Muitos dos seus problemas financeiros estão relacionados com a sua preocupação sobre o que os outros pensam de você.

Quando você está diante de uma decisão de compra ou venda é normal a presença aquela voz interior dizendo: “O que os outros vão pensar de mim?”

Em algumas pessoas essa voz nem existe mais. Tudo que se faz e tudo que se compra já está baseado no que os outros vão pensar de você. É automático.

Existem pessoas que escolhem parceiros (namorada, namorado, esposa, marido) com base no que os outros vão pensar, da mesma forma que fazem quando compram uma roupa, um veículo ou um imóvel para morar.

O que você pensa de você é mais importante do que os outros pensam de você. Existe uma frase que diz assim: “Muitas vezes o homem está tão preocupado com o que os outros pensam, que para de pensar.” É o que vejo acontecer com muitos que estão enfrentando problemas financeiros neste momento. As pessoas permitem que os outros pensem e tomem decisões de compra por elas. Estes “outros” costumam ser amigos e parentes, mas também costumam ser o cara da novela, a moça do comercial ou o desconhecido que mora do lado.

Esse comportamento rapidamente se transforma em hábito. A medida que a renda da pessoa aumenta, ela naturalmente busca elevar a sofisticação da vida que leva. Os serviços e produtos que consome se transformam em “bandeiras de sinalização” para serem vistas pelos outros. Estas bandeiras do consumismo comunicam, para os que nos cercam, que somos pessoas especiais, que temos bom gosto, que somos cultos, somos bem-sucedidos, demonstram riqueza, beleza, nobreza e que somos dignos de respeito, veneração e inveja.

O frentista que parece rico:

Fui abastecer o carro e me deparei com a conversar de dois frentistas. O frentista que me atendia começou a conversar com outro frentista que tinha terminado seu expediente e se preparava para ir para uma festa. O frentista começou a comentar (ironicamente) sobre a roupa que o colega utilizava. O colega não ligou para a brincadeira e comentou que estava indo para uma festa e que só gostava de andar bem vestido. Disse que gastava quase tudo que ganhava para manter a boa aparência, segundo ele, era importante para atrair a atenção das mulheres das festas.

Foi fácil perceber que o rapaz estava vestido, dos pés até a cabeça, com marcas caras, signos de luxo. O rapaz fez questão de mostrar para o colega de trabalho que eram produtos originais. Não comprava falsificações. Neste discurso, começou a falar sobre o quanto pagou pelo calçado, relógio, calça, camisa e smartphone. Disse até o preço do perfume importado que usava. Acredito que um frentista não ganhe muito mais do que um salário mínimo, mesmo assim, aquele rapaz usava, pelo menos, seis meses de salário em roupas e acessórios. Disse, com orgulho, que vinha comprando tudo no cartão de crédito, parcelado em muitas vezes.

Para ele era muito importante aparentar riqueza, ou seja, parecer ser aquilo que ele não é. O mesmo dinheiro que esse rapaz gastou, poderia ter sido investido na sua carreira profissional. Não existe nada de errado em comprar aquilo que se gosta, o problema são as prioridades. Para manter uma vida luxuosa é necessário que você tenha renda suficiente para desperdiçar. Para que você possa ter uma boa renda é necessário investir primeiro em você mesmo. Este investimento valoriza sua hora de trabalho.

Jovens que não são nada, mas aparentam ser:

Muitas vezes recebo mensagens de jovens que estão começando a trabalhar agora e que reclamam por só terem R$ 50,00 ou R$ 100,00 para investir por mês. Fico imaginando como estão gastando o restante da renda, principalmente os que ainda moram com os pais. Até que ponto estão gastando para PARECER ser o que não são nas redes sociais, quando deveria estar investindo para que possam realmente SER alguém na vida.

Aparentam ser ricos, aparentam ser loiros, aparentam ser viajados, aparentam ser saudáveis e malhados, aparentam comer em bons restaurantes vestido boas roupas. Mas, muitas vezes, só aparentam… Com isto comprometem o próprio futuro.

O primeiro e mais importante investimento financeiro que podemos e devemos fazer na vida é em nós mesmos. Isto se faz investindo em novos conhecimentos e no desenvolvimento de novas habilidades através de cursos, livros, treinamentos, etc. Quem não faz este tipo de investimento está condenado a viver com uma renda baixa, fruto de uma baixa qualificação profissional, baixa produtividade e pouco conhecimento especializado.

O rico que era pobre de tempo:

Os problemas gerados pela preocupação com o que os outros pensam de nós não afetam somente os mais pobres e os jovens. O problema afeta a classe média, os mais ricos e os mais velhos.

Hoje recebi uma e-mail do Conrado do Dinheirama falando sobre uma conversa que ele teve com um amigo. Este amigo é executivo de uma grande empresa, ganha um salário elevado e possui um padrão de vida alto. Para isto ele paga um preço muito caro. Trabalha como um louco, vive pressionado por resultados, não tem tempo para nada, não consegue dar atenção para a família e seu casamento caminha para um divórcio.

A conversa entre os dois resultou na ideia de uma possível mudança de carreira. O Conrado sugeriu que ele vendesse a cobertura luxuosa de 300 metros quadrados, onde mora com a mulher e um filho, em um bairro nobre. Com o dinheiro ele poderia comprar um imóvel (3 vezes menor). Isto permitiria eliminar um custo fixo elevado que era a taxa de condomínio que custava 4 dígitos. O restante do dinheiro seria investido. Os juros permitiriam mudar para um emprego onde fosse possível trabalhar menos ganhando menos. Finalmente ele teria mais tempo livre para fazer o que gosta ao lado da família.

A estratégia fazia sentido, mas existia um problema. O que as pessoas iriam pensar?

Como falar para os amigos e parentes que você está vendendo sua cobertura com piscina privativa, quitada, com 300 metros quadrados em um bairro repleto de restaurantes sofisticados que servem pratos internacionais? Como falar que estava trocando um ótimo emprego em uma grande empresa por outro trabalho onde você ganharia menos? Para desacelerar a vida e ter mais tempo livre era necessário mudar hábitos, cortar prazeres e desconsiderar o que os outros vão pensar de tudo isso.

O frentista e o executivo sofrem do mesmo problema. Os dois se preocupam muito com o que os outros irão pensar.

Já compartilhei esse vídeo em outro artigo. Vou compartilhar novamente para que você entenda a diferença entre SER, TER e PARECER. O vídeo é do médico psiquiatra Flávio Gikovate e mostra que muitos problemas financeiros e sociais não têm nenhuma relação com o dinheiro. Você verá que o dinheiro é apenas um instrumento.

No vídeo fica claro que devemos ter consciência das nossas necessidades por autoestima (o que os outros pensam de nós) e pela vaidade (prazer de se sentir valorizado e respeitado pelos outros). Muitas vezes usamos o dinheiro como atalho para satisfazer estas necessidades.

É inevitável fugir da nossa natureza. Buscamos o reconhecimento dos outros. Sentimos prazer quando somos respeitados e valorizados pelos outros. O problema são os atalhos que procuramos para atender estas duas necessidades que fazem parte da nossa natureza.

No vídeo as ideias abaixo ficam destacadas:

“Ser” interessa cada vez menos, as pessoas estão se tornando escravas da aparência. As pessoas estão mais preocupadas com o que aparentam ser do que com aquilo que elas são. Isso resulta no vazio, superficialidade, mentiras, falsidade e isto levam as pessoas para a depressão, aumento do consumo do álcool, drogas, aumenta a rivalidade entre as pessoas, inveja, agressividade nas relações interpessoais, amigos se tornam rivais e nas últimas consequências, aumenta os índices de criminalidade.

As pessoas que se preocupam muito com o que os outros pensam estão lotando as lojas de produtos de marca, estão estourando o limite do cartão de crédito, estão fazendo filas nas salas de espera dos consultórios dos psiquiatras, nos escritórios dos advogados e nas salas dos delegados. Algumas visitam sites de educação financeira, procuram orientação com consultores financeiros, só que este tipo de problema não se resolve com dinheiro.

Observe no vídeo que estas questões vão muito além das finanças pessoais. A preocupação com o que os outros pensam de nós desencadeia inúmeros problemas pessoais, familiares e sociais. Esses problemas não escolhem classes sociais. Não importa se você tem muito ou tem pouco dinheiro.

Pare de se preocupar com o que os outros pensam de você. Faça o que é certo, faça o que é bom para você e para sua família.



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