Todo educador financeiro costuma recomendar uma poupança para emergências antes de iniciar qualquer investimento ou para evitar o endividamento. Esta poupança serviria para proteger o investimento e o patrimônio da família.

Vamos imaginar que todos os seus investimentos se resumem a dois imóveis alugados. Se ocorresse alguma eventualidade (acidente, doença, etc) e você precisasse do dinheiro imediatamente, poderia ser obrigado a assumir uma dívida ou teria que vender um dos imóveis às pressas para conseguir o dinheiro.

A falta de uma poupança para emergências acaba colocando em risco aqueles seus investimentos que possuem pouca liquidez. Outro exemplo seria ser obrigado a vender títulos privados (LCI, LCA, CDB, etc) ou títulos públicos prefixados e indexados pelo IPCA antes do vencimento em um momento desfavorável.

Ainda existe a questão da formação de dívidas e pagamento de juros por falta de poupança para emergência.  Na verdade ninguém deveria entrar nos limites do cheque especial ou utilizar cartão de crédito como reservas para emergência. As pessoas literalmente jogam dinheiro no lixo pagando juros quando deixam suas contas ficarem no vermelho. É para evitar entrar no vermelho que as reservas de emergência servem.

O que escrevi até aqui é a visão dos educadores financeiros pragmáticos, aqueles que olham a questão pelo lado racional, prático, matemático e deixam as questões emocionais de lado.

As pessoas juntam dinheiro pelos mais diversos motivos. Podemos dividir estes motivos em três grandes grupos:

  1. Juntar dinheiro para comprar;
  2. Juntar dinheiro para investir, prosperar e enriquecer;
  3. Juntar dinheiro para enfrentar dificuldades no futuro.

Uma pessoa com a vida financeira equilibrada junta dinheiro pelos três motivos e ao mesmo tempo. As pessoas que possuem uma vida financeira desequilibrada optam por apenas um dos motivos acima e com isto acabam enfrentando problemas.

O sofrimento do avarento:

Você deve conhecer alguém que é extremamente avarento e que as pessoas costumam chamar de pão duro ou mão de vaca. São pessoas que economizam tanto que acabam sofrendo consequências negativas na vida pessoal, familiar e social. Já vi pessoas que enfrentam problemas de saúde, se expõem ao sofrimento, correm riscos e vivem uma vida infeliz por serem exageradamente econômicas. É claro que sempre que poupamos estamos fazendo um sacrifício, deixamos de consumir hoje para garantir um futuro melhor. Este sacrifício existe, é importante, mas é claro que o exagero é condenável.

Quando conversamos com estas pessoas percebemos que elas enfrentaram algum tipo problema financeiro grave no passado. O trauma provocado por não ter dinheiro durante situações difíceis as levaram a viver uma vida sofrida. Todo dinheiro que ganham é visto como um meio para evitar que os sofrimentos retornem. Elas passam a vida toda com medo da miséria. Para estas pessoas o dinheiro só serve como segurança, como proteção, como recursos que elas só irão gastar nas situações mais difíceis da vida. Em termos práticos isso não é nada saudável, embora a própria pessoa não seja capaz de perceber isso.

Comportamento doentio:

Também devemos juntar dinheiro pensando na nossa prosperidade financeira, no nosso enriquecimento interno e externo. Isto não significa que você não deva ter uma reserva para emergências. Isto significa que você deve olhar a sua reserva de emergência de maneira mais positiva, como uma base sólida que permitirá fazer investimentos de longo prazo, iniciar um empreendimento com segurança, garantir crescimento e prosperidade sem sustos. Esta seria a forma emocionalmente saudável de encarar as suas reservas para emergências.

Já a maneira patológica seria passar a vida toda guardando cada centavo esperando os problemas chegarem, sem investir, sem crescer profissionalmente, sem empreender, sem consumir, sem viajar, sem ter novas experiências e sem aproveitar um pouco da vida.

O autor lembra que a vida que levamos é uma consequência das coisas que pensamos. Alguém que pensa em prosperidade naturalmente tem mais chances de conseguir prosperar, já que estará a todo momento pensando nisso, procurando oportunidades, fazendo as coisas acontecerem. Alguém que só pensa nos problemas esquece de pensar nas soluções dos problemas. Quem só olha para os problemas fica anestesiado e paralisado.

A segurança que produz o desleixo:

Também existem as pessoas que por terem uma grande reserva para emergência se expõem mais ao risco, ficam mais desleixadas. Exemplos: Por se sentirem seguras não se preocupam com a segurança ao dirigir, não se preocupam com a própria saúde, não se esforçam para apresentar bons resultados no trabalho ou nos seus negócios. Este comportamento desleixado só ocorre pela segurança proporcionada pelas reservas para emergências. O resultado disso pode ser a materialização das emergências. O que dirige sem cuidado e preocupação com a segurança acaba provocando acidentes. O que não se importa com a própria saúde acaba produzindo doenças. Aquele que não se importa com a qualidade do trabalho que faz, por sentir-se seguro com suas reservas, acaba sendo demitido ou perdendo seus clientes.

Juntar dinheiro para evitar dias difíceis não produz dias difíceis no futuro por pura superstição, misticismo, castigo ou azar. Quem é prevenido não atrai o azar. O problema está no comportamento das pessoas que só juntam dinheiro pensando nos piores dias. Esta mudança no comportamento é que acaba favorecendo ao surgimento de situações negativas no futuro.

Quem poupa e investe pensando na prosperidade terá recursos quando um imprevisto e assim suas energias continuariam focadas na prosperidade (de maneira otimista e positiva) e não nas adversidades (de maneira pessimista e negativa).

A briga entre o racional e o emocional:

É impossível falar de educação financeira sem considerar o lado emocional e o lado racional das pessoas. Você é o resultado dessas duas forças que estão sempre em conflito. Os problemas financeiros resultam no desequilíbrio entre as forças emocionais e racionais.

Devemos juntar dinheiro para comprar as coisas que precisamos e as coisas que gostamos. Com isto, você não precisará pagar juros para os bancos e financeiras (desperdício de dinheiro) e ainda ganhará juros enquanto estiver acumulando os recursos. Também devemos juntar dinheiro pensando na nossa prosperidade. Ninguém deve se conformar com a situação financeira que possui. É importante pensar em progresso e na liberdade financeira. Até a economia do país depende de uma sociedade com mentalidade voltada para a produção de riquezas, prosperidade e crescimento financeiro. Uma sociedade rica é formada por pessoas que cuidam da própria prosperidade.

Se você só junta dinheiro para comprar coisas, esquece de prosperar e de garantir reservas, você está em desequilíbrio.
Se você só junta dinheiro pensando no enriquecimento, não compra nada que você gosta e não faz reserva, você está em desequilíbrio.
Se você só faz reservas pensando no pior, esquece de prosperar e de gastar com o que te faz feliz, você tem um desequilíbrio.

Livro recomendado: Independência Financeira (clique para conhecer).

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