É muito importante que você leia este artigo até o final. No início do ano escrevi um artigo com Previsões Econômicas para 2014 destacando como é importante acompanhar os números da economia para tomar decisões de investimento. Eu vou ajudar você a entender estes números já que querendo ou não, eles geram impactos negativos ou positivos na sua vida.

Você é responsável por defender seu dinheiro e seus investimentos. Quando o cenário muda, algumas opções de investimento que antes eram vantajosas, agora podem não ser. O que antes era um mau negócio, agora pode ser um bom negócio.

Para te ajudar nesta avaliação eu fiz um balanço dos números do primeiro trimestre de 2014. O que posso concluir é que as previsões que publiquei em janeiro estão se confirmando. A situação da economia nos primeiros três meses piorou e você precisa de ajuda para enfrentar uma possível crise.

1) Nota Baixa: O mercado começou o ano temendo o rebaixamento da nota de crédito do Brasil. A previsão se confirmou. No final de março, uma das mais importantes agências de risco (Standard & Poor’s) rebaixou a nota do país. Isto significa que os estrangeiros acreditam que investir no Brasil está mais perigoso. E isto obriga o governo a elevar as taxas de juros da economia. Quanto mais arriscado é investir comprando títulos públicos da dívida de um país, maior deve ser os juros oferecidos para que o investidor internacional acredite que compensa correr o risco. E o risco que estou me referindo é o risco de calote.  Antes a nota de crédito do Brasil era BBB. Agora a nota é BBB-. Como você pode ver na tabela abaixo, estamos na fronteira entre “grau de investimento” e “grau de especulação”. Se nos próximos anos o Brasil for rebaixado para BB+ ele perderá o grau de investimento e isto fará muito dinheiro estrangeiro sair do país já que muitos fundos, por questões internas, não investem em países com grau de especulação (fonte). Um dos fatores que fizeram o Brasil receber muitos investimentos no passado foi esta alta na nota de crédito que agora estamos perdendo por culpa de uma má administração do governo. Veja como funciona as notas de risco das 3 agências mais importantes:

2) A inflação não para de subir: O governo está segurando preços de energia, combustível,  passagens de ônibus, entre outros, e mesmo assim a inflação está aumentando e se aproximando teto da meta do Banco Central que é 6,5% ao ano. Lembre-se que a meta é 4,5% e o limite máximo tolerado é 6,5%. Na última pesquisa feita pelo Banco Central entre instituições financeiras, a previsão para a inflação (medida pelo IPCA) em 2014 saltou para 6,47% (fonte). O governo só está esperando o fim das eleições para liberar os preços controlados. Não vão fazer isto agora para não perder votos. Terão que fazer depois das eleições para não quebrar as empresas do setor elétrico e a Petrobras que operam com prejuízo. Isto significa que a inflação pode aumentar ainda mais se o Banco Central não agir fortemente. Quanto mais a inflação sobe, mais o Banco Central precisa aumentar a taxa e juros. Isto é péssimo para quem pretende fazer empréstimos ou financiamentos e ótimo para quem pretende investir em renda fixa como títulos públicos do Tesouro Direto. De qual lado você está?

3) Racionamento de água e energia: Com a possibilidade de racionamento, o PIB (todas as riquezas que o Brasil produz em 1 ano) em 2014 pode ser menor que 1% e em 2015 o Brasil pode não crescer (fonte). Imagine o prejuízo das indústrias e comércios se forem obrigadas a economizar energia e água? Isto pode refletir no aumento das taxas de desemprego. Veja quantas cidades existem em cada estado do Brasil que estão com rodízio, com risco ou colapso no abastecimento de água. Estes dados são fevereiro. A situação atual é muito pior. A falta de água ainda pode elevar o preço da energia elétrica já que outras fontes de energia são mais caras. O aumento no preço da energia significa aumento no preço de vários produtos e mais inflação. Durante a Copa do Mundo o consumo de água e de energia deve aumentar tornando a situação ainda mais crítica.

4) Baixo Crescimento econômico é evidente: A Confederação Nacional da Indústria (CNI) baixou de 2,1% para 1,8% sua previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano (fonte). O FMI acredita que o PIB não deve passar de 1,8%. A previsão para o PIB mundial é de 3,6%. Os países emergentes devem crescer 4,9%. Juros mais elevados, inflação, risco de falta de água e de energia contribui para a queda na produção e possível desemprego.

Observe o histórico do PIB:

 

5) A Copa do Mundo vai ajudar a prejudicar ainda mais nossa economia: Só os feriados previstos para a Copa do Mundo vão gerar prejuízo de R$ 30 bilhões só no mês da Copa (fonte). Já o lucro da Fifa está garantido graças aos impostos que você paga. A Fita está isenta de impostos, mesmo isto sendo contra nossa constituição (fonte). A venda de direitos de TV, publicidade e produtos comerciais renderá ao órgão um total de US$ 3,8 bilhões (R$ 8.36 bilhões). É claro que este dinheiro vai sair do bolso da população que gosta de futebol. Além disso o BNDES emprestou bilhões de reais para construção de estádios e obras que só beneficiam a Fifa e os clubes de futebol utilizando dinheiro público (seu dinheiro). Isto significa que todos os brasileiros, mesmo aqueles que não gostam de futebol, serão obrigados a pagar para que os outros possam assistir e lucrar com a copa. O Brasil conseguiu fazer a copa do mundo mais cara da história, mesmo sendo um país onde falta dinheiro para tudo. Muito deste dinheiro será perdido em obras atrasadas, superfaturadas e que provavelmente serão esquecidas como muitas outras. O aumento dos gastos públicos sem que estes gerem retorno para a população prejudica a economia e eleva a inflação.

6) Bolha Imobiliária: As vendas de imóveis em todo Brasil já registra queda de 50% em São Paulo (fonte). Quem possui imóvel só consegue vender se baixar o preço. E o que uns chamam de descontos, eu chamo de desvalorização. Já existem muitos vendendo imóveis por preços 30% menores que o anunciado. Se você estiver preparado para negociar, consegue descontos até maiores dependendo do desejo de vender do proprietário do imóvel. Como você já deve saber, eu tenho diversos livros publicados sobre imóveis. Para quem possui imóvel para vender, a queda nos preços não é uma boa notícia. Já para quem estava esperando uma oportunidade para comprar imóveis, o dia das compras está se aproximando e muitas oportunidades boas vão surgir. O problema é que a desaceleração dos investimentos das construtoras pode gerar desemprego no futuro, e isto não é bom para a economia. Veja o preço das ações das principais construtoras do Brasil nos últimos anos. Elas não param de cair demonstrando que as empresas estão perdendo valor. Compare com a alta dos preços medidos pelo FipeZAP que é um índice que não é confiável, veja aqui. Alguma coisa estranha está acontecendo no mercado imobiliário que promete surpresas em 2015, 2016 e 2017.

 

7) Manifestações: Foi possível ver a insatisfação da população, principalmente dos jovens, com os políticos, com a corrupção na gestão do dinheiro público e a péssima prestação dos serviços públicos (problemas nas áreas de segurança, educação e saúde). Das 30 cidades mais violentas do mundo (que não estão em guerra declarada) 11 estão no Brasil (fonte). Segundo a ONU só o Brasil responde por 10% de todos os assassinatos do mundo sendo que nossa população representa 2,8% da população mundial (fonte). Isto além de revoltar a população, afastam investidores e afastam os turistas que viriam para a Copa gastar dinheiro no país. Só na cidade de Fortaleza, que sedia jogos da copa, 77% das reservas em hotéis já foram canceladas. Estes cancelamentos estão acontecendo em todas as capitais do Brasil. (fonte). O prejuízo com a copa é praticamente uma certeza. A possibilidade das ruas serem invadidas por mais manifestações pode gerar mais prejuízos para nossa economia e para nossa imagem lá fora. Tudo que está acontecendo no Brasil está se tornando notícia lá fora e isto pode prejudicar os futuros investimentos estrangeiros no país.

E agora? O que devo fazer?

A economia se comporta como as ondas do mar. Em determinados momentos a onda está no topo e a economia vai bem, as empresas crescem, a renda das pessoas cresce, muitas ofertas de emprego, muito dinheiro no bolso, muitos bancos e financeiras oferecendo dinheiro emprestado, muita gente acreditando que está mais rica. O problema é que isto não dura muito tempo. Logo a onda quebra e as crises acontecem. É um sistema cíclico que se repete de tempos em tempos.

A economia se comporta assim:

Toda crise é passageira e todo crescimento da economia é passageiro. Veja o comportamento da bolsa brasileira nas últimas décadas onde podemos ver as diversas quedas provocadas por diversas crises. Observe que sempre depois de uma alta lenta ocorre uma queda muito rápida. Crises políticas internas, crises econômicas externas e internas podem afetar nossa economia.

Também podemos comparar estas flutuações com as estações do ano. Até as formigas sabem que quando o tempo está bom e existe fartura, o melhor que elas podem fazer é trabalhar dobrado e poupar o máximo possível. É no verão e na primavera que as formigas trabalham mais fazendo estoques de alimentos. Elas sabem que a fartura é passageira e que logo terão que enfrentar o inverno e o outono de crise.

Quando a economia brasileira passou por um momento positivo nos últimos anos, o que o brasileiro fez?

  • Comprou carros mais caros aproveitando a ilusão do IPI reduzido e se endividou por até 5 anos;
  • Comprou imóveis mais e caros já que a parcela cabia no bolso, se endividando por até 35 anos;
  • Comprou a TV 3D mais cara, o tablet mais sofisticado, o smartphone mais chique, tudo parcelado em muitas vezes;
  • Comprou roupas importadas, bebidas importadas e frequentou restaurantes caros para por fotos no Facebook;
  • Foi fazer compras em Miami e brincar com os filhos Disney;
  • Gastou tudo que podia em cosméticos, tratamentos de beleza e cirurgias plásticas.

Foram poucos que investiram na própria educação. Foram poucos que investiram na própria carreira. Foram poucos que empreenderam abrindo um negócio. Foram poucos os que aproveitaram o crescimento econômico para acumular riquezas.

E agora que o verão acabou e a primavera começa a anunciar o inverno… onde estão as reservas que deveriam ter sido acumuladas no momento da fartura para garantir o seu conforto no inverno? Foi justamente quanto tudo estava mais caro, quando todos estavam comprando tudo por qualquer preço, que a maioria das pessoas gastou o que tinha e ainda gastou o que não tinha se comprometendo com dívidas enormes de médio e longo prazo.

Quem acumulou dívidas terá que pagar suas dívidas nos próximos anos enfrentando incertezas na economia e no emprego. Quem é empregado corre o risco de perder o emprego se a economia parar de crescer ou retrair nos próximos anos. Nos tempos de crise, os salários param de subir como antes. A inflação elevada deteriora o poder de compra do salário. E se for necessário assumir uma nova dívida, as taxas de juros estarão muito elevadas.

Já quem poupou e investiu quando a economia atravessou um momento bom, estará em vantagem. O dinheiro investido em renda fixa vai render cada vez mais caso o governo continue aumentando os juros. Isto vale para os títulos públicos pós-fixados, CDB pós-fixados, LCI, LCA, etc. Quem investiu em títulos como NTN-B terá proteção da inflação + um percentual em juros fixos. A renda passiva gerada por estes investimentos já pode ajudar na renda familiar no momento da crise. No caso de desemprego, a pessoa que poupou terá recursos garantidos até conseguir um novo emprego. Quem investiu na própria qualificação, agora tem o emprego mais garantido do que aqueles que deixaram isto para depois. Quem possui dinheiro guardado ganha juros, paga à vista, pede desconto e não precisa pagar juros para os bancos.

Agora eu recomendo que você assista esta fábula. Se você assistiu televisão quando era criança, provavelmente já viu este desenho. Ele transmite uma lição de educação financeira muito preciosa. Se você tem filhos, mostre este desenho para eles. Depois faça uma autorreflexão sobre a sua realidade e a sua vida nos últimos anos. Será que você está se comportando como a cigarra do desenho ou como a formiga? Você vai querer ser cigarra para o resto da vida?


É justamente com a chega do inverno, o período mais difícil, que as formigas descansam, fazem festas, comem e brincam. Já a cigarra se divertiu no momento errado e agora sofre as consequências da falta de planejamento. Será que você não anda levando a vida na brincadeira no momento errado e deixando de brincar e se divertir no momento certo? Será que a sua vida esta planejada para os ciclos positivos e negativos da economia?

A pergunta não é se o Brasil vai entrar um período de dificuldades. A pergunta certa é quando isto vai acontecer? Como a economia se comporta em ciclos de crescimento e queda não existe um crescimento eterno e muito menos uma queda eterna. O que existe é a certeza de que devemos nos preparar na abundância para depois poder curtir bons momentos na escassez.

E com as economias cada vez mais globalizadas o número de crises econômicas deve aumentar nas próximas décadas. Qualquer problema externo poderá afetar a economia de todos os países do mundo.

Neste momento o Banco Central está aumentando as taxas de juros no país e isto oferece uma grande oportunidade para quem pretende investir dinheiro em renda fixa. Durante as crises econômicas você deve se tornar mais conservador. Deve gastar menos, deve se endividar menos para poder poupar mais e aproveitar as taxas de juros elevadas.

Sempre é possível mudar sua visão sobre o dinheiro, sobre o trabalho e sobre o investimento financeiro. Existem ótimos livros e cursos disponíveis esperando um ato de comprometimento da sua parte. Não espere nada dos Bancos, Empresas e Governos já que eles querem que você se comporte como a cigarra da fábula. As empresas querem que você gaste tudo que tem hoje. Os bancos querem que você pegue dinheiro emprestado gastando sua renda futura. O governo arrecada mais impostos quando você gasta e se endivida.

E para se educar financeiramente você precisa de um ato de comprometimento. E este comprometimento significa assumir que a educação financeira é importante e que você precisa aprender mais agora. Não pode deixar para amanhã.  O tempo perdido conspira contra você. É muito importante estar preparado para aproveitar as oportunidades e evitar os riscos que os cenários econômicos oferecem. Conheça os livros de educação financeira que recomendo.

 

Leitura recomendada: lista de livros sobre investimentos.

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