Existe o risco do país entrar novamente em recessão técnica e isso certamente pode impactar os resultados dos seus investimentos. Um dos instrumentos utilizados para “aquecer” a economia é a redução da taxa Selic. Essa taxa influencia a rentabilidade de praticamente todos os investimentos de renda fixa e impacta os investimentos de renda variável.

A economia entra em recessão técnica quando o PIB é negativo por dois trimestres seguidos. O PIB é o Produto Interno Bruto e sinaliza se o país produziu mais ou menos riquezas no período.

No gráfico temos uma relação das recessões e recessões técnicas nos últimos 20 anos. Cada barra representa uma variação percentual do PIB no trimestre. Quando ela é negativa por dois trimestres seguidos temos a recessão técnica que funciona como uma espécie de “alerta”. O primeiro trimestre de 2019 foi negativo e a atividade econômica para o segundo esta fraca.

A última ata do COPOM, divulgada no dia 25/06/2019, possui a manutenção do comentário do Banco Central sobre a interrupção do processo de recuperação da economia. O texto diz:

“Indicadores recentes da atividade econômica indicam interrupção do processo de recuperação da economia brasileira nos últimos trimestres. O cenário do Copom contempla retomada desse processo adiante, de maneira gradual” Ata 223 do COPOM.

Na mesma ata o Banco Central parece sinalizar a possibilidade de reduzir a Taxa Selic ainda em 2019 quando diz:

Os cenários com taxas de juros constantes (6,5% ao ano) produzem inflação um pouco abaixo da meta para 2020, enquanto os cenários com trajetória de juros extraída da pesquisa Focus (5,75%), que embutem provisão de estímulos monetários adicionais, produzem inflação em torno da meta.

Devemos lembrar que o Banco Central tem como principal objetivo manter a inflação próxima do centro da meta. É possível verificar se a inflação está próxima da meta através desse gráfico aqui que é elaborado pelo próprio BC.

Leia também:  Não pergunte onde investir para um Educador Financeiro

A linha preta contínua é o centro da meta da inflação que será de 4% em 2020. Essa meta vem caindo nos últimos anos. A linha azul é a inflação que foi registrada até aqui através do IPCA e a linha vermelha é a inflação projetada pela pesquisa do Boletim Focus. Essa pesquisa semanal envolve a opinião de mais d 100 economistas de diversos bancos e instituições financeiras. Para atingir esse resultado de inflação próxima da meta de 4%, o Banco Central deu pistas que poderá reduzir os juros considerando uma taxa menor como a do Boletim Focus que é de 5,75% até o final de 2019.

O gráfico acima foi retirado do Boletim Focus (fonte). Ele mostra o que o mercado espera dos juros (Taxa Selic) nos próximos anos.

Observe que temos uma queda na expectativa de qual será a Taxa Selic no final de 2019 (linha azul), final de 2020 (linha marrom), final de 2021 (linha amarela) e final de 2022 (linha preta). Vale lembrar que essas expectativas mudam a cada Boletim Focus publicado no início de cada semana. O mercado acredita que os juros voltariam a subir até o final de 2020.

O fato é que o Banco Central parece já ter preparado o mercado para a queda dos juros ainda em 2019 diante do PIB negativo no primeiro trimestre e um segundo de PIB fraco.

A próxima reunião do COPOM para decidir sobre a próxima taxa de juros será em 31 de julho. As demais serão em 18 de setembro, 30 de outubro e 11 de dezembro (fonte).

Outro indicador que podemos utilizar para observar se a atividade econômica cresce ou diminui é o IBC-Br ou Índice de Atividade Econômica do Banco Central. Queda na atividade nos próximos meses sinaliza maior probabilidade de queda nos juros até o fim de 2019.

Leia também:  Onde investir dinheiro e qual o melhor investimento

Esse indicador é calculado pelo próprio Banco Central como uma tentativa de antecipar o Produto Interno Bruto (PIB) do país. É justamente o IBC-Br que influencia os técnicos do Banco Central no momento de definir a meta da taxa básica de juros da economia, a Taxa Selic. Podemos observar no gráfico acima (fonte) que o IBC-Br está negativo nos últimos 4 meses.

Uma queda na taxa Selic vai reduzir a rentabilidade da poupança, títulos públicos como Tesouro Selic, investimentos que rendem um percentual do CDI como CDB, LCI e LCA pós-fixados e os resultados de fundos que investem nesses títulos.

Vale lembrar que os títulos pré-fixados e indexados pelo IPCA, como o Tesouro Prefixado e o Tesouro IPCA costumam antecipar a queda da taxa Selic, ou seja, basta a expectativa de queda nos juros para que as taxas desses títulos comecem a cair. Foi o que aconteceu com a forte queda nas taxas desses títulos desde o início de junho. Também teve peso a percepção do mercado de que as reformas serão aprovadas, permitindo essa queda dos juros no futuro.

Juros menores aumenta o desafio do pequeno investidor na tarefa de fazer o seu dinheiro render mensalmente para atingir seus objetivos no futuro.

Leitura recomendada: lista de livros sobre investimentos.