Gráfico da curva de juros elaborado com as taxas de títulos prefixados (juro nominal), títulos indexados pela inflação (juro real) e a diferença entre os dois para a definição da curva da inflação implícita. O gráfico é atualizado diariamente depois do fechamento do mercado, no período da noite. Para entender como o gráfico funciona leia o artigo logo abaixo.
A curva de juros, também conhecida como ETTJ ou “Estrutura a Termo das Taxas de Juros” é calculada todos os dias pela Anbima e divulgada publicamente (fonte). Essa curva é construída utilizando as taxas de títulos públicos prefixados (LTN e NTN-F) e títulos indexados pela inflação (NTN-B) que as instituições financeiras negociam todos os dias entre si.

Enquanto as pessoas físicas compram e vendem títulos públicos através do Tesouro Direto, as instituições financeiras compram e vendem títulos entre elas através de um mercado secundário. As taxas praticadas nesse mercado são ditadas pela oferta e demanda.

Quando existe maior demanda por um determinado título, que tem uma determinada data de vencimento, a tendência é a de que o preço desse título aumente e consequentemente a taxa diminua. Diante de uma demanda menor, o preço tende a cair e a taxa tende a subir. Quando as instituições financeiras acreditam que os juros e a inflação no futuro terão tendência de baixa, eles aumentam a demanda por títulos prefixados. Quando as instituições acreditam que os juros e a inflação terão tendência de alta, eles diminuem a demanda por títulos prefixados e elevam a oferta de títulos para venda.

O Tesouro Direto utiliza as taxas praticadas no mercado secundário para definir qual será a taxa praticada para a compra de títulos ou venda antecipada dos títulos Tesouro Prefixado e Tesouro IPCA. É por esse motivo que essas taxas variam tanto, pois elas seguem as forças de oferta e demanda pelos títulos no mercado secundário.

No eixo vertical do gráfico temos as taxas médias praticadas e no eixo horizontal temos o número de meses relacionados com os vencimentos dos títulos.

A Curva de Juros é um importante indicador para os investidores de renda fixa, principalmente para os que investem em títulos públicos e títulos privados prefixados ou indexados pela inflação como CDB, LCI, LCA, debêntures etc.

📈 Curva de Juros Títulos Prefixados (ETTJ PRE) – A linha azul mostra a taxa negociada no mercado secundário de títulos prefixados como LTN e NTN-F que são os nomes técnicos de títulos como Tesouro Prefixado e Tesouro Prefixados com juros semestrais. As instituições que compram e vendem títulos no mercado secundário possuem acesso a títulos com todos os vencimentos que já foram emitidos pelo Tesouro Nacional e que ainda não venceram. É por isso que o gráfico exibe taxas para títulos com vencimento entre 12 e 108 meses que equivale a 1 e 9 anos ou 252 e 2268 dias úteis. Veja o gráfico e mais informações.

📈 Curva de Juros Títulos IPCA (ETTJ IPCA) – A linha laranja mostra a taxa negocia no mercado secundário de títulos indexados pelo IPCA (NTN-B) que equivale aos títulos Tesouro IPCA+ com juros semestrais que encontramos no Tesouro Direto. Essa seria uma curva que mostra juros reais (acima de inflação) com características de longo prazo. Veja o gráfico e orientações detalhadas.

📈 Inflação implícita – É a diferença que existe entre a taxa praticada nos títulos prefixados e títulos indexados pela inflação. Essa diferença é chamada de inflação implícita. Já que títulos como o Tesouro IPCA pagam juros reais (acima da inflação) e os Prefixados pagam juros nominais (sem considerar a inflação) podemos dizer que a diferença entre as taxas de juros nominal e real é igual a expectativa da variação futura dos preços, ou seja, é a inflação implícita que o mercado espera que ocorra no futuro. Em outras palavras, observando as taxas de títulos de renda fixa nominais e reais negociados no mercado poderíamos, por simples diferença, calcular o valor esperado da inflação futura. Veja o gráfico da inflação implícita e mais informações sobre sua importância na decisão de investimento em títulos públicos.

É importante considerar que essa hipótese desconsidera a aversão ao risco, ou seja, temos uma inflação futura + prêmio pelo risco.

Títulos reais (como o Tesouro IPCA) constituem um ativo livre de risco, uma vez que, por serem indexados a um índice de preços (IPCA), oferecem proteção ao consumo no futuro. Já os títulos nominais (como o Tesouro Prefixado) possuem um valor fixo no vencimento (que no caso é de R$ 1.000,00) e por esse motivo estão sujeitos ao risco inflacionário, ou seja, a perda de poder de compra dos investidores. Dessa forma, para investir nesses títulos prefixados, os investidores exigem uma recompensa. Essa remuneração adicional é conhecida como o “prêmio de risco da inflação”. Quando os investidores (instituições financeiras que operam no mercado secundário) acreditam que teremos uma inflação elevada no futuro e/ou acreditam na existência de riscos e incertezas, a taxa que exigem para investir nos prefixados tende a aumentar.

Por esses motivos, podemos considerar a inflação implícita como um “prêmio de risco” exigido pelos investidores que compram títulos Tesouro Prefixado. Quanto pior a expectativa sobre o futuro da inflação e da economia, mais prêmio é exigido. Quanto melhor a expectativa sobre o futuro, menos prêmio é exigido para que os títulos possam ser negociados. Isso torna a observação da curva de juros importante para se compreender o prêmio de risco exigido pelo mercado. Essa curva também influencia a definição das taxas de juros que os bancos e financeiras cobram de quem pede empréstimos.

Tudo isso mostra a importância do estudo da curva de juros para as boas decisões do pequeno investidor de renda fixa.  Para aprender a investir em Títulos Públicos, do básico até o avançado, dominando conhecimentos como os apresentados aqui, eu recomendo a leitura do meu livro Como Investir em Títulos Públicos, visite aqui para conhecer.