Quando investimos em ações, assumimos riscos que podem ser imponderáveis e riscos ponderáveis. Para as duas situações existem estratégias que podemos adotar para reduzir a probabilidade de perdas. Leia este artigo até o fim para entender como minimizar esses riscos.

Em outro artigo, mostrei que se a bolsa fosse como um “jogo de azar”, as moedas ou os dados desse jogo teriam um viés.

Também já vimos nos últimos dias que não temos controle sobre quanto ganharemos ao investir em ações, mas podemos controlar diversas variáveis e temos a liberdade para escolher quais ações podemos investir e isso significa que podemos escolher aquelas com maior viés de ganho ou probabilidade de ganho.

Também mostrei, através de simuladores, que após a escolha de uma boa ação, precisamos esperar com paciência para que a matemática realize o trabalho dela, pois no curto prazo, só teremos os efeitos da sorte e do azar, mas no longo prazo o viés predominante acaba se impondo.

Hoje vou falar de fatores importantes que você deve considerar neste processo de escolha das ações com o objetivo de reduzir seus riscos.

Selecionando as melhores ações

Cada ação tem uma maior ou menor probabilidade de obter ganhos e perdas no futuro.

A tarefa do investidor livre (aquele que não depende das recomendações dos outros para investir) é avaliar essas probabilidades antes de tomar uma decisão que coloque o seu dinheiro em risco.

Existem duas formas principais de avaliar ações de empresas listadas na bolsa. Através da análise fundamentalista e técnica.

Utilizando a análise fundamentalista, você buscará ações de empresas que possuem um histórico de bons resultados financeiros. Empresas com bons resultados no passado possuem maiores chances de terem bons resultados no futuro.

Isso não significa que resultados passados possam garantir resultados futuros. Resultados passados apenas elevam a probabilidade de que resultados futuros semelhantes possam ocorrer. Não podemos negar que as empresas com os piores resultados financeiros tendem a continuar entre as piores nos próximos meses e anos. As empresas com os melhores resultados tendem a estar entre as melhores nos próximos meses e anos.

A valorização das ações costuma ser uma consequência de bons resultados e de uma expectativa dos investidores de que esses resultados serão ainda melhores no futuro.

Logo abaixo você tem o gráfico com o histórico do “lucro por ação” (LPA) de duas empresas concorrentes do setor de varejo que possuem ações listadas na bolsa. O lucro por ação é um importante indicador fundamentalista obtido quando se divide o lucro da empresa pelo número de ações.

Qualquer pessoa poderia olhar os gráficos abaixo e apontar qual empresa tem lucro por ação crescente e qual possui lucro por ação decrescente. Qualquer pessoa saberia indicar qual empresa tem “prejuízo por ação” e qual realmente tem “lucro por ação”. Veja:

 

É fácil entender que ações de empresas que possuem lucros crescentes tendem a valorizar de forma mais consistente no longo prazo do que ações de empresas que possuem histórico crescente de prejuízos. A probabilidade de sucesso de quem investe na Varejista 1 é maior do que a probabilidade de sucesso de quem investe na Varejista 2.

Por incrível que pareça é muito comum encontrar pessoas recomendando a compra das ações da empresa Varejista 2, por existir uma esperança de que ela melhore seus fundamentos no futuro.

Escolher a empresa Varejista 2 significa ampliar seus riscos e ao seguir recomendações de terceiros que recomendam ações arriscadas, você amplia ainda mais o risco por não entender o risco que corre.

Agora vamos observa que através da análise técnica também podemos fazer avaliações muito rápidas e simples para reduzir riscos.

Utilizando a análise técnica, você buscará empresas que possuem um bom histórico de valorização de suas ações em uma clara tendência de alta, pois toda tendência longa tem grande probabilidade de continuar sua trajetória por várias semanas, meses ou anos até que reverta ou se lateralize.

Vou mostrar que não existe dificuldade alguma em identificar a diferença entre uma ação que possui uma clara tendência de alta ou clara tendência de baixa.

Observe os dois gráficos logo abaixo. O primeiro é de uma indústria petroquímica e a segunda é de uma rede de farmácias. No lado direito do gráfico você encontra o preço da ação. Cada barra representa o movimento do preço durante a semana. Se o preço caiu, a barra é vermelha e se subiu a barra é verde. Agora responda: qual das duas ações seguem com seu preço em tendência de alta? Qual tem tendência de baixa?

É bem evidente que o preço da ação da rede de farmácia está crescendo de forma consistente. Ela valia pouco mais de R$ 55 no início de 2019 superando R$ 100 em outubro. Já a ação da petroquímica começou o ano custando algo próximo de R$ 46 e em outubro estava custando algo próximo de R$ 29.

Se você tivesse que investir em uma das duas empresas, a que está em tendência de alta teria maiores chances de valorizar no decorrer dos próximos meses e anos do que a ação que está em sólida tendência de baixa.

As duas análises ao mesmo tempo:

Quando você utiliza a análise fundamentalista e a análise técnica ao mesmo tempo, aumenta a probabilidade de fazer boas escolhas, pois enquanto a primeira ajuda a identificar as melhores empresas para investir, a segunda ajuda a identificar os melhores momentos para investir.

Em outras palavras, a análise fundamentalista responde ONDE investir, a análise técnica responde QUANDO investir.

Existem empresas com bons fundamentos, bons resultados, mas que possuem um longo histórico de desvalorização de suas ações. Existem empresas com ações que se valorizam e que possuem fundamentos e resultados financeiros ruins.

O investidor deve buscar empresas que unem o melhor dos dois mundos: possuem resultados financeiros cada vez melhores e ações que se valorizam com o passar do tempo. Dessa forma, reduzimos as probabilidades de perdas e ampliamos a probabilidade de ganhos quando chegar o momento de expor dinheiro ao risco.

Critérios de escolha

Os critérios que observo na minha busca por empresas que apresentam bons fundamentos financeiros podem ser divididos em quatro grupos:

  • LUCRATIVIDADE E GERAÇÃO DE CAIXA
    1: Receita Líquida
    2: Resultado Bruto
    3: Resultado Operacional
    4: Lucro Líquido
    5: Caixa Líquido Atividades Operacionais
    6: Patrimônio Líquido
    7: ROE
  • QUALIDADE DA ADMINISTRAÇÃO
    8: Margem Bruta
    9: Margem Operacional
    10: Margem Líquida
  • ENDIVIDAMENTO
    11: Dívida Líquida
    12: Dívida Líquida / Resultado operacional
    13: Dívida Bruta / Patrimônio Líquido
  • RETORNO AO ACIONISTA
    14: Dividendos Distribuídos
    15: Preço
    16: Preço vs LPA
    17: Preço vs VPA

Já escrevi uma introdução sobre a importância da Receita Líquida, visite aqui, e aos poucos pretendo escrever introduções sobre outros fundamentos tendo como base o meu livro sobre análise fundamentalista, onde comentei cada critério detalhadamente expondo exemplos reais.

Desses 17 itens listados acima, a análise do preço (item 15) merece muita atenção. O preço é uma consequência. Ele deve ser entendido como uma informação que resume as percepções e as expectativas de todos os investidores com relação aos fundamentos da empresa. Ele nos fala sobre todas as informações disponíveis que possam impactar o resultado futuro da empresa.

O preço sempre reflete uma expectativa futura (apostas sobre o futuro) que cada investidor realiza sempre que compra ou vende uma ação.

Para a análise do preço temos a análise técnica, também conhecida como análise gráfica. Aqui no Clube já existem alguns artigos para iniciantes sobre análise técnica abordando temas como linhas de suporte, resistência e congestão, veja aqui e teoria de down, veja aqui. No futuro teremos mais artigos baseados nos conhecimentos que divulgo no meu livro sobre Análise Técnica, que no meu ponto de vista complementa a análise fundamentalista.

Riscos após as escolhas

Mesmo escolhendo as melhores ações, o risco do imponderável e do ponderável ainda estarão presentes.

  • Temos os riscos produzidos pelo imponderável ou eventos imprevisíveis. Esses eventos são pontos fora da curva. Mesmo as melhores ações das melhores empresas podem ter seus fundamentos e preços impactados drasticamente por eventos impossíveis de prever. Veremos mais na frente o que podemos fazer diante desse tipo de risco.
  • Temos ainda os riscos ponderáveis ou previsíveis, produzidos por variações menores nos resultados e nos preços. São esperados e muitas vezes previsíveis, pois já ocorreram no passado demonstrando a existência de um padrão. A existência de padrões, quando são identificados, podem ajudar a reduzir riscos e elevar ganhos. Veremos um exemplo mais na frente.

Risco do imponderável

Mesmo após selecionar as ações das empresas que apresentaram os melhores resultados financeiros e que possuem ações com preços em tendência de alta, sempre existe o risco de ocorrerem imprevistos.

Veja um exemplo de estratégia para diluir esse tipo de risco.

Vamos imaginar alguém que tem R$ 250 mil em investimentos. Ao destinar somente 10% desse patrimônio para a renda variável (R$ 25 mil) a pessoa já terá tomado uma decisão que reduzirá drasticamente o risco do seu patrimônio diante do imponderável que afeta investimentos de renda variável, como as ações.

Ao dividir esses R$ 25 mil em cinco investimentos diferentes de renda variável (como R$ 5 mil em ações de empresas diferentes) você novamente estará reduzindo seu risco, pois se um evento negativo atingir uma dessas empresas, o estrago ficará limitado a 2% do seu patrimônio (5 mil / 250 mil = 0,02 ou 2%).

Se o evento for suficientemente grave para produzir uma queda de 50% do que foi investido na empresa atingida, somente 1% do seu patrimônio total será comprometido. A perda seria tão pequena que podeira ser facilmente recuperada pouco tempo depois.

Muitas vezes um evento inesperado afeta todas as ações de um mesmo setor. Ao escolher ações de setores diferentes você reduzirá seu risco setorial. Os principais setores da bolsa brasileira por ordem de valor de mercado: Financeiro, Petróleo. Gás e Biocombustíveis, Consumo não CíclicoMateriais Básicos, Utilidade Pública, Consumo CíclicoBens Industriais, Comunicações, Saúde e Tecnologia da Informação.

Curiosidade: talvez você observe que ao clicar nos setores logo acima serão listadas “ações” de algumas empresas americanas muito grandes e conhecidas. Exemplo: você verá empresas como Apple, Microsoft, Google, Facebook e outras famosas acessar a lista de empresas do setor de Tecnologia da Informação. Isso ocorre por ser possível investir nas ações dessas empresas na bolsa brasileira através de BDRs (Brazilian Deposit Receipts ou Recibos de ações de empresas estrangeiras negociadas na bolsa brasileira). A compra e venda de uma BDR é como a compra e venda de qualquer ação. Você paga e recebe em reais e não existe burocracia. Não é um tipo de investimento muito divulgado, pois não é do interesse de bancos, corretoras e fundos que as pessoas façam esses investimentos diretamente. Essas instituições lucram mais oferecendo COE e fundos que dizem investir em ações no exterior, alegando que é a forma mais fácil de investir lá fora. 

Riscos esperados

Muitos riscos que geram perdas na renda variável são mais ou menos previsíveis, pois existem variações nos preços das ações que seguem um determinado padrão. Infelizmente nem todos os pequenos investidores dominam o conhecimento e as ferramentas para elaborar seus próprios estudos.

Veja o gráfico de preços da ação de uma empresa do setor de Comércio que é muito conhecida. Cada candle ou barra colorida representa a variação no preço da ação no decorrer de uma semana.

Qualquer pessoa poderia identificar rapidamente que o preço dessa ação vem se movimentando de forma lateral desde 2016 em ondas que levam os preços de mais ou menos R$ 15 até algo próximo de R$ 20.

Quando o preço atinge esse topo, temos algumas semanas de queda rápida fazendo o preço retornar para R$ 15. Isso da início a um novo ciclo de alta.

Utilizando uma ferramenta como essa aqui, que é a mesma que ensino a usar no meu livro sobre análise técnica, qualquer um seria capaz de traçar uma linha para ligar os preços mais altos dessa ação desde 2016. Essa linha é o que chamamos de resistência (linha pontilhada vermelha logo abaixo).

Também seria fácil traçar a linha de suporte ligando os preços mínimos (fundos) mais frequentes. Veja a linha pontilhada verde logo abaixo:

Mesmo sem qualquer conhecimento sobre análise técnica, você consegue perceber a existência de um padrão?

Esse tipo de padrão eleva a probabilidade do preço continuar se movimentando da mesma forma por muito tempo, até que o padrão seja quebrado em algum momento no futuro. Uma variação de R$ 5 para uma ação que vale R$ 15 representa uma alta de 33%. Isso é muito significativo e pode ser explorado de forma mais ativa.

O risco de perda do que foi ganho em várias semanas de alta (mais de 30%) é muito grande se o investidor não fizer nada nas semanas logo depois do preço atingir a resistência (linha vermelha).

Um investidor atento poderia configurar uma venda com o objetivo de proteger os ganhos se após romper R$ 20 o preço recuar para iniciar uma sequência de semanas de baixa.

Toda corretora permite que você configure compras e vendas quando os preços atingem valores configurados por você. Isso permite que você realize estratégias de investimento enquanto está trabalhando, sem a necessidade de perder tempo na frente do computador.

Os motivos que levam os investidores a seguirem esse padrão eu apresento com detalhes no artigo sobre  linhas de suporte, resistência e congestão, veja aqui

Um investidor mais atento perceberia que existem padrões onde a cada 24 semanas (168 dias ou meio ano) o preço dessa ação parte de valores próximos de R$ 15 até atingir valores próximos de R$ 20 antes de iniciar uma queda que dura entre 5 e 6 semanas. Observe que marquei com quadrados verdes os ciclos de exatos 24 semanas.

Perceber a existência de padrões no comportamento dos preços ajuda a prevenir perdas desnecessárias (risco do que é ponderado) permitindo a recompra de ainda mais ações no momento favorável.

Veja que estamos utilizando prazos muito longos (de vários meses e anos) em movimentos que duram muitas semanas. Neste caso, estamos ignorando todos os movimentos que ocorrem diariamente e que muitas vezes são apenas “ruídos”.

Os 5 quadrados verdes que desenhei no gráfico acima representam 5 oportunidades de ganhos de até 30% por oportunidade no decorrer de 3 anos.

Agora vamos imaginar o que teria acontecido se alguém tivesse investido nessas cinco oportunidades.

Para facilitar o acompanhamento dos cálculos vamos usar números redondos no exemplo. Vamos imaginar alguém que comprou 2.000 ações dessa empresa em uma das diversas semanas em que o preço flutuou próximo de R$ 15. Essa pessoa teria investido R$ 30.000,00 já que 2000 ações x R$ 15 = R$ 30 mil.

Vamos imaginar que depois de 24 semanas o investidor ficou atento para o risco de reversão da tendência de alta que durou várias semanas. O preço ultrapassou os R$ 20 e o investidor se programou durante a semana para a venda automática das ações caso ocorresse um recuo até esse valor. O recuo aconteceu, a venda foi realizada. O investidor vendeu as 2000 ações por R$ 40.000,00 (2000 x 20 = 40.000). Um ganho excepcional em apenas 24 semanas.

Como o investidor comprou as 2000 ações por R$ 30 mil e as vendeu por R$ 40 mil, seu ganho de capital foi de R$ 10.000,00. Ao pagar imposto de renda de 15% sobre o ganho de R$ 10 mil o investidor ficou com R$ 8.500,00 de lucro, já que 15% de 10.000 é R$ 1.500,00 que seria pago como imposto. Veja que mesmo pagando imposto o investidor conseguiu embolsar lucros que não teria se mantivesse a ação por todos os ciclos da lateralização de preços.

Agora vamos imaginar que o investidor esperou o preço recuar até R$ 15. Para isso ele ficou várias semanas esperando com muita paciência, observando os gráficos uma vez por semana. Agora o investidor estava com R$ 38.500,00 permitindo comprar 2.566 ações ou 566 ações a mais do que havia comprado antes.

Após mais um ciclo de valorização que levou o preço da ação de R$ 15 para R$ 20, esse investidor teria 2566 ações para vender por R$ 20 obtendo R$ 51.320,00.

O lucro seria a diferença entre R$ 38.500,00 e R$ 51.320,00 que representa R$ 12.820,00. Com o pagamento de 15% o investidor teria um resultado um pouco acima de R$ 49 mil. No final de 5 ciclos de alta, com ganhos de mais ou menos 30% em cada um, o investidor acumularia mais de R$ 104 mil, já com todos os impostos pagos, em 3 anos realizando pouquíssimas operações de compras e vendas no período.

Um investidor passivo, que compra as ações e depois fica esperando, assistiria o preço da ação subir de R$ 15 para R$ 20 e depois cair de R$ 20 para R$ 15 sem tirar qualquer benefício desse movimento no decorrer de vários anos de lateralização.

Usei como exemplo uma ação com preço em movimento lateral, pois o ganho exige algum esforço, mesmo sendo um esforço pequeno devido ao prazo longo da operação. Quando o preço da ação cresce em um movimento ascendente, os ganhos ocorrem até quando o investidor fica só olhando.

Agora vamos observar o que aconteceu antes da lateralização da ação que usamos como exemplo. Vamos afastar o gráfico:

Observe que no gráfico acima temos os preços da mesma ação entre 2009 e 2019. Veja que antes da lateralização, entre 2016 e 2019, o preço dessa ação também se movimentava entre topos e fundos, mas isso ocorria em uma espécie de “canal” que é conhecido como “canal de alta”.

Um investidor passivo, que compra e espera, teria ganhos no decorrer desse canal de alta. Um investidor ativo poderia selecionar os melhores momentos neste canal para a compra (quando o preço toca a base inferior do canal). Isso produziria melhores resultados que a compra por qualquer preço.

Um investidor ainda mais ativo poderia fazer algumas poucas compras e vendas por mês para aproveitar somente os ciclos de alta dentro do canal. Isso produziria ganhos de até 25% entre a base e o meio desse canal ou de 50% entre a base e o topo do canal.

Muitas vezes o investidor passivo, que compra e fica esperando alguma coisa acontecer, não consegue entender que os preços se movimentam dentro de um padrão por ignorar a existência dos gráficos e da análise técnica. Mesmo ações de boas empresas, com bons fundamentos, possuem preços que tendem a se movimentares seguindo padrões.

Sem a análise técnica muitos vendem ações que possuem bons fundamentos que estão apenas seguindo um padrão cíclico ou sazonal de seus preços. Sem análise fundamentalista muitos compram ações ruins que vivenciam um momento de alta passageiro, muitas vezes motivado por influenciadores que tentam estimular negócios em ações ruins e de baixa liquidez.

Preços refletem o fundamento

Os preços das ações refletem seus fundamentos e eu espero que você tenha entendido até aqui o quanto as duas análises (de preços e de fundamentos) são importantes por se complementarem.

Agora vamos ver a relação que existe entre o comportamento do preço dessa ação do setor de comércio, utilizada no exemplo anterior, com os fundamentos da empresa.

Na figura logo abaixo temos um gráfico com o histórico de lucros dos últimos 12 meses, calculado a cada trimestre.

É fácil observar que a degradação dos lucros no final de 2015 fez o preço da ação perder o canal de alta que estava seguindo (no gráfico anterior) para iniciar uma fase de lateralização dos preços. Os fortes ciclos que já existiam no canal de alta continuaram existindo em um canal lateral.

Logo abaixo temos o gráfico dos lucros trimestrais. Como se trata de uma empresa de comércio que vende muito no natal, o último trimestre costuma concentrar a maior parte do lucro. Isso também ajuda a compreender por qual motivo o preço dessa ação se movimenta em ciclos quase padronizados que geram altas e baixas no decorrer dos trimestres.

Muitas empresas do setor de comércio e varejo possuem essa sazonalidade de seus resultados. Os preços das ações podem acompanhar o movimento sazonal, produzindo padrões que podem ser identificados pelos investidores mais atentos.

Tente perceber que existem muitos pequenos detalhes que podemos aprender e que poderão fazer uma enorme diferença nos seus resultados.

É como se você estivesse aprendendo uma nova língua ou aprendendo a utilizar uma nova ferramenta. No início é trabalhoso, mas os benefícios e a liberdade serão para sempre. Foi assim quando você aprendeu a ler, fazer cálculos, dirigir, trabalhar etc.

Existem centenas de ações na bolsa de valores. Cada ação representa uma empresa totalmente diferente das demais com um histórico de resultados únicos, dentro de um contexto único, com preços que seguem padrões e tendências únicas.

Recomendo que você domine as técnicas e se torne um especialista de um punhado pequeno de boas ações.

Recomendo a leitura de dois livros: Como Investir na Bolsa: Análise Fundamentalista e o livro Como Investir na Bolsa: Análise Técnica. Conheça todos os nossos livros sobre investimentos visitando aqui.

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