O gráfico mostra a relação entre o total da dívida, interna e externa, dos principais entes do setor público (Dívida Bruta do Governo Geral ou DBGG) em relação ao PIB que é o total de todas as riquezas que as empresas e os trabalhadores do país produzem durante um ano. Para entender como ler o gráfico e como ele interfere nos seus investimentos leia o artigo depois do gráfico.

Nota: o Banco Central demora alguns meses para atualizar os dados. Sempre que ocorrer a divulgação de novos dados o gráfico será atualizado automaticamente. 


A área azul representa a Dívida dividida pelo PIB do país em um número percentual. Exemplo: se a Dívida/PIB é de 80% isso significa que seria necessário o governo arrecadar 80% de tudo que as empresas e as pessoas produzem de valor durante o ano para quitar essa dívida, em outras palavras, a dívida é igual a 80% de tudo que a sociedade produz de valor todos os anos.

A linha azul mais fina, que as vezes está em cima e outras vezes está embaixo da Dívida/PIB, é uma média móvel de 9 períodos, ou seja, é o valor médio da dívida dos últimos 9 meses. Essa média móvel é uma ferramenta da análise técnica que nos diz quando a dívida está em tendência de alta (acima da média dos últimos 9 períodos) ou quando está em baixa (abaixo da média).

A linha dourada na parte inferior do gráfico é um indicador (Momentum) que mede a aceleração da Dívida/PIB, ou seja, se a Dívida/PIB está crescendo cada vez mais rápida ou se cresce cada vez mais lenta. Isso significa que quando a dívida cresce e o indicador cresce, temos uma dívida que cresce de forma acelerada (isso é ruim). Já quando a dívida cresce e o indicador cai temos um crescimento mas que está perdendo velocidade (isso é bom).

Vamos ser mais didáticos?

Vou apresentar um exemplo bem simplificado para que você entenda por qual motivo os investidores se preocupam com a Dívida/PIB. Imagine que um amigo do seu trabalho pediu dinheiro emprestado para você. Ele prometeu devolver esse dinheiro no futuro com juros. Então ele forneceu para você um gráfico (como o gráfico acima) que mostra a relação entre a dívida que ele tem e a renda anual que ele consegue gerar através dos salários que recebe.

Vamos imaginar que o resultado fosse 50% em 2014, 70% em 2016 e 80% em 2020. Isso significa que a dívida do seu amigo representa 80% de tudo que ele ganha durante 1 ano na forma de salário. Você percebe que a cada ano essa relação cresce e seu amigo fica cada vez mais endividado. Logo chegará o momento que nem mesmo destinando 100% do que ganha durante o ano para o pagamento da dívida será possível se livrar da dívida.

Sabendo que a dívida do seu amigo não para de crescer e que ele continua gastando mais do que ganha sem muita preocupação, você aceitaria emprestar dinheiro se ele oferecesse apenas 2% de juros ao ano? Parece muito arriscado para receber muito pouco em troca? Você aceitaria 5%? Aceitaria 12%?

Será que não seria melhor emprestar este dinheiro para aquele seu amigo rico, que também gasta mais do que ganha, tem uma dívida grande, para juros menores, mas que é altamente produtivo, ganha muito dinheiro por ano e ainda recebe em dólares?

Veja que essa é a mesma preocupação dos investidores quando investem em um país. Eles sabem que se esse país não for competente para administrar sua dívida ele terá problemas econômicos no futuro. Problemas econômicos geralmente resultam em crises e essas crises prejudicam as empresas, os trabalhadores e os resultados dos investimentos.

Para os investidores, uma Dívida/PIB crescente resulta em expectativas negativas para o futuro da economia e dos investimentos (produtivos e financeiros). Uma Dívida/PIB que cresce de forma acelerada produz expectativas ainda mais pessimistas. Quando essa dívida é de um país em desenvolvimento, que frequentemente está envolvido em crises políticas e econômicas, as expectativas ficam pior ainda.

Já uma dívida que cresce enquanto desacelera, que se movimenta lateralmente, que se movimenta em queda ou se movimenta em queda acelerada produzem expectativas positivas sobre o futuro. Observe no gráfico acima que depois de 2016 a dívida pública continuou crescendo, mas se você observar o indicador (linha dourada) perceberá uma queda na velocidade do crescimento. Um pouco antes da pandemia a dívida chegou a cair. Vale destacar que a redução do juro que remunera títulos públicos ajudou a desacelerar a alta da dívida. Enquanto isso, aumento de gastos do governo, sem aumento da arrecadação, faz a dívida disparar.

Consequências

Vamos entender isso de forma simples. Os governos dos países não geram riquezas. Todos eles tomam riquezas das empresas e das famílias através de impostos e taxas. Quando os governos gastam mais do que arrecadam isso pode gerar algumas consequências negativas como:

  • aumento da dívida, já que gastam mais do que arrecadam constantemente;
  • aumento dos impostos para que consigam gastar cada vez mais;
  • aumento da inflação, quando o governo resolve adotar medidas equivalentes a “imprimir dinheiro” para pagar suas dívidas sem gerar riquezas.

Resolver os problemas de um país ou de uma família através de dívidas equivale a empurrar o problema para ser resolvido no futuro. No caso de um país, é como jogar o problema para seus filhos e netos que terão de trabalhar mais para pagar mais impostos para conseguirem pagar as dívidas que governos anteriores fizeram.

O governo aumenta a sua dívida vendendo títulos públicos para as pessoas, instituições financeiras e estrangeiros que queiram receber juros no futuro. É uma forma de pedir dinheiro emprestado para a sociedade no presente ao invés de simplesmente tomar o dinheiro da sociedade por meio dos impostos. Os governos pagam suas dívidas cobrando mais impostos ou adotando medidas equivalentes a imprimir dinheiro. Nos dois casos o custo de vida fica mais elevado e temos o aumento da inflação (perda do poder de compra do dinheiro). Para combater a inflação os governos costumam aumentar os juros.

Juros elevados, impostos elevados, pessoas e empresas com menos poder de compra acabam prejudicando o crescimento econômico e consequentemente isso resulta em desvalorização das ações das empresas, pois faturam menos, lucram menos e crescem menos.

Espero que essas informações ajudem você a entender por qual motivo as questões fiscais são importantes para os investidores. O gráfico será atualizado automaticamente sempre que o Banco Central divulgar novas informações.

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