Um fundo de investimento nada mais é do que um condomínio. Não é muito diferente do condomínio de apartamentos onde você ou seus amigos moram. Cada proprietário é dono de uma cota do condomínio e todos possuem o mesmo interesse que é fazer o condomínio funcionar através da divisão de despesas.

No caso dos fundos de investimento é a mesma coisa, só que além de ratear despesas você também irá ratear os lucros. Quando você investe através de um fundo, na verdade você está comprando cotas. Essas cotas são a menor fração do patrimônio líquido do fundo. Quando você saca dinheiro do fundo está na verdade vendendo suas cotas. Aquilo que você vê no extrato do seu fundo de investimentos é a quantidade de cotas que você possui. Como cada cota possui um valor atualizado diariamente. O extrato exibe qual o valor de todas as suas cotas para o dia que a consulta está sendo feita.

Na figura abaixo temos um exemplo de extrato de um fundo de investimento onde é possível ver a quantidade de cotas e quanto ela representa. Esse extrato eu consegui fazendo buscas na internet. Pertence a uma associação que investe o dinheiro de seus associados e por este motivo deixa seus extratos na internet, com acesso público.

Observe que esse cliente da Caixa possui R$ 3,6 milhões em forma de 2.3 milhões de cotas. Quando você divide esse valor pela quantidade de cotas encontrará o preço de R$ 1,545820998884491 por quota. Observe que no final do mês, no campo “resgate bruto em trânsito” o saldo do fundo aumentou R$ 38 mil, mas a quantidade de quotas continuou a mesma. Isso significa que ocorreu uma valorização de cada quota que agora vale R$ 1,562032995867614.

Quando você compra cotas você é chamado de cotista. Ao comprar cotas você está concordando em remunerar uma empresa para que ela faça seu dinheiro render seguindo determinadas estratégias de investimento. Essa estratégia será do seu conhecimento antes que você tome a decisão de escolher o fundo. Pelo menos, deveria partir de você o interesse de saber exatamente onde o fundo irá investir o seu dinheiro.

Existem fundos que investem apenas em títulos públicos, outros investem em títulos públicos e privados e outros são fundos que investem em outros fundos. Também existem fundos criados para investir em ações, dólar, ouro ou um misto de tudo isso.

Não preciso dizer que cuidar do dinheiro dos outros é altamente lucrativo e por isto existem milhares de fundos de investimento. Todos os bancos oferecem seus fundos para seus clientes. Não faz nenhum sentido para o grande banco recomendar que você invista em títulos públicos, títulos privados como CDB, LCI, LCA, ações, debêntures, se eles podem fazer isso por você recebendo um percentual do seu patrimônio todos os anos. Não importa se eles vão fazer seu dinheiro render ou não, a parte deles está garantido através da taxa administrativa. Fundos de investimento é lucro garantido para os bancos e outras instituições que criam e gerenciam fundos.

Entendeu por qual motivo seu gerente nunca ligou para você oferecendo títulos públicos? Eles preferem oferecer fundos DI e fundos de renda fixa do banco onde trabalham. Esses fundos irão investir o seu dinheiro em títulos públicos cobrando taxas de 1%, 2% e até 3% ao ano sobre o patrimônio investido (não é sobre o lucro).

Todos lucram:

Na verdade, diversas empresas lucram quando você compra cotas de um fundo.

Administrador: instituição financeira responsável pelo conjunto de serviços relacionados direta ou indiretamente ao funcionamento e à manutenção do fundo, que podem ser prestados pelo próprio administrador ou por terceiros por ele contratados, por escrito, em nome do fundo.

Gestor: instituição responsável pela compra e pela venda dos ativos do fundo (gestão), conforme os objetivos e a política de investimento estabelecida no seu regulamento.

Custodiante: instituição responsável pelo registro e pela guarda dos ativos do fundo.

Distribuidor: instituição responsável pela venda das cotas do fundo, podendo ser o próprio administrador ou terceiros contratados por ele (como as corretoras e seus agentes de investimento).

Valor das cotas

O valor da cota do fundo é informado diariamente pelos bancos e administradores/gestores de fundos.  O patrimônio de um fundo de investimento é a soma de cotas que foram compradas pelos diferentes investidores. O valor de cada cota é obtido através da divisão do patrimônio líquido do fundo pelo número de cotas emitidas.

Para calcular o rendimento de qualquer fundo, basta dividir o valor da última cota divulgada pelo valor da cota do dia que você comprou suas cotas. Para apurar o valor atual do investimento, basta multiplicar a quantidade de cotas que o investidor possui pelo seu valor mais recente.

O valor da cota se altera diariamente, mas a quantidade de cotas de um investidor é sempre a mesma, só existindo 3 situações diferentes onde o seu número de quotas irá mudar.

  • Quando você faz algum resgate, que na prática significa se desfazer de uma parte das suas cotas.
  • Quando você faz uma nova aplicação, que significa comprar mais cotas.
  • Quando ocorre o recolhimento semestral de imposto de renda no último dia útil dos meses de maio e novembro. Neste caso, o valor devido de IR é abatido da quantidade de cotas através do processo conhecido como  “come cotas“.

Essas movimentações de aumento e redução de cotas podem ser acompanhadas através do extrato do seu fundo de investimento.

Taxa de administração

É a maneira como o administrador, gestor, custodiante e distribuidor ganham dinheiro com seu dinheiro. A taxa pode variar muito de instituição para instituição e de fundo para fundo, sendo representada através de um percentual ao ano. Esse percentual é provisionado (separado) diariamente sobre o patrimônio líquido do fundo (com base em dias úteis). Quando o administrador do fundo divulga o valor da cota e sua rentabilidade diária, mensal e anual, esse valor já está líquido da cobrança da taxa de administração, ou seja, a taxa já foi descontada da rentabilidade do fundo.

Aqui temos o exemplo de uma página no site do Banco do Brasil onde é possível ver a taxa administrativa anual de cada fundo. Veja clicando aqui e observe que os fundos com maior taxa administrativa são justamente aqueles que possuem maior patrimônio líquido, ou seja, onde os clientes mais investem dinheiro.

Observando a lista completa de fundos é possível observar aqueles classificados como de Renda Fixa. O fundo que aceita investimento menor é o “BB Renda Fixa LP 100” onde você pode começar investindo apenas R$ 100,00. O problema é que 3,8% dos R$ 100,00 e daquilo que render ficarão com o banco em forma de taxa administrativa. ]

É incrível verificar que esse fundo tem patrimônio líquido de R$ 9,6 bilhões e que o banco fica com 3,8% deste valor (R$ 364 milhões) para prestar o serviço de investir esse dinheiro em títulos públicos. Qualquer pessoa pode aprender a fazer investimentos em títulos públicos como o Tesouro Selic. Aqui mesmo no Clube dos Poupadores temos artigos que ensinam. Também existem livros e cursos que ensinam. Para aprender basta olhar as opções que temos no menu superior da página.

Veja que propositalmente estou apresentando apenas exemplos de bancos públicos. Se fosse buscar exemplos nos bancos comerciais as taxas poderiam ser ainda maiores.

Se você já tem fundos de investimento pode descobrir onde os gestores do fundo estão investindo o seu dinheiro. As instituições são obrigadas a informar onde investem o dinheiro dos cotistas. No caso deste fundo específico do Banco do Brasil (que estamos usando no exemplo) eu consegui a informação nesta página aqui, clicando no link “Informativo mensal” No demonstrativo você tem dados mais detalhados.

Acessar dados oficiais do fundo

Nem sempre é fácil encontrar informações detalhadas de cada fundo no site do banco ou da sua administradora. No site da CVM existe uma página que fica em http://sistemas.cvm.gov.br/?fundosreg onde é possível acessar balanço, composição da carteira de investimentos do fundo, dados diários de cota, patrimônio líquido, número de cotistas, captações, resgates além de prospecto, regulamento, lâmina do fundo, demonstrações contáveis, etc.

Você pode consultar utilizando o nome do fundo ou o CNPJ do fundo. Cada fundo de investimento possui seu próprio CNPJ e o patrimônio líquido do fundo não fica misturado ao patrimônio do banco. Por este motivo, no caso do banco quebrar, o dinheiro investido no fundo continua investido no fundo. O fundo só tem problemas quando o gestor do fundo investe o dinheiro do fundo no banco que quebrou.

Este exemplo que utilizei do fundo BB Renda Fixa LP 100 o CNPJ que podemos usar na pesquisa é 68.599.141/0001-06. Observe que é necessário digitar o código que aparece em uma imagem na lateral direita para efetuar a busca corretamente.

Ao fazer a pesquisa e clicar em “composição da carteira” vamos descobrir que o fundo BB Renda Fixa LP 100 na verdade investe 100% do dinheiro dos coquistas em outro fundo do próprio BB chamado “BB TOP RF CONSERVADOR FUNDO DE INVESTIMENTO RENDA FIXA LONGO”. Outra informação interessante é que esse fundo que cobra absurdos 3,8% de taxa administrativa tem 400 mil cotistas e o único trabalho que o gestor do fundo faz é investir o dinheiro das pessoas em outro fundo.

Buscando na internet descobri que o CNPJ do fundo BB TOP RF é 19.700.409/0001-49. Fiz a pesquisa novamente e pude acessar detalhes sobre onde o fundo investe o dinheiro dos cotistas (veja a próxima figura). Observe que grande parte está rendendo juros através de compromissadas que possuem títulos públicos como lastro. As operações compromissadas, como as oferecidas pelo Banco Central, são operações de compra ou venda de títulos com compromisso de revenda ou recompra dos mesmos em data futura (fonte). É como se o fundo estivesse emprestando dinheiro para o governo tendo como lastro os títulos públicos, mas sem estarem comprando títulos públicos.

O campo “Cod. Selic” que aparece no relatório abaixo permite saber qual é o título público que está lastreando a operação compromissada. No caso da compromissada de Cod. Selic 950199, onde 32% do patrimônio do fundo está investido, podemos concluir que se trata de investimentos no título NTN-F. Esse título no Tesouro Direto se chama “Tesouro Prefixado com juros semestrais”. O código 100000 indica o título LTN ou Tesouro Prefixado. O código Selic 210100 representa o título LFT ou Tesouro Selic.

Para saber qual título representa cada código Selic visite essa página aqui. Você vai se espantar com a quantidade de títulos públicos com datas de vencimento diferentes daquelas que são oferecidas para as pessoas físicas no Tesouro Direto.  Vale lembrar que os bancos, fundos de investimentos e outras instituições financeiras compram títulos públicos através do Tesouro Nacional e não através do Tesouro Direto. O Tesouro Direto, que é uma parceria entre o Tesouro Nacional e BM&FBOVESPA, que oferece um número pequeno de tipos de títulos públicos para as pessoas diante do que oferecem para as instituições.

 

É muito triste observar que mais de 400 mil pessoas perdem 3,8% do seu patrimônio todos os anos, através de um fundo qualquer entre milhares de outros fundos, quando poderiam investir o dinheiro que possuem por conta própria, pagando apenas 0,30% de taxa anual de custódia para a BM&FBOVESPA caso escolhesse uma corretora que não cobra taxa administrativa.

Se você somar o número de investidores que perdem dinheiro todos os anos nesses fundos, que cobram taxas absurdas, descobrirá milhões de brasileiros que jogam milhões de reais no lixo todos os anos, para alegria donos dos bancos, seus funcionários e todos aqueles que cobram ações dos bancos e recebem dividendos. Muito dos lucros dos bancos que acabam se transformando em dividendos pagos regularmente aos que possuem ações dos bancos, se origina da ignorância financeira das pessoas. É essa ignorância que cria a oportunidade de oferecer produtos de baixa rentabilidade para as pessoas. A ignorância financeira custa caro para quem a carrega.

É claro que existem fundos de investimento que oferecem rentabilidades maiores por cobrarem taxas administrativas menores. O problema é que muitas vezes esses fundos são de instituições menores e pouco acessíveis ou de bancos grandes que exigem um investimento inicial muito elevado. Em bancos privados como o Itaú, para conseguir um fundo DI que investe em títulos públicos cobrando uma taxa de 0,30% ao ano você precisa ter no mínimo R$ 1.000.000,00 para investir (fonte). O mesmo acontece nos demais bancos.

Taxa de performance:

Vale lembrar que além da taxa administrativa, muitos fundos cobram taxa de performance. Neste caso o fundo fica com uma parte da sua rentabilidade caso ele consiga atingir uma boa performance. Exemplo: Se o gestor do funco conseguir superar o CDI (taxa DI divulgada no site da CETIP) ele fica com 20% do que exceder. O cotista ficará somente com 80% daquilo que exceder o CDI.

Agora vamos imaginar que neste exemplo a rendimento bruta do fundo (já com a taxa administrativa deduzida) no ano foi de 15%. O CDI daquele ano foi de 10%. Isso significa que o fundo conseguiu gerar um resultado 5% maior que o CDI. O fundo ficará com 20% desses 5% e você perderá 1% para o fundo. No final, a rentabilidade do fundo (já com a taxa administrativa descontada) que era de 15% será de 14% pois 1% será a taxa de performance do fundo.

Quando os fundos que cobram taxa de performance divulgam a rentabilidade do fundo, essa rentabilidade já está com a taxa administrativa e taxa de performance descontadas.

Taxa de ingresso e saída:

Não é comum, mas existe. A legislação permite a cobrança de taxas de ingresso e de saída em fundos de investimento.

Outras despesas:

Existem outras despesas que podem reduzir a rentabilidade de um fundo de investimento. Essas despesas aparecem no demonstrativo do fundo. Exemplos comuns:

  • despesas com impressão, expedição e publicação de relatórios financeiros;
  • envio de correspondências com convocações e comunicados aos cotistas;
  • honorários de auditores independentes;
  • custos de corretagem;
  • despesas com registro e cartório.

No próximo artigo vou falar sobre os tipos de fundo que existem.

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