Imposto Feminino: mulheres pagam mais caro

A taxa rosa, imposto feminino, imposto das mulheres e pink tax são nomes que representam uma prática comercial comum e que as pessoas aceitam sem grandes questionamentos e reflexões. Diversas marcas de produtos e serviços possuem linhas femininas e masculinas onde a única diferença entre os produtos é a cor da embalagem e o preço.

A prática é antiga e mantida pelas empresas por um fato simples. A estratégia aumenta as vendas e os lucros. Parece existir uma falsa ideia de que alguns produtos femininos são mais caros que suas versões masculinas por serem especiais, por terem características diferenciadas ou até uma qualidade superior. Muitas mulheres pagam mais caro por falta de uma reflexão, por não dedicarem algum tempo prestando atenção nas alternativas idênticas que são produzidas para o público masculino ou sem uma definição clara de gênero.

Veja o exemplo tradicional dos aparelhos de barbear que se transformam em aparelhos de depilar. Tecnicamente fazem a mesma coisa.

 

Muitos culpam as empresas pelo problema, mas eu acredito que as empresas só aproveitam uma oportunidade. Elas entregam para as pessoas aquilo que elas estão dispostas a comprar, pelo preço que elas aceitam pagar. Se por algum motivo estranho as mulheres aceitam pagar mais caro, as empresas vendem mais caro. Simples assim.

Empresas com fins lucrativos são instituições que possuem um objetivo básico e existencial que é lucrar com a venda de produtos e serviços. Para isso, elas cobram sempre o maior preço que as pessoas estão dispostas a pagar. A decisão de comprar ou ignorar um produto é totalmente sua.  O preço final de um produto é sempre aquele que está no limite em que as vendas começam a cair a cada R$ 0,01 mais caro.

As empresas gastam muito tempo estudando o preço ideal para o valor percebido dos produtos que vendem. Atualmente, preço não tem muita relação com custo de produção. Pouco importa o custo de produção. O que faz a diferença é quanto custa fazer você acreditar que um determinado produto vale mais do que o seu preço. Muitas vezes o investimento em marketing para elevar o valor percebido do produto é o que torna seu preço tão elevado. Preço e valor são coisas diferentes. O preço é o que você paga pelo produto e o valor percebido é o que você leva para sua casa.

No exemplo do vídeo abaixo, a empresa diz que conseguiu desenvolver o primeiro depilador desenhado para fazer você se sentir uma Deusa. Observe que certamente as pessoas estão mais dispostas a pagar caro para se sentirem Deusas. Quanto custa ser uma Deusa? Certamente custa mais caro do que apenas retirar os pelos das pernas com uma lâmina.

Se eles identificam que mudar a cor do produto de azul para rosa faz o público feminino pagar mais caro, o preço é testado até o limite do interesse das mulheres.

O senhor na foto abaixo é um dos três homens mais ricos do mundo. Ele possui muitas ações da empresa que fabrica aparelhos de barbear. Na frase abaixo ele esqueceu de falar dos pelos que estão nascendo 24h por dia nas pernas, axilas e partes intimas de todas as mulheres do planeta. Também esqueceu de falar que as vezes elas aceitam pagar mais caro para se sentirem Deusas.

É claro que podem existir outros fatores que possam fazer o barbeador rosa ser mais caro que o azul. Talvez a tinta rosa para o tingimento do plástico possa ser mais cara que a tinta azul. Talvez a quantidade de barbeadores azuis produzidos por dia seja maior que a produção do depilador rosa e isso reduza o custo por unidade. Eu acredito que o mais provável é que o motivo seja apenas uma estratégia de marketing. Talvez o preço menor do barbeador masculino faça a mulher acreditar que o produto masculino tem qualidade inferior.

Se as mulheres e os homens tomassem decisões racionais de consumo eles comprariam o barbeador ou depilador mais barato. Homens comprariam o depilador rosa para fazer a barba se ele estivesse mais barato e mulheres comprariam o barbeador azul para se depilarem se ele fosse o mais barato. O problema é que as pessoas compram movidas por impulsos emocionais. As empresas criam produtos e suas estratégias de marketing entregando aquilo que as pessoas querem receber.

Uma pesquisa feita nos EUA mostrou que os produtos para mulheres custam, em média, 7% a mais do que seus similares masculinos. A categoria de produtos de higiene pessoal foi a com maior diferenciação, em 13% (fonte). No caso dos brinquedos, eles podem custar 20% mais quando estampam cores e personagens que agradam as meninas.

O Brasil é o terceiro maior consumidor de produtos de beleza no mundo e grande parte do mercado está voltado para o público feminino. As brasileiras assumem um custo fixo elevado para cultivar unhas, cabelos, sobrancelhas e outras partes do corpo dentro de padrões estéticos definidos por aqueles que lucram vendendo produtos e serviços. O pior é que a maioria aceita esses padrões sem qualquer reflexão sobre o que representa passar décadas trabalhando muito para isso.

Solução

Não adianta proibir a prática de preços diferentes para produtos femininos e masculinos. Existem lugares nos EUA, como na Califórnia (fonte) onde é proibido a empresa vender produtos com preços diferentes com base no gênero. Certamente existem produtos voltados para o público masculino e feminino que geram custos diferentes para as empresas e onde o preço diferente deve ser justo. Não é papel do governante julgar o preço justo de um produto. O consumidor deveria ter liberdade para fazer isso.

Esse tipo de problema deve ser resolvido por cada pessoa. Na França existe uma consumidora que resolveu fazer um blog para reclamar sobre a diferença de preços entre produtos masculinos e femininos (veja aqui). No topo do site ela diz o seguinte:

Na França, as mulheres ganham 24% menos que os homens. Eles ocupam 82% dos postos de trabalho. A renda média dos homens trabalhadores independentes é 40% maior do que as mulheres. Hoje, a aposentadoria das mulheres é inferior a 42% da dos homens. A comercialização de gênero através da segmentação do mercado entre homens e mulheres, cresce e impõe um imposto específico sobre as mulheres.

Ela só não entendeu direito que empresa nenhuma impõe nada. O fato da renda mensal das mulheres ser menor que a dos homens não tem nenhuma relação com o preço mais elevado dos produtos vendidos para elas.

A culpa não é do governo, da justiça ou do sistema capitalista. A culpa é de quem vive dentro do sistema capitalista sem entender como o sistema funciona. Se você não sabe nada sobre as regras do xadrez e tenta jogar com alguém que entende as regras, quem você acha que vai sair perdendo? O mínimo que devemos fazer para viver dentro do sistema é entender como ele funciona, como as empresas funcionam, como as estratégias de marketing funcionam e como o dinheiro funciona nas relações entre pessoas, empresas e governos. Se não entendemos que depiladores cortam pelos e que não podem fazer ninguém ser um Deus, teremos sérios problemas.

O que ocorre é que a sociedade não entende o poder que possui. A figura abaixo representa isso muito bem. Quando a sociedade se relaciona com instituições privadas, como empresas que possuem fins lucrativos, ela exerce sua liberdade através da escolha dos produtos que compra. É como se cada compra fosse um voto. Produtos e empresas mais votadas (que possuem mais compras) continuam vivas. Quando você compra um produto de higiene, beleza ou de vestuário mais caro por ser rosa, você está dando o seu voto que indica aprovação da iniciativa. A empresa venderá mais e continuará com a prática se você continuar comprando mais caro. É assim que o capitalismo deveria funcionar.

O mesmo vale quando a sociedade se relaciona com os governantes e as instituições públicas que eles controlam no sistema democrático. Você tem o governo que você escolhe através do voto. Se existem culpados pelos problemas que enfrentamos nas nossas relações com as instituições públicas e privadas, nós somos os culpados. Certamente a democracia e o capitalismo não são perfeitos, mas é o que temos hoje. Devemos entender as regras do jogo.

Você precisa entender que de um lado da mesa existem pessoas inteligentes que entendem como o dinheiro funciona, como a sua cabeça funciona e quais são as suas fraquezas que podem se transformar em oportunidades de negócio.

É sua responsabilidade conhecer mais suas fraquezas. É responsabilidade sua buscar o conhecimento e os bons hábitos para ter o controle da sua vida financeira. Se você não dominar a sua vida financeira, alguém (empresas e governos) vai dominar por você.

Dia da sorte...

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Sobre o Autor:

Leandro Ávila criou o Clube dos Poupadores por acreditar que o conhecimento é uma riqueza que se multiplica quando dividida. Compartilhando o que sabemos, criamos um mundo melhor. Conheça os livros que ele escreveu sobre educação financeira, investimentos financeiros e imobiliários.
Samuel Martins
Visitante
Samuel Martins

Como sempre, mais um excelente post…
Acompanho sempre.
Parabéns pelo trabalho, Leandro.

Marcelo Williams
Visitante
Marcelo Williams

Muito bom Leandro. Parabéns e obrigado.

Rogério
Visitante
Rogério

Leandro, muito bom artigo. Acompanho a maior parte dos seus posts e eles são realmente muito bons!

Um detalhe neste post, é que na comparação dos produtos da gillette, a versão feminina possui cabeça movél e a masculina não, só isso influencia no custo do material, moldes e montagem. Acho que o artigo realmente é pertinente, apenas o exemplo foi infeliz.

Abraço!

Roner Marcos
Visitante
Roner Marcos

Excelente!

Dayana
Visitante
Dayana

Muito bom, Leandro! Sempre acompanho seus posts e me interesso cada vez mais

Joás
Visitante
Joás

Muito bom o texto. Resumindo, ignorância e vaidade custa muito e não tem limites!
Abraço.

Alonso
Visitante
Alonso

Mais uma vez um ótimo texto, parabéns Leandro!

Fabio
Visitante
Fabio

Muito bom. Parabéns!

Roberto
Visitante
Roberto

Muito bacana, Leandro! Já vou compartilhar.

Claudia
Visitante
Claudia

Sempre me recusei a comprar esse tipo de produto, por achar que era discriminatório e enganador. Também não aceito porque um sapato feminino, muitas vezes inferior em qualidae a um masculino – e que vai durar muito menos – custa o dobro do preço deste último. Mas a verdade é simples: as mulheres em sua maioria não se dão conta disso. Gosto de ser mulher e de coisas bonitas, mas não acho que deva pagar mais caro por isso.

Alanna
Visitante
Alanna

Leandro, você é o melhor. Acredito que existem pessoas na vida que não precisam estar fisicamente para modificar o curso. Seus artigos fizeram uma revolução na minha cabeça e hoje só tenho a agradecer por esse trabalho social para a edução financeira. Já não contribuo faz algum tempo para o importo rosa, compro quase todos os produtos do gênero na versão masculina, e posso afirmar que geralmente são até melhores, possuem mais laminas e são mais baratos. Continue com esse trabalho. Sucesso!

Joice
Visitante
Joice

Tenho consciência dessas diferenças injustas e por isso eu compro itens masculinos, tem a mesma função e são mais baratos, não irei alimentar esse sistema injusto

Eugenio Câmara
Visitante
Eugenio Câmara

Leandro, excelente post!

Camila
Visitante
Camila

Oi Leandro, excelente texto!! Já havia percebido essa prática em vários produtos, mas tenho consciência disso e não entro nesse jogo. Hoje, com as blogueiras de moda e beleza, o apelo para o consumo é muito maior e atinge pessoas cada vez mais jovens, que não param para refletir o que estão levando para casa. Se aquela blogueira famosa “usa” (e sabemos que muitas vezes não usa) aquele produto e é linda, então, se eu usar, ficarei como ela! E assim muitas mulheres pagam mais caro por muitas coisas, sem se darem conta ou se importarem com isso! =\

José Maria
Visitante
José Maria

Excelente post Leandro!

Outro exemplo muito interessante são aquelas “toalhas de natação”, feitas de material emborrachado (acetato de polivinila). Em uma loja de esportes custa em torno de R$ 50,00. Outro dia descobri que a mesma toalha, exatamente a mesma, claro, só mudando o rótulo, era vendida como “toalha para lavar carro”, nos hipermercados. Preço: R$ 13,00.

Ou seja, há diversos produtos que apenas ganham uma nova roupagem, como “para mulheres”, ou “para esportistas”, ou qualquer nicho de mercado, e as pessoas pagam beeem mais caro pelo rótulo e propaganda.

Jefferson Trindade
Visitante
Jefferson Trindade

Bom dia Leandro, parabéns pelo artigos que nos fazem abrir os olhos para o nosso sistema capitalista, muitos desses detalhes passam despercebidos e influenciam bastante no nosso dia-a-dia. Estou num momento bastante especial na minha vida, os artigos do clube dos poupadores e do transcendência financeira foram essenciais para ajustar o meu mind-set. Comecei a melhorar meus investimentos e tirar o meu projeto do papel para colocá-lo em prática. Muito obrigado.

Marcos Jesus
Visitante
Marcos Jesus

Parabéns Leandro! Excelente post.

Claudia
Visitante
Claudia

Excelente artigo. É um artigo de conscientização, pois não sabia desse fato

Fabiana
Visitante
Fabiana

Excelente artigo!
Há tempo eu já havia lido algo semelhante e comecei a mudar hábitos e a perceber como as estratégias de marketing para o público feminino são agressivas e nos fazem gastar “rios” de dinheiro com produtos que nos transformam em “deusas”, “sensuais”, “decididas” e por aí vai…
Leandro, sugiro mais artigos nesse sentido…
Obrigada!

Lu
Visitante
Lu

Como vc lembra bem, as brasileiras assumem um custo fixo elevado para ter pele, unhas, cabelos, sobrancelhas e outras partes do corpo dentro de padrões estéticos definidos por aqueles que lucram vendendo produtos e serviços. É comum se deixar levar por essa ‘onda’ que, geralmente, compromete boa parte do orçamento.

Marcos Silva
Visitante
Marcos Silva

Olá Leandro. Bom dia!

Muito bom seu artigo. Sou fã assíduo do clube. Só há uma afirmativa no artigo que tenho que discordar:

“Se as mulheres e os homens tomassem decisões racionais de consumo eles comprariam o barbeador ou depilador mais barato. … ”

Fazer barba com um bic amarelo de lâmina única ninguém merece! Você se corta todo!

Então, nem sempre o mais barato é a melhor opção. Deve-se avaliar todos os aspectos,.

Um forte abraço.

Willian Rech
Visitante
Willian Rech

Oi Marcos. No que entendi, ambos sendo iguais ( ou seja mudando apenas a cor) Optar pelo mais barato, caso o “rosa” seja mais caro. Neste caso, se sua opção de marca for Gillete, ao invés de comprar a dos Deuses, optaria por comprar a simples Mach3.

Abraço

Karla
Visitante
Karla

Kkkkk pensei a mesma coisa quando li

Rogéria
Visitante
Rogéria

Muito bom !! Obrigada por nos alertar. Parabéns pelo trabalho.

Carol
Visitante

Oi, Leandro,
A primeira vez que ouvi falar da diferença do preço dos produtos rosas, foi no programa Saia Justa. Desde então, tenho prestado atenção nisso! Se todos pararem de pensar no feminino x masculino ou rosa x azul, todos ganharão!!!! Melhores compradores sempre ganham!!!!
Adorei o seu artigo, ótima reflexão para todos!

Catarina
Visitante
Catarina

Bom dia,

Do barbeador ao carro, são a mesma coisa. Os preços exorbitantes de veículos novos que não valem a metade do preço anunciado são assim porque o brasileiro acha lindo andar de carro novo. A culpa não é só da carga tributária, é da falta de noção de nós consumidores.

Marcos
Visitante
Marcos

Parabéns Leandro, excelente post! Lendo seu artigo lembrei de uma matéria que li num site sobre uma manifestação da Michelle Obama, que se queixou sobre a constante cobrança sobre as roupas, jóias e acessórios que ela usava nos eventos com o Barack Obama, enquanto presidente dos EUA. Ela contou que o Barack Obama usou o mesmo traje social (smoking) durante oito anos! E ninguém nunca reparou nisso…As mulheres são induzidas pelo marketing das empresas de vestuário e de produtos de beleza a gastarem sempre mais, na maioria das vezes sem necessidade.

Renata
Visitante
Renata

Leandro, excelente post! Só acho uma pena ver que a maioria das pessoas que postam em seu site sejam homens… as mulheres precisam se dedicar mais aos estudos financeiros. E sobre essa diferenciação, eu já tinha percebido e, sempre que posso, consumo a versão masculina, como depiladores, por exemplo. Claro que não dá pra usar sapatos ou outros artigos masculinos… rsrsrs Mas acho importante prestarmos atenção nisso. E, sempre procuro focar em qualidade e não modismo. Roupas, bolsas e sapatos sempre preferi os clássicos, ao invés de comprar a “cor/modelo da moda”. Foco em qualidade e não em quantidade. Isso faz com que consumimos menos coisas e essas coisas duram mais tempo, sem o risco de “sair da moda”.

Raphael Moraes
Visitante
Raphael Moraes

Oi Leandro! Mais um excelente artigo! Um exemplo que me chama muito a atenção é a questão das roupas femininas. Uma blusinha fina, com pouquíssimo pano, sem nada de excepcional, de corte complicado, etc, pode custar mais que o dobro de uma blusa masculina, simplesmente por ser feminina. Comparando uma calcinha e uma cueca, fica evidente o custo “mulher”. Outra coisa também é o custo “criança”! Entre em uma loja de departamentos e pegue duas camisas da mesma marca, mesma textura, mesma cor…uma de adulto e outra de criança. Se a de criança “gasta” muito menos pano, por que ela pode custar o mesmo valor da de adulto? São lógicas de mercado que induzem a comprar, fazendo-nos acreditar que um produto infantil é especial, afinal de contas, é para os nossos filhos e para eles temos que dar o melhor, gastando mais. O mercado tem muitas estratégias para vender. De fato, nós precisamos aprender a montar as nossas estratégias para comprar. Grande abraço meu amigo!

Mariane
Visitante
Mariane

Parabéns Leandro! Mais um post super interessante e atual que nos leva a reflexões e consequente mudança de hábito. Abraços.

Joana Gonçalves
Visitante
Joana Gonçalves

Excelente. Parabéns! Na maioria das vezes, ignoramos o poder que temos!

Gilberto Rig.
Visitante
Gilberto Rig.

Uma coisa também que talvez grande parte das pessoas não entendem é que, quando compram um produto associado a um nome famoso, seja de um artista ou super herói, também estão pagando a mais por isso. Ou seja, produtos similares, um associado a um nome famoso e outro sem essa associação, os preços serão diferenciados, a maior para o primeiro caso (ou normalmente é assim). Será que não percebem que todos os custos envolvidos com a fabricação, publicidade e marketing de um produto é repassado ao preço final desse produto?

Roney
Visitante
Roney

Muito bom seu artigo, Leandro!

O problema é que as regras não são tão claras no mundo dos negócios, menos ainda no da politica.

Um requisito para que os indivíduos saibam lidar com essas práticas comerciais que diferenciam os precos dos produtos por genero envolve uma mudança racional de postura financeira do grupo de consumidores.

Contudo, o apelo do marketing comercial por essa diferenciação (muitas vezes ilusória) é muito eficiente. São utilizadas técnicas baseadas na exploração de características das sociedades humanas, como a conformação da consciência coletiva no sentido de atribuir um valor superior a determinados produtos sem comparar sua utilidade real.

Tais práticas distorcem nossa capacidade de escolha racional de forma que não sejamos capazes de decidir objetivamente por um bem similar (e mais barato) em detrimento de outro mais caro.

Vagner
Visitante
Vagner

Quando ví o título deste post imaginei que falava sobre o tema de uma reportagem no “Fantástico”. Essa reportagem falava sobre a diferença de preços dos ingressos na “balada” para homens e mulheres. Confesso que não sou de assistir “Fantástico”, mas essa reportagem me chamou a atenção porque fiquei curioso para saber se a população concordava com a diferenciação de preços. Vejo que existem vários artifícios que a industria da moda, higiene, entretenimento utilizam para aproveitar do público feminino e também do masculino para criar diferenciação de preços.

Este texto na minha opinião tem muito haver com a reportagem do “Fantástico”. Os gêneros não devem ser usados como marketing em ingressos de “baladas” e em produtos que realmente não fazem a diferença para justificar os preços. Vejo também que as propagandas visam inflar o ego atraindo consumidores inconscientes do proposito real do produto.

**Os posts deste site parecem óculos; tem a função de mostrar com clareza aquilo que está bem na nossa frente.

Obrigado Leandro Ávila.

Patrick
Visitante
Patrick

Excelente artigo, um dos melhores do site! Parabéns!

Ana Beatriz
Visitante
Ana Beatriz

Parabéns Leandro, texto excelente!

Tenho 22 anos e seu site me ajuda mais a cada artigo a saber como utilizar meu dinheiro. Muito obrigada por todas as informações!

Clo
Visitante
Clo

Seu texto está mais que antropológico, e a questão de gênero é mais que atual, muito bem escrito e argumentado, Agradeço!

Vanessa
Visitante
Vanessa

Ótimo texto Leandro! Há muito tempo já não me deixo levar por certas estratégias de Marketing para o público feminino. Sou leitora e acompanho o seu projeto do Clube dos Poupadores já há algum tempo. Parabéns pelo trabalho!

Júlia Sabino
Visitante
Júlia Sabino

Excelente!!! Meus parabéns, seus textos são edificantes. Como minha vida financeira estaria diferente se tivesse tido acesso há alguns anos a todas as informações que são compartilhadas aqui . Gratidão!

Ps: quero adquirir um livro seu, como faço? Pede aqui mesmo no site?
Abraços.

jhonny
Visitante
jhonny

Belas palavras ! esses dias me deparei ao visitar um super mercado que na seçao de fraudas havia caixa de cerveja. Reparei ainda que existiam pais comprando fraudas e ao mesmo tempo aproveitando e levando cerveja. ou seja. a empresa uniu a necessidade com o casual.

Gabriel
Visitante
Gabriel

O texto é excelente e o detalhe a criticar aqui não é lá relevante, mas não posso deixar de observar que a específica comparação entre o sistema capitalista e “o jogo” (décimo quinto parágrafo), para exortar que joguemos conforme as regras, me parece tropeçar frente ao fato de que iniciar um jogo é uma escolha: a primeira escolha que os potenciais jogadores fazem. A participação no sistema capitalista não é facultativa; não há uma oferta equilibrada e previamente apresentada de atividades que o ser humano pode realizar dentro de um espaço nacional cujas regras ele vai conhecer para jogar OU NÃO JOGAR. Podemos, nós dois, concordar que se alguém tiver interesse em diversificar a oferta de sistemas financeiros disponíveis não pode contar com nenhuma agência de regulação e nem com a simpatia dos melhores jogadores desse jogo de que você fala. O sistema capitalista, na esteira dessa metáfora, seria (A) um jogo que ou se joga ou se joga. (B) Um jogo que ao se perder ou se ganhar, continua sendo jogado. (C) Um jogo em que os jogadores que se cansam e precisam sair deixam sua pontuação para o jogador que venha a substituí-lo; situação em que um jogador desconhecedor das regras pode “ganhá-lo”, simplesmente pagando para que outros jogadores conheçam as regras e tomem ações por ele . (D) Um jogo em que o conhecimento perfeito das regras para que a performance de todos os jogadores esteja potencialmente equilibrada depende de que cada jogador já tenha jogado suficientemente para desembolsar parte da sua pontuação num manual de regras. (E) Um jogo em que, para melhorar sua performance você pode se unir a outras pessoas, mas ainda assim concorrer como se fosse um único jogador. Passa-se de peso-físico para peso jurídico e se o árbitro, que – ora vejam só – também é um jogador e também quer ganhar, faz uma leitura das regras diferente para uma pessoa de cada categoria, ele está interferindo na faculdade de liberdade que cada jogador tem para fazer tudo que bem entende dentro das regras. (afinal, as regras devem ser as mesmas para todos). Este é o único jogo disponível, mas vamos combinar que ele está mais interessado no hino à “vitória” junto ao mascote da liberdade do que em regras.

Tem um problema com esse jogo. O problema não é do sistema capitalista, da iniciativa privada, do governo, das pessoas, do autor, ou do texto. É só da metáfora mesmo.

Mas é com muito prazer que gasto mensalmente minhas 60 fichas de pontuação para ter acesso a, entre outras coisas da internet, o seu site.

Abraço

Leandro
Visitante
Leandro

Outro dia minha esposa me perguntou por quê ela tinha pagar R$80 pra cortar 2cm de cabelo enquanto eu pagava R$15 pra fazer um corte que demorava mais pra fazer. Eu respondi que é porque toda vez que o barbeiro aumenta o preço eu procuro outro.

Marceline
Visitante
Marceline

15 dias atrás peguei um vídeo no youtube onde essas blogueiras ensinam a cortar próprio o cabelo em casa, peguei minha tesourinha sem ponta e fui cortar os 2 cm do meu cabelo de mais de meio metro… Nada ver pagar R$ 15 pros outros cortar meu cabelo se eu mesmo consigo alcançar as pontas… 😛

Beatriz
Visitante
Beatriz

Oi Leandro, assistiu a crítica que a Ellen Degeneres fez no programa dela quando a Bic lançou a “caneta feminina”? rs
Bem engraçado ela dizendo que “até hoje só usei canetas masculinas e não sabia…!”

Jánison
Visitante
Jánison

Como sempre seus artigos são muito bacanas!
O que me assusta é como você consegue responder todos os comentários.. 🙂
Show!!

Melissa
Visitante
Melissa

Bacana o texto, Leandro, mas acho que a complexidade da questão vai muito além do indivíduo, ou “falta de reflexão” das mulheres, que “não dedicarem algum tempo prestando atenção nas alternativas idênticas”. Como você mesmo disse, a indústria faz porque vende, mas por que vende?! Esse é o X da questão. Quem definiu que rosa é cor feminina e azul é cor masculina? quem definiu que mulheres precisam usar maquiagem, pintar as unhas e seguir a moda, enquanto os homens não precisam de nada disso e tá tudo ok? Querendo ou não, vivemos em sociedade, somos condicionados desde a infância a determinados “papeis de gênero”. Isso é cultural. E não se muda a cultura de toda uma sociedade, mudando um único indivíduo. Muito pelo contrário. Experimente ser uma mulher que não enquadra no “padrão feminino” e você será julgada, a ponto disso influenciar até mesmo sua carreira e sua capacidade profissional. Por isso, acho importante a discussão sobre gênero, a maior consciência individual, dita por você, mas também acho importante coibir os abusos. Essa prática de preços diferentes para produtos femininos e masculinos deve sim ser combatida e até proibida. Enquanto nossa sociedade não evoluir, vc acha justo que a “bola rosa da frozen” seja mais cara que a “bola azul do carros”? eu acho não. Mesmo assim, duvido que alguém deixaria de comprar a bola rosa, mesmo pagando 20% por isso. Algumas vezes, simplesmente saber “como o sistema funciona” não impede que ele exista.

Cássio Pacheco
Visitante
Cássio Pacheco

O comentário da Melissa é o típico autoritário enrustido, tentando disfarçar sua ânsia de mandar nos outros com a veste superficial da “preocupação social”.
Ninguém é obrigado a comprar um produto que é 10%,20% ou 100% mais caro. Isso que o texto demonstrou e vc não entendeu patavinas.
Lamentável seu comentário Melissa…lamentável….

Melissa
Visitante
Melissa

Oi??? eu apenas coloquei a minha opinião de forma respeitosa e educada e fui respondida da mesma forma pelo Leandro. Discordar é um direito meu, seu e de todos, mas isso não te dá o direito de me ofender. Isso sim é lamentável. Pense nisso!

Gabriela
Visitante
Gabriela

Parabéns pelo artigo Leandro!!! É incrível como o marketing tem tamanha influência sobre nós. Sem perceber sempre me deixei levar, obrigada por ter disponibilizado esse artigo tão interessante. Acompanho o Clube dos Poupadores há alguns meses e seus artigos muito tem me ajudado no consumo consciente e investimentos inteligentes

Leandro Bassini
Visitante
Leandro Bassini

Como sempre um ótimo artigo e com uma reflexão muito consciente, o que acontece é que as pessoas estão prestando atenção em outras coisas, meio que vivendo no automático e isso beneficiará sempre quem têm mais informação. Falta foco e momentos de reflexão para questionar certas situações, mas uma boa parte prefere se distrair com outros interesses, muitas vezes como fuga. Triste, mas é a realidade que vejo no cotidiano.
Leandro, mais uma vez muito obrigado por despender seu tempo e energia para compartilhar conhecimento e nos alertar.

Um abraço,

Andreia
Visitante
Andreia

Ótimo texto, eu já havia percebido e não faço distinção de cor para escolher o produto. Sempre vale alertar!

FABIO HIDEKI
Visitante
FABIO HIDEKI

Eu não tenho TV em casa há 3 anos. Desde então, passei a desperdiçar cada vez menos dinheiro com coisas que não preciso. E já consumia menos que a média. Também uso muito pouco as redes sociais.
Na outra ponta existem equipes com pessoas extremamente competentes no que fazem e bem mais espertas que um simples consumidor.

Nat
Visitante
Nat

Tbm já notei essa diferença, qdo comprei um desodorante “masculino” fui até questionada, pois o cheiro artificial, tanto quanto o de cor rosa, era cheiro de homem (?), até calça eu compro masculina, por ter bolsos o que pode dispensar a bolsa, a versão feminina tem bolso falso ou não tem; exclusivamente feminino é sutiã, absorvente.
Porém, acho que existe um lado psicológico quanto à variedade, me é estranho pensar em ter de um a três itens de uso contínuo (sapato, blusa, perfume, etc), mas vejo a praticidade e tenho em foco a economia através do minimalismo. Sempre grata, Leandro.

Marceline
Visitante
Marceline

Nat dos céus, essa questão da calça feminina sem bolso me enlouquece… Eu uso caça feminina e os bolsos são cada vez menores… até meu celular eu escolhi pensando que tinha que ser um que coubesse no bolso por que eu não uso bolsa (comprei um modelo velhão que era menor só para caber no bolso das calças). Mas fazer o que… a maioria das mulheres não se importa com bolso da calça por que usa bolsa… a minoria tem que se conformar… Gostei da sua idéias de comprar caças masculinas. Resolve todo o problema!

A
Visitante
A

Olá Leandro!

Parabéns pelo artigo!

Trabalho na indústria de fragrâncias (perfumes), e a verdade é que poucas pessoas sabem que o que mais encarece o preço final do perfume é o frasco e o marketing. A fragrância tem um custo bem baixo. Atualmente diversas empresas copiam ou contratipam ( como é chamado na indústria) as fragrâncias mais conhecidas, já que não existe registro comercial da fragrância, mas sim do seu nome comercial.

Engraçado também como a indústria muda algumas pequenas peças e fazem seu barbeador ficar obsoleto(como muito outros produtos), ou a chamada obsolescência programada. Tenho um barbeador Sensor Excell há muito tempo, mas não encontro mais lâminas pra ele. Tenho quase certeza que estes novos, tipo Mach3, não servirão. Enfim, às vezes ficamos sem opções e temos que nos adequar.

Esses dias assisti um vídeo que faz alusão à diferença de preços quando um produto carrega outras “qualidades” além do que ele realmente foi criado. É claro que guardadas as proporções, mas é uma analogia engraçada: https://youtu.be/jddoiNkeb_M

Abs

A

Michel
Visitante
Michel

Excelente reflexão, Leandro.
Vou dar um exemplo diferente mas que remete ao mesmo pensamento.
Sou da época em que carro branco era sempre desvalorizado.
Primeiro por ser uma cor sólida e segundo por que era comparado a carro de taxista.
Como a moda agora é ter carro branco, o que aconteceu ?
Hoje qualquer carro zero quilômetro na cor branca é mais caro, por que hoje remete a carro esportivo, descolado, etc.
O que mudou de lá pra cá ?
Alguém conseguiu enfiar na cabeça do consumidor que a cor branca hoje é “melhor” e sabendo disso, quem produz resolveu aumentar o preço, afinal tem quem pague por esse pensamento !
Abs

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