A estratégia que se baseia na comprar de ações que pagam dividendos, com o objetivo de obter renda passiva durante a sua aposentadoria, é conhecida como uma estratégia de carteira previdenciária de ações. É uma das estratégias de investimentos de longo prazo mais adotadas por investidores em países onde as taxas de juros na renda fixa são muito baixas.

O sucesso dessa estratégia depende muito do preço que você pagará pelas ações que pagam dividendos. Isso significa que você deve aproveitar as oportunidades quando elas surgirem. Como estamos no Brasil, um país que vive entre uma crise e outra, essas oportunidades sempre aparecem, isso quando não são criadas do nada pelos políticos.

Um exemplo de como isso funciona foi dado nessa vídeo aula aberta (clique para assistir) de divulgação de um curso que fiz recentemente e que voltou a abrir suas inscrições por alguns dias.

A autora do vídeo é a Louise Barsi, filha do Luiz Barsi, maior investidor pessoa física do país. Já escrevi um artigo com minha opinião sobre a estratégia que a família dela vem seguindo nos últimos 50 anos.

No vídeo ela apresenta um exemplo prático que envolve ações da empresa TAESA (Transmissora Aliança de Energia Elétrica S.A.). A Taesa é uma das maiores empresas brasileiras de transmissão de energia elétrica do país.

Você verá no vídeo que, na opinião dela, o setor que mais se encaixa na estratégia de carteira previdenciária de ações é o setor de energia.

O setor de energia se divide em outros setores. Na opinião dela o setor de transmissão de energia é um dos melhores para acumular ações que pagam dividendos para a aposentadoria. Vale destacar que ela é analista de valores mobiliários, ou seja, vive profissionalmente da análise de empresas.

Ela destaca os motivos que a levam a pensar assim:

As transmissoras são empresas que possuem receitas previsíveis. Elas possuem grandes clientes que assinam contratos de longo prazo pelo serviço de transmissão de energia. Podemos dizer que o cliente de uma transmissora não possui muitas opções de escolha no momento de contratar esse tipo de serviço. Muitas vezes só existe aquela transmissora transmitindo a energia de uma estação que produz energia até a cidade onde a energia será distribuída. Isso cria um fluxo de caixa previsível.

Essa previsibilidade permite que os investidores e analistas calculem sua lucratividade futura com alguma facilidade e maior probabilidade de acerto. Isso dificilmente ocorreria se a empresa tivesse inúmeros concorrentes, produtos que entram e saem da moda o que possuem demanda dependente de muitos fatores. Mesmo em momentos de crise as pessoas e as empresas continuam demandando uma quantidade mínima de energia e o serviço de transmissão de energia continua sendo necessário em qualquer situação.

Ela cita no vídeo um risco muito comum entre empresas do setor de energia. Se trata de um setor muito regulado pelo governo. Trocamos de governo a cada 4 anos e um governo mais populista pode aparecer na televisão baixando o preço da energia elétrica para agradar seus eleitores. Se isso já aconteceu, pode acontecer outras vezes em qualquer setor muito regulado pelo governo.

Mas devemos lembrar que as empresas de energia ficam enquanto os governos passam ou caem. Foi o que aconteceu na última crise do setor elétrico. Todas as empresas do setor foram penalizadas com as medidas que ela citou no vídeo. A Taesa foi penalizada, mas os efeitos negativos não justificaram, na opinião dela, a forte queda no preço da ação naquele período. O governo caiu e a empresa continuou gerando lucros e distribuindo dividendos. Veja um gráfico mensal que ela mostra no vídeo:

Segundo o vídeo, se o investidor tivesse adquirido ações da TAESA no decorrer daquela crise (2014) pelo preço que estava sendo praticado, atualmente a renda representada pelos dividendos seria equivalente a mais de 20% ao ano.

Além disso as ações sofreram valorização no período devido ao ciclo de queda de juros. Normalmente o preço das ações que pagam dividendos tendem a subir quando o Banco Central inicia um ciclo de queda dos juros, pois essas ações são mais demandadas pelos investidores nesse momento de queda. O mesmo fenômeno ocorre com os fundos imobiliários. Na verdade, basta uma expectativa de queda nos juros para que os preços das ações que pagam dividendos e fundos imobiliários comecem a subir fortemente.

Pelo que pude verificar essa ação chegou a ser negociada por R$ 8,72 no mês em janeiro de 2014 (preço não ajustado por dividendos). Historicamente a empresa costuma pagar entre R$ 2 e R$ 3 de dividendos por ação ao ano.

Se você tivesse pago R$ 9,00 pela ação em 2014 e recebesse R$ 2,50 de dividendos todos os anos, teria uma renda passiva de mais ou menos 27% ao ano. No momento em que escrevo essa linha de texto uma das ações dessa empresa poderia ser comprada por R$ 27,88. Se ela pagar R$ 2,5 de dividendos por ação nos próximos 12 meses você teria 8,9% de ganhos na forma de dividendos. No caso de uma forte crise que fizesse seu preço cair para R$ 17, seu dividendo, com base no custo de compra da ação, seria de 14,7%. O cálculo se faz assim: 2,5 / 17 = 0,1470 x 100 = 14,7%.

Se você tivesse uma ação que paga 27% de dividendos ao ano, com base no preço que você pagou no passado, faria sentido vender essa ação diante de uma queda na bolsa? Não seria melhor aproveitar os dividendos que você recebeu no passado para comprar ainda mais ações? Isso permite entender por qual motivo investidores antigos e grandes dizem na imprensa que nunca vendem suas ações. Você precisa refletir sobre quanto ele pagou por suas ações e que tipo de estratégia ele está usando e que você não conhece em detalhes.

Se você é assinante do GuiaInvest PRO pode visualizar o gráfico que faz esse cálculo no decorrer da história dividindo o dividendo dos últimos 12 meses pelo preço da ação. O resultado é mostrado em um gráfico sempre atualizado como este logo abaixo. Quanto mais o preço da ação sobe, menor tende a ser o resultado desse cálculo (dividendo anual dividido pelo preço da ação). Esse indicador se chama “Dividend Yield” e pode ser visto nos relatórios que o GuiaInvest gera chamados RAIO-X ou no GI WAY. É um dos indicadores que ensino a utilizar no meu livro sobre análise fundamentalista. Vamos entender melhor os gráficos:

O segundo gráfico “Dividendo pago por ação nos últimos 12 meses” é muito útil para visualizar rapidamente se a empresa onde você pretende investir possui um histórico estável de pagamento de dividendos. No exemplo acima podemos observar que os pagamentos dessa empresa sempre estiveram entre valores R$ 2 e R$ 3 por ação. O indicador “Dividend Yield” do primeiro gráfico está em queda graças ao fato do preço da ação ter subido nos últimos anos enquanto os dividendos se mantiveram estáveis.

Vamos imaginar que você tenha como objetivo só investir em ações que pagam 10% de dividendos. Além de ser maior que a renda fixa atualmente, você teria um “prêmio” pelo risco de estar fazendo um investimento de renda variável.

Com esse objetivo já fica mais fácil calcular quanto você deveria pagar por uma ação como essa para obter seus 10% de dividendos. Se a ação paga R$ 2,5 de dividendo e seu objetivo é pagar um preço por ação que produza 10% de dividendo, você deve dividir R$ 2,50 por 0,10 (já que 10% é equivalente a 10 dividido por 100 que equivale a 0,10). O resultado de 2,5 dividido por 0,10 será R$ 25. Você poderia julgar que 27,88 pela ação está caro segundo seus critérios e poderia esperar uma queda da ação até R$ 25 para poder comprar.

Cada investidor tem seu próprio critério. Pode existir o investidor que compra toda ação que paga no mínimo 6% de dividendos. Pode existir o investidor que só se arrisca na renda variável se a ação pagar 2 vezes os juros da renda fixa. Se a renda fixa rende 5% a pessoa poderia exigir duas vezes isso ou 10%. Isso é uma decisão particular. Por isso existem investidores na bolsa com todo tipo de estratégia, todo tipo de critério que compra e vende ações por todos os preços possíveis, pois ninguém segue exatamente a mesma estratégia com os mesmos objetivos. Todos eles estão certos se souberem o que estão fazendo.

Também é interessante observar que além dos dividendos a ação sofreu valorização entre 2014 e 2019. Se em 2014 ela foi negociada por R$ 8,72 e hoje ela é negociada por R$ 27,88 temos uma diferença de R$ 19,16. Se você dividir 19,16 pelos 8,72 vai descobrir que a ação valorizou 219,72% além de todo o dividendo pago no decorrer desse tempo.

Veja que são cálculos muito simples. Tudo fica muito simples quando você encontra alguém disposto a ensinar e tudo fica muito complicado quando você encontra alguém que lucra complicando as coisas. É mais lucrativo complicar as coisas do que ensinar.

Agora é importante alertar você sobre alguns pontos:

Esse exemplo que a Louise Barsi apresentou na vídeo aula gratuita é um exemplo de sucesso que foi selecionado para elaborar uma aula. No curso ela também mostra exemplos de fracassos. O fato desta empresa ter pago dividendos elevados e estáveis nos últimos anos não representa garantia de que ela vai continuar pagando bons dividendos nos próximos anos. Gráficos como esses do GuiaInvest PRO permitem que o investidor considere uma maior probabilidade de dividendos entre R$ 2 e R$ 3 e continuidade da valorização das ações enquanto a taxa básica e juros estiver em queda. Gráficos sobre o passado só falam sobre o passado e sinalizam probabilidades relacionadas com o futuro (nunca são certezas).

É responsabilidade constante do investidor monitorar os indicadores da empresa onde investe para manter seus investimentos enquanto eles forem estáveis ou cada vez melhores. Esse monitoramento é necessário quando o seu objetivo é manter seu dinheiro investido em empresas que estão com bons resultados financeiros e por isso estão distribuindo lucros recorrentemente através de dividendos.

A ação que foi citada nesse artigo serviu apenas para ilustrar um conteúdo educativo sobre uma estratégia de investimentos. As pessoas se sentem mais motivadas para estudar quando aprendem através de exemplos reais e foi isso que tentei fazer neste artigo. Não significa que eu recomendo a compra dessa ação. O que recomendo é que você busque o conhecimento e as ferramentas necessárias para fazer seus próprios estudos antes de investir, assim como eu faço na posição de pequeno investidor e assim como grandes famílias de grandes investidores fazem.

Recomendo a leitura de dois livros: Como Investir na Bolsa: Análise Fundamentalista e o livro Como Investir na Bolsa: Análise Técnica. Conheça todos os nossos livros sobre investimentos visitando aqui.

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