Entenda o funcionamento da Política Monetária executada pelo Banco Central e como ela interfere na sua vida e no seu dinheiro, muitas vezes, sem que você perceba.

Política Monetária é o que o Banco Central faz para interferir na quantidade de dinheiro em circulação e nas taxas de juros praticadas na economia. Existe um comitê, dentro do Banco Central, especialmente criado para tomar decisões sobre as taxa básica de juros que é chamada de Selic. Este comitê se reúne a cada 45 dias e é conhecido pelo nome: COPOM, que significa Comitê de Política Monetária. Entenda como ele funciona.

O Banco Central é responsável pela execução da Política Monetária que tem suas normas e diretrizes definidas pelo pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) que é o órgão máximo do sistema financeiro. Para saber onde você está dentro do sistema financeiro veja este mapa.

O que acontece quando os juros sobem:

Quando o Banco Central inicia um ciclo de alta de juros, podemos dizer que ele está adotando uma Política Monetária Contracionista. O objetivo desta política é controlar o aumento da inflação e controlar o crescimento da economia. Existe uma meta de inflação e uma meta de crescimento. A inflação e o crescimento econômico (PIB) não podem caminhar nem abaixo e nem acima de suas metas pois isto produz diversas consequências negativas para a economia. O objetivo é manter inflação e crescimento equilibrados.

Efeito dominó:

Quando o Banco Central inicia um ciclo de alta de juros (Taxa Selic) ele acaba produzindo um efeito dominó, que de forma simplificada, segue uma sequência de acontecimentos como mostrei logo abaixo. Estes eventos são relativamente previsíveis. Por este motivo é muito importante, para empresários e investidores, saber se a economia está em um ciclo de alta (Política Monetária Contracionista) ou de baixa dos juros (Política Monetária Expansionista).

É fácil perceber que não existe interesse do governo e nem de alguns agentes do mercado financeiro que o cidadão comum entenda o funcionamento destes ciclos e suas consequências no dia-a-dia. Se isto acontecesse é provável que as pessoas tentassem votar de forma mais racional e consciente e isto seria um perigo para quem precisa se manter no poder mentindo sobre a nossa situação econômica.

A ordem dos acontecimentos:

Alta dos juros  menos liquidez  menos consumo  menos PIB  menos inflação Queda dos Juros

 

Juros sobem (↑) para a inflação diminuir (↓): O juro elevado retira muito dinheiro que estava circulando na economia. Quem tem dinheiro poupa mais e quem não tem pede menos dinheiro emprestado. O dinheiro que estava circulando na economia fica parado dentro do sistema financeiro. Juros elevados produzem prestações elevadas e desestimulam financiamentos, empréstimos e com isto menos pessoas querem ou podem comprar.

Com menos dinheiro disponível na economia, a demanda por produtos e serviços começam a cair. Quando a demanda está elevada as empresas aumentar seus lucros produzindo mais ou aumentando preços. A forma mais fácil e rápida de aproveitar o aumento da demanda é aumentando os preços. Só quando os empresários confiam na economia e no governo é que optam por aumentar a produção, já que isto exige investimentos de longo prazo através de empréstimos ou de investimento de recursos próprios. Estas duas coisas são desestimuladas quando os juros estão elevados.

Juros elevados também oferecem um prêmio maior para quem opta por poupar e investir o dinheiro em ativos financeiros. O consumidor começa a achar mais vantajoso guardar dinheiro (ganhando juros) e deixar para comprar no futuro. O empresário começa a achar mais vantajoso lucrar no mercado financeiro do que no setor produtivo.

Com menos gente querendo e podendo comprar, os produtos e serviços começam a encalhar e as empresas não conseguem mais manter o ritmo de alta dos preços.

Juros subindo (↑) força a queda (↓) da Balança Comercial: Juros elevados atraem investidores internacionais que estão sempre buscando rentabilidades maiores. Ao entrar com seus dólares no Brasil, estes investidores precisam comprar reais para poderem investir. A oferta de dólares no mercado começa a crescer fazendo o dólar perder valor frente ao real. O dólar barato beneficia os importadores já que os produtos importados ficam mais baratos e são mais demandados. Para os exportadores o efeito é o contrário. Com o dólar desvalorizado eles precisam cobrar mais dólares pelos produtos que exportam e isso acaba afastando quem compra produtos brasileiros lá fora. Tudo isso faz o saldo da nossa balança comercial diminuir. Com a concorrência dos importados (dólar mais barato) e com exportadores preferindo vender o que produzem dentro do Brasil (devido ao real mais valorizado) a oferta de produtos tende a aumentar e isto dificulta o aumento de preços.

Juros subindo (↑) força o aumento (↑) da Dívida Pública:  Os impostos, que eles tiram do nosso bolso, são insuficientes para pagar as despesas e as dívidas do Governo. Para fechar esta conta eles precisam vender títulos públicos. Quanto maior os juros oferecidos a quem compra títulos públicos, maior será o tamanho da dívida que o governo estará assumindo no futuro. Isto significa que aumentar juros prejudica as contas públicas. Para enfrentar estas dificuldades o Governo pode decidir cortar despesas, reduzir investimentos e até aumentar os impostos, como deve acontecer em breve.

O orçamento de 2014 previa 42% para pagamento dos juros e amortizações da dívida pública. Compare com a fatia do bolo que é direcionada para a educação e outras áreas igualmente importantes. Todo esse dinheiro, de uma forma ou de outra, sai do seu bolso. Provavelmente os 30 milhões que faltaram e os que votaram em branco nas últimas eleições, não sabem que o objetivo era escolher quem ficaria encarregado de cuidar do nosso dinheiro nos próximos 4 anos. A última notícia publicada sobre a situação das nossas contas públicas foi esta aqui e mostra que enfrentamos o pior resultado da série histórica. Isto não choca e nem assusta a população já que ela não entende o que isto significa.

Juros subindo (↑) força a queda (↓) do PIB: O PIB mede a riqueza que as empresas produzem todo ano. A quantidade de riquezas que produzimos tende a cair, quando os juros estão subindo, por três motivos: 1) juros altos reduzem o consumo; 2) Os investimentos produtivos diminuem, já que o crédito e o custo de oportunidade ficam mais elevados; 3) Os efeitos no câmbio e na balança comercial também afetam o PIB. A economia desaquecida aumenta o desemprego que por consequência afeta os índices de criminalidade, insatisfação da população, etc.

Conclusão: Política Econômica Contracionista é um tratamento que utiliza altas doses de juros, para combater a inflação elevada que prejudica a nossa economia. Este tratamento gera efeitos colaterais como queda na balança comercial, aumento da dívida pública, queda no PIB, entre outros. O período de juros elevados precisa ser curto e a dose precisa ser certeira e suficiente para baixar a inflação rapidamente para que os efeitos negativos dos juros elevados não provoquem danos difíceis de reverter.

Aula sobre Política Monetária

Além do controle dos juros existem outros instrumentos utilizados pelo Banco Central em sua Política Monetária como é o caso do Redesconto e o depósito Compulsório (exemplo). Veja esta aula muito fácil de entender:

Resumo para fixar o funcionamento da Política Monetária:

Como a hiperinflação foi controlada:

É muito importante que você entenda como foi difícil controlar a inflação durante o Plano Real e como este mecanismo de controle vinha funcionando bem até pouco tempo atrás. Isto permite que você entenda a importância de controlar a inflação na atualidade. Também permite entender a insatisfação de parte da sociedade, empresários e mercado financeiro diante das políticas econômicas dos últimos anos que nos fizeram atingir uma inflação acima do teto da meta no acumulado dos últimos 12 meses.

Como você pode ver a política e a economia andam de mãos dadas. A nossa economia é resultado das decisões dos políticos que elegemos. A educação financeira sem tratar de economia e política é uma educação torta.

Aprenda mais:

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