corretagem é fundamental. No livro eu mostro, na prática, passo a passo, como realizar as operações em corretoras que não cobram taxa. Também mostro como fazer operações simuladas (sem envolver dinheiro real).

Mesmo investindo através de uma corretora que não cobra tarifas, existe o custo da B3 (Bolsa de Valores), que é igual para todos os investidores. O custo é de aproximadamente 0,031745% sobre o valor de compra ou venda das ações. Isso significa que se você comprar R$ 1.000,00 em ações pagará uma taxa de 0,031745% sobre esse valor que representa apenas R$ 0,31. Para vender o custo seria os mesmos 0,031745% sobre o valor da venda.

Essa pequena taxa da B3 e a existência de corretoras com taxa zero, tornou o investimento em ações extremamente barato e acessível, como nunca ocorreu na história. Eu ainda me recordo muito bem quando fiz meus primeiros investimentos. A burocracia para abrir conta em corretora não existe mais. Os custos que existiam antes não existem mais. O processo de compra nunca foi tão simples e fácil através o site das corretoras ou aplicativos. Por esse motivo, eu costumo dizer que não existe momento melhor para aprender a investir em ações como agora. Além de ser barato, nunca foi tão fácil, já que todas as operações podem ser feitas pela internet.

Segundo trabalho: Definir qual objetivo você pretende atingir investindo em ações

Existem muitas formas diferentes de se investir em ações. Para começar, você não precisa ter muito dinheiro. Existem ações de grandes empresas que custam pouco mais de R$ 10 por ação. É possível comprar lotes de 100 ações (que é mais comum) ou até pequenas quantidades entre 1 e 99 ações através do chamado “mercado fracionário”.

O investimento em ações não possui carência, ou seja, você não precisa vender suas ações. O mesmo não ocorre na renda fixa, exemplo: quando você compra títulos públicos e títulos emitidos por bancos como CDB, existe uma data de vencimento. Nessa data, você paga o imposto de renda sobre o rendimento e recebe o seu dinheiro de volta somado aos juros. Você acaba sendo obrigado a reinvestir o dinheiro e nem sempre encontra as condições que tinha antes. Na Bolsa, você só paga imposto de renda sobre os ganhos quando resolver vender as ações e quem define quando vender é você.

Ainda existe uma enorme facilidade com relação aos impostos no investimento em ações. Se você vender menos de R$ 20.000,00 em ações por mês, você nunca pagará imposto sobre o ganho de capital (valorização da ação).

Quando você compra ações de uma boa empresa, enquanto ela se mostrar um bom investimento, não existirá motivos para vender as ações, pois ela continuará valorizado no decorrer do tempo. Se a empresa paga dividendos (distribui os lucros entre os sócios) você ainda poderá usar esse dinheiro para comprar mais ações ou para fazer outros investimentos. Os dividendos são isentos de imposto de renda.

Você pode destinar uma parte do seu dinheiro para a compra de ações com potencial de valorização no longo prazo, especialmente empresas com bom histórico de fundamentos (receitas, lucros e dividendos crescentes com dívida saudável). Você pode investir uma parte do seu dinheiro em ações que pagam bons dividendos. Você até pode destinar uma parte do seu dinheiro para aproveitar oportunidades de prazos mais curtos (semanas ou meses). Existem ações que atendem objetivos diferentes.

Normalmente os investidores que possuem foco no longo prazo só dedicam tempo analisando seus investimentos quatro vezes por ano, quando as empresas divulgam seus balanços. O objetivo é verificar a situação financeira da empresa e avaliar se ainda existem fundamentos para manter o investimento nas ações da mesma. A análise que o investidor utiliza é chamada de Análise Fundamentalista, veja esse livro aqui. Já a análise técnica é mais apropriada para identificar tendências do mercado e os melhores momentos para investir.

Terceiro trabalho: Escolher a empresa onde pretende investir

Tenho certeza que se alguém oferecer para você a oportunidade de ganhar dinheiro se tornando sócio de uma empresa, você terá o cuidado de conhecer a empresa antes investir. Você iria querer saber qual é a receita da empresa, seus custos e despesas, seu lucro bruto, lucro líquido, quanto ela distribui desse lucro para os sócios, qual patrimônio a empresa possui, quanto ela tem para receber, quais são suas dívidas e assim por diante. Tenho certeza que você jamais compraria um negócio que não vende bem, não gera lucro e ao invés de ter patrimônio de valor só possui dívidas e prejuízos acumulados.

O mesmo raciocínio vale para aquele que compra ações como investimento com foco na valorização dessas ações no longo prazo e o recebimento de dividendos. Somente empresas que lucram podem valorizar de forma consistente e distribuir lucros entre os sócios regularmente.

Normalmente as empresas divulgam todas essas informações a cada trimestre. Nesse momento, os investidores possuem a oportunidade de avaliar os resultados da empresa e sua situação financeira. Isso permite tomar decisões sobre comprar mais ações, vender as ações ou apenas manter as ações que o investidor já possui. A análise utilizada para estudar aquilo que fundamenta o valor de uma empresa se chama análise fundamentalista (conheça o livro).

Enquanto a análise fundamentalista estuda a situação financeira da empresa (lucro, despesa, dividendos, dívida etc) a análise técnica ou gráfica estuda o comportamento do mercado com relação ao preço da ação, volume negociado e diversos indicadores que permitem identificar oportunidades para a compra de ações de grande valor por bons preços. A análise técnica permita ao investidor estudar as oportunidades que o mercado está oferecendo. O objetivo é sempre comprar ações de empresas valiosas por preços baratos.

Eu acredito que as duas análises são importantes para todos os investidores, pois permitem avaliar o valor da ação que você pretende comprar e a outra permite avaliar o preço dessa ação. Todo investidor busca comprar ações de grande valor pelos melhores preços, pois o valor é o que você leva e o preço é o que você paga.

Você quer comprar o melhor imóvel possível, o melhor carro possível, o melhor eletrônico possível, as melhores coisas pelo melhor preço possível. O mesmo acontece ao comprar ações. Para isso é importante conhecer os dois tipos de análise: análise fundamentalista que estuda o valor das empresas e análise técnica que estuda o preço das ações que você pretende investir.

Quarto trabalho: Comprar as ações

O procedimento para a compra de uma ação é tão simples quanto qualquer compra online. Basta informar o código da ação (cada ação é identificada por um código de letras e números), informar a quantidade de ações que você deseja comprar, o preço que deseja pagar por cada ação, digitar sua senha na corretora e clicar no botão de envio de ordem. Sua ordem de compra entra em uma fila e se o preço de compra que você informou for o mesmo ou abaixo do preço negociado pelos investidores naquele momento, sua compra será realizada em poucos segundos.

Ao comprar ações em uma segunda-feira, por exemplo, você terá suas ações disponíveis na quarta-feira. O mesmo vale para a venda. Se você vender suas ações na segunda, o dinheiro estará disponível para ser reinvestido ou sacado na quarta-feira. Isso significa que o investimento em ações de liquidez D+2, ou seja, a operação é concretizada 2 dias depois do dia em que a ordem de compra ou venda de ações for executada.

Essa é sem dúvida nenhuma a parte mais fácil e rápida do trabalho. Basta vivenciar algumas poucas experiências de compra e venda de ações que você já terá a prática necessária, assim como o dia em que você fez sua primeira compra de qualquer coisa pela internet e viu o produto chegar na sua casa. É uma experiência que precisa ser vivenciada para que se possa perder o “medo do novo”.

É interessante que o investidor iniciante vivencie o ciclo completo de experiência de transferir dinheiro do banco para a corretora. Comprar uma ação para obter experiência. Vender essa ação alguns dias depois para vivenciar a experiência da venda e transferir esse dinheiro para o banco novamente. É a prática que desmistifica, gera a experiência e concretiza o aprendizado que será útil para sempre

Quinto trabalho: Avaliar o investimento

Não adianta comprar ações de boas empresas e depois esquecer essas ações, como muitos fazem, infelizmente. Vivemos no Brasil e temos muitos exemplos de empresas que já foram boas empresas para investir e que foram se degradando com o tempo.

Normalmente, as boas empresas que se deterioraram e se transformaram em péssimos investimentos deram muitos sinais negativos no decorrer de muitos meses, semestres e até anos. Os balanços das empresas vão apresentando números que se deterioram com o passar do tempo como queda nas receitas, aumento nas despesas e custos, redução dos lucros e queda ou até interrupção da distribuição de dividendos aos investidores. Patrimônio sendo delapidado, passivos e dívidas crescentes ou em desequilíbrio, também podem ser identificadas nos balanços. Isso naturalmente tende a se refletir no preço da ação, ou seja, os investidores começam a identificar problemas e as ações iniciam uma tendência consistente de desvalorização.

Isso significa que ao comprar ações de boas empresas é fundamental que o investidor inicie um trabalho regular, que pode ser trimestral, de avaliação dos números fornecidos pelos balanços e outros demonstrativos financeiros. Com isso, o investidor sempre vai revalidar o investimento que fez no passado ou vai reavaliar e considerar a possibilidade de vender as ações para investir em alguma empresa que ofereça uma perspectiva melhor sobre seus resultados no futuro.

Para isso o investidor deve considerar as duas análises: análise fundamentalista que estuda o valor das empresas e análise técnica que estuda o preço das ações que você investiu.

Para conhecer a lista das principais empresas com ações negociadas na bolsa, visite aqui.

Recomendo a leitura de dois livros: Como Investir na Bolsa: Análise Fundamentalista e o livro Como Investir na Bolsa: Análise Técnica.

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