A situação da economia continua piorando e você já deveria ter começado a fazer alguma coisa para reduzir o impacto de um agravamento da crise na sua vida. É sobre isto que vou conversar com você neste artigo.

Tudo que o mercado temia já foi confirmado. A má notícia foi dada pelo IBGE que é um órgão de pesquisa do próprio Governo Federal e que por isto não pode ser acusado de pessimista.

Segundo o IBGE, a economia brasileira se encontra oficialmente em recessão técnica. Isto ocorre quando o PIB cai por dois trimestres seguidos, sendo que o PIB é a soma de tudo que o país produziu. Isso não é bom. No primeiro trimestre o PIB foi de apenas 0,2% e no segundo trimestre foi de -0,6% (contração da economia).  Esse é o pior resultado desde a crise mundial de 2008/2009 quando o PIB do primeiro trimestre de 2009 registrou 1,3%. O problema é que agora não temos crise mundial, muito pelo contrário, os países lá fora estão crescendo e se recuperando. A crise ocorre dentro do Brasil.

O impacto disto na sua vida se traduz em risco de desemprego, aumento da inadimplência e desvalorização do seu dinheiro (inflação). Com as empresas produzindo e vendendo cada vez menos, as demissões serão inevitáveis.

Veja o gráfico. A linha preta mostra a previsão do PIB para 2014 e a vermelha a previsão do PIB para 2015. Veja que estas previsões estão caindo (boletim Focus) e o IBGE continua confirmando, que de fato, o PIB está despencando. Não podemos ficar sentados, esperando o pior, como se nada estivesse acontecendo (é isso que o governo espera).

Eu já estou avisando sobre esta crise desde dezembro de 2013 quando escrevi este artigo aqui e desde o ano passado as coisas só estão piorando a cada mês.

No primeiro semestre de 2014 as vendas das empresas (varejo) cresceram apenas 4,2%. Faz 8 anos que o número não é tão ruim. Você que trabalha no varejo já deve ter sentido a queda. O Serasa divulgou recentemente que 57 milhões de brasileiros estão com contas em atraso. O número é muito elevado pois representa mais de 40% da população adulta. Não existe nada pior do que enfrentar uma crise carregando dívidas nas costas.

A indústria já começou a demitir. A queda no emprego da indústria acumula -2,3% em 2014 sobre o mesmo período de 2013. Em 12 meses, o recuo foi de -1,9%. Quem trabalha na indústria sempre sofre as consequências primeiro. Quem trabalha no comércio e nas empresas de serviço acaba sentindo o impacto depois.

Para piorar a situação, as eleições geram um enorme fator de incerteza. Quando todos já tinham uma visão do que poderia acontecer nas eleições, cai o avião de um dos candidatos e muda o resultado das pesquisas. Nesta semana surgiram denúncias graves de corrupção envolvendo a Petrobras que podem afetar o resultado das eleições novamente. Não podemos prever o que pode acontecer até o final do ano.

O futuro da economia é uma grande incerteza já que não sabemos quem será a próxima equipe econômica e que medidas ela deve tomar em 2015 para reverter a situação. Infelizmente a atual equipe não parece saber o que está fazendo. Recentemente eles anunciaram medidas que ajudam a endividar ainda mais a população, facilitando o financiamento de imóveis e veículos. O objetivo é reaquecer a economia convidando os brasileiros a assumirem ainda mais dívidas.  O problema é que a renda da população está muito comprometida com o pagamento de prestações. Veja um relato publicado neste fim de semana na revista Veja.

O que fazer?

A primeira coisa que você deve fazer é não assumir novas dívidas. Pague as dívidas que você já assumiu, mas não comprometa sua reserva de emergência. Evite assumir financiamentos de longo prazo na compra de bens caros como carros e imóveis. Reduza o consumo de supérfluos. O governo está anunciando várias medidas para que as pessoas se endividem ainda mais. Verifique se você já está comprometendo mais de 20% da sua renda com pagamento de prestações. Entre 20% e 30% da renda pagando prestações você deve ficar atento. Se estiver gastando mais de 40% o seu risco de inadimplência no futuro é elevado.

A segunda coisa que você deve fazer é tomar cuidado para não perder o emprego, principalmente se tiver dívidas e não possuir uma reserva de emergência. Cuidar do seu emprego significa mostrar serviço. Quando uma empresa resolve demitir funcionários para cortar custos, ela verifica quais são seus empregados menos produtivos, ou seja: aqueles que faltam mais, que vendem menos, chegam atrasado, apresentam menos resultados, demoram muito para realizar a tarefa, cometem mais erros, demonstram desinteresse pela empresa, etc. Preserve seu emprego fazendo a empresa te considerar um profissional importante e que deve ser preservado mesmo em tempos de crise.

A terceira coisa é manter sua empregabilidade. Não se torne um profissional desatualizado. Continue estudando e se qualificando já pensando no risco da empresa te demitir ou falir. Se você tem um currículo atualizado, que mostra o seu interesse em investir na sua carreira, será um bom sinal para seu futuro empregador. O mesmo acontece no caso de empresas que são compradas por outra empresas (o que pode aumentar muito nos próximos anos). Os melhores funcionários ficam e os piores são convidados a sair. Se você não tem uma reserva em dinheiro de emergência, comece a poupar para fazer esta reserva.

A quarta coisa é aproveitar o momento de riscos e incertezas para mudar os seus hábitos financeiros e suas crenças com relação ao dinheiro, trabalho, poupança e investimentos. Agora, mais do que nunca, você precisa investir na sua educação financeira. Se você é casado(a) e possui filhos a questão deve se estender para toda família. A situação é série e muita gente não esta percebendo. Talvez você precise conversar com o seu cônjuge e seus filhos para que eles tomem consciência sobre o que está por vir. Mesmo que a situação da economia não se agrave até 2015, é melhor estar prevenido. O ruim será você ser pego de surpresa. O problema é que muita gente não tem forças para mudar hábitos e precisa da ajuda de alguém que possa conduzi-lo nesta mudança. Vou já falar como você pode fazer isto.

Preocupado com os leitores do Clube dos Poupadores

Ando preocupado com as mensagens e comentários que recebo de leitores do Clube dos Poupadores sobre os problemas que enfrentam. As pessoas estão muito endividadas e os efeitos da inflação já está reduzindo a capacidade de compra dos salários. Na semana passada já publiquei um artigo demonstrando preocupação sobre esta situação.

Se você tem menos de 30 anos não sabe como é difícil viver em um país com inflação elevada. Até os meus 18 anos, vivi em um país que tinha inflação de 40% ao mês. Eu não disse 40% ao ano, eu disse 40% ao mês. Somente depois de adulto fui descobrir como era maravilhoso viver sem inflação. Não preciso dizer que na minha infância e adolescência presenciei inúmeras crises e problemas financeiros na minha família.

É claro que presenciar estes problemas econômicos me fez desenvolver bons hábitos financeiros. No meu tempo de juventude era quase impossível comprar um veículo financiado, um imóvel ou qualquer bem de maior valor. A inflação era tão elevada e os juros eram tão absurdos que pouquíssimas pessoas podiam comprar qualquer coisa financiada. No meu tempo só era possível gastar o que se tinha. Ninguém podia deixar dinheiro parado na conta corrente ou em casa pois ele perdia valor rapidamente. Para comprar qualquer coisa mais cara era necessário poupar e investir o dinheiro (recebendo juros). Ainda me lembro de quando muitos produtos eram anunciados em dólares como carros e imóveis. As pessoas tiveram que se adaptar em uma vida onde o crédito não era fácil como hoje. Lembro muito bem que ter um cartão de crédito internacional era privilegio dos mais ricos. Quem tinha um cartão de crédito ostentava como um símbolo de status social.

O que me preocupa é justamente a situação das pessoas que cresceram em um ambiente com baixa inflação. Se você tem entre 18 e 35 anos, não sabe ou não se lembra bem de como era viver com inflação elevada. Em um mundo de crédito fácil, cartões de crédito para todos, empréstimos sendo oferecidos em feirões da Casa Própria, veículos financiados com parcelas a perder de vista, criamos uma geração de pessoas desacostumadas com a vida sem crédito, empréstimos e financiamentos. São pessoas que não tem medo de se endividar (deveriam). São pessoas que acreditam que seus empregos são estáveis (não são). São pessoas que acreditam em uma economia estável no futuro (quando nunca foi assim no passado). São pessoas que fazem dívidas de 30 anos sem pensar que 30 anos atrás o Brasil viva no regime militar e tivemos que passar por Sarney, Collor, Itamar, FHC e Lula para chegar aqui, enfrentando muitas crises econômicas. No futuro as crises vão continuar acontecendo e com maior frequência já que o mundo está mais conectado. As pessoas já estão repletas de maus hábitos (foram educadas pela propaganda de empresas, bancos e governos). Não sabem mais esperar, querem comprar imediatamente, não se importam com o pagamento de juros, não possuem o hábito de poupar, esperar e comprar à vista.

Infelizmente recebo muitas mensagens de pessoas jovens (com menos de 30 anos) que estão repletas de maus hábitos financeiros e o pior é que são incapazes de enxergar isto. Você mesmo pode estar pensando que não estou falando com você. É fácil entender o motivo, todos os amigos e familiares que fazem parte da sua vida se comportam como você. Eles possuem os mesmos hábitos de consumo, poupança e investimento. Isto te faz acreditar que está fazendo a coisa certa, quando na verdade não está. Não existe espaço e nem tempo para mostrar para as pessoas (uma a uma) que precisam mudar e isto me deixa frustrado.

Já recebi muitos depoimentos de pessoas que conseguiram melhorar seus hábitos financeiros lendo os artigos que já publiquei aqui e isto me deixa muito feliz, mas mudar hábitos exige um esforço contínuo.  Muitos estão tentando aprender sobre investimentos sem antes mudar os hábitos financeiros. Muitos estão tentando mudar os hábitos, mas falta alguém experiente como tempo e disponibilidade para acompanhar e apoiar no processo de mudança.

Diante desta situação eu já vinha conversando com um grande professor e educador financeiro, inclusive já divulguei diversas vezes as palestras ao vivo que ele promove na internet. Estou falando do Prof. Elisson de Andrade, mestre e doutor em economia pela USP e que já ajudou milhares de pessoas no projeto de educação financeira focada na mudança de hábitos.

Depois que começamos a conversar ele introduziu diversas mudanças no curso Mudança de Hábitos Financeiros. Tive a oportunidade de compartilhar com ele os problemas enfrentados pelos leitores do Clube dos Poupadores. Este tipo de curso é muito importante pois de nada adianta você aprender a investir em títulos públicos, LCI, LCA, ou qualquer opção de investimentos e você não mudar seus hábitos financeiros primeiro. Sem esta mudança você continuará gastando muito e poupando pouco, e mesmo que invista em algo, não conseguirá ficar com o dinheiro investido por muito tempo. O mau hábito sempre te lembrará de que existe alguma “coisa importante” para comprar com o dinheiro que você guardou. Investir sem antes mudar hábitos só gera frustrações e em alguns casos até prejuízos.

O curso Mudança de Hábitos Financeiros tem início nesta semana mais não terá fim, ou seja, quem adquirir o curso terá acesso por tempo indeterminado via internet. Ele é composto por vídeo-aulas, conteúdo texto e área de debate entre alunos e professor.

Todos da mesma casa (esposa, marido, filhos, irmãos) poderão acessar o conteúdo do curso sem custos adicionais, através do mesmo computador. Isto vai promover uma mudança de hábitos em toda sua família.

Atendendo aos meus pedidos, o curso também ficou mais acessível, agora o curso pode ser adquirido em parcelas pequenas e fixas. Outra vantagem é que o número de alunos será pequeno e com isto o Prof. Elisson vai poder tirar dúvidas e dar conselhos individualmente para os alunos do curso.

Ele pretende oferecer 40 vagas nesta nova turma e gostaria muito que fossem 40 leitores do Clube dos Poupadores, principalmente as pessoas que já conversaram comigo aqui na área de comentários ou por e-mail. Sempre sugeri que as pessoas dedicassem tempo para se educarem financeiramente e esta educação se resume em duas grandes etapas: 1) Mudança de Hábitos 2) Educação para Investimento. Como já falei: de nada adianta aprender a investir se antes você não mudar seus hábitos financeiros. É fundamental aprender como tirar maus hábitos e colocar bons hábitos na sua vida. Existem técnicas para isto acontecer de forma rápida e sem tropeços contando com apoio de um profissional. Veja o vídeo de apresentação do curso.

 

Leitura recomendada: lista de livros sobre investimentos.

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