Finalmente, para facilitar a vida dos iniciantes, o Tesouro resolveu modificar o nome dos títulos públicos para que ficassem mais autoexplicativos. O primeiro desafio do novato, sempre foi decorar o significado da sopa de letrinhas: LTN, NTN-F, NTN-B, NTN-B Principal e LFT. A mudança estava prevista para 1 de fevereiro de 2015, só que agora foi adiada para 9 de março (fonte).

Os novos nomes dos títulos serão:

Tesouro Prefixado (antigo LTN ou Letras do Tesouro Nacional). Como o nome já diz, você pode comprar este título já sabendo qual será sua rentabilidade anual até a data de vencimento. O nome do título será acompanhado do ano do vencimento que é quando o governo recomprará seu título e você receberá seu dinheiro de volta com os juros. Exemplo: Tesouro Prefixado 2018, Tesouro Prefixado 2019, etc. Como a taxa é fixa, não importa se os juros da economia irão subir ou cair, não importa se a inflação irá subir ou cair. Se você esperar até a data de vencimento do título, receberá os juros que foram acordados no ato da compra. Já escrevi um artigo ensinando a investir na LTN, visite aqui.

Tesouro Prefixado com Juros Semestrais (antiga NTN-F ou Notas do Tesouro Nacional Série – F). Este título também é prefixado, só que você receberá os juros a cada 6 meses e não na data de vencimento junto com o que investiu.

Tesouro IPCA (antiga NTN-B Principal ou Notas do Tesouro Nacional Série – B Principal). Este título é um dos mais utilizados por planos de previdência privada, fundos de pensões e pessoas que planejam a própria aposentadoria sem depender dos outros. Além de ter seu dinheiro reajustado pelo IPCA (índice que mede a inflação), o investidor ainda recebe uma taxa de juros prefixada. Isto significa que ao investir em NTN-B Principal, ou no Tesouro IPCA, você terá ganhos reais, ou seja, receberá juros acima da inflação, não importando qual será a inflação futura. Por isto este título garante o poder de compra do seu patrimônio no futuro e ainda garante rentabilidade que supera a inflação. Veja como este título funciona aqui.

Tesouro IPCA com Juros Semestrais (antiga NTN-B ou Notas do Tesouro Nacional Série – B). É um título semelhante ao anterior só que os juros são recebidos pelo investidor semestralmente e não na data de vencimento do título. É uma boa opção para aqueles que já se aposentaram e pretendem receber um renda regular para pagar suas despesas. Veja como este título funciona aqui.

Tesouro Selic (antiga LFT ou Letras Financeiras do Tesouro). É o título mais conservador e menos arriscado de todos já que você não tem grandes riscos de perdas se precisar antecipar a venda dos títulos. Nos títulos prefixados como LTN, NTN-F e NTN-Bs, você pode perder dinheiro se, por algum motivo, resolver não esperar até a data de vencimento do título, como também pode ganhar muito dinheiro (mais do que o combinado) se antecipar no momento certo. Existe até um curso avançado de Tesouro Direto que ensina a estratégia para lucrar com títulos prefixados vendendo antecipadamente quando o cenário está favorável para isto. No caso da LFT ou do novo Tesouro Selic, não existe grande risco de perda ou ganho ao vender títulos antecipadamente. É um bom título para usar no lugar da Caderneta de Poupança.

Vantagem dos títulos públicos:

1) Quando você empresta dinheiro para o governo (comprando títulos públicos) se torna credor do Brasil e de toda a população que sustentam o governo através dos impostos. O risco de calote é o menor que existe já que o Governo Federal pode conseguir dinheiro para pagar juros da dívida através de diversas formas: aumentando impostos, reduzindo despesas, aumentando juros para vender mais títulos ou até imprimindo dinheiro.

2) Títulos públicos possuem um custo de investimento menor que os fundos de renda fixa e planos de previdência privada. Além da taxa de 0,30% ao ano que todos pagam pela custódia do título feita na CBLC (braço da BM&FBovespa que guarda as ações das empresas e títulos comprados por investidores de todo Brasil), existe o custo da corretora onde as mais baratas cobram 0,10% ao ano e algumas não cobram nada (veja como escolher corretoras). O custo de investir em títulos públicos só não é menor que investir em títulos privados como LCI, LCA e CDB, já que os bancos não cobram nada quando emprestamos dinheiro para eles.

3) Os títulos públicos são acessíveis para qualquer porte de investidor. Ao contrário do que acontece com LCI, LCA, CDB e debêntures e outros títulos privados, o investidor que tem milhões para investir não é tratado de forma diferente daquele que só possui R$ 1.00,00. As taxas de juros pagas são as mesmas para pequenos e grandes investidores. Os custos também são os mesmos para pequenos e grandes e isto não ocorre em fundos de investimento e de previdência que cobram taxas menores para quem tem mais dinheiro e taxas maiores para quem tem pouco. Por isto o investimento em títulos públicos é visto como sendo mais democrático.

4) Toda quarta-feira os títulos comprados do Tesouro Direto podem ser recomprados pelo governo caso você não queira ou não possa esperar até a data de vencimento do título.

5) O Imposto de Renda (IR) só é cobrado no momento de saída do investimento, ou no recebimento das parcelas semestrais, depende do tipo do título. Isto é uma vantagem quando comparamos com os fundos de investimento que sofrem os efeitos do come-cotas.

6) Existem títulos públicos bons para comprar quando os juros estão iniciando um ciclo de alta e títulos bons para comprar quando os juros estão chegando no fim de um ciclo de alta. Dependendo do cenário econômico você pode investir em títulos mais favoráveis. Como já falei, existem cursos avançados que exploram estas estratégias.

Simulação: Quanto teria se tivesse investido?

Veja quanto você teria hoje se tivesse investido 10 mil nos últimos 10 anos através do título público mais conservador que é a LFT e que agora se chamará Tesouro Selic. Visite aqui e leia as orientações de uso.

Livro recomendado: Como investir em títulos públicos.

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