Quando a Bolsa está passando por uma longa tendência de alta nos preços, muitos investidores iniciantes começam a investir em ações.

Esses investidores costumam se assustar quando os preços das ações de praticamente todas as empresas caem por vários dias ou semanas antes de retomar sua tendência de alta.

Esse recuo temporário no decorrer de uma tendência é chamado de correção ou pullback.

Enquanto os investidores iniciantes se assustam com os pullbacks e vendem suas ações (realizando prejuízos), os investidores mais experientes aproveitam esses recuos temporários como oportunidade de compra de boas ações por bons preços, principalmente quando identificam que outros indicadores técnicos (gráficos de preços) e fundamentalistas (resultados financeiros das empresas) continuam positivos.

Muitas vezes os preços das ações no Brasil caem de forma generalizada, afetando praticamente todas as empresas listadas na Bolsa, por motivos que não possuem qualquer relação direta com os fundamentos das empresas.

Atualmente, qualquer frase escrita em um limitado espaço de 280 caracteres no Twitter é motivo para grandes quedas ou altas nas bolsas mundiais. A Bloomberg chegou a desenvolver uma ferramenta online para monitorar (em tempo real) os textos publicados pelo presidente dos EUA no Twitter que possuem potencial de impactar o mercado financeiro (veja aqui).

Histórico de mensagens relacionadas com a Guerra Comercial com a China e os movimentos no indicador que mede o desempenho da bolsa dos EUA:

O gráfico mostra a relação entre mensagens escritas por Trump no Twitter sobre a “Guerra Comercial com a China” e o índice S&P 500 que mede o desempenho das ações das 500 empresas mais importantes da Bolsa dos EUA.O preço das ações das empresas brasileiras também sofrem com os “ruídos” nacionais e internacionais no curto prazo que alteram as expectativas sobre o futuro da economia local e global.

No gráfico logo abaixo temos o índice Bovespa (que mede o desempenho das ações mais negociadas da Bolsa brasileira). Ele demonstra uma longa tendência de alta que se iniciou em 2016.

Observe que cada barra verde ou vermelha simboliza o quanto o índice variou em 1 semana. Se os preços das ações se movimentassem em linha reta, como ocorre na renda fixa, essa linha reta seria como a linha azul que temos no gráfico abaixo. Ela representa o movimento do índice em 185 semanas totalizando uma alta de 170,07%. O que assusta o investidor iniciante é que essa alta ocorreu, ocorre e ocorrerá através de ondas formadas por movimentos de crescimento seguidos por correções.

Por se tratar de renda variável, o preço das ações e os índices que as representam, se movem em uma espécie de zigue-zague ou em ondas. Na prática, sempre que os preços das ações se distanciam muito do preço médio dos últimos períodos, ocorrem pullbacks que também podemos chamar de correções. Essas correções trazem os preços de volta para próximo das médias. As vezes a correção inicia uma lateralização até que as médias se aproximam. Nesse ponto os preços costumam iniciar uma nova sequência de alta. Quando os preços sobem rapidamente, eles se afastam muito das médias (estão esticados) e logo temos uma outra correção. Observe o próximo gráfico:

O gráfico acima mostra linhas que representam as médias móveis. A linha azul turquesa representa a média do índice Bovespa dos últimas 20 semanas. A linha amarela é a média das últimas 50 semanas. A linha rosa mostra a média das últimas 100 semanas e a linha laranja é a média das últimas 200 semanas. Observe que as médias permitem observar o movimento dos preços das ações e dos índices de uma forma mais suavizada, diluindo os movimentos de curto prazo.

No gráfico acima ainda coloquei uma seta vermelha para identificar os momentos em que o índice corrigiu até atingir a média móvel de 20 semanas (linha azul turquesa). Isso ocorreu 9 vezes entre 2016 e 05/08/2019. O índice só corrigiu até a média de 50 semanas (linha amarela) 3 vezes no mesmo período. Durante a greve dos caminhoneiros (maio/2018), o índice Bovespa corrigiu até “perfurar” a média das últimas 100 semanas (linha rosa) e essa foi a única vez que isso ocorreu.

Observe que a Bolsa voltou a subir sempre que o seu índice corrigiu (pullback) até tocar ou perfurar as linhas das médias de 20, 50 ou 100 períodos. Por esse motivo muitos investidores mais experientes aguardam ansiosamente por uma correção (pullback) para a compra de ações de boas empresas (bons fundamentos) como se estivessem diante de uma promoção (bons preços).

O investidor que compreende os sinais da análise técnica (gráficos) entende que pequenas e grandes correções são eventos normais e muito esperados no mercado (talvez sejam até estimulados por quem tem poder para isso). Normalmente esses recuos ocorrem até áreas importantes de suporte. As médias móveis que citei anteriormente são bons exemplos de áreas importantes de suporte. A linha de tendência de alta é outro suporte importante que todo investidor deveria acompanhar no gráfico. Uma linha ou área de suporte é representada por preços onde a procura dos investidores por compras é forte o suficiente para “segurar” ou “suportar” os preços, de modo que eles não caiam mais.

No gráfico acima temos o índice Bovespa com o desenho de 3 canais de alta e suas respectivas linhas de suporte (onde os preços param de cair) e resistência (onde os preços param de subir). Veja que o índice tende a se movimentar em ondas que respeitam os limites dos canais.

Observe que esses canais foram interrompidos por grandes eventos que produziram impacto na Bolsa como o Joesley Day em 2017 e a Greve dos Caminhoneiros em 2018, dando início a um novo canal de alta formado por novas linhas de suporte e resistência. Esses grandes eventos reduzem os preços de praticamente todas as ações da Bolsa ao mesmo tempo, gerando oportunidades para a compra de ações de boas empresas.

No gráfico logo baixo podemos observar um padrão no número de semanas de alta antes de um movimento de correção ou acumulação (movimento lateralizado).

Observe que frequentemente o índice Bovespa realiza entre 5 e 7 semanas de alta antes de iniciar um recuo de várias semanas. Depois de uma grande correção temos mais 5 ou 7 semanas de alta. O mesmo fenômeno pode acontecer com o preço das ações das empresas (seguindo padrões diferentes) e isso pode ser útil para o investidor que pretende planejar suas compras.

Para aprender a fazer estudos como os que existem nesse artigo, utilizando as mesmas ferramentas de análise de gráficos, eu recomendo a leitura do livro Como Investir em Ações: Análise Técnica, pois compartilho as ferramentas e os conhecimentos necessários para isso.

Antes de concluir é importante destacar que não devemos confundir as correções de prazo curto com uma grande reversão de tendência de longo prazo, provocada por uma deterioração nos fundamentos da empresa ou até por fundamentos da economia nacional ou global que afetam as empresas.

Já vimos que muitas vezes os preços das ações de boas empresas sofrem fortes quedas por um movimento generalizado de pessimismo, que não possui grandes relações com os fundamentos da empresa.

Mas podem ocorrer eventos que alteram os fundamentos das empresas ou as expectativas relacionadas a eles. O investidor deve estar pronto para avaliar se o recuo se trata do início de uma longa e duradoura tendência de baixa ou uma correção.

Quando as ações de uma empresa seguem uma tendência de queda diante de resultados financeiros cada vez piores ou mudanças que alteram de forma sólida a expectativa sobre resultados financeiros futuros, o que parece uma correção pode ser uma reversão de tendência de longo prazo.

Recomendo a leitura de dois livros: Como Investir na Bolsa: Análise Fundamentalista e o livro Como Investir na Bolsa: Análise Técnica.

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