Investir em títulos públicos significa literalmente emprestar o seu dinheiro para o Governo Federal. O seu objetivo é ser remunerado por isso. O objetivo do governo é conseguir o dinheiro que falta todos os anos para fechar a contas públicas, que estão sempre no vermelho.

Teoricamente o governo deveria utilizar o dinheiro que consegue ao vender títulos públicos para fazer investimentos no país que vão beneficiar muitas gerações no futuro.

Vamos imaginar que um futuro presidente do Brasil resolveu construir milhares de quilômetros de ferrovias conectando todas as grandes cidades do país. O objetivo seria reduzir a dependência que a economia do nosso país tem das estradas e transportes rodoviários.

Essa ferrovia custaria bilhões de reais, mas beneficiaria você, seus filhos, netos, bisnetos e tataranetos. Nada mais coerente do que construir essa ferrovia e transferir parte do custo de construção para as gerações futuras que também serão beneficiadas.

Isso pode ser feito pedindo dinheiro emprestado para a população que poupa e investe. Esse empréstimo ocorre através da venda de títulos públicos. As pessoas compram títulos públicos para receberem juros em uma data futura (data de vencimento do título).

Mas quem pagará esses juros? Esses juros serão pagos no futuro através da cobrança de impostos. Existem títulos públicos com vencimentos em 2035, 2045 e até 2050. Pessoas que ainda não nasceram irão pagar impostos que serão utilizados para pagar juros de títulos públicos que são vendidos atualmente. Da mesma forma, hoje as pessoas trabalham, pagam impostos e parte desses impostos que o governo arrecada é utilizado para pagar dívidas de títulos vendidos no passado.

A ideia central é que as gerações futuras, que serão beneficiadas com toda a prosperidade gerada por essa ferrovia e outros investimentos de grande porte, pagarão os impostos necessários para quitar dívidas feitas atualmente.

Exemplo: o vídeo mostra trens que fabricam linhas férreas de forma rápida e barata. O dinheiro que o governo arrecada quando vende títulos públicos deveria ser utilizado em investimentos de infraestrutura que produzem grande progresso para gerações futuras. Esse progresso produziria riquezas, mais arrecadações de impostos e recursos necessários para pagar a dívida com folga.


Trem que produz o próprio trilho.
Na teoria é isso. Na prática o que temos é um governo que sempre gasta mais do que arrecada por diversos problemas como ineficiência, desperdícios, incompetência e até desvios, superfaturamentos e outros crimes envolvendo o dinheiro público.

Todos pagam a conta

Se por um lado investir em títulos públicos para receber juros é algo opcional, pagar os impostos que o governo vai utilizar para pagar os juros dessa dívida é obrigatório.

Investindo ou não investindo em títulos públicos, todos serão responsáveis pelo pagamento das dívidas que o governo cria vendendo títulos públicos.

É por esse motivo que os investimentos em títulos são vistos pelo mercado como os de menor risco. Quem garante o pagamento da dívida pública é o bolso de todos os brasileiros. Em último caso, se nada der certo, o governo pode imprimir dinheiro novo para pagar as dívidas, que resultaria em alta da inflação.

O sistema econômico é tão vinculado a essa dívida pública que não pagar a dívida pública interna é algo inimaginável, pois isso literalmente destruiria a economia, juntamente com os governos e a própria sociedade.

Você não tem muita escolha, pois querendo ou não querendo, é muito provável que você já esteja investindo em títulos públicos sem saber, só que por não fazer isso diretamente está deixando muito dinheiro no bolso dos intermediários. Mas quem são esses intermediários?

Nota: o dinheiro que os planos de previdência, fundos, instituições financeiras utilizam para comprar todos os títulos públicos da dívida, lucrando bilhões por ano, é o seu dinheiro.

Sempre que você investe em fundos de renda fixa, fundos DI e até fundos multimercado, a totalidade ou uma boa parte do dinheiro que você investiu acaba sendo emprestado para o governo através da compra de títulos públicos.

Muitos planos de previdência e fundos de pensão investem o dinheiro dos seus participantes em títulos públicos. Até quando você deixa o seu dinheiro parado na conta corrente do banco, uma boa parte acaba indo para os cofres de instituições financeiras do governo. Quando você faz um seguro, consórcio ou até quando paga planos de saúde, o seu dinheiro se transforma em uma “poupança forçada” que faz uso dos títulos públicos e rende lucros para as empresas.

As instituições financeiras faturam bilhões todos os anos emprestando o seu dinheiro para o governo sem que você tenha plena consciência disso. Através de taxas e spread (diferença entre os juros que o banco cobra ao emprestar e a taxa que ele mesmo paga ao captar dinheiro) eles ficam com uma boa parte dos juros que você poderia receber se investisse em títulos públicos diretamente, ou sejam, sem tantos intermediários.

Apenas 0,3% da população faz investimentos ativamente em títulos públicos (fonte), sendo que desde 2002 qualquer pessoa pode comprar e vender títulos públicos pela internet através do Tesouro Direto.

Não existe muito esforço para que você aprenda a investir em títulos públicos, pois só quem ganha quando você aprende é você mesmo, seus filhos e a sua família.

Pesquisas mostram que somente 42% da população brasileira faz algum tipo de investimento. Depois da poupança, o segundo investimento mais utilizado pelo brasileiro é a previdência privada, mas existe um abismo entre os dois produtos. Enquanto 89% dos brasileiros que investem destinam dinheiro para a caderneta de poupança, apenas 6% utilizam a previdência privada. Títulos públicos e ações estão entre os menos utilizados pela população (fonte), embora sejam os dois investimentos muito utilizados por aqueles que possuem um pouco mais de educação financeira.

Sabemos que a poupança é uma grande fonte de dinheiro barato que os bancos utilizam para oferecerem financiamentos de imóveis (cobrando juros bem maiores). Já os planos de previdência privada são grandes fontes de lucros, através da cobrança de taxas, onde o gestor do fundo faz aquilo que você mesmo poderia fazer que é investir em títulos públicos.

Somente 2% da população empresta dinheiro diretamente para os bancos através de títulos privados que eles emitem (CDB, LCI e LCA). Mesmo existindo centenas de bancos que oferecem juros maiores nesses investimentos, mais de 80% da população utiliza apenas 5 grandes bancos, justamente os que oferecem as piores taxas de juros pelos títulos privados que emitem.

Poupar, investir, enriquecer e solidão

Embora muitos acreditem que precisam enriquecer para depois poupar e investir dinheiro, é poupando e investindo dinheiro que se enriquece. – Leandro Ávila

Adquirir o bom hábito de poupar alguma coisa todos os meses é o primeiro passo.

O segundo passo depende do seu esforço para adquirir os conhecimentos necessários para investir bem o dinheiro que você conseguiu poupar. É aqui que muitos brasileiros falham, pois aprender a investir é um ato solitário.

Na nossa sociedade, gastar dinheiro é o que todos querem. Fazer dívidas para gastar o que não se tem é o comportamento padrão, incentivado até pelos governantes.

Poupar, aos olhos dos outros, é quase uma falta de educação, coisa de gente “pão dura”, mesquinha e egoísta.

Já o investidor é visto quase como um criminoso, um pecador que não se envergonha de receber juros, lucros, dividendos e outros proventos quando investe o seu próprio dinheiro.

Manter viva a cultura de “gastar tudo que se tem” e ainda “gastar aquilo que ainda vamos ganhar no futuro” potencializa os lucros de bancos, empresas e até a arrecadação de impostos dos governos.

Educação financeira é um projeto de crescimento individual que muitas vezes é solitário.

É muito comum encontrar na imprensa e nas redes sociais, principalmente em anos eleitorais, pessoas reclamando dos bilhões de reais que o governo paga todos os anos para os bancos e outras instituições financeiras que investem trilhões em títulos públicos. O dinheiro que eles investem é nosso.

Mais útil seria se essas pessoas motivassem os brasileiros a investirem diretamente em títulos públicos. Assim, a população que paga os juros da dívida através dos impostos poderia ficar com grande parte desses juros que são distribuídos todos os anos.

Como as pessoas não sabem investir, não valorizam o próprio dinheiro, a poupança e os investimentos. Somente os poucos que entendem como tudo isso funciona podem aproveitar as oportunidades.

Primeiro as pessoas precisam aprender a poupar e depois a investir de forma consciente, com o mínimo possível de intermediários, sempre buscando a máxima rentabilidade com os menores custos.

Como falei, aprender a investir em títulos públicos é opcional. Nenhum banco, nenhum político, ninguém vai forçar você a aprender a investir por conta própria, pois só você ganha quando aprende a investir livremente.

Quanto mais dependente você ficar dos investimentos ruins que os grandes bancos oferecem, melhor para os sócios desses bancos e pior para você. Quanto mais os políticos convencerem você de que o problema é dos banqueiros e do sistema financeiro, melhor para eles e pior para você.

Existe uma enorme variedade de tipos diferentes de investimentos que qualquer pessoa poderia fazer se tivesse o mínimo de curiosidade e dedicação ao ato de aprender.

Como ganhar dinheiro:

Ao emprestar dinheiro para o governo comprando títulos públicos você recebe uma remuneração na data de vencimento do título ou semestralmente.

As datas podem variar entre 2 e mais de 30 anos. Essa remuneração depende do indexador que pode ser flutuante, inflação e prefixado para as pessoas físicas através do Tesouro Direto. Observe na figura como a dívida pública está composta:

Flutuante: os títulos públicos que remuneram o investidor através de uma taxa de juros flutuante se chamam Tesouro Selic. Aqui no Clube dos Poupadores já existem artigos sobre esse título. Sempre que o governo aumenta a taxa básica de juros, o investidor que possui esse tipo de título comemora o aumento da rentabilidade do seu dinheiro.

Prefixado: existem títulos públicos que pagam juros fixos que costumam estar acima da inflação e da taxa básica de juros. É o caso do título Tesouro Prefixado. Não importa se os juros vão cair nos próximos meses, quem possui esse tipo de título tem juros garantidos e fixos se ficar com o título até o vencimento.

Inflação: existem títulos públicos que possuem o seu valor corrigido pela inflação e ainda pagam uma taxa de juros fixa ao ano. Isso significa que parte da rentabilidade é flutuante (flutua dependendo da inflação) e a outra parte é fixa. Esse tipo de título, chamado Tesouro IPCA+ é um dos poucos investimentos com rentabilidade real garantida quando você fica com ele até a data de vencimento. Isso significa que ele sempre pagará juros acima da inflação para quem carrega o título até o fim. Quanto a inflação aumenta, a rentabilidade do seu dinheiro também aumenta.

Podemos dizer que para o investidor preparado e consciente, pouco importa se o governo está aumentando os juros. Se isto estiver acontecendo o investidor pode lucrar com essa alta. Se o governo reduzir os juros, existem títulos que pagam juros fixos e valorizam durante a queda. No caso de uma alta da inflação, o investidor preparado também pode ficar tranquilo enquanto os seus investimentos rendem ainda mais, pois existem títulos que remuneram pela inflação e por uma taxa fixa de juros.

Aprenda a investir em títulos públicos através do meu novo livro sobre como investir em títulos públicos.

Livro recomendado: Como investir em títulos públicos.

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