Você se comporta como um adiador, mudador ou um fazedor? Todo mundo tem um pouco de cada perfil, mas sempre existe um que é predominante. Já recebi dezenas de milhares de comentários nos artigos do Clube dos Poupadores e muitas vezes fui capaz de identificar leitores que se enquadram em um desses perfis. Fico incomodado ao saber que estas pessoas não percebem sua própria realidade e que provavelmente vão passar toda a vida sem perceberem como isto atrapalha seus resultados.

Vou falar um pouco sobre estes perfis para que você olhe para dentro de você e tente identificar qual é o predominante na sua vida. É através desta autoavaliação que você será capaz de descobrir quais pontos da sua personalidade precisam se desenvolver para que você possa atingir mais sucesso pessoal, profissional e financeiro.

Vou começar resumindo as características do perfil adiador:

Perfil Adiador

O próprio nome “Adia + Dor” já resume a principal característica deste perfil. Os adiadores são pessoas que realmente querem crescer na vida, querem evoluir e melhorar seus resultados em várias áreas. São pessoas muito esforçadas e passam a vida toda se preparando para realizar seus objetivos. O problema está justamente nesta preparação infinita. Com o passar do tempo os adiadores se tornam pessoas preparadas tecnicamente, mas estão sempre adiando o momento em que irão entrar em ação para enfrentar a dor da mudança e do crescimento.

Eles estão prontos, mas não se sentem preparados para agir e encarar as consequências das suas ações. Eles estão preparados para colocar em prática, mas sempre estão adiando a dor. Você já deve ter percebido que melhorar e crescer gera algum desconforto. Tornar-se o melhor profissional da sua área dói. Abrir uma empresa e tornar seu negócio líder do seu nicho também dói. O pior é que nada garante que você será bem-sucedido no momento que resolver transformar a teoria em prática.

É por isso que muita gente passa a vida lendo livros, fazendo cursos e nunca coloca o que aprendeu em prática. Já identifiquei que temos muitos leitores no Clube dos Poupadores que investem na própria educação financeira, mas estão sempre adiando a dor de colocar este conhecimento em prática, pois é justamente na prática que estamos vulneráveis aos erros, mas também é na prática que podemos colher os resultados.

O que paralisa os adiadores é o medo de errar. Recentemente escrevi um artigo sobre o medo de investir através de corretoras. Abrir conta em uma corretora costuma ser um momento novo, e por isso mesmo desconfortável. Você passou a vida toda investindo através de bancos grandes, que cobram taxas elevadas e pagam rentabilidades baixas, mesmo assim sente medo do desconhecido e do novo. O mesmo mecanismo vale nas decisões envolvendo o empreendedorismo ou questões pessoais relacionadas ao namoro, casamento, amigos e família. Para o adiador não importa estar bem preparado e consciente sobre a zona de conforto onde se encontra.

Alguns adiadores associam o crescimento à possibilidade de sentir dor. Mesmo estando preparado existem perguntas que não saem da cabeça do adiador. Exemplos: ”

  • E se der errado?
  • E se eu não estiver preparado?
  • E se acontecer algum problema no meio do caminho?
  • E se alguma lei mudar, se uma crise começar, se o governo mudar alguma coisa e isso em atrapalhar?
  • E se eu perder meu tempo e meu dinheiro?
  • E se as pessoas começarem a criticar?
  • E se eu perder o controle?
  • E se der certo? O que vou fazer com o sucesso?
  • E se…
  • E se…. até o infinito.

O adiador assiste a vida das outras pessoas acontecerem. Ele sempre fica na arquibancada ou no banco de reservas olhando ao jogo das outras pessoas. Ele não entra em campo e por este motivo não faz as coisas acontecerem para atingir os resultados.

Esse comportamento de assistir sentado o sucesso dos outros, enquanto se prepara mais, vai gerando um enorme vazio dentro das pessoas. Para preencher este vazio o adiador busca mais livros, mais professores, mais pessoas ensinando como jogar e mais pessoas para seguir e assistir aos seus jogos.

Um dia o adiador percebe que seu maior problema é não agir. Isto pode demorar, mas um dia este momento de encarar a realidade acaba chegando. Saber o que precisa ser feito e não fazer gera uma nova consequência que é a frustração e o sentimento de culpa. Se existe uma coisa que o seu cérebro não gosta é de sentir é culpa.

O número de pessoas sofrendo por culpa seria maior se não existisse o que Freud chamava de “Mecanismos de Defesa“ou ajustamento. Esta teoria psicanalítica estuda e classifica o comportamento da nossa mente diante de ameaças a integridade do nosso ego. Um exemplo deste mecanismo é quando você tenta buscar explicações racionais para justificar o seu insucesso profissional, financeiro e pessoal para as pessoas próximas (amigos, filhos, cônjuge). É claro que existem casos onde o seu insucesso é uma consequência de fatores externos, mas na maioria das vezes o insucesso é uma consequência dos seus atos e a culpa é sua, embora seu cérebro tenha que negar isto para não perder o equilíbrio emocional.

No lugar de assumir a culpa você tende a transferir a culpa para seu cônjuge, seus parentes, seus amigos, seu chefe, a crise econômica, o governo, o sistema capitalista e sua falta de sorte. Ao transferir a culpa e se convencer de que o culpado não é você, isso gera um enorme sentimento de conforto mental. Este é o objetivo do mecanismo de defesa presente no cérebro de todas as pessoas. Ele preserva seu bem estar mensal. Ele evitar que você entre em depressão profunda diante de alguma coisa que ameaça seu modo de agir e de pensar, que no caso é o modo de pensar dos adiadores.

Outra consequência grave do comportamento adiador ocorre no momento que começamos a fazer comparações. Enquanto você estiver na arquibancada assistindo ao jogo das outras pessoas será natural fazer comparações entre aqueles que estão jogando e você. Será fácil encontrar pessoas menos preparadas jogando e conseguindo vitórias. Você vai encontrar pessoas com menos estudo, menos diplomas, menos habilidades e menos merecimento atingindo o sucesso que você gostaria de atingir. Inconscientemente essa comparação acaba levando a um sentimento de inveja. A inveja é um sentimento natural e o que diferencia uma pessoa da outra é o que ela vai fazer com este sentimento de inveja. Você pode tentar atrapalhar a vida da pessoa que é alvo da sua inveja ou pode tentar observar seus exemplos e se motivar para atingir os meus resultados.

  • Exemplo Positivo: “Se essa pessoa, menos qualificada, atingiu este objetivo eu também posso atingir.” (Motivação)
  • Exemplo Negativo: “Eu preciso fazer alguma coisa para retirar o sucesso desta pessoa, pois se eu não posso, ela também não poderá, pois isto é a justiça” (Destruição)

Perfil Mudador

A principal diferença entre o adiador e o mudador é que o mudador coloca em prática. Ele vai para a ação e realiza aquilo que precisa ser feito, só que ele também enfrenta alguns problemas. Você já deve ter percebido que para atingir um grande objetivo é necessário conquistar objetivos menores, etapa por etapa, até chegar no topo. É como escalar uma montanha. Isto vale para o mundo dos investimentos e dos negócios. Também vale para aqueles que querem construir uma carreira profissional sólida ou melhores relações com as pessoas. Você precisa crescer em etapas.

Se você não estiver preparado e motivado para superar cada novo nível até chegar no próximo, você vai desistir na primeira dificuldade ou no primeiro sinal de sucesso. Até a rotina, que é natural logo depois que atingimos um novo nível, pode ser motivo para desistência.

Você provavelmente conhece pessoas que já mudaram de curso universitário algumas vezes, pessoas que trocam de emprego sem motivo aparente, pessoas que abrem empresas e depois de algum tempo desistem do negócio. Isso também acontece nos relacionamentos pessoais. Existem aqueles que não conseguem manter um namoro e outros que levam essa prática para o casamento trocando de cônjuge na primeira dificuldade ou no primeiro sinal de rotina.

Os mudadores costumam “mudar de dor” constantemente. Não importa se eles começaram a colher os primeiros resultados positivos. Quando perdem o desafio, a motivação acaba e partem para outros desafios. Quando enfrentam dificuldades eles também tendem a desistir e mudar de caminho. Como não insistem naquilo que estão fazendo, só conseguem resultados medianos. Quando você encontra um empresário bem-sucedido, com dezenas ou centenas de milhões em patrimônio é sinal de que este empresário não desistiu e não se acomodou quando acumulou seus primeiros milhões. Todo bilionário já foi um milionário que não se contentou com poucos milhões.

O mudador sente que seus resultados sempre são menores do que a sua capacidade e o seu potencial. Assistindo ao jogo das outras pessoas ele também tem uma tendência a fazer comparações. Ele vai encontrar pessoas menos preparadas e menos merecedoras, só que mais persistentes que ele, colhendo resultados melhores. Quando falei sobre os adiadores eu mostrei quais são as consequências quando você faz comparações e joga a sua culpa em fatores externos.

 

Perfil do Fazedor

O fazedor é aquela pessoa que realmente faz, mas só consegue fazer às custas de muita dor. São pessoas que realmente conseguem atingir o sucesso profissional, sucesso financeiro ou sucesso pessoal. O problema é que ela só consegue uma coisa ou outra. Para conseguir sucesso profissional o fazedor retira todas as energias, tempo e recursos de todas as outras áreas da vida.

Ele é a aquela pessoa que trabalha muito, não tem tempo para nada e por isso não cuida da família, não cuida da saúde e não cuida do próprio dinheiro. Também pode ser a pessoa que só cuida da família e da saúde, mas não cuida do sucesso financeiro e profissional. Podemos encontrar aquele que só pensa em dinheiro, para isso abandona suas relações pessoais e não cresce profissionalmente.

No perfil fazedor fica muito fácil observar que existe um grave desequilíbrio que também vai gerar um vazio, comparações e todos os problemas que já citei nos perfis anteriores.

Quem olha fazedores bem-sucedidos acredita que são pessoas extremamente felizes. Possuem negócios prosperando, cargos elevados no setor privado ou público, dirigem carros caros e moram em imóveis maravilhosos. Adiadores costumam assistir aos fazedores enquanto estão nas arquibancadas. O problema é que poucos sabem o preço caro que o fazedor está pagando. Poucos entendem a dor gerada pelo desequilíbrio que acontece quando você abandona todas as outras áreas da sua vida para concentrar todas as suas energias em fazer o seu sonho acontecer.

Existem fazedores que chegam no topo, mas antes perderam o casamento, perderam os filhos e amigos, perderam tempo, saúde e bons momentos da vida que não podem voltar.

Essas pessoas bem-sucedidas também acabam acumulando um grande sentimento de culpa. Acabam colecionando desculpas para justificar o estilo de vida que estão levando e a falta de atenção em outras áreas. Os fazedores também fazem comparações entre a vida que eles levam e a vida que outras pessoas levam. Isso produz o sentimento de vazio e frustrações. Não é raro encontrar pessoas ricas e famosas lotando a agenda dos psicólogos mais caros do país.

O fazedor faz, mas nunca se sente completo. Sempre parece que está faltando alguma coisa.

Primeiro passo para melhorar

As pessoas costumam ser um pouco de cada perfil, mas algumas se destacam em um deles. Eu mesmo consigo perceber um pouco do adiador, mudador e fazedor dentro de mim.

Posso dizer que o primeiro passo para reduzir o impacto negativo destes perfis na sua vida pessoal, profissional e financeira é ter consciência da sua existência. Você precisa olhar para dentro de você e verificar onde precisa se desenvolver. Somente quando você perceber que existe um problema é que você desviará sua atenção para as possíveis soluções.

Para ter uma percepção da sua realidade tente observar a sua mente funcionando no exato momento em que estiver se comportando como um adiador, mudador ou fazedor. Por observação eu suponho que o perfil adiador seja o mais comum. Se você tem o perfil adiador eu recomendo que leia um outro artigo que escrevi sobre Distração, Procrastinação e Problemas Financeiros. O autor que utilizei como base para escrever esse outro artigo gosta de chamar a voz interna que nos leva a procrastinar de “Macaco das Gratificações Instantâneas”. Essa voz é a parte do nosso cérebro que herdamos dos nossos antepassados mais primitivos, no tempo em a gratificação instantânea era importante.

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