Neste artigo vou ensinar como escolher a melhor corretora para investir no Tesouro Direto. Ao invés de indicar uma ou outra corretora resolvi mostrar o que você deve avaliar para fazer uma boa escolha. Antes, leia os artigos onde ensino como investir no Tesouro Direto.

Como você já deve saber, para comprar e vender títulos públicos como Tesouro Prefixado (LTN), Tesouro Selic (LFT) e Tesouro IPCA+ (NTN-B) você precisa, obrigatoriamente, de um intermediário que é chamado de agente de custódia. Este agente pode ser a corretora do banco onde você possui conta corrente ou pode ser uma corretora independente. Estas corretoras são as mesmas que as pessoas utilizam para investir na bolsa de valores.

Características de uma boa corretora

Taxa administrativa baixa: Quanto menor a taxa cobrada pela corretora para ser seu agente de custódia, maior será a sua rentabilidade. Se você vai investir R$ 10.000,00 em títulos públicos e a corretora do seu banco cobrar 0,50% ao ano e uma corretora independente cobrar 0,10% isto significa que você pagará R$ 50,00 ou R$ 10,00 anuais de taxa. Para um investimento de R$ 100.000,00 a diferença é de R$ 500,00 ou R$ 100,00 por ano. Se a taxa é elevada, você deve exigir uma qualidade maior no atendimento e serviços que serão oferecidos. Se você perceber que não existe diferença entre os serviços, não faz nenhum sentido pagar mais caro. Você deve avaliar a relação entre o custo e o benefício oferecido pelas corretoras.

Canais de atendimento: Existem corretoras que oferecem atendimento por telefone, e-mail e chat (bate-papo pela internet). Algumas atendem você de forma robotizada, outras atendem de forma humanizada. Umas contratam profissionais mais qualificados para o atendimento, outras não. Antes de escolher uma corretora é importante testar os meios de contato ligando, enviando e-mail e conversando pelo chat para tirar suas dúvidas. Se você não possui dúvidas, simule dúvidas e verifique a qualidade do atendimento. Não custa nada fazer este teste.

Qualidade do site: Uma boa corretora se preocupa com a qualidade do site. É importante um site com conteúdo atualizado, informações sobre os custos, área de perguntas e respostas e ajuda para os clientes. Algumas corretoras oferecem vídeo-aulas, palestras online, apostilas, material didático e ferramentas online que ajudam o investidor. Existem corretoras que investem em um ambiente de compra e venda de títulos mais fácil e intuitivo de utilizar. Navegue pelo site da corretora e avalie a qualidade do que ela oferece.

Ranking das corretoras com menor taxa:

No site do Tesouro Direto existem uma lista com todas as corretoras habilitadas. A lista é exibida por valor de taxa. As primeiras da lista possuem as menores taxas, que no caso seria taxa zero (0,00%). Minha opinião pessoal sobre as corretoras que não cobram taxa é que utilizam isto como estratégia de marketing. É uma forma de divulgar a corretora e conseguir mais clientes que, futuramente, podem se interessar por outros produtos da corretora.

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Existem muitos casos de corretoras que não cobravam taxa e depois de alguns anos, após conseguirem muitos clientes, passaram a cobrar taxa. Existem casos de corretoras que quando aumentam sua carteira de cliente são vendidas para corretoras maiores. Recentemente, uma das corretoras que não cobravam nenhuma taxa apareceu envolvida em casos de fraude, veja aqui, e foi fechada pelo Banco Central.

Certa vez o gerente de uma corretora deu uma entrevista (veja aqui) onde disse: “Incentivamos o Tesouro pois a partir do momento que o cliente se cadastra, ele passa a ter uma conta na corretora e recebe os nossos relatórios. Aos poucos, percebe que a renda variável pode valer a pena.” Quando a entrevista foi dada esta corretora não cobrada nenhuma taxa, hoje cobra 0,10%.

Corretoras com menores taxas
 

No site da BM&FBOVESPA você também pode ver o ranking com a vantagem de saber a data em que os dados foram atualizados pelas corretoras. Visite a lista aqui.

É agente integrado?

Na mesma tabela de “corretoras com as menores taxas” que apresentei acima existe uma informação importante que aparece na coluna “É Agente Integrado?”. Quando a resposta é “sim” significa que a corretora oferece uma facilidade, na qual o investidor pode efetuar compras e vendas de títulos do Tesouro Direto no site da corretora.

A vantagem disto é que as corretoras e bancos integrados permitem que você compre e venda os títulos no próprio site da instituição, sem precisar entrar na página do Tesouro Direto. Quando a corretora não é um agente integrado, a compra e a venda dos títulos é feita diretamente no site do Tesouro Direto. Depois que o site do Tesouro foi reformulado, a compra e venda de títulos na página do Tesouro ficou bem mais simples e fácil. Escrevi um artigo que ensina todos os passos para comprar o seu primeiro título.

Veja uma foto de como é o ambiente de compra e venda de títulos dentro do Tesouro Direto:

Logo abaixo você pode ver o ambiente de compra e venda de títulos do Banco do Brasil que é um agente integrado, ou seja, você faz tudo dentro do próprio site do banco sem precisar entrar na página acima do Tesouro Direto. No momento em que este artigo foi escrito o Banco do Brasil cobrava 0,50%. É uma taxa considerada cara. Todos os grandes bancos que conheço oferecem ambiente integrado e taxas muito caras.

A corretora XP investimentos oferece um software chamado XPPRO que você instala no seu computador. Neste software você pode comprar e vender títulos além de fazer outros investimentos oferecidos pela corretora. Ela cobra uma taxa de 0,10% ao ano. Várias corretoras estão integradas e oferecem sites com ambiente seguro para compra e vende de título ou oferecem softwares do tipo home broker, como é o caso da XP. Atualmente usar o ambiente do Tesouro Direto ou o ambiente da Corretora/Banco é uma questão de gosto.

Leia também:  Especulando com Tesouro Prefixado

Abrir conta em corretora

Observando as taxas cobradas pelas corretoras de grandes bancos (Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa, HSBC, etc) você perceberá que eles cobram taxas muito altas quando comparamos com as corretoras independentes (que não pertencem a bancos) ou corretoras de bancos menores. Isto é normal já que estes grandes bancos não possuem nenhum interesse em estimular o investimento em títulos do Tesouro Direto.

Eles lucram mais oferecendo fundos de investimento que usam seu dinheiro para investir em títulos públicos. Eles sabem que se oferecerem taxas menores, muitos clientes vão migrar seus investimentos para o Tesouro Direto. Ainda tem muita gente que não gosta da ideia de abrir contas em corretoras e os grandes bancos sabem disso.

Tente perguntar para o gerente da sua conta em um grande banco, qual é o melhor investimento para seu dinheiro. É improvável que ele indique o Tesouro Direto como uma das opções. Se você fizer perguntas sobre títulos públicos ele terá dificuldade para responder. É provável que ele te estimule a investir em fundos DI, fundos RF, previdência privada (Leia: Investir em Previdência Privada ou investir por conta própria?) e até em títulos de capitalização. O gerente do seu banco precisa cumprir metas e estas metas estimulam a venda de produtos que geram mais lucro para o banco.

Para abrir uma conta em corretora não existe muita burocracia, afinal de contas eles não vão te emprestar dinheiro, não te fornecerão talões de cheque e cartão de crédito, como fazem os bancos. A sua conta corrente na corretora só serve para depositar o dinheiro que logo em seguida você utilizará para investir em títulos ou em qualquer outro investimento oferecido pela corretora.

Verifique as taxas e custos:

No site de todas as corretoras é obrigatório existir uma tabela com os custos dos serviços que eles oferecem. Um custo que você deve observar é quanto a corretora irá te cobrar para transferir o dinheiro da sua conta na corretora para a conta que você possui no seu banco. Normalmente a transferência é feita por um TED ou DOC bancário e existem corretoras que cobram R$ 8,90, outras cobras R$ 10,00. Não adianta utilizar uma corretora que não cobra taxa para investimentos no Tesouro mas que cobra taxas abusivas para fazer um DOC ou um TED.

Você também deve prestar atenção na taxa que o seu banco cobra para fazer TED e DOC. Já existem bancos que oferecem contas com custos menores, alguns oferecem até um número limitado de TED´s e DOC´s por mês sem custos.  Leia o artigo que escrevi sobre contas com DOC e TED gratuitos.

Se toda vez que você investir R$ 1000,00 tiver que pagar R$ 10,00 para transferir o dinheiro da sua conta para a conta da corretora, já perderá 1% do seu dinheiro antes mesmo de investir. E ao transferir R$ 1000,00 de volta para sua conta corrente, se a corretora te cobrar mais 10,00 você perderá outros 1%. Se você pretende investir valores pequenos como R$ 100,00 por mês estes custos de transferência de dinheiro podem até tornar o investimento desvantajoso.

No caso dos bancos que possuem suas próprias corretoras não existem estas taxas de transferência de dinheiro de uma conta para a outra. O problema é que os grandes bancos cobram uma taxa anual maior. É o caso do Banco do Brasil que cobra 0,50%. Você deve levar tudo isto em consideração. Para um investimento de R$ 1.600,00 a taxa de 0,5% ao ano será de 8 reais por ano. Se você abrir a conta em uma corretora com taxa zero, mas que você terá custo de DOC bancário de R$ 8,00 o custo de investir pelo banco ou pela corretora será igual, caso o dinheiro fique investido por apenas 1 ano.

O importante é que você tenha consciência destes custos para que leve em consideração antes de investir pequenos valores.

Existem corretoras que cobram uma mensalidade para manutenção da conta e existem corretoras que não cobram nada. Verifique se a corretora que você escolheu cobra algum valor fixo mensal.

Documentos e Preenchimento de formulário

A maioria das corretoras oferecem um formulário online onde você pode preencher seus dados para a abertura de conta. Após o preenchimento você precisa comprovar algumas informações. Isto é feito através dos documentos:

  • Copia do seu CPF, você pode emitir no site da Receita acessando aqui.
  • Cópia do documento de identificação, eles costumam aceitar RG, CNH, documentos emitidos por Conselhos Profissionais, RNE, e Passaporte com filiação.
  • Cópia de comprovante de endereço de emissão de até 3 meses (conta de luz, água, telefone, etc).

As corretoras também pedem para você assinar uma ficha cadastral. Você deve imprimir esta ficha que já estará preenchida com os dados fornecidos no formulário online. Eles também podem pedir para que você imprima e assine um termo de adesão e o contrato de intermediação. Algumas corretoras aceitam receber todos estes documentos por e-mail e neste caso basta digitalizar os mesmos utilizando um scanner e enviar os arquivos anexados.

Existem corretoras que exigem o envio das copias e documentos assinados pelos Correios. Muitas corretoras ligam para o número de telefone fornecido por você para confirmar alguma informação e verificar se o telefone existe mesmo.

Se a corretora falir?

As corretoras funcionam apenas como intermediadoras, na prática elas nem precisariam existir para o investimento em títulos públicos. Nos EUA as pessoas compram títulos públicos sem intermediários, infelizmente no Brasil as coisas são diferentes.

Os títulos públicos que você comprar aqui não ficam dentro das corretoras, eles são mantidos na BM&FBOVESPA através da CBLC (Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia) em uma conta onde os títulos ficam vinculado ao seu CPF. Inclusive você pagará por este serviço. Todos os investidores em títulos públicos pagam 0,30% ao ano por este serviço prestado pela CBLC. Vou falar sobre este custo mais na frente.

Leia também:  Riscos de investir em Títulos Públicos

Todas as corretoras são fiscalizadas pelo Banco Central, pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e suas atividades são monitoradas pela BSM que é um órgão de supervisão do mercado da BM&FBOVESPA. Mesmo assim, se a corretora quebrar os seus títulos estarão na CBLC, registrados em seu nome e você poderá entrar em contato com outra corretora para prestar o mesmo serviço.

Até se você não estiver satisfeito com a sua atual corretora poderá fazer a portabilidade dos títulos de uma corretora para a outra, veja como fazer aqui.

Mesmo assim, não é recomendável manter dinheiro parado na conta corrente que você terá na sua corretora. Todo dinheiro que entra na corretora deve ser investido. Você deve manter apenas algum dinheiro (menos de R$ 100,00) na conta da corretora para pagar alguma taxa cobrada por eles. Este dinheiro parado na conta corrente é que estaria em risco em caso de falência da corretora.

Eu pessoalmente não recomendo o uso de corretoras pequenas. Empresas pequenas, corretoras pequenas, bancos pequenos, quebram com mais facilidade. Os riscos são maiores e por isto eles tendem a cobrar taxas muito menores. É importante que você avalie se os riscos compensam as taxas menores.

Compra programada

Existem corretoras que permitem programar a compra de título públicos regularmente. Alguns investidores gostam de ativar este recurso para que os investimentos sejam feitos mensalmente sem exigir do investidor qualquer ação. Eu pessoalmente não gosto de investimentos programados. Acredito que antes de investir nos títulos você deve parar por alguns minutos e verificar qual título seria vantajoso investir naquele mês.

Cobrança das taxas

Quem investe em Tesouro Direto paga duas taxas. Uma é a taxa de custódia cobrada pela BM&FBOVESPA. A outra taxa é cobrada pela corretora que você escolher. Vamos entender agora como isto é cobrado.

Taxa de Custódia cobrada pela BM&FBOVESPA.

A taxa cobrada pela BM&FBOVESPA é igual para todos os investidores. Ela é chamada de Taxa de custódia e custa 0,30% ao ano sobre o valor dos títulos que você possui. Como já falamos, as corretoras funcionam como intermediárias, são apenas agentes de custódia. Quem faz a custódia dos seus títulos (guarda, protege, movimenta e fornece informações) é a BM&FBOVESPA através do seu departamento chamado CBLC.

A taxa é calculada diariamente sobre o saldo de cada um dos títulos que você possui. E quando esta taxa ultrapassa os R$ 10,00 (somando todos os títulos que você possui), ela é cobrada no primeiro dia útil de janeiro ou de julho. Mas observe que se você vender o título antecipadamente, se o título vencer ou ocorrer pagamento de pagamento de juros, o que for devido em razão da taxa será descontado antes do dinheiro ser creditado na sua conta. E nesta situação não importa o valor da taxa devida, ela não precisa ter ultrapassado R$ 10,00.

Taxa cobrada pela Corretora ou Banco.

A taxa cobrada pela corretora ou banco são anuais. Ela é cobrada quando você faz a compra dos títulos e será sobre o valor da transação, ou seja, vão cobrar o percentual sobre o preço de cada títulos vezes a quantidade de títulos que você comprou. Isto significa que a cobrança da taxa é antecipada e vale por um ano ou mais precisamente por D+2+365 dias (onde D é o dia da compra).

Se você vender o título antes de completar um ano da sua aquisição, essa taxa anual, ou parte dela não será devolvida. Caso o título adquirido tenha prazo de vencimento inferior a um ano, a taxa cobrada no momento da compra é proporcional ao prazo do título. A taxa para os demais anos de aplicação será acumulada diariamente e, por isso, são proporcionais ao período em que você mantiver os títulos em carteira. E neste caso a taxa passará a ser cobrada semestralmente, no primeiro dia útil de janeiro ou de julho, quando o valor das taxas de toda a carteira ultrapassar R$ 10,00, ou, por título, na ocorrência de um evento de algum evento como pagamento de juros, vencimento do título ou na venda antecipada, o que ocorrer primeiro. O banco ou corretora onde você comprar os títulos deve fornecer informações online sobre todos os recolhimentos de taxas.

Imposto de Renda

Mesmo emprestando dinheiro para o governo através da compra de títulos públicos você terá que pagar IR (imposto de renda) sobre os rendimentos que tiver. Inclusive é com este imposto e com todos os impostos federais que o governo consegue dinheiro para pagar os juros dos investidores.

O ideal seria investir em títulos públicos, somente aquele dinheiro que você só pretende utilizar depois de 2 anos. Nesta situação você pagará o valor mínimo de imposto de renda sobre o rendimento que é de 15%.

Como você pode ver no gráfico abaixo. Se você investir e vender seus títulos nos primeiros 180 dias (6 meses) perderá 22,5% do dinheiro ganho em juros para o governo em forma de imposto de renda. Se ficar com o dinheiro investido por 360 dias (1 ano) perderá 20% em imposto. Se o investimento for de até 720 dias (menos de 2 anos) o imposto será de 17,5% e se ficar por mais de 720 dias o imposto será de 15%.

Existem títulos que pagam os juros para o investidor a cada seis meses. São os chamados cupons de juros. É o caso do NTN-B e NTN-F. O imposto de renda do primeiro cupom de juros que você receberá pagará imposto de 22,5%. O próximo cupom terá 20% do seu valor retido e assim por diante.

 

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