No artigo de hoje vou comentar sobre alguns pontos da palestra online “IBOVESPA a 500 mil pontos” que recomendei aos leitores que possuem e-mail inscrito aqui no Clube dos Poupadores. Isso aconteceu no último fim de semana.

Recebi várias mensagens de leitores pedindo mais informações sobre a ferramenta de análise fundamentalista de ações que aparece na palestra online. Também recebi alguns e-mails de leitores mais leigos que não entenderam os cálculos sobre a projeção dos 500 mil pontos para o Ibovespa. Vou comentar esses dois pontos e depois irei comentar rapidamente sobre os 7 sinais que ele descreve no vídeo.

Se você não viu a palestra online, não vai entender os comentários que farei nesse artigo. Você ainda pode assistir a palestra visitando aqui e depois pode retornar para ler o artigo. Existe um botão no final da página da palestra chamado “verificar horários” onde você pode reservar o horário para assistir a gravação.

A palestra é apresentada pelo André Fogaça, que é um dos fundadores do GuiaInvest. Se você não conhece o GuiaInvest, imagine uma espécie de “canivete suíço” para quem investe em ações através da análise dos fundamentos da empresa. É uma ferramenta apropriada para os investidores com foco no longo prazo e que querem investir em boas empresas que pagam dividendos ou boas empresas com potencial de valorização nos próximos anos ou décadas.

Já faz tempo que sou assinante do GuiaInvest e utilizo a versão PRO. Eles também possuem um acesso que é gratuito. Eu já ensinei como se cadastrar gratuitamente nesse artigo aqui. As ferramentas do GuiaInvest, na versão PRO, me ajudam a economizar tempo e trabalho durante a seleção e o acompanhamento das ações que pretendo investir ou que já invisto.

O GuiaInvest centraliza uma enorme quantidade de informações atualizadas sobre todas as empresas listadas na bolsa brasileira. Eles oferecem diversas ferramentas online que “automatizam” a análise desses dados e isso permite separar o joio do trigo. Com apenas alguns cliques, qualquer pessoa com algum conhecimento sobre o uso da ferramenta, pode identificar as ações das melhores empresas para investir. Com isso, você não fica dependente de recomendações, de informações superficiais da imprensa ou de sites que são patrocinados por bancos, corretoras e vendedores de relatórios de recomendações de investimentos.

No passado não muito distante, somente grandes investidores tinham condições de pagar por sistemas que facilitavam e automatizavam a identificação de boas ações para investir entre as centenas que existem.

Para o pequeno investidor, restava gastar muito tempo e muito trabalho para garimpar informações no site da bolsa e nos inúmeros sites que cada empresa cria para fornecer dados aos investidores (sem padronização).

Quando comecei a investir (já faz tempo), era desanimador ter tanto trabalho para selecionar e acompanhar os fundamentos das empresas. Sempre suspeitei que essa dificuldade era proposital, pois, dessa forma, as pessoas resolveriam investir em ações pelo caminho mais fácil e caro, ou seja, através dos fundos (pagando elevadas taxas administrativas), seguindo recomendações de investimentos de bancos, corretoras e de todos esses que vendem relatórios com recomendações sensacionalistas de investimentos que se espalham na internet como uma praga.

Hoje, com poucos reais por mês você tem acesso a ferramentas como o GuiaInvest que permitem analisar os números de centenas de empresas e você pode fazer isso por conta própria, sem gastar tempo e sem o trabalho de antes. Você também se livra da dependência de alguém dizendo onde você deve investir. Essa capacidade de avaliar dados e tomar decisões por conta própria é libertador e não tem preço.

Todo investidor deve se afastar da dependência dos outros e se aproximar dos conhecimentos e das ferramentas que permitem uma maior independência na hora de investir. É isso que sempre busco e tento propagar entre os meus leitores. Entendo que isso incomoda muita gente, pois existe um enorme mercado que vive de investidores dependentes de recomendações.

Princípio da descrença

Logo no início do vídeo da palestra “IBOVESPA a 500 mil pontos“, uma coisa me chamou atenção. O André Fogaça destacou um princípio que eu utilizo no rodapé de todas as páginas do Clube dos Poupadores, desde a criação deste site.

Eu chamo de princípio da descrença. Esse principio é fundamental na vida daqueles que buscam a liberdade através do conhecimento. O princípio diz: “Não acredite em nada, nem mesmo no que foi dito aqui. Estude outras fontes, pense, tenha as suas próprias experiências e tire as suas conclusões pessoais“. René Descartes (1596 – 1650) seguia o princípio de que tudo deve ser questionado. Isso funciona muito bem com questões materiais, como as que envolve o dinheiro e os fenômenos físicos da natureza.

Você sempre deve buscar conhecimentos, ferramentas e soluções que libertem você para fazer suas próprias análises para chegar nas suas próprias conclusões.  Tenha a mente aberta para ouvir o que todos falam e tenha o conhecimento e as ferramentas para validar por conta própria o que todo falam. Siga suas próprias conclusões. Mente fechada e falta de conhecimento para validar o que aprendemos são duas grandes fontes de atraso na sua vida financeira.

Ciclos de valorização:

A palestra inicia mostrando um gráfico parecido com a figura logo abaixo. O gráfico elaborado pela Enfoque (fonte, que depende Adobe Flash Player) mostra o desempenho das principais ações negociadas na bolsa desde 1963 através do índice Bovespa dolarizado.

O fato do gráfico ser dolarizado permite observar o desempenho da bolsa mesmo com todos os planos econômicos das últimas décadas. É fácil observar no gráfico que a bolsa sempre vivenciou grandes ciclos de valorização e desvalorização que duram entre 3 e 6 anos.

A palestra mostra exemplos ilustrados do que significou o último grande ciclo de valorização entre 2003 e 2008 no patrimônio dos investidores que já sabiam investir na bolsa naquela época. Na média, as ações listadas na bolsa nesse período valorizaram 21 vezes (2051%). A palestra mostra algumas ações específicas de grandes empresas que valorizaram 31 vezes, 35 vezes e até 40 vezes em apenas 5 anos. Ele também cita os exemplos de 2 grandes bancos que valorizaram 7 vezes e 13 vezes no período.

Nos grandes ciclos de valorização, que acompanha fases de forte recuperação econômica do país, praticamente todas as boas empresas valorizam, mas cabe ao investidor escolher quais ações investir. Podemos escolher boas empresas analisando alguns critérios baseados em números que as empresas oferecem demonstrando seus resultados. Alguns desses números são utilizados para fazer cálculos que indicam o desempenho da empresa.

Eu considero que o lado mais importante da análise de fundamentos tem relação com o risco. O risco de perdas quando investimos em empresas que apresentam bons fundamentos é menor no longo prazo (no curto prazo a renda variável fica variando).

Mesmo quando ocorrem eventos imprevistos na política e na economia (imprevistos sempre acontecem) que afetam o preço de todas as ações da bolsa, as boas empresas tendem a se recuperar rapidamente.  Inclusive, situações de estresse na política e na economia se tornam oportunidades para a compra de ações de boas empresas, pois a queda momentânea no preço de boas ações é entendida pelo investidor fundamentalista como uma oportunidade para comprar essas ações com desconto.

Estamos no quinto ciclo?

Será que estamos no quinto ciclo de grande valorização da bolsa? É impossível afirmar com 100% de certeza, mas se o comportamento passado da bolsa se repetir como vem se repetindo desde 1963 existe uma boa probabilidade a ser considerada de que estamos no início de um ciclo de valorização. Existem alguns sinais que são descritos na palestra. Alguns precisam de confirmação nos próximos anos para a retomada do crescimento da nossa economia.

Calculando os 500 mil pontos

Na parte mais polêmica da palestra, o André Fogaça mostra como calculou a sua projeção para o IBOVESPA onde ele atingiria 500 mil pontos (em reais) em um ciclo com duração de 6 anos. Isso representa algo próximo de 141 mil pontos em dólares, projetando a hipótese de uma alta acumulada de 1523%.

Como ele chegou nesse número?

De forma pessimista, ele pegou a menor valorização do IBOVESPA de todos os 4 ciclos que aparecem no gráfico que está no início desse artigo. Essa menor valorização foi de 1573%. De forma pessimista, ele considerou que essa valorização seria lenta, ou seja, ela ocorreria em um prazo equivalente ao ciclo mais longo dos últimos 4 ciclos que foi de 6 anos.

Ele considerou o início do ciclo de alta em 2016, quando a bolsa atingiu o “fundo do poço” com algo próximo de 9000 pontos (dolarizados). Ele aplicou a valorização de 1573% sobre esses 9000 pontos e encontrou 141.570 pontos, já que 9000 x 1573% é igual a 141.570. Como esses pontos são em dólares ele multiplicou esse valor pelo dólar de R$ 3,71 (que era a cotação quando o vídeo foi produzido na metade do mês de janeiro/2019). Com isso, ele encontrou os 525.224 pontos, pois 3,71 x 141.570 = 525.224. Isso justifica o número 500.000 no título da palestra.

Dessa forma, se o próximo ciclo de valorização da bolsa resultar em uma alta igual a menor alta que foi registrada nos últimos ciclos e demorar o maior prazo registrado nos últimos ciclos, teremos o índice Bovespa atingindo 525.224 pontos nos próximos 6 anos contando a partir de 2016.

Será que isso pode acontecer? Sim, no futuro tudo pode acontecer, como também pode não acontecer e essa é a principal característica dos investimentos de renda variável.

Alguns gestores de fundos de investimentos que administram bilhões de reais já divulgaram expectativas de 135 a 270 mil pontos em dólares (fonte). Esses 270 mil pontos em dólares seriam o equivalente a mais de 1 milhão de pontos em reais no índice Bovespa (270.000 x 3,71 = 1.001.700). A projeção do vídeo sobre os 500 mil pontos é a metade do que muitos gestores de grandes fundos projetam para o futuro.

No primeiro momento, esses 500 mil pontos parecem exagerados, mas como podemos observar, não é absurdo imaginar que um próximo ciclo de alta possa elevar a bolsa até esse patamar nos próximos anos.

O problema é que existem alguns sinais que devem ser acompanhados. Alguns ainda exigem confirmação. É sobre isso que a palestra fala na segunda parte do vídeo.

Os 7 sinais

Após essa explicação dos 500 mil pontos, o André apresenta os 7 sinais que ele observa baseado no cenário apresentado pelo mercado na semana passada (metade do mês de janeiro/2019). Não quero fazer “spoiler” da palestra, mas quero destacar alguns pontos sobre os 7 sinais apontados por ele para os leitores que já assistiram ao vídeo da palestra. Se você ainda não viu, veja aqui antes de continuar.

A explicação do primeiro sinal faz todo sentido e inclusive é disso que depende a continuidade do ciclo de alta iniciado em 2016. Se os fatores que ele citou na palestra forem frustrados em 2019 e 2020, teremos o retorno do pessimismo, início de uma crise fiscal grave e dificuldades para a recuperação do país até o fim desse governo.

Concordo com parte da explicação do sinal 2, pois existem fatores complexos que não foram citados, talvez por serem mais difíceis de compreender. Acredito que um aprofundamento de uma crise no exterior afetaria a nossa economia no primeiro momento e retardaria a recuperação, mas existem economistas e estudiosos que acreditam que os fatores domésticos são muito mais importantes para o crescimento econômico do Brasil do que a conjuntura internacional (fonte).

O sinal 3 tem relação com o sinal 1 e faz sentido. Ele mostra, na palestra online, um gráfico que demonstra que o preço das ações em relação ao lucro das empresas ainda está bem abaixo da média histórica e isso transmite a percepção de que oportunidade para os investidores nacionais e estrangeiros.

No sinal 4 ele faz observações sobre as commodities e no sinal 5 comenta a situação dos fundos que investem em ações. O gráfico que ele apresenta sugere o quanto esses fundos ainda podem impulsionar a valorização das ações listadas na bolsa brasileira.

Devemos lembrar que muitos brasileiros só investem em ações através dos fundos e esses são obrigados a movimentar bilhões para compor suas carteiras. Um fenômeno parecido ocorre com os investidores estrangeiros (fundos estrangeiros que investem no Brasil) e o André comenta isso no sinal 6.

Já o sinal 7 é o mais importante de todos. Já estamos sentindo o efeito disso desde 2016 até os dias de hoje, mas a manutenção de juros baixos depende do sinal 1.

Demonstração prática

No final da palestra online, o André Fogaça oferece um desconto para quem quer assinar a ferramenta e faz uma demonstração prática de como usar as ferramentas do GuiaInvest para filtrar e selecionar ações de empresas que possuem bons fundamentos.

O estudo que ele montou rapidamente no vídeo filtrou uma série de ações de empresas que seguiam os seguintes critérios:

  • Apresentaram lucros consistentes nos últimos 5 anos;
  • Pagaram dividendos nos últimos anos;
  • Tiveram lucro sobre o patrimônio líquido acima de um determinado percentual;
  • Tiveram crescimento dos lucros nos últimos 5 anos;
  • Possuem nível de governança corporativa.

Ele poderia ter adicionado outros critérios, pois existem inúmeros dados sobre a empresa que podem ser avaliados, combinados e filtrados através de alguns cliques na ferramenta. Eu uso pelo menos 10 critérios. Dentro do GuiaInvest já existem alguns estudos e ferramentas prontas para uso que funcionam como um checklist.

A própria ferramenta possui um sistema de pontuação chamado “GI Score” (GuiaInvest Score). Esse indicador atribui pontos para a empresa (entre 0 e 100) fazendo os cálculos com diversos critérios. Também existem scores atribuídos para características específicas como score para desempenho, rentabilidade, retorno ao acionista, endividamento, etc. Apenas esse sistema de pontuação que avalia os resultados das empresas automaticamente produz uma enorme economia de tempo e de trabalho para o pequeno investidor. No passado, recursos como esses eram exclusivos para grandes investidores e hoje são acessíveis a todos por mensalidades de alguns poucos reais por mês.

Você pode criar seus estudos e salvar no sistema. Eu já tenho os meus estudos prontos e com apenas um clique eu posso acompanhar se alguma coisa mudou no desempenho das empresas que acompanho para investimentos de longo prazo. Sempre que as empresas divulgam novos dados sobre seus resultados, o sistema do Guiainvest atualiza os dados dos estudos. Isso me faz poupar muito tempo durante o ano.

Tempo livre

O GuiaInvest também tem uma rede social onde os usuários do sistema podem conversar, discutir, brigar, rir, contar vantagens e tudo que as pessoas fazem quando estão juntas em grupos online. Participar da rede social é opcional. Eu quase não participo de qualquer rede social. Utilizo apenas para avisar sobre a publicação de algum novo conteúdo aqui no Clube. As vezes as pessoas me perguntam como eu consigo tempo para ler, estudar, fazer cursos, escrever, investir, etc… É simples, eu uso o tempo que as pessoas costumam jogar fora nas redes sociais. Aprender e compartilhar o que aprendo é bem mais divertido e produtivo para mim e para todas as pessoas que eu ajudo. Ferramentas como o GuiaInvest e outras que eu compartilho nos meus livros (planilhas, simuladores, etc.) me ajudam a ter ainda mais tempo livre para fazer o que eu gosto de fazer. Dessa forma, no final de tudo, sempre estamos buscando mais tempo e o dinheiro é apenas um meio para ter mais tempo.

Única recomendação

O estudo é a única recomendação que eu sempre faço aqui no Clube dos Poupadores. Se você é leigo no investimento em ações, você não deve investir em ações agora. Você deve investir primeiro em fontes de conhecimento e em ferramentas que ajudem você a deixar de ser leigo. Deixar de ser leigo exige tempo e força de vontade. Esse tempo é o mesmo que você gasta em outras atividades que produzem poucas mudanças na sua vida. Tudo é uma questão de prioridade.

O que os leigos devem fazer?

O que os leitores mais leigos nos investimentos em ações devem fazer diante das oportunidades que a bolsa de valores oferece?

Isso depende da situação do leigo. Para os leitores leigos que ainda estão com problemas financeiros, ainda não possuem uma boa reserva de emergência aplicada em renda fixa e não possuem recursos (tempo + dinheiro + conhecimento) disponíveis para fazer investimentos de risco, eu recomendo esquecer as ações neste momento e iniciar o Desafio 1 que lancei na semana passada e todos que estão por vir.

Para os leitores leigos que já podem poupar e investir, mas estão presos em investimentos de baixa rentabilidade por falta de conhecimento e experiência (poupança, títulos de capitalização, fundos de grandes bancos que rendem menos que a poupança, etc.), recomendo estudar outros investimentos de renda fixa antes de estudar sobre investimentos em ações e de renda variável. Aqui no Clube temos muitos artigos gratuitos sobre renda fixa na opção “Artigos” do menu. Todos os livros dessa página aqui podem ajudar você a ganhar tempo na tarefa de abandonar a condição de “leigo”.

Para os querem aprender a investir em ações, ainda no primeiro semestre de 2019 farei o lançamento do meu novo livro sobre investir em ações através da análise fundamentalista que será baseado nas ferramentas que utilizo como investidor, como o GuiaInvest. Recentemente eu lancei o livro como investir em ações através da análise técnica que faz uso de uma série de outras ferramentas.

Conheça a diferença entre as duas análises (técnica e fundamentalista) visitando aqui. Eu acredito que são conhecimentos que se complementam e que cabe a cada um adquirir esses conhecimentos para que possam ter suas próprias experiências e escolhas. Liberdade é conhecer para poder escolher ao que você irá se prender.

Recomendo a leitura de dois livros: Como Investir na Bolsa: Análise Fundamentalista e o livro Como Investir na Bolsa: Análise Técnica.

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