Tipos de investimentos que existem


Você sabe quais são todos os tipos de investimentos que existem? Quais desses investimentos você conhece e quais você está realizando neste momento?

Em 2019 o Brasil ultrapassou a marca de 1 milhão de investidores no Tesouro Direto (títulos públicos) e 1 milhão de investidores cadastrados na Bolsa para a compra e venda de ações. Se você faz parte desse pequeno grupo de brasileiros, você representa uma minoria. Se temos 209 milhões de habitantes, esse número de investidores na Bolsa ou no Tesouro Direto representa menos de meio por cento da população ou 0,47% dos brasileiros. Dependendo do tipo de investimento que você realiza, você ainda pode ser a minoria dessa minoria.

Uma pesquisa da B3 (fonte) mostrou que os investidores brasileiros ainda preferem a poupança e o principal motivo apontado pela pesquisa foi “Pouco conhecimento sobre outros produtos financeiros“.  Depois temos outros motivos como: sensação de segurança, facilidade de transferir dinheiro para a poupança e vice-versa, confiança no banco onde se a poupança, sensação de que o dinheiro não desvaloriza estando na poupança e a facilidade de sacar o dinheiro da poupança.

Vamos entender o resultado da pesquisa logo abaixo. O número com fundo preto representa o percentual de participantes que possui esse investimento e o outro número representa o percentual de participantes que conhece o investimento. Se você estranhar a presença de Seguro de Vida e Consórcio no resultado da pesquisa, parabéns, pois a bagunça na cabeça do pequeno investidor brasileiro apareceu no resultado da pesquisa.

Na primeira linha você deve ler que 87% dos entrevistados conhecem a poupança e 64% investem na poupança.

Faça um exercício. Verifique quantos desses investimentos você conhece e quantos você possui. Reflita sobre os motivos que fazem você investir ou não investir em cada um deles.

Eu não sei se no questionário da pesquisa realizada pela B3 existiam as opções “Consórcio” e “Seguro de Vida” como se esses dois produtos fossem um tipo de investimento. Eu quero acreditar que a pergunta do questionário era aberta e foram as pessoas que espontaneamente citaram esses dois produtos como investimentos de forma equivocada. Isso demonstra a grande ignorância financeira que atinge a população.

Seguros não são investimentos. Um seguro é uma forma de pagar alguém para assumir um risco que é seu. Exemplo: você quer ter um carro caro, mas não quer assumir o enorme prejuízo caso ele seja roubado ou sofra um acidente. Você paga a seguradora para que ela assuma o risco.

No caso do seguro de vida: vamos imaginar que você é responsável pela principal fonte de renda da sua família. Você não tem reservas para uma emergência. Sua família ficará desamparada no caso da sua morte. Você pode pagar uma seguradora para que ela assuma o risco e remunere a sua família no caso da sua morte.

Talvez o seguro possa ser usado para proteger um investimento. Exemplo: tratamentos médicos, cirurgias e outros procedimentos são muito caros no Brasil. Não temos um bom sistema de saúde pública. Um plano de saúde funciona como um seguro que pode proteger seu patrimônio em caso de doenças que necessitem de internações e cirurgias caras.

Consórcios também não são investimentos. Quem sabe poupar e investir o próprio dinheiro não precisa de consórcio. O consórcio é uma invenção brasileira da década de 60 que nunca fez sucesso em outros países. O sucesso no Brasil talvez se deva muito a falta de educação financeira da população. Existem pessoas que possuem mais disciplina para pagar prestações (boletos) do que poupar e investir o próprio dinheiro com regularidade.

Lista dos investimentos

Vou listar todos os principais investimentos que existem. Para facilitar seus estudos, adicionei links para artigos e livros que já escrevi sobre esses investimentos.

Renda Fixa

Em todas as modalidades de renda fixa você emprestará o seu dinheiro em troca de juros. Existem investimentos onde você empresta o seu dinheiro para o governo (títulos públicos), empresas (debêntures, CRI e CRA), banco e financeiras (todos os outros).

Renda variável

Nos investimentos de renda variável você adquire um título de propriedade (como as ações de uma empresta listada na Bolsa) ou um ativo que poderá ser vendido no futuro por um preço maior, gerando ganho de capital. Alguns desses investimentos podem gerar o direito a receber lucros em dinheiro como ações e fundos imobiliários.

Fundos e COE

Nos investimentos em fundos você compra cotas de um fundo. Esse fundo é administrado por um gestor que fica responsável por investir o dinheiro de todos os cotistas nos investimentos de renda fixa e renda variável que citamos anteriormente.

Investimentos fora do sistema financeiro

Aqui temos investimentos realizados fora do sistema financeiro como a abertura de um negócio próprio, investimentos em imóveis para revenda ou aluguel e aquisição de objetos valiosos como obras de arte, antiguidade, joias, moedas raras etc.

Investimento dentro de você que geram renda

Esse tipo de investimento dificilmente é lembrado como sendo um importante investimento. É da venda daquilo que você sabe fazer com o seu tempo que provém a riqueza que será investida em todos os outros tipos de investimento. Aqui temos investimentos de dinheiro e tempo para a aquisição de conhecimentos e habilidades que vão produzir retorno por toda vida.

O investimento em novos conhecimentos e habilidades profissionais permitem valorizar a sua hora trabalhada. O investimento em conhecimentos que desenvolva seus valores e qualidades pessoais melhoram o seu desempenho em todas as áreas da vida. Exemplos: desenvolvimento de paciência, persistência, força de vontade, empatia, ética, cordialidade, comunicação etc.

A formação profissional faz você ganhar dinheiro. O seu desenvolvimento pessoal potencializa o seu sucesso profissional. O conhecimento sobre investimentos faz o dinheiro que você já ganhou trabalhar por você, criando fontes de renda passiva que liberam o seu tempo (que é seu bem mais precioso).

É desse tempo que precisamos para investir no nosso bem-estar. Uma vida profissional e financeira bem administrada e equilibrada permite que você tenha uma vida agradável, sem estresse, sem correria, com recursos financeiros e tempo para cuidar dos seus relacionamentos e cuidar de você mesmo, buscando bem-estar físico, mental e espiritual.

Já o desequilíbrio na área profissional e financeira impacta negativamente todas as outras áreas da vida. Por isso o investimento dentro de você é o principal investimento a ser feito, pois os demais serão consequências.

É muito comum as pessoas serem muito competentes para ganhar dinheiro e gastar dinheiro, mas pouco competentes para investir esse dinheiro que já foi ganho. Essa é a base da independência financeira (leia artigos que já escrevi sobre o tema).

Leitura recomendada: lista de livros sobre investimentos.

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Sobre o Autor:

Leandro Ávila é educador financeiro formado em administração de empresas e especializado em investimentos. Por acreditar que a educação financeira pode transformar vidas, criou o Clube dos Poupadores para compartilhar seus artigos e livros sobre Independência FinanceiraInvestimentos em Ações por Análise Fundamentalistapor Análise Técnica, Investimentos em Títulos PúblicosInvestimentos em CDB, LCI e LCA, e em Imóveis.
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Sergio Rodrigues
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Sergio Rodrigues

Leandro. Pela minha formação profissional e pessoal sou uma pessoa que procura ler de tudo um pouco. Economia e Finanças, no entanto, é um assunto que muito me atrai. Já li vários artigos de educação financeira, finanças em geral, projeções econômicas, etc. Mas não vi ninguém, até o momento, colocar um tópico que considero importantissimo e que você menciona acima acerca de “investimento dentro de você que geram renda”.Mais uma vez, excelente artigo. Abraço.

Tiago
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Tiago

Nesse caso, eles estão tirando a parte deles ao não repassar a taxa do Tesouro Selic (que atualmente é de 0,02% para o título de 2025)? Você sabe me dizer os riscos desse investimento? Como a conta não é de fato uma poupança (sem cobertura do FGC) e a aplicação não é feita diretamente no Tesouro Direto (#### funciona como intermediário), existe risco de perda do dinheiro no caso de quebra do #####?

MCintra
Visitante
MCintra

Mais um artigo pra fazermos mudar nossa mente! Muito, muito obrigado!

Filipe Mônego
Visitante
Filipe Mônego

Artigo Fantástico, Parabéns Leandro!

George Douglas
Visitante
George Douglas

Olá Leandro.Artigo excelente.Organizou completamente a forma que estudarei cada investimento.
Gostaria de compartilhar que acompanho o clube a mais de 2 anos e comecei a empreender.Me tornei fornecedor da atual empresa que trabalho e espero trilhar uma escalada financeira e pessoal.
Agradeço por toda a sua dedicação e se me permite me perguntar, há bons cursos/livros de gestão ?Essa é a parte que mais pesa nesse início.
Um grande Abraço!

Júlio César Campos
Visitante
Júlio César Campos

Incrível como há pessoas que realmente acreditam que o consórcio é uma “poupança forçada”. O consórcio inclusive chega a ser oferecido com essa “vantagem”.

Muitas contas digitais oferecem a emissão do boleto como forma de transferir recursos. Basta a pessoa emitir um boleto em seu nome e pagar em um conta destinada a investimento e pronto – sem necessidade de consórcio.

Quanto aos demais investimentos, é preciso estar atento ao cálculo do rendimento efetivo, liquidez e regras para incidência e isenção de IR.

Sugiro artigo sobre renda passiva fora do sistema financeiro.

Parabéns!

nicole
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nicole

Leandro fala sobre o empreendedorismo no Marketing Digital e como sobreviver nessa área.

Douglas
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Douglas

Caramba, Leandro. Muito obrigado, novamente. Você fala aquele tipo de coisa óbvia, mas que a maioria das pessoas não sabe ou não percebe. Admiro muito o seu trabalho e a sua vontade de tirar a venda dos olhos das pessoas.
Uma dúvida: A metodologia de análise de empresas apresentada no seu livro sobre análise fundamentalista também tem aplicação na análise de debêntures, ou é apenas para ações?

Breno
Visitante
Breno

Leandro!
Já domino relativamente bem a renda fixa, e agora pretendo estudar a renda variável.
Devido ao cenário instável do nosso país, considero a possibilidade de investir em outros países, quando eu me sentir seguro. Gostaria de saber se o conteúdo do seu livro de análise fundamentalista pode ser utilizado para nortear estratégias de value investing nos mercados financeiros de outros países, ou se é estritamente focado na situação/legislação/padrão do Brasil. Sei que terei que ver questões como corretoras, documentos etc, mas gostaria de saber se a teoria geral é abrangente nesse sentido.

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